Extratos da nossa reunião de 10/04/2016

Homenagens ao Prof. Leonardo Prota 
(in memoriam)


A primeira parte da reunião deste dia 10 de abril foi dedicada a uma sucessão de homenagens ao Prof. Leonardo Prota, Presidente da nossa Academia, falecido no dia 19 de março. Vários Acadêmicos ocuparam a tribuna e contaram fatos da vida e obra deste grande homem, de múltiplas facetas - filósofo, professor, padre, educador, realizador e, principalmente, um grande amigo. Uma perda irreparável para nossa Academia, para o saber e para os amigos.
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Na homenagem póstuma prestada ao  seu ex-presidente Leonardo Prota (falecido em 19/03/16), o Acadêmico Professor Dr. SERGIO ALVES GOMES apresentou uma série de destaques relacionados com a biografia do homenageado:

Da obra “Racionalidade, Modernidade e Universidade: Festschrift em homenagem a Leonardo Prota”, organizada por GILVAN LUIZ HANSEN e ELVE MIGUEL CENCI, com prefácio de Aquiles Côrtes Guimarães, CEFIL: Ed.UEL, 2000, destacou trechos do capítulo final “Leonardo Prota: biobibliografia”, de autoria de GILVAN LUIZ HANSEN.  
No referido texto, HANSEN escreve: “ Quando o pequeno Leonardo Prota nasceu, aos 18 de julho de 1930, seus pais mal podiam imaginar que aquele “bambino”, gerado no contexto de uma Europa destruída e repleta de conflitos herdados da Primeira Grande Guerra, pudesse “voar” tão alto e para tão longe.  Após uma infância marcada de boas lembranças familiares e outras lembranças nem tão boas advindas do ambiente que culminou com a Segunda Guerra Mundial, Leonardo ingressou no Seminário dos Padres Oblatos de São José, anos mais tarde, tornou-se sacerdote. Foi então que aos 26 anos, sua vida começou a mudar: aceitando o desígnio de seus superiores da Congregação, Leonardo foi trabalhar como missionário junto às povoações indígenas do México. Seu trabalho em solo mexicano lhe valeu convite para lá permanecer, na qualidade de professor, dado o trabalho desenvolvido na Escola de Artes e Ofícios por ele fundada, e para ingressar na carreira política.  Firme em seu propósito de sacerdote, contudo, Leonardo declinou de tal convite e, novamente sob determinação de sua Congregação, foi complementar sua formação na área humanista nos Estados Unidos onde, dentre outras atividades, cursou Mestrado em Educação na “City University of Los Angeles”. Nesse momento é que surgiu o Brasil na caminhada do jovem humanista Leonardo. Enviado para trabalhar na área de educação junto às Escolas administradas pela sua Congregação no Brasil, Leonardo aqui chegou em 1963, radicando-se no norte do Paraná. A identificação com o Brasil e a ânsia de colaborar na solução dos problemas sociais e educacionais deste país fizeram com que Leonardo optasse por naturalizar-se brasileiro, ainda na década de 70.”
Gilvan Hensen  continua sua narrativa  sobre a vida de Prota, mencionando que em tal trajetória, o biografado  “destacou-se como educador, organizando colégios no norte do Paraná e, posteriormente, uma das primeiras escolas brasileiras na área de informática (Faculdades Associadas de São Paulo)”. Ademais, fez  “seu doutorado em Filosofia no Rio de Janeiro, na Universidade Gama Filho (1981)” e, em 1982 foi contratado pela Universidade Estadual de Londrina, onde teve profícua atuação, especialmente para a “implantação do curso de Graduação em Filosofia”, em meados da década de 90, bem como “na criação de novos Cursos de Especialização (Bioética; Filosofia Política) e na estruturação de um projeto de Mestrado em Filosofia[...]. 
Hansen também acentua que “além da atuação na UEL, Leonardo Prota desenvolveu [...] várias atividades voltadas para a educação, para a  formação humanista e para a discussão das questões brasileiras: é um dos fundadores do Instituto de Humanidades [...]. Criou, ao final da década de 80, o Centro de Estudos Filosóficos de Londrina (CEFIL) [...]. 
 Na sequência, HANSEN arrola ampla bibliografia de autoria de Leonardo Prota, para, ao final concluir: “Em face de toda essa trajetória já vivida, Leonardo Prota foi imortalizado como um expoente da cultura brasileira, tendo um verbete com seu nome incluído no Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros (Brasília:Senado Federal, 1999, p. 388-389. Coleção Biblioteca Básica Brasileira). Pertence à Academia Brasileira de Filosofia, ocupando a cadeira nº 26, cujo patrono é Amoroso Costa e à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. É por esse percurso, que ainda está longe de se encerrar, que podemos ter esperança no sentido de aguardar novas e importantes realizações desse filósofo, humanista e cidadão do mundo Leonardo Prota, um ser humano notável que “voou” para bem longe de sua amada Itália e nos brindou com trabalho competente, amizade incondicionada e fé inabalável na espécie humana, requisitos raros de serem encontrados, mas tão necessários para a construção de um mundo melhor para todos”.
Prosseguindo com os destaques bibliográficos  alusivos ao homenageado, o Acadêmico SERGIO ALVES GOMES:
a) mencionou trecho de artigo de JORGE JAIME, fundador da Academia Brasileira de Filosofia (RJ), intitulado: “ Leonardo Prota e sua Obra”, publicado nos Anais do 7º Encontro Nacional de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (realizado em Londrina, no período de 13 a 15 de setembro de 2001), Ed. CEFIL, 2003. No referido artigo, seu autor assevera que “a formação primordial de Leonardo Prota foi, indiscutivelmente, moldada nos fundamentos pedagógicos de Dom Bosco, secundada pelo reformador John Dewey. Foi a época das grandes iniciativas educacionais que resultou, no Brasil, no empenho de Anísio Teixeira, fazendo inovações proveitosas com inúmeras reformas educacionais”; 
b) destacou a importância da tese de doutorado de Leonardo Prota, intitulada “Um Novo Modelo de Universidade”, publicada pela Editora Convívio, de São Paulo (1987). Nela, Leonardo Prota analisa amplamente a experiência universitária brasileira e os principais  “Modelos de Universidade” da Europa e Estados Unidos da América, fazendo ao final uma avaliação crítica de tais modelos.
c) focou a preocupação de Prota com a temática por ele desenvolvida em obra específica sobre “As Filosofias Nacionais e a Questão da Universalidade da Filosofia” (Londrina. Ed. UEL, 2000). Na apresentação da obra, Leonardo  Prota esclarece seus leitores sobre o Leitmotiv de seu texto, dizendo: “Ao longo de todos esses anos amadureceu em nosso espírito uma convicção inquietante: examinando o tema com isenção e sem envolvimento emocional, verifica-se que, contemporaneamente, somente existem filosofias nacionais. Tive, portanto, que tentar resolver este problema: em que consiste a universalidade da filosofia?  Na obra que ora entrego ao público, espero haver conseguido transmitir toda a riqueza do esforço empreendido no sentido de compreender em que consistiriam precisamente as principais filosofias nacionais. E também que haja conseguido responder àquela pergunta no tocante à universalidade do saber filosófico.”
GOMES frisou ter sido agraciado com a oportunidade de ser aluno de Leonardo Prota no Curso de Mestrado em Direito, na UEL e, posteriormente, tê-lo como Membro da Banca Examinadora da monografia do Curso de  Especialização em Filosofia Política e Jurídica (UEL,1999) e da Banca Examinadora do Doutorado em “Direito: Filosofia do Direito e do Estado”, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). Destacou que as eternas lições de vida e sabedoria de  Leonardo Prota permanecerão sempre presentes nos corações e mentes de quem teve a fortuna de conviver com o querido e saudoso mestre. GOMES mencionou ainda que em seu último encontro com Prota - estando este já hospitalizado – percebeu claramente o quanto o olhar e perspectivas do humanista estavam muito além daquele reduzido ambiente, especialmente quando, ao despedirem-se, Prota repetiu a parêmia  com a  qual sempre animava as pessoas, dizendo-a  em sua língua materna, a mesma de Dante Alighieri: “La vita è bella!!! ”.    
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Leonardo Prota

Pelo Acadêmico Ricardo Vélez Rodríguez

A Acadêmica Ludmila Kloczak procedeu à
leitura do texto

Se há um termo para resumir a vida de Leonardo Prota é o de Educador. Um Educador de tempo integral, que alicerçou a sua vocação na mais larga missão de evangelizador, tendo como fulcro a ideia da dignidade de todos os seres humanos. O texto com que o historiador Jorge Jaime, fundador da Academia Brasileira de Filosofia (da qual Leonardo Prota foi também sócio fundador) e que forma parte do Projeto Ensaio Hispânico, da Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, destaca em detalhe o caminho percorrido por Leonardo nessa sua bela carreira de educador, no México e no Brasil [cf. http://www.ensayistas.org/filosofos/brasil/prota/prota1.htm ]. Poucas coisas eu teria a adicionar à completa exposição do já falecido Jorge Jaime sobre a vida intelectual e pedagógica do Leonardo. Por esse motivo, gostaria, nestas linhas, de tecer um comentário mais pessoal acerca do Amigo que partiu.
Conheci Leonardo Prota em Londrina, em 1982, quando tive oportunidade de encontrá-lo na UEL. Nessa ocasião, eu me desempenhava como Diretor pro tempore do Centro de Ciências Humanas dessa Universidade, na qual tinha ingressado por concurso no Departamento de Filosofia no início do ano anterior. O então Reitor da UEL, o saudoso amigo José Carlos Pinotti, tinha me pedido que falasse com Leonardo para ver a possibilidade de ele se vincular à UEL. O encontro foi rápido. Descobri, em Leonardo, uma pessoa com formação humanística ampla, tendo cursado estudos de Filosofia, Educação e Teologia, uma tríade pouco comum no nosso meio. Considerei que a sua participação no Departamento de Filosofia, como docente, enriqueceria muito a ação educacional desenvolvida pelo Centro de Ciências Humanas. 
Apresentei o nome do Leonardo ao colegiado do Centro, bem como aos professores do Departamento de Filosofia, e foi rapidamente aprovada a sua vinculação. Um dado curioso gostaria de lembrar: alguns colegas deste Departamento, após a contratação do Leonardo, vieram me questionar acerca da sua vinculação à Universidade, me dizendo que ele era uma pessoa de esquerda, pois figurava entre os fundadores do recentemente criado Partido dos Trabalhadores. Respondi aos meus colegas que essa consideração não tinha, para mim, nenhuma relevância, levando em consideração o currículo acadêmico do Leonardo, bem como a aprovação para a sua vinculação à UEL, que tinha sido dada pelos colegiados do Centro de Ciências Humanas e do próprio Departamento de Filosofia. 
Se havia reservas ideológicas de parte de alguns dos meus colegas de Departamento, elas logo desapareceram, após Leonardo se integrar à equipe docente. A sua indiscutível preparação, a capacidade que tinha para se comunicar com os alunos e os colegas, a sua tolerância para com todas as pessoas, independentemente de ideologia ou religião, a sua dedicação aos discípulos, o seu brilhantismo como expositor, a sua cordialidade e modéstia, desfizeram rapidamente as nuvens dos empecilhos ideológicos que, aliás, jamais estiveram presentes nas atitudes do meu Amigo. Anos depois, quando constatou que o Partido que ajudara a fundar tinha se desviado dos ideais primigênios, distanciou-se dele, como fizeram outras tantas figuras intelectuais que não aceitaram os desvios no terreno da ética pública.
Uma vez vinculado o professor Leonardo ao Departamento de Filosofia, considerei, pela experiência que ele tinha como coordenador de atividades de pós-Graduação em outras instituições (dentre as quais a FASP, em São Paulo), que ele poderia me substituir como coordenador do Curso de Pós-graduação em História do Pensamento Político Brasileiro, que eu tinha criado na UEL em 1981. Apresentei o seu nome ao colegiado de Curso e Leonardo foi aprovado como coordenador do mesmo. Eu já tinha tomado a decisão de aceitar o convite formulado pelos professores Antônio Paim e Eduardo Abranches de Soveral, então coordenadores do Curso de Mestrado e Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, para me integrar ao corpo docente desse programa. Em Janeiro de 1983 me desvinculei da UEL e parti para o Rio, a fim de assumir as minhas aulas no mencionado Curso. 
Pouco tempo depois, no final de 1983, foi lançado novo edital para preencher as cinco vagas anuais que a Gama Filho abria no seu curso de Doutorado em Pensamento Luso-brasileiro. Leonardo Prota apresentou a sua candidatura com um projeto de pesquisa ligado à discussão dos pressupostos filosóficos presentes no modelo da Universidade brasileira. O meu Amigo foi selecionado pela Comissão da Pós-graduação da Universidade Gama Filho e iniciou, no começo de 1984, os seus estudos para o Doutorado, que terminou com brilhantismo, no final de 1986, com a sua tese sobre o modelo único de Universidade que terminou vingando no Brasil, analisado criticamente nos seus fundamentos filosóficos, ainda situados no contexto do cientificismo pombalino. 
Ao ensejo das aulas no Curso de Pós-graduação, Leonardo Prota fez logo amizade com Antônio Paim, que foi o seu orientador. Impressionou-me vivamente a claridade com que Leonardo analisava a situação da Universidade brasileira, que no seu entender estava presa a um modelo que a empobrecia enormemente, porquanto fechada no estreito conceito de preparar técnicos a serviço do Estado, deixando de lado a formação humanística que, aliás, tinha também desaparecido do ensino de segundo grau. A sua proposta endereçava-se a retomar a tradição humanística da Universidade brasileira, mediante a sua estruturação polimórfica, atendendo às necessidades regionais. Uma proposta ousada que entrava em atrito com o modelo tecnocrático e estatizante em vigor. Admirava no meu amigo a claridade e a profundidade conceitual com que desenvolvia o seu projeto de pesquisa. A sua tese de doutorado logo foi publicada em livro, em 1987, pela Editora Convívio de São Paulo, com o seguinte título: Um novo modelo de Universidade.
No decorrer do ano 1986, Leonardo propôs ao Prof. Paim e a mim, a criação do Instituto de Humanidades, que teria como finalidade preencher o vácuo de formação humanística nas Universidades brasileiras, mediante o oferecimento de Cursos Livres nessa área, adotando a modalidade de ensino à distância utilizada na Open University inglesa. Rapidamente foram elaborados os estatutos do Instituto, e começamos os trabalhos de preparação do material instrucional, nas áreas de: Introdução à História da Cultura Ocidental, Política, Religião, Filosofia e Ética. O trabalho foi intenso ao longo da restante parte da década de 80. Três educadores vincularam-se ao Instituto como membros do Conselho Acadêmico: Maria Clutilde de Abre (do Rio de Janeiro), Maria Christina de Oliveira Espínola (de Londrina) e Arsênio Eduardo Corrêa (de São Paulo). O próprio Leonardo Prota encarregou-se de publicar todos esses materiais, tendo criado, para tal finalidade, a Editora Humanidades, em Londrina. Ele já tinha assumido, na UEL, a coordenação da Editora, que foi por ele dinamizada até colocá-la entre as principais editoras universitárias do Brasil.  
Com a finalidade de estimular o estudo das ideias filosóficas, Leonardo criou o Centro de Estudos Filosóficos de Londrina (CEFIL), a partir do qual desenvolveu uma dupla tarefa: organizar, a cada dois anos, os Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (tendo ocorrido o 1º encontro em 1989) e estimular o estudo das Humanidades no meio acadêmico do Paraná. Uma realização de vulto foi o convênio efetivado entre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Campo Mourão e o Instituto de Humanidades, a fim de oferecer, aos funcionários municipais e à comunidade acadêmica local, em nível de Pós-graduação lato sensu, o Curso de Humanidades. O mencionado programa foi desenvolvido ao longo de uma década, sendo palpáveis os resultados que a formação humanística trouxe para o Município de Campo Mourão. A qualidade de vida melhorou sensivelmente, com a adoção de regras de trânsito civilizadas em que o pedestre era respeitado e de gestão humana do espaço público. 
Na editora por ele criada, o professor Leonardo publicou os anais dos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira, que se realizaram ao longo de duas décadas, em Londrina, com apoio da UEL. Como fruto das suas pesquisas no terreno das Filosofias Nacionais (ponto que passou a ser estudado nos Encontros de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira), Leonardo publicou a sua obra: As filosofias nacionais e a questão da universalidade da Filosofia (Londrina: UEL, 2000).
O Acadêmico Prof. Ricardo Vélez
Rodríguez, autor do texto
Leonardo Prota soube vincular a sua vocação docente à missão evangelizadora que tinha assumido quando foi ordenado sacerdote da Congregação de São José. Embora desligado da atividade pastoral havia já muitos anos, o meu amigo continuou a sua infatigável tarefa de educador, sem abandonar o espírito evangelizador que sempre o animou. A sua esposa Lesy pode testemunhar acerca da entrega desinteressada de Leonardo às atividades educativas e culturais, das quais foi coroamento a sua eleição como presidente da Academia de Letras de Londrina. 
Com aquela atitude meiga e discreta que o caracterizava, vi-o pela última vez, já na UTI do Hospital do Coração, semanas antes de falecer. Despediu-se de mim com um abraço trêmulo e com aquele sorriso inconfundível, que imprimia alegria e calor humano. Partiu na manhã do dia 19 de Março, festa de São José, o padroeiro da Congregação à qual tinha servido durante décadas e que o trouxe para o Brasil. A memória do nosso Amigo e Presidente ficará viva, para sempre, nos nossos corações!
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Lembranças...

Pelo Acadêmico Dr. José Ruivo


"A Memória é a vivência dos velhos".
Esta foi a abertura da bela fala do Acadêmico José Ruivo na sua homenagem ao Prof. Leonardo Prota.
Citou o poema  "Ode a um amigo morto" do livro "Cabo da Boa Esperança" e teceu várias considerações 
sob o ponto de vista cristão, Relembrou Manuel Maria Barbosa du Bocage, que morreu ainda jovem e contemplou a Humanidade com os Sonetos CCCLXXIII (sentimentos de contrição e arrependimento da vida passada) e CCCLXXVI (ditado entre as agonias do seu trânsito final). Prosseguiu citando seus "longevos 86 anos", que resultam nos "espaços em aberto, deixados vagos pela ausência daqueles a que nos ligavam os sagrados laços de família, ou os preciosos afetos de uma amizade sincera e duradoura". 
Citou trechos da Encíclica "Verbum Domini" do Papa Bento XVI, do Livro de Confissões de Santo Agostinho e de escritos de Luís de Camões.
Relembrou ainda que ao final das reuniões o Prof. Leonardo Prota dele se despedia com um fraternal "arrivederci", repondendo -lhe "presto ritorno".
"Agora não poderei dizer mais 'presto ritorno'; porque não será ele que voltará para nós; mas sim nós que, um dia, o iremos encontrar na alegria e no seio da Casa do Pai, aonde ele já se encontra, no esplendor da Glória. Assim nós o consigamos merecer...
Ao final, declamou o verso "Saudade!":
Disse o poeta:
"Esta palavra saudade!
Aquele que a inventou
A primeira vez que a disse,
Com certeza que chorou!"
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Enaltecendo o Prof. Leonardo Prota
Pelo Acadêmico Dr. José Eduardo de Siqueira


O Dr. José Eduardo de Siqueira, médico cardiologista, escritor e professor de Bioética na UEL, usou da palavra para enaltecer a figura do Prof. Leonardo Prota, pela sua enorme bagagem cultural, o talento e a cordialidade na convivência entre ambos nas lides acadêmicas, nas áreas de Educação e Bioética.
Referiu-se ao trabalho conjunto em publicações como: Ética, Ciência e Responsabilidade (Editora Loyola).
Salientou também o trabalho desenvolvido por ambos junto ao Conselho Editorial da Editora UEL, da qual o Prof. Prota era presidente.

Discorreu sobre sua seriedade, dinamismo e capacidade ao possibilitar a publicação de importantes obras, notadamente nas áreas de Filosofia e Bioética. E ilustrou sua fala apresentando diversos livros.
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La vita è bella
Pelo Acadêmico Julio Bahr

Nosso amigo, professor, filósofo e presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina foi-se embora. Um homem sempre bem humorado, educado com todas as pessoas, galanteador com as mulheres, para as quais habitualmente reservava um rasgado elogio, amante de um bom vinho italiano, o Prof. Leonardo Prota nos deixou neste sábado dia 19 de março.
Tive o privilégio de desfrutar de sua amizade nos últimos dois anos e meio, quando fui convidado para fazer parte da nova diretoria da Academia, que acabara de sofrer um duro golpe com a perda do então presidente e fundador, Dr. João Soares Caldas. 
O professor usava um jargão que marcou a vida dos seus amigos: para ele “la vita è bella” sob todas as circunstâncias. Com esse jargão, nosso grupo da diretoria brindava a cada reunião, a cada encontro festivo, sempre com um bom vinho, fosse italiano ou não. 
Prof. Prota e eu nos comunicávamos quase que diariamente – havia assuntos a serem analisados e resolvidos. Creio que fui uma espécie de “alter ego” para ele nesse período, pois nos entendíamos perfeitamente. Talvez o fato de ele ter convivido longamente com a vida acadêmica, de onde conhecia seus melhores amigos, e eu ter surgido da vida publicitária, um mundo absolutamente conflitante com o rigor das universidades, tenha moldado nosso perfeito entendimento.
No dia 2 de janeiro recebo dele um telefonema: estava nos convidando, a mim e à minha companheira Tânia para almoçarmos no restaurante Barolo (aqui em Londrina) que, descobri mais tarde, ser o seu predileto. Claro que o almoço foi acompanhado por um uma boa conversa e um excelente vinho italiano...
As mulheres têm uma percepção muito mais aguçada do que nós, homens: Tânia pressentiu que ele na verdade preparara uma despedida, pois Leonardo Prota já estava muito doente – ele internou-se no hospital dois dias depois, permaneceu poucos dias no quarto, onde ainda o visitei e em seguida foi removido para a UTI, onde faleceu.
Ficamos muito comovidos com a deferência do professor, que nos elegera para partilhar do seu último compromisso social.
Com ele, aprendemos muito, assim como seus incontáveis alunos espalhados por várias cidades brasileiras. Sua mente era brilhante, seus conceitos muito bem colocados, suas palestras na nossa Academia, profundas e muitas vezes contundentes. Deixa muitas saudades e um vácuo impossível de ser preenchido.
Seja de qual lugar ele estiver agora, com certeza nos soprará nos ouvidos muitas e muitas vezes: “la vita è bella”, “la vita è bella”, “la vita è bella”...
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Destaques Acadêmicos:

Declamação pela Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina 


BRASIL

Nesta hora de sol puro
Palmas paradas
Pedras polidas
Claridades
Faíscas
Cintilações

Eu ouço o canto enorme do Brasil!

Eu ouço o tropel dos cavalos de Iguaçu correndo na ponta
    das rochas nuas, empinando-se no ar molhado, batendo
    com as patas de água na manhã de bolhas e pingos verdes;

Eu ouço a tua grave melodia, a tua bárbara e grave melodia,
    Amazonas, melodia da tua onda lenta de óleo espesso que
    se avoluma e se avoluma, lambe o barro das barrancas, morde
    raízes, puxa ilhas e empurra o oceano mole como um touro
    picado de farpas, varas, galhos e folhagens;

Eu ouço a terra que estala no ventre quente do Nordeste,
    a terra que ferve na planta do pé de bronze do cangaceiro,
    a terra que se esboroa e rola em surdas bolas pelas
    estradas de Juazeiro, e quebra-se em crostas secas,
    esturricadas no Crato chato;

Eu ouço o chiar das caatingas — trilos, pios, pipios, trinos,
    assobios, zumbidos, bicos que picam, bordões que ressoam
    retesos, tímpanos que vibram, límpidos papos que estufam,
    asas que zinem, rezinem, cris-cris, cicios, cismas, cismas
    longas, langues — caatingas debaixo do céu!

Eu ouço os arroios que riem, pulando na garupa dos dourados
    gulosos, mexendo com os bagres no limo da luras e das locas;

Eu ouço as moendas espremendo canas, o gluglu do mel
    escorrendo nas tachas, o tinir da tigelinhas nas serigueiras;
E machados que disparam caminhos,
E serras que toram troncos,
E matilhas de “Corta Vento”, “Rompe-Ferro”, “Faíscas”
    e “Tubarões” acuando suçuaranas e maçarocas,
E mangues borbulhando na luz,
E caititus tatalando as queixadas para os jacarés que
    dormem no tejuco morno dos igapós...
Eu ouço todo o Brasil cantando, zumbindo, gritando, vociferando!
Redes que balançam,
Sereias que apitam,
Usinas que rangem, martelam, arfam, estridulam, ululam e roncam,
Tubos que explodem,
Guindastes que giram,
Rodas que batem,
Trilhos que trepidam.
Rumor de coxilhas e planaltos, campainhas, relinchos
    aboiados e mugidos,
Repiques de sinos, estouros de foguetes, Ouro Preto,
    Bahia, Congonhas, Sabará,
Vaias de Bolsas empinando números como papagaios,
Tumulto de ruas que saracoteiam sob arranha-céus,
Vozes de todas as raças que a maresia dos portos joga no sertão!

Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.

Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...
A conversa dos fazendeiros nos cafezais,
A conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
A conversa dos operários nos fornos de aço,
A conversa dos garimpeiros, peneirando as bateias,
A conversa dos coronéis nas varandas das roças...
Mas o que eu ouço, antes de tudo, nesta hora de sol puro
Palmas paradas
Pedras polidas
Claridades
Brilhos
Faíscas
Cintilações
É o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus berços,
    onde dorme, com a boca escorrendo leite,
    moreno, confiante, o homem de amanhã!


(Do Livro “Toda a América” – 1925) - Ronald de Carvalho
(Rio de Janeiro – 1893 – 1935)
Advogado, poeta, escritor, político, diplomata em vários países, grande expoente do Modernismo.

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Palestra:
Os Cavaleiros Templários 
A história, o legado e sua importância nos dias de hoje

Por Glauco Borba *

Dr. Glauco Borba
Foi uma ordem monástica com amparo e disciplina militar na idade média. Formada inicialmente com 9 cavaleiros na França, com intuito de proteção armada aos fiéis que se dirigiam em peregrinações para a Terra Santa (Jerusalém), a Ordem cresceu após um período de 10 anos, vindo a se tornar a maior organização de combate da história com participações na maioria das Cruzadas. Formada por monges guerreiros, a organização cresceu em termos de estrutura física tornando-se a primeira multinacional do planeta. Trouxeram desenvolvimento para Europa, através das ciências agrárias com suas centenas de fazendas altamente produtivas, foram também exímios construtores de castelos, pontes e igrejas. Formaram educadores e estudiosos e fundaram diversas escolas e centros de treinamentos e alfabetização.  
Trabalharam com fortunas de reis e famílias nobres num sistema de muita confiança e segurança para seus depositários e desta maneira deram início ao sistema bancário similar nos dias de hoje.
A Ordem durou por 200 anos; posteriormente a este período,
por causa de perseguições de nobres falidos europeus que desejavam suas riquezas e com a derrota militar no Oriente,
dissolveram-se, levando porém todo seu conhecimento e bens para outros países do continente onde continuaram supostamente com outros nomes o trabalho de desenvolvimento e prosperidade aos países que os receberam.

Os Templários foram os primeiros, senão os únicos, a perceber que havia um "chão" comum entre os judeus, cristãos e muçulmanos e tiveram um papel importante na criação de respeito pela cultura e espiritualidade dos povos que habitavam o Oriente.

*O palestrante é Cirurgião Dentista, reside e trabalha em Londrina com clínica própria. Graduado pela Faculdade de Odontologia de Marília-SP, com Aperfeiçoamento em Prótese, Pós Graduação em Marketing de Serviços FGV-Rio, Curso de Oratória - certificado pelo Instituto Dale Carnegie - USA.
O palestrante Dr. Glauco Borba
recebendo seu Cerificado de Participação
das mãos do Acadêmico Julio Bahr 












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Livro em Homenagem ao
Prof. Leonardo Prota
Ao final da reunião, foram distribuídos exemplares do livro especialmente confeccionado para homenagear vida e obra do Prof. Leonardo Prota, com textos, fotos, cartas, comentários e um número expressivo de e-mails recebidos por ocasião do seu falecimento. 
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A mesa diretora que conduziu a reunião: ao centro, Presidente em Exercício, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, ladeada pelo Acadêmico Professor Dr. Sergio Alves Gomes à esquerda. Completou a mesa o palestrante Dr. Glauco Borba, à direita

Missa de 30o. dia

A Academia de Letras, Ciências e Artes e Londrina comunica que será celebrada, no próximo domingo, dia 17, às 18 horas, na Igreja Imaculada Conceição, à Rua Belo Horizonte, a missa por intenção da alma do saudoso Presidente, Prof. Leonardo Prota, pelo trigésimo dia de seu falecimento.
Desde já, os agradecimentos a todos que se fizerem presentes a este ato de fé e solidariedade cristã.

Nossa Academia de Letras está de luto!

A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, com profundo pesar, informa aos senhores e senhoras Acadêmicos, e aos demais simpatizantes dessa entidade, que na data de hoje, 19/03, faleceu o querido Presidente, Prof. Leonardo Prota, cujo corpo será cremado na segunda-feira, na cidade de Maringá.

Por desejo da família, o velório e a cremação terão caráter absolutamente privados.

A Vice-Presidência, representando todos os membros dessa entidade, apresenta sentidas condolências à família enlutada e roga a Deus, que acolha o seu pranteado líder sob o divino manto.

Leonilda Yvonneti Spina

Extratos da reunião de 13/03/2016

Da esquerda para a direita os Acadêmicos Sergio Alves Gomes e Leonilda Yvonneti Spina,
respectivamente Orador e Vice-Presidente da Academia e a palestrante
Profa. Lucinea Aparecida de Rezende (Foto Gica Araújo)

A primeira reunião de 2016 foi conduzida pela nossa Vice - Presidente, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, visto que o Presidente, Prof. Leonardo Prota, encontra-se hospitalizado, em delicado estado de saúde. A mesa diretiva contou com a presença do nosso Orador, o Acadêmico Prof. Sergio Alves Gomes, que procedeu à abertura da reunião e à leitura 
do Credo Acadêmico, de autoria da Acadêmica Maria Aparecida Frigeri e fez as vezes de Mestre de Cerimônias.
Foi ressaltado que neste mês de março celebra-se a data máxima da Cristandade e entre outras comemorações, destacam-se o Dia Internacional da Poesia, no dia 21 (estabelecido na XXX Convenção Geral da UNESCO, em Genebra, em 16/11/1999), o Dia Internacional da Mulher, no dia 8 e o aniversário da nossa Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, no dia 14, cuja comemoração será programada oportunamente.
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DESTAQUES ACADÊMICOS

Declamação: "Estrela-guia"



Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e parabenizando todas as mulheres presentes, a Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina declamou o poema "Estrela-guia", de sua autoria, acompanhada ao violão pelo maestro Fernando Martins Mourão:

No laço de fita, a graça da vida
que palpita na alma em flor.
Nas brincadeiras de roda, amarelinha,
a ânsia de abraçar o mundo sozinha.
Vencer os tabus, o pavor do pecado, 
- velhos preconceitos de tempos passados.

Brincar, sorrir, sonhar... 
Antever o amanhã colorindo o horizonte:
- Arco-íris embelezando a vida! 

Mais tarde... Jovem em busca do amor.
Sufocados suspiros, segredos, paixão...
(E a árdua conquista da profissão!)

Depois... Mulher e mãe a empreender
dupla jornada! No trabalho, nas lides do lar:
- Regando flores, aquecendo o leite, 
aprontando a merenda, 
ajeitando a gravata do bem-amado. 

Mulher forte, enfrentando vendavais,
oferecendo o ombro amigo, uma palavra
de entusiasmo, compreensão, incentivo.

Espiando a vida passar pela vidraça, 
vê os filhos crescerem e a indesejável 
chegada de inevitáveis cabelos brancos.
O batom, o perfume, a vaidade sempre presente.
O presente de cada dia: a família reunida.

Aos poucos, os filhos alçam voo,
deixando o calor do ninho.
- A tristeza da ausência, a confiança no futuro!

Agora... Feliz, a acariciar os filhos
dos filhos seus, na sublime missão
de todas as mulheres, abençoadas por Deus!

- Angústia ou medo de envelhecer? 
Não! Perceber na presença de cada ruga
(disfarçada é claro, que vaidade é preciso),
um tributo aos bons anos vividos.

Enriquecer-se a cada dia,
acumulando sabedoria.
Desfrutar com prazer a maturidade
e orgulhosamente exclamar:
- Vivi de verdade! Não passei
pela vida, simplesmente... 

Deixarei esta marca, 
o toque de minha passagem:
- A coragem de enfrentar o mundo
com fé, otimismo e alegria. 
Como mulher, mãe, companheira. 
- Farol, leme... Estrela-guia!
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Apresentação:

“O talento e a rebeldia de 
Mario Romagnolli”
José Pedriali*

Contamos com a presença do jornalista e escritor José Pedriali, que nos relatou algumas histórias sobre seu avô, escultor, marmorista, político (foi vereador de 1947 a 1955) e, principalmente, poeta. Poeta dos bons, como frisou o apresentador. Nascido em Boa Esperança, MG, estabeleceu-se em Londrina em 1936, vindo a falecer em 1991.
Das suas esculturas, restou apenas um Cristo de braços abertos, que originalmente recebia os fiéis na porta principal da Catedral de Londrina e hoje está relegada à parte externa, nos fundos da igreja.
Das suas construções, resta a mais imponente - a igreja matriz de Arapongas, em estilo barroco. Foi também Mario Romagnolli que criou a estátua em bronze de Mercúrio, deus do comércio; a estátua ficava originalmente no topo do edifício da Associação Comercial de Londrina, pairando sobre a cidade. Agora está exposta na entrada do prédio e, para não ofender a "moral e os bons costumes", foi castrada...
Mario Romagnolli deixou extensa obra poética, retratada no livro "A Doce Vingança do Poeta" e cuja história  está registrada no livro "O Poeta da Rebeldia", ambos produzidos por José Pedriali. Destaque-se que Mario Romagnolli fez parte do Colegiado que, em 18 de abril de 1978, fundou a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. 

* José Pedriali
Londrinense, jornalista desde 1978, apesar de formado em 1981, tendo trabalhado, entre outros, para Folha de Londrina, Jornal da Tarde e Estadão, do qual foi redator, subeditor, repórter especial e correspondente no exterior. 
Atualmente presta assessoria de imprensa e consultoria.
Tem sete livros publicados, três à espera de editora e trabalha na biografia do ex-governador e ex-prefeito de Londrina, Hosken de Novaes.

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MOMENTO DE ARTE

Maestro Fernando Martins Mourão, soprano Ávila Porto
e pianistas Valéria Brum e Rafael Matter
No "Momento de Arte" o Instituto Cultural José Gonzaga Vieira nos brindou com a apresentação de música erudita, dentro do Projeto “Cantar IV”, sob a direção do Maestro Fernando Martins Mourão, coordenador musical dessa entidade.
Foram apresentadas as músicas "Melodia Sentimental", de Heitor Villa Lobos, interpretada pela soprano Ávila Porto, com Rafael Matter ao piano. 
Em seguida, uma ária da ópera "Le Nozze di Figaro", de Mozart, com a soprano e acompanhamento de Valéria Brum ao piano. A apresentação encerrou-se com “Sonata em ré maior”, de Mozart, em três movimentos, executada a quatro mãos, com Valéria Brum e Rafael Matter ao piano.
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PALESTRA
"Fotografia: cores, formas, linhas, pontos e emoções" 
Lucinea Aparecida de Rezende*


Linhas, contornos, formas, texturas, padrões e cores são elementos que definem a composição fotográfica. Toda fotografia, intencionalmente ou não, contém um ou mais desses elementos. As linhas são importantes tendo em vista a influência que exercem. Elas definem os contornos, que delineiam as formas. Podem ser usadas para conduzir os olhos do observador ao ponto de interesse em uma fotografia. 

As linhas horizontais tendem a passar uma impressão de estabilidade e calma. Elas provocam sentimentos de descanso, ideias de permanência, estabilidade, como na foto abaixo: 

As linhas verticais, por sua vez, ressaltam a altura e dão sensação de grandiosidade.  São utilizadas para dar destaque à altura de determinados elementos e por essa razão tornam as imagens mais dinâmicas e levam a sensações de poder e força:

A partir de linhas e da maneira que utilizamos as luzes são definidos os contornos, fundamentais na identificação dos elementos fotográficos. Eles são melhor definidos quando o assunto fotografado está iluminado pela frente ou por trás. Quanto mais contrastante for o contorno, mais irá chamar a atenção para o assunto fotografado. Eles podem ajudar a construir silhuetas, que são melhor fotografadas minutos antes ou depois do nascer ou do pôr do sol:

Outro elemento a ser considerado na composição fotográfica é a textura do assunto em foco. Além do próprio objeto fotografado, que pode apresentar textura forte, ela também pode ser evidenciada quando se fotografa de manhãzinha e ao fim de tarde, ou sob a luz do meio dia, que incide verticalmente sobre o objeto fotografado: 

Mais um elemento da composição fotográfica aparece: o padrão e a quebra dele, que ocorre quando há um elemento diferenciado dentre outros, iguais. Por exemplo, vários troncos de árvores e, paralelamente, uma corujinha, em pé, compondo o cenário. Ou, ainda, quando temos uma série de linhas da mesma natureza/direção e aparece um objeto desconstruindo essa organização:

Por fim chegamos às cores e como elas influem na cena fotográfica. Faz-se necessário lembrar que as cores são elementos vistos conforme cada cultura em que se insere o fotógrafo ou o apreciador de fotografia. 

FOTOGRAFIA E EMOÇÕES
É a lida do fotógrafo com o conjunto de linhas, contornos, formas, texturas, pontos, padrões, cores, luzes e sombras, além da habilidade com a técnica fotográfica no que se refere ao uso da câmera, que dará à fotografia − resultado do processo de captura da imagem, incluindo pós-tratamento, quando for o caso −, a possibilidade de provocar emoção. 

Aquele que vê a fotografia poderá ficar sensibilizado frente a uma fotografia quando os elementos mencionados neste texto forem utilizados com segurança, de maneira que o fotógrafo utilize a regra de terços ou a quebra dela. Por outro lado, a desconstrução de modelos tradicionais pode dar um toque particular ao trabalho e despertar apreciadores da arte fotográfica.

Resta dizer que estamos em tempos de mudança de paradigmas nas artes, o que inclui o fazer fotográfico. Coexistem os trabalhos clássicos, bem como aqueles que são feitos com intuito provocador por excelência e também as fotografias dos fotógrafos cotidianos mais diversos, que estão em todos os lugares, com diferentes câmeras, em especial as dos celulares. Esses trabalhos, no seu conjunto, devem ser vistos como diferentes manifestações, próprias do nosso século. Eles acabam por criar interrelações que dão à fotografia um novo tom.


A palestrante associou esta imagem ao relato da experiência de descrição do nascer do sol, pelo seu filho mais velho, feita por telefone, pela manhã bem cedo, quando ele visitou Salvador, há muitos anos. Muito tempo depois, ela fotografou o Lago Igapó, em Londrina, e descreveu para ele a imagem de um pôr do sol, visto que ele perdeu a visão:

"Querido André
Lembro-me sempre de uma vez que você, jovenzinho, chamou-me ao telefone, penso que por volta das 5h da manhã, para falar, entusiasmado, do nascer do sol em Salvador. Agora, quero compartilhar com você um pôr de sol, às margens do Lago Igapó, em Londrina. Vou descrever para você, que já está na casa dos quarenta e não mais pode ver, a foto de número 4031, que cliquei hoje.
Algumas coisas falharam, hoje. Por exemplo: fui ao cinema à tarde, mas não levei dinheiro na bolsa... Ninguém conhecido para um empréstimo, tive de voltar para casa. A chateação impediu-me de estar concentrada para qualquer outra coisa. Então, pensei: o dia está com um pouco de sol, após bastante chuva. Isso significa que o ar está limpo, o que permite capturar boas imagens fotográficas. Portanto, o melhor lugar para ir é ao Lago Igapó... Que boa ideia! Realmente, o fim do dia foi espetacular!
Na foto 4031, as cores vão do laranja ao preto. No centro, no sentido horizontal, está a margem do lago, ladeada por árvores. Esse centro é multiplicado por dois, em razão do reflexo nas águas. É como se fosse um bicho qualquer, que tem a calda arredondada, maior que o corpo. Essa calda parece uma roda gigante... Imagem e reflexo se juntam e entre as folhas das árvores, que constituem a imagem refletida nas águas, de cor escura, está a cor laranja, compondo filigranas, como uma renda escura, permeada pela intensa luz solar.
Sobre as árvores, a imagem dos prédios. Em tons bege com pontos escuros, eles se mostram em sua imponência, ladeados pela cor laranja, como se fosse fogo a envolvê-los. Como perfeitas labaredas, o branco, cinza e laranja compõem muitas cores, a emoldurar as construções. Tudo refletido, igualmente, nas águas do Lago.
No início da imagem, à esquerda, a imagem de um prédio mais alto ocupa todo o espaço. Ao longo do espaço, no centro, visto conforme a linha do horizonte, prédios mais baixos se alternam, lado a lado. Ao final, do lado direito, o que já mencionei, está presente como que uma roda gigante, permeada de luz alaranjada forte. No céu e nos reflexos dele, as nuvens alaranjadas, com tons de cinza. 
Essa imagem é uma obra artística! As formas, as cores, intensas e elegantes, estão dispostas de maneira harmoniosa. A natureza nos brindou com um momento especial e nos conclamou para visualizarmos o belo! A mim, restou a admiração e o registro. Que outros possam completar o descrito e o ajudem a ver esse espetáculo ímpar!
Beijos,
Mãe"

Professora na Universidade Estadual de Londrina, atuando na área de múltiplas linguagens. Passou, há 9 anos, a frequentar o Foto Clube de Londrina – FCL – interessada no universo fotográfico e nas leituras possíveis nessa área.

A partir daí, começou a fotografar e, atualmente, é Presidente do FCL. Participou de inúmeras exposições fotográficas em conjunto com os associados, bem como do livro "Cliques e Escritos", publicado por essa entidade. Realizou exposições individuais em Ibiporã, Bela Vista do Paraíso e, por várias vezes, em Londrina. Teve fotografia selecionada em concurso da New Holland, em 2015, o que resultou em exposição fotográfica conjunta com outros 35 fotógrafos da América do Sul, que percorre essa região.
Participou de Salões Nacionais e Internacionais de arte fotográfica e teve fotografia selecionada para uso em livro didático. Mantém um blog de fotografia, que registra um número próximo de 100.000 visualizações. Escreveu, juntamente com colegas, artigo na área de fotografia, publicado em livro.

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Ao finalizar a reunião, a mesa diretiva agradeceu à Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira por ceder-nos o belíssimo espaço do Instituto Cultural José Gonzaga Vieira para que a Academia possa promover as reuniões mensais, além de um espaço privativo da Academia onde se encontra o nosso acervo; agradeceu também ao Colaborador Cultural da Academia, Dr. Luiz Parellada Ruiz, por nos ter acolhido durante meses em espaço da Lab Imagem, para que nossos trabalhos não fossem interrompidos após o falecimento do presidente Dr. João Soares Caldas. Ao mesmo tempo, o Dr. Parellada foi parabenizado por ter recebido homenagem do Conselho Regional de Medicina do Paraná, pela sua conduta ética, durante 50 anos no exercício de dua atividade.

A mesa diretiva registrou também o convite recebido da ALAP - Academia de Letras e Artes de Paranavaí, para a posse da nova diretoria e posse de acadêmico, realizada no dia 5 de março último, externando os cumprimentos à nova Diretoria e ao novo Acadêmico empossado. 

Finalizando a reunião, a Vice-Presidente Leonilda Yvonneti Spina externou a solidariedade da Academia à Profa. Lesi, esposa do Prof. Leonardo Prota, solicitando a todos que orem pelo restabelecimento da saúde do nosso presidente e agradeceu a presença de todos, com uma salva de palmas especial dirigida às mulheres presentes à reunião.

Em vigor, o Acordo Ortográfico da nossa língua

A aplicação do Acordo Ortográfico a partir de 16/01/2016, eleva para 215 milhões os falantes de Português a usar a nova grafia no Brasil, mas a norma está em diferentes estágios de implementação nos vários países que a ela aderiram.
O Brasil, que assinou o acordo em Lisboa a 16 de dezembro de 1990 e o ratificou a 18 de abril de 1995, terminou, no último dia de 2015, o período de transição, tornando a norma obrigatória.
Aqui são mais de 204 milhões de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, seguindo-se 10,3 milhões de portugueses, em números redondos facultados em julho passado pelo Eurostat, e os 512 mil cabo-verdianos, segundo um levantamento efetuado em 2013 pelo Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde.


Extratos da nossa reunião de 13/12/2015

Casa cheia. Com a leitura do Credo Acadêmico, o Presidente Prof. Leonardo Prota deu início à última reunião da nossa Academia no ano de 2015, passando a seguir a palavra para o Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, que fez as apresentações do dia.

DESTAQUES ACADÊMICOS

Nossa Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina e o Mestre de Cerimônias Jonas Rodrigues Matos
- Declamação
Pela Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina
"Pé Vermelho", de sua autoria


Sou “pé vermelho”.
Nasci ouvindo sons de serras,
carroças rangendo nas ruas,
meninos brincando na terra poeirenta,
pés descalços, costas nuas.

Ouvia casos de onças
rondando a redondeza.
Também histórias de índios:
- Caingangues, guaranis...

Passei infância tranquila
caçando sabiás, bem-te-vis,
encantado com muitas lendas
de caiporas, sacis.
(E também de afogamentos 
de marginais, no Tibagi...)
Serão fatos ou boatos?
- São histórias que ouvi...

Diziam que antigamente,
na “Capital do café”
os negócios importantes 
se davam nos cabarés.
O luxo era tal e tanto
que a fama desta cidade
corria por todo canto.

Sou “pé vermelho”.
Nasci amassando barro,
vendo rastro de carro 
fazendo sulco no chão.
Eu não deixo este rincão...
Ah! Não deixo não!

Vi cada dia se erguer 
nova casa de madeira
e crescerem os bordéis.
Ah! Os bordéis...

Vi o asfalto calçando as ruas, 
canteiros de flores na praça,
- o progresso se acelerando
nas espirais de fumaça.
Ah! O namoro na praça!...

O retrato da cidade 
no “lambe-lambe” se apagou...
Hoje ela mudou muito.
Ora... como mudou!
Tantas rádios operando, 
canais de televisão,
colégios, teatros, museus, igrejas,
aeroporto, autódromo, “Zerão”.
Clubes, universidades,
estádios de futebol, “Moringão”. 
(E a garra do “Tubarão”!)

Londrina já tem “calçadão”
pra quem não quer fazer nada
e avenidas repletas
que passam a noite acordadas.

Índios passeiam nas ruas,
vendem cestos, armam tendas.
Distante está meu passado...
Perto estão antigas lendas.

- Vocês já viram Londrina
palpitando, ao meio-dia, 
na Avenida Paraná?
Até parece São Paulo,
no “Viaduto do Chá”!

Sou “pé vermelho”,
corajoso, aventureiro.
Faço tudo pra ganhar dinheiro:
- ao sol, no solo, a pé, na pedra...

Sou artista, corretor...
E tenho um orgulho danado
deste lugar abençoado!
- Sou “pé vermelho”, sim senhor! 
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- Apresentação de conto inédito

Contamos com a presença da Professora, palestrante e agora contista Aurora Fernandes, que nos brindou com a leitura de um dos seus contos, "Descompasso de Amor"que faz parte do seu primeiro livro a ser lançado no início de 2016. A Professora já apresentou em nossa Academia a palestra "De oprimida e explorada a liberta e autônoma: o empoderamento feminino desvendado pelo universo da mulher longeva", em outubro de 2014. Aurora Fernandes é Doutora em psicologia social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mestre em educação pela Universidade Federal do Paraná, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina. Possui graduação em psicologia pela Universidade de São Paulo, tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Fatores Humanos no Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: aposentadoria, trabalho e tempo livre, psicologia organizacional, envelhecimento e significado do trabalho. 
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- Declamação: "Encontro de Luz"


O Professor Aparecido Guergolette, poeta, Membro Colaborador Cultural de nossa Academia, autor de vários artigos publicados em jornais de Londrina,  apresentou poemeto (como o chama) de sua autoria, intitulado "Encontro de Luz". Antes da apresentação, comentou  que estava caminhando no lago Igapó 2, quando foi abordado por um menino, sem camisa e descalço, aparentando uns 7 ou 8 anos de idade, e lhe pediu um dinheiro. Mas, como estava se exercitando. respondeu-lhe que não tinha dinheiro para dar. O menino disse-lhe: "então eu te perdoo". O garoto saiu caminhando, porém, mancando de um pé, as costas feridas e um lado do rosto, aparentemente queimado.

Naquele momento, o sino da igreja São Francisco de Paulo tocou. Ele [o menino] falou à sua mãe: "escuta o sino batendo lá em Jerusalém: belém, belém, belém". Assim, nasceu o referido poemeto que não fala do Natal, mas fala de Jesus: 


Caminha o menino,/ Em busca do além
E ouve o sino,/ Lá em Jerusalém,/
Belém, Belém, Belém! Lá em Jerusalém.

Caminha o menino,/ Com o pé machucado,
O corpo esquecido/ E o rosto queimado,/
A sede sufoca/ E a fome atordoa,
O caminhante menino,/ Que sempre perdoa.

Com as costas feridas,/ Caminha o menino,/
A meta, o destino,/ O encontro da Luz;/
Que celebra o amor,/ O sangue da Paz,/
E, quem é o menino?/ Uma voz, é Jesus!

Caminha o menino,/ Com o pé machucado,
O corpo esquecido/ E o rosto queimado,/
A sede sufoca/ E a fome atordoa/
O caminhante menino,/ Que sempre perdoa.
E, quem é o menino?/ Uma voz, é Jesus!

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- Visita de Acadêmica


Recebemos a visita de Ofélia Terezinha Baldan, da Academia Itapemense de Letras. Londrinense, morou em Itapema, SC por cerca de três décadas  e está de volta à nossa cidade.
Terezinha, como gosta de ser chamada, declamou uma poesia muito criativa e bem-humorada de sua autoria, sobre os personagens Jesus e Madalena - apenas uma coincidência de nomes - mas que despertou grande suspense. A verdadeira história dos personagens foi revelada apenas no final.
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MOMENTO DE ARTE

Contamos com a presença da artista plástica Neldy Kalau, Colaboradora Cultural da nossa Academia. Filha de pioneiros, há décadas vem ministrando aulas de pintura nesta cidade e tem participado de inúmeras exposições coletivas em variados espaços. Especializou-se em retratar a natureza e os temas de suas obras são principalmente flores e as árvores símbolos do Paraná, araucária e peroba. Possui um número considerável de telas em coleções particulares e em consulados e embaixadas de vários países. É Cidadã Honorária de Londrina.
Neldy trouxe três das suas obras que foram muito elogiadas pelos presentes.
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PALESTRA
“Conto e Romance. O conciso e o vasto na arte literária” 
Dr. Marco Antonio Fabiani *

O palestrante abordou esses dois troncos da arte literária, que trilharam caminhos diferentes ao longo da história da literatura.
A origem do conto se confunde com a própria história da humanidade, por ser uma expressão da necessidade atávica de nós todos de narrarmos aquilo que vemos, que sentimos, cenas do nosso cotidiano. Se levarmos esse raciocínio ao limite é possível apontar traços de contos nas pinturas rupestres nas cavernas pré-históricas. Apesar de sua antiguidade o conto traz ainda hoje resquícios das formas mais primitivas de contar uma história. E no conto moderno iniciado com Poe ele passa a ter verdadeiramente uma forma artística, uma expressão da arte literária.
O romance, com múltiplos focos, enredos mais longos e elaborados já nasce como obra cultural, espelhando seu tempo, captando a complexidade das épocas em que ele nasce.
Como símbolo do romance moderno, citamos Dom Quixote de La Mancha e Robinson Crusoé. Ambos se definem por uma característica essencial do homem moderno que é o desejo reconstruir o mundo conforme sua vontade. Em Dom Quixote, um fidalgo que mata a realidade e reconstrói o mundo como fantasia e Robinson Crusoé que após um naufrágio chega a uma ilha que ele faz como seu mundo idealizado.

* Médico formado pela UEL em 1980. Participou dos movimentos estudantis da década de 70, inclusive escrevendo nos jornais acadêmicos da época. Daí o gosto pela escrita. Em 2004 publicou sua primeira coletânea de contos “Trilhas do fogo”. Em 2005 “Contos de pau e pedra”. E em 2009 “Histórias de um Norte tão velho”. Recebeu Menção Honrosa pelo conto “As três pontas do laço” em 2006 no concurso da Secretaria de Cultura do Paraná. Tem trabalhos publicados nas revistas Cult e Coyote e participa frequentemente de eventos literários na região. Publicou seu primeiro romance “A memória é um pássaro sem luz” em setembro de 2013.

Nota de Falecimento - Amani Spachinsky de Oliveira

Na tarde do dia 25/11, faleceu o filósofo, teólogo, imortal da AML (Academia Mourãoense de Letras), poeta, escritor, contista, articulista, membro da AME (Associação Mourãoense de Escritores) e presidente da AMF (Academia Mourãoense de Filosofia), Amani Spachinski de Oliveira. 

Em Ponta Grossa, fez Filosofia e Teologia. Em 1980 foi ordenado padre pelo Bispo Dom Frederico Helmel e exerceu o ministério sacerdotal em Pitanga – PR. Em 1983, “deixou a batina” para casar-se. Em 1987 iniciou o Curso de Letras - Literatura na Universidade Estadual de Guarapuava. Em 1988, fez reconhecimento do Curso de Filosofia na FACITOL em Toledo e habilitou-se em Filosofia, Sociologia e Psicologia. Era especialista em Filosofia e Psicopedagogia e doutorando em História.

Amani era também presidente da Associação Mourãoense de Escritores, palestrante, conferencista e filósofo clínico em formação, professor de Filosofia nos Cursos Médio e Superior, poeta e contista.

A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina estende suas condolências à família, a todas as entidades a ele relacionadas e especialmente à co-irmã Academia Mourãoense de Letras.