Extratos da reunião de 09/setembro/2018

 
Mesa diretiva, composta pela nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira 
ladeada pela Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa, vice presidente 
e pela Acadêmica Ludmila Kloczack, a palestrante do dia.


Na condução da reunião, contamos com a participação do nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Mattos, na foto com o Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo.


O Acadêmico Nelso  Attílio Ubiali procedeu à leitura do Credo Acadêmico.






APATIA
Vivemos em tempos tumultuosos. Temos sempre vivido em tempos agitados. Tempos tumultuosos sempre foram causados pelo homem, e o homem tem sempre permitido, ou apenas ignorado, a sua supremacia. Reclamamos com frequência as condições e forças que têm criado tumultos entre nós; temos protestado, temos pedido, implorado alívio dessa situação. Nossos esforços têm sido ineficazes, porque temos sempre esperado que outros promovam as mudanças desejadas. Porque? Há alguma razão especial para que outros devam ser mais responsáveis por mudanças construtivas do que nós mesmos? Pode ser desagradável aceitarmos a acusação, mas a verdade é que somos culpados de apatia.
Apatia é a ausência de emoção ou indiferença. A palavra deriva da raiz grega que significa falta de interesse. Em muitas partes do mundo, hoje em dia, a apatia está associada com a covardia e tem criado uma atmosfera em que a anarquia e a crueldade desumana podem florescer e se expandir. Em qualquer sociedade avançada em que há leis para proteger os inocentes, seremos culpados de apatia e covardia se formos testemunhas de um fato criminoso ou maléfico e nada fizermos. Somos então destituídos de todo sentimento humano e recusamos nos relacionar com a vítima. Poderíamos protestar, poderíamos pedir ajuda, poderíamos nos associar à vítima em sua defesa, poderíamos sacrificar nossos interesses, mas em nada fazendo, perdemos respeito próprio e a dignidade como ser humano.
As pessoas arbitrárias e cruéis estão conscientes de sua inferioridade e deficiência ou não recorreriam ao crime. São covardes porque atacam somente quando acreditam que seu crime não trará à luz sua culpa. Estão também conscientes de que, em geral, intimidam os apáticos e, portanto, não antecipam interferência. O crime e a injustiça desaparecem na proporção direta da manifestação de coragem, determinação e retidão. Os criminosos são covardes! Assim sendo, a sociedade deve tem uma parte de responsabilidade por todos os crimes e injustiças, devido à sua apatia. 
A sociedade é o leitor e eu, não “eles”, não a polícia, não o governo. Essas condições indesejáveis não se alterarão enquanto esperarmos que outros as alterem. Não podemos fugir afirmando que somos apenas uma pessoa e que nada podemos fazer. Se o nosso vizinho estiver aguardando que alguém mais tome atitude, como aliás, também estamos fazendo, quem tomará a iniciativa?
Diz-se que a pessoas não querem se comprometer. Todavia, todos nós estamos comprometidos, queiramos ou não! Devido a nossa apatia, estamos permitindo que as forças negativas lentamente destruam a nossa avançada civilização, que levou séculos para se desenvolver.
A apatia não se restringe apenas à tolerância com o crime. Ela pode enfraquecer ou destruir outras relações humanas. Basta lembrar o seu significado: Falta de Interesse.
Se ocuparmos posição de responsabilidade e relutarmos em corrigir os erros cometidos por aqueles que estiverem sob nossa direção, seremos culpados de apatia. Se falharmos em reparar injustiças que requeiram atuação de nossa parte, seremos cruéis e culpados de apatia.
Em geral, é desagradável, embaraçoso, fazer ou dizer aquilo que é correto e justo. Isto pode nos tornar impopulares e talvez tenhamos de ficar sozinhos. Todavia, é melhor ficarmos em paz com a nossa consciência, que sempre nos impelirá a enfrentar a verdade, do que ceder, de maneira covarde, às conveniências e pressões do momento. Os grandes líderes e colaboradores para evolução da humanidade têm sempre sido fortes em caráter, não se permitindo jamais renunciar à dedicação e defesa do direito e da justiça para todos.
É nosso primeiro dever determinar para nós mesmos o que é direito e justo, e não acreditar naquilo que outros nos poderiam dizer. Nosso segundo dever é desenvolvermos fortaleza moral, decidindo-nos a defender e proteger tudo que é direito e justo, a qualquer preço para nós próprios, física, mental ou espiritualmente. Se é nossa intenção afirmar que somos esclarecidos e civilizados, então deveremos controlar nossa conduta de maneira esclarecida e civilizada. Deveremos demonstrar nossa dedicação a fraternidade humana com amor e sensibilidade, e não com prostração moral, apatia.  
Pilar Alvares Gonzaga Vieira


Contamos com a participação do Maestro Fernando Mourão, que brindou os presentes com uma breve apresentação de violão clássico: Sonatina Opus 71 no. 3, autoria de Mauro Giuliani.
Tivemos também a apresentação da pianista Elaísa Barbosa, que nos brindou com a Sonata Diapele.


APRESENTAÇÃO DE TROVAS
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo
Com um livro de trovas na mão, o Acadêmico analisou trovas e falou da sua especialidade na área. 
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ESPAÇO DOS VISITANTES
Doação de livro


O escritor Jan Luiz Lluesma Parellada apresentou aos presentes o seu livro "Jogo da Burocracia 2" e procedeu à doação de um exemplar autografado à nossa Academia.

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Trova argentina
O Dr. Luiz Parellada Ruiz, Membro Benemérito, apresentou uma trova de sua autoria, premiada na Argentina.
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A URSAL NA TERRA DO NUNCA

Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

Em 9 de dezembro, de 2001, escrevi um artigo intitulado “Os Companheiros” que foi publicado em alguns blogs. Transcreverei aqui trechos do referido artigo, para que se entenda melhor como a URSAL começou.
“A conhecida frase ‘uma imagem vale mais que mil palavras’, me veio à mente quando vi uma foto na capa do primeiro caderno do jornal O Estado de S. Paulo. Nela estavam Fidel Castro e Lula sentados lado a lado, barbas viradas de perfil uma para outra. O motivo dos dois estarem mais uma vez juntos devia-se a uma reunião do Foro de São Paulo que se realizava em Havana”.
Naquela ocasião Lula discursou e “foi fundo no ataque a criação da Área de Livre Comércio das Américas – ALCA”.  Ele soltou o verbo e copiando Hugo Chávez disse: ‘É um projeto de anexação que os Estados Unidos querem impor. Será o fim da integração latino-americana”.
“Mas, qual seria, me perguntei, essa tal integração no modelo Castro/Chávez/Lula? Quem sabe, indaguei irônica, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina - URSAL?”
Posterior a minha ficção comecei receber alguns e-mails de pessoas assustadas, que citavam a URSAL como algo concreto. Em vão lhes dizia que aquilo não existia como se fosse uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. 
Porém, a URSAL da “Terra do Nunca” havia tomado vida de um modo que não me dei conta até assistir ao debate dos presidenciáveis na Band, realizado em 9 de agosto, portanto, dezessete anos depois de ter escrito aquele artigo.
Como é de praxe, candidatos procuram fulminar uns os outros com perguntas difíceis, afim de sobrepujar o concorrente e conquistar votos. Nesse sentido, o candidato Cabo Daciolo (Patriota), inquiriu de modo enfático ao candidato Ciro Gomes (PDT): “O que pode falar sobre o plano da URSAL? Tem algo a dizer a Nação Brasileira?”. Espantado pela inusitada pergunta Ciro disse que desconhecia tal coisa.
Fiquei bastante surpresa com a menção á URSAL e mais ainda com a repercussão da sigla, que suscitou a curiosidade de jornalistas, de pessoas em geral e percorreu as redes sociais com velocidade impressionante ora como brincadeira e piada ora como algo existente ou simplesmente como projeto de poder da esquerda. Entretanto, em lugar algum se poderá encontrar uma ata ou qualquer documento onde se possa ler URSAL ou sua criação a significar a união de todos os países latino-americanos dotados de um só governo, um só exército e idênticas diretrizes econômicas, políticas e sociais.
A ideia de União de países latino-americanos não é nova. Foi tentada por Simón Bolívar, primeiro com o projeto de uma liga das nações americanas, depois com a Federação Andina composta pela Nova Granada, Venezuela, Equador (unidades que constituíam a Grande Colômbia), Peru e Bolívia. Não deu certo. Desiludido, Bolívar disse em 1830: “A América Latina é para nós ingovernável”.
Inspirado por Bolívar o argentino, Manuel Ugarte, introduziu no começo do século XX o conceito de Pátria Grande, considerada “desejável e necessária”, como forma de dar melhores condições aos países latino-americanos de competir no cenário geopolítico mundial”. O sonho não foi concretizado.
Em 1990 foi criado o Foro de São Paulo, entidade que congrega partidos e movimentos de esquerda. Supõe-se que em 2000 foram eleitos alguns presidentes influenciados pela ideologia do Foro de São Paulo. Cada um dos presidentes, porém, manteve seu contexto nacional e seus governos foram e tem sido um completo desastre político, econômico e social que infelicitou os povos de seus respectivos países como, aliás, sempre acontece com sistemas socialistas
Em 2008, foi criada, pela ideia de Hugo Chávez seguido por Lula, a União das Nações Sul-Americanas – UNASUL, composta por 12 países. A UNASUL está se desintegrando e mantém agora apenas 6 países.
Em 2010 foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELLAC, que até hoje não disse a que veio.
Nenhuma dessas entidades é a URSAL, o que não impede formuladores de teorias conspiratórias de afirmar que ela exista como um complô de dominação esquerdista.
Conforme o capitão Simonini, personagem da notável obra de Umberto Eco, “O Cemitério de Praga”, “sempre conheci pessoas que temiam o complô de algum inimigo oculto”. “Aí está uma fórmula a preencher à vontade: a cada um o seu complô”.
Exímio falsificador de documentos, Simonini escreveu a pedido de um russo os “Protocolos da reunião dos rabinos no cemitério de Praga”. No cemitério inventado rabinos fictícios disseram coisas terríveis e, assim, os “Os Protocolos” serviriam como arma política de antissemitismo. Afinal, como raciocinou Simonini “basta falar uma coisa para fazê-la existir”. Às vezes, na “Terra do Nunca”.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Crônica
NA MINHA ÉPOCA...
Pelo autor, publicitário Victor Gouveia

Tem coisas me incomodam. Uma delas é essa mania das pessoas dizerem “na minha época...” Como assim? Que época? Qual o período da vida que podemos chamar de “minha época”? 
Será aquele em que fatos marcantes carimbaram nossa mente? 
- Na minha época as camisas dos times de futebol não eram um conjunto de marcas, nem cores diferentes a cada jogo, como impõem a ganância dos patrocinadores de material esportivo. Corinthians era preto e branco; Flamengo vermelho e preto. Palmeiras verde. Cada time “defendia suas cores”. Hoje em dia...
Falando em cores, na minha época geladeiras eram brancas e telefones pretos.
- Mas será que essa questão não é puro saudosismo? Será?
- Saudades dos bailes. Cadê os bailes? Onde os homens tiravam as mulheres para dançar? Facilitava o contato e a aproximação das pessoas. Na Casa de Portugal, em São Paulo, dançávamos com lenço na mão e beijar era proibido.
Muitas coisas “caíram de moda” para dar lugar ao virtual sem graça, sem cheiro e com sabor de “tenho que”. No meu tempo o verbo “ter que” era pouco conjugado. Hoje “tenho que” ler e responder e-mails, “tenho que responder um whats,“varrer” o facebook e atualizar o blog antes que me chamem de antiquado. 
Na minha época não tinha tanta modernidade. Parece que as pessoas eram mais felizes quando não existiam os fornos micro-ondas – que não se sabe bem se faz mal – nem os telefones celulares e outras bugigangas.
- Mas você vai concordar que os celulares facilitam muito a nossa vida!
- Também facilitam muito o contato de dentro das prisões.
Meus avós pegavam o leite em garrafas de vidro sem marca alguma, deixadas nas portas de casa. Não se falava em conservantes, acidulantes... Doces não eram industrializados, mas feitos em grandes panelas ou tachos, que as crianças adoravam ajudar.
No meu tempo as famílias sentavam à mesa para fazer as refeições e os alunos respeitavam seus professores. Das lancheiras exalava um cheiro agradável de pão com manteiga e algum doce. Meus pais tinham caderneta na “venda” e pagavam no fim do mês. Hoje também, só que com juros. 
Dinheiro de plástico também é coisa nova....os tais cartões de crédito e débito, sem falar nos bit coins, o dinheiro virtual que já causa tanta polêmica.
- Isso tudo não é da minha época, diz a vovó, sem querer “se atualizar”.
Já pensou que estamos “comprando bens da natureza”? Sim, porque hoje em dia pagamos pela água que bebemos (engarrafadas) e pelo ar (condicionado) que respiramos. 
Também me lembro bem que na minha época (e até hoje) não ouvi uma explicação convincente para a expressão “proteja as placas de sinalização”. Como assim proteja?
Cobrí-la com um guarda-chuva? Ou protegê-la com uma armadura?
Na minha época as crianças brincavam de taco (betis), peões, tampinhas, mana-mula, cordas, bonecas e bolas. “Ora bolas”. Deve haver um “quê” de brasilidade futebolística nessa expressão, para ser incorporada à nossa língua.  
E a “música popular brasileira”? Não entendo esse "popular". Será que existe outro tipo de música tão importante a ponto de precisar essa distinção? A Rádio UEL FM de Londrina resolveu a questão: música do Brasil.
Na minha época não se falava em autoajuda e muito pouco em depressão. Hoje qualquer triz de desequilíbrio é motivo pra terapia. Por que será?
Inventam coisas para “facilitar” a nossa vida, e assim ficarmos com tempo mais livre para fazer outras coisas. E assim a gente “enche” o tempo com uma infinidade de facilidades e bobagens, como a esteira, por exemplo. A gente corre parado, dentro de uma sala com ar ligado e muitas pessoas fazendo a mesma coisa, algumas com fones de ouvido para se isolarem.
Na minha época (não me pergunte qual) farmácias vendiam só remédios e o médico de família raramente pedia exames. 
- Parece que você é contra a evolução, a globalização e as grandes descobertas!
- De forma alguma. É que na minha época (hic) existiam coisas certas e coisas erradas. Por isso tudo era mais simples.
- Mas, peraí!
- Que foi?
 - Acho que descobri: ”na minha época” não é uma medida de tempo, mas um componente emocional, lembranças sempre agradáveis dos anos que ajudaram a moldar nossa identidade. 
- É isso. Deleta tudo que eu escrevi. Ou, como se dizia na minha época: passa a borracha.



CRISE DE REPRESENTAÇÕES E O REGIME DO ATENTADO
Acadêmica Ludmila Kloczak
(RESUMO)

O tema teve como objetivo analisar o mundo em que vivemos na atualidade, a partir de conceitos descritos, elaborados e fundamentados pelo psicanalista brasileiro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Fabio Herrmann. O autor considera o campo do real humano, o mundo humano, como  um conjunto de determinações inconscientes que, através de determinadas regras criam o homem em qualquer condição de existência possível. Enquanto que o processo de individualização e a  constituição de  grupos ou  instituições revelam o desejo que emerge deste real humano como a matriz simbólica que dá forma às emoções e às idéias. O real e o desejo manifestam-se através de dois sistemas de representações: a realidade e a identidade. Em outros termos, somos ao mesmo tempo, a psique e o mundo. Enquanto o mundo refere-se aos sistemas simbólicos que nos precedem e constituem o fundo de nossa vida psíquica, a psique é a maneira pela qual os significados operam numa dada época e cultura. Isto nos leva a indagar pela forma lógico-emocional inconsciente que sustenta um modo de ser que perpassa todo o tecido social, suas instituições e o sujeito singular.
Naturalmente, cada época passa por transformações das relações sociais, políticas, econômicas com o progressivo desmantelamento das organizações sociais existentes e em funcionamento e a sua lenta substituição por novas formas de organização. O que é peculiar da sociedade contemporânea  são os efeitos acentuados de despersonalização, de não reconhecimento do indivíduo nas novas formas sociais que surgem. Vivemos um tempo de profunda e ampla crise de representações. Estas são substituídas pela imagem. A propaganda  promove o desnudamento na criação de imagens como a única forma de eficaz de fornecer a informação. Ela visa criar o espetáculo ao qual o indivíduo deve aderir. A realidade se torna cada vez mais ilusória e a identidade se fragiliza e perde substância social ao atender aos simulacros de realidade. O inconsciente povoado de imagens excessivas sem a concomitante mediação simbólica, leva as representações a se refugiarem na ação, no ato. Daí, a forma lógico-emocional desta época é a lógica do ato-puro em que o pensamento deixa de exercer sua função de motivar e sustentar o ato apoiado no vínculo com as idéias e na capacidade de buscar a confirmação na realidade.  Ao contrário, o ato-puro busca transformar a representação em ato autônomo, desvinculado de suas finalidades realistas e sem impedimentos para proliferar infinitamente até se voltar contra o sujeito da ação. A este fenômeno, Fabio Herrmann conceituou como regime do atentado constituído pela prevalência do ato-puro sobre o pensamento racional. Ao se ver incapaz de conceber seu mundo, o pensamento se funde com o ato e inventa uma forma de operação que é o ato-puro. Atos impensados, cuja finalidade é produzir  grande impacto midiático, efeitos e mais meios para maiores efeitos, numa tentativa de sobreviver à erosão do pensamento.
A palestrante Ludmila Kloczack recebe
Certificado de Participação das mãos 
do  Acadêmico Sergio Alves Gomes
Para ilustrar, temos um episódio recente ocorrido em Los Angeles, nos Estados Unidos: num campeonato de jogos em videogame num ginásio de esportes lotado, um jogador foi derrotado. Ele saiu do recinto, voltou depois de algum tempo com uma arma, atirou nos jogadores e se suicidou. Outro exemplo de insuperável efeito midiático foi o ataque ao WTC, em Nova York. Entre nós, o atentado ao candidato à presidência da República em 06/09/18 é um grave exemplo desta época.
Frente à fragilidade das representações na era da imagem, à dificuldade de criar representações mentais, a solução é preencher o vácuo com atos-representações, e assim dar consistência e permanência ao regime do atentado.



Acadêmico Sergio Alves Gomes

O Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da Academia, ao fazer uso da palavra, realizou um breve apanhado dos vários momentos em que se desdobrou a reunião do dia (reflexões sobre a APATIA  e falta de comprometimento para com o que vem ocorrendo na nossa sociedade, em termos de violência e comportamentos contrários à ética; transformação da política em campo de morte (barbárie); crise de representação e atentado; momento de arte musical e também da crônica) para, ao final, propor questões reflexivas sobre  “O que é viver?”, “O que é conviver”?  “O que significa participar da “Sinfonia da Vida”? (título de obra que apresenta uma coletânea de Poemas  de Helena Kolody, organizada por Tereza Hatue de Rezende. Curitiba, Pólo Editorial do Paraná, 1997). Da referida obra, o Orador leu quatro poemas: Dom (1986), Sem Aviso (1988), Jovem (1985) e Outra Dimensão (1985). Seguem as letras dos referidos poemas, com o convite  para que não apenas fiquemos com sua beleza poética (que já configura uma  enorme dádiva  da renomada poetisa a seus leitores), mas que façamos deles momentos de reflexão e de verdadeiro voo do pensamento, estimulado por e na companhia de Helena Kolody (1912-2004).

DOM
“Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la”.

SEM AVISO
Sem aviso,
o vento vira
uma página da vida.

JOVEM
Suporta o peso do mundo,
E resiste.
Protesta na praça.
Contesta.
Explode em aplausos.
Escreve recados
nos muros do tempo.
E assina.
Compete
no jogo incerto da vida.
Existe.

OUTRA DIMENSÃO
Quem pintará
a voz e a canção?
Quem prenderá
no cárcere do verso
a miragem e o sonho,
o vôo e o pensamento?