EXTRATOS DA NOSSA REUNIÃO REMOTA EM 12/12/2021

 

Nosso Mestre de Cerimônias Jonas Rodrigues de Matos conduziu a reunião

A Acadêmica Fátima Mandelli leu nosso Credo Acadêmico

Acadêmica Ludmila Kloczak

        Bem- vindos confrades, confreiras, convidados e visitantes à reunião da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina,

Este mês de dezembro representa um marco para a Academia. Superamos as limitações impostas pela pandemia através de trabalho incansável e dedicado dos membros da Diretoria que acreditaram  no seu papel histórico, neste momento em que a organização social, política e econômica global, concebida por séculos de trabalho humano, foi estremecida, de disseminar cultura em produções científicas, artísticas e literárias neste microcosmos, um grão de areia, que é Londrina e a nossa Academia. No entanto, nesta aldeia encontramos o Universo.
Quando esta Diretoria foi eleita para a gestão 2020/2021, não imaginávamos que teríamos que inovar muito para continuar a cumprir a missão de semear conhecimentos, ao percorrer o caminho dos que nos precederam com tanto talento e sabedoria.
Pois esta é a última reunião desta gestão. Orgulho-me do trabalho que fizemos. O novo nos orientou e estimulou a continuar. Agradeço profundamente aos membros da Diretoria, tanto pela confiança depositada em mim, como pela competência com que exerceram o trabalho, muitas vezes, inesperado e exigente que se impunha.   
Informo que a assembleia para a eleição da nova Diretoria será aberta na quarta-feira, 15 de dezembro, e encerrada no dia 18 de dezembro. Todos os acadêmicos receberão um e-mail com as orientações para a eleição, antecipadamente.
Conforme expus na última reunião, nossa Alcal participou do 15º Encontro das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná, retrato da dedicação de tantos paranaenses apaixonados pela Cultura e entusiasmados pela oportunidade de trocar experiências na área. Nesta oportunidade, fomos agraciados com um poema escrito especialmente para a ocasião e dedicado à  Alcal. Foi uma iniciativa da Academia de Letras de Toledo, que homenageou todas as Academias presentes ao evento com um poema original. O autor do nosso poema foi o acadêmico José Garcia de Souza, Cadeira – 28, da referida Academia. 


"O trágico fim de Undine - Conversa fiada?"
Luciana Gastaldi*, pianista
e Vitor da Silva Constantino**, flauta


* Luciana Gastaldi nasceu em Londrina/PR. Graduou-se em Matemática pela Universidade Estadual de Londrina e em piano pela Faculdade de Música Mãe de Deus de Londrina. É mestre em Matemática, mestre em Ensino de Ciências e Educação Matemática pela Universidade Estadual de Londrina – UEL - e doutora em Educação –na linha de pesquisa “Ensino de Ciências e Educação Matemática” pela Universidade de São Paulo - USP –. Concluiu, em 2012, o Curso de Aperfeiçoamento em Piano, pela Escola de Música de São Paulo - EMESP – Tom Jobim. 
Coordenou o Projeto de Pesquisa “A Matemática como Ferramenta da Música” na Universidade Estadual de Londrina de 2012 a 2017 e atualmente realiza pesquisas sobre a profunda relação entre música e matemática e sua aplicação na educação. 
Escreveu o livro “A Racionalidade Matemática na Composição Musical”, como resultado de suas pesquisas.
Paralelamente à sua atividade acadêmica, apresenta-se regularmente em recitais, ora como pianista solista, ora como camerista. Atuou como professora de música de câmara nos festivais de música de Londrina de 2011, 2012 e 2019 e como pianista correpetidora nos festivais de música de Londrina de 2013 a 2015, 2017 e 2018. Participa dos grupos Pixinguinha na Pauta e Música Contemporânea na EMESP-Tom Jobim.

** Vitor da Silva Constantino, natural de Barueri - SP,  teve o primeiro contato com a Flauta Transversal aos 11 anos. Em 2014, com 14 anos, ingressou na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP Tom Jobim), onde permaneceu até 2019. Participou de concertos com a Banda Jovem do Estado de São Paulo (BJESP) e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro (OJTHESP), sendo seu último recital realizado no 51º Festival de Inverno Campos de Jordão (jul/2021). Ingressou no curso de Bacharelado em Flauta Transversal na Unesp no ano de 2019, onde atualmente é orientado pela Professora Doutora Sarah Hornsby.

Acadêmico Clodomiro Bannwart Jr.
Nossa Academia se propôs a promover uma reunião diferente no encerramento das atividades do ano de 2021: a apresentação dos livros recém-lançados por nossos Acadêmicos e por autores paranaenses.


Livros dos autores Maria Lucia Victor Barbosa; Neusi e Jeanine Berbel; Mimi Luck; Clodomiro Bannwart Jr. e outros autores; Pedro Aloysio Kreling; Lorivaldo Minelli; Maria Cristina Muller e Daniela Hruschka Bahdur; Nilson Monteiro; Alcides Carvalho; Paulo Briguet.

Acadêmico Sergio Alves Gomes *

            Ao lhe ser concedida a palavra, o Acadêmico e Orador SERGIO ALVES GOMES apresentou suas reflexões, dividindo-as em três breves momentos. No primeiro deles, destacou a riqueza de conteúdo da reunião de modo a configurar um “banquete intelectual e espiritual” , conforme suas palavras, considerando as importantes reflexões introduzidas pela Presidente e Acadêmica Ludmila Kloczak, a presença da Arte Musical -  trazida pelo duo formado por Luciana Gastaldi (piano) e Vítor da Silva Constantino (flauta) –  e os destaques literários apresentados e ou conduzidos  pelo Vice-Presidente e Acadêmico Clodomiro Bannwart, com a apresentação de uma dezena de obras , a comprovar a “Produção literária Pé Vermelho”, momento este em que alguns dos autores e organizadores das referidas obras fizeram uso da palavra para apresentá-las.
            No segundo e terceiro momentos do seu discurso reflexivo, o Orador apresentou palavras de agradecimento à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, pela oportunidade de atuar como seu “Orador Oficial” por, aproximadamente, seis (6) anos e fez uma conexão com a temática das festas de Natal e Ano Novo, para deixar sua mensagem de felicitação a todos, em razão de tais celebrações. Assim, fundamentou seus agradecimentos e votos de felicidades, nos seguintes termos: agradecimento pela oportunidade e confiança. Oportunidade para fazer uso da palavra em todas as reuniões, no memento “Palavra do Orador”. Oportunidade para compartilhar informações, ideias e reflexões sobre uma variedade de temas. Oportunidade para, ao falar sobre tais temas, conectá-los sempre com a figura do ser humano, da pessoa humana, que é cada um de nós, nunca isolada, mas sempre em convívio com o “outro”, o qual nunca é igual a outrem, embora sempre semelhante. Oportunidade para ressaltar as contribuições dos participantes nas dinâmicas, diversificadas e enriquecedoras reuniões ordinárias, onde as Letras, as Ciências e as Artes se complementam e nos oferecem o alimento intelectual, espiritual, ético   e estético oriundo das diversas formas de conhecimento que encontram morada no âmbito dessa Academia.  Oportunidade para expor e refletir, por exemplo, sobre os tempos pandêmicos que ainda estamos a vivenciar, sobre a tolerância, sobre o Poder e suas dimensões política e econômica,  sobre  o poder da palavra, a liberdade, os direitos humanos e fundamentais, a dignidade humana, a democracia, sobre o significado e a importância das Leis, sobre a Constituição da República, sobre o Estado Democrático de Direito, sobre a cidadania, sobre a vida e o meio ambiente e tantos outros temas que têm seus significados vinculados à vida em geral, à vida humana e ao convívio social, onde esta se desenrola para cada um como possibilidade  de realização ou de frustração.
            É hora também de agradecer a Academia pela confiança depositada na pessoa do Orador,  ao conceder-lhe tal espaço, com a  expectativa de que seus discursos e comunicações  estivessem sempre em consonância com os fins para os quais esta Instituição foi fundada e em direção aos quais quer sempre caminhar: o cultivo do saber, do conhecimento humano, no âmbito das Letras, das Ciências e das Artes.  Oxalá, tal expectativa tenha sido alcançada, no decorrer dos, praticamente, seis (6) anos em que tive a oportunidade de exercer o papel de Orador oficial desta respeitável Academia, a qual tenho a honra e a fortuna  de integrar. Almejo pleno sucesso ao confrade ou confreira que vier a ser escolhido ou escolhida para dar prosseguimento a este dignificante múnus.  Afinal, o ato de falar é exclusivo dos humanos, como lembra Aristóteles (Política, Livro I, 1253,a).   Sabemos também que “fazemos coisas” importantes com as palavras ,  conforme ensina John Langshaw Austin, em sua obra “How to do Things with Words” (traduzida para o português com o título “Quando Dizer é Fazer”).  Celebramos pactos, escrevemos textos, conversamos sobre tudo o que quisermos, dialogamos. Palavras podem construir, mas, também, destruir possibilidades, seja no sentido do bem ou do mal. Palavras também ferem, promovem discórdia, guerra, calúnia, difamação, difundem o erro, a mentira e o ódio, conforme se vê no cotidiano atual. Mas este é o mau uso da palavra, o desvirtuamento do discurso que o coloca a serviço do mal. Na Academia, porém, a palavra tem sua morada para unir, construir, esclarecer, encantar, instigar o pensamento, provocando-lhe inquietações e ânsia de novas e mais amplas explicações e compreensões sobre a realidade percebida. Na Academia, a palavra deve ser sempre luz a iluminar os caminhos da verdade, do bem e do belo. Na Academia, o cultivar da palavra é o cultivo da linguagem e dos encontros com suas múltiplas e simultâneas expressões. Expressões literárias, científicas e das artes em geral. A Academia almeja a produção e difusão do conhecimento para que este seja luz a iluminar os desafiadores caminhos que a humanidade vem trilhando ao longo do tempo. E luz é palavra que se torna ainda mais inspiradora quando o NATAL e mais um NOVO ANO se aproximam.
            Natal é tempo de nascer e renascer. Nascer é trazer à luz. Renascer é dar nova vida ao que estava morto ou quase apagado.  A luz nos permite enxergar o caminho e as indicações que esclarecem sobre o destino que chegaremos se optarmos por este ou aquele caminho. A luz, ao brilhar na escuridão, nos permite ver onde estão os perigos, os precipícios, os cantos atraentes e enganosos das sereias. A luz nos abre sendas para discernir entre o justo e o injusto, o belo e o feio, o bem e o mal  e, com prudência, fazermos escolhas que nos levem à realização e não à desgraça, que nos conduzam   à vida e à  sua promoção, de modo a nos opormos a uma cultura necrófila, destrutiva da vida e do mundo. A luz é tudo o que a humanidade sempre precisou e continua a necessitar para perceber os caminhos do amor fraterno, da cooperação, da compreensão, do afeto sincero, da gratuidade e da generosidade. A luz precisa brilhar no mundo intensamente para preencher os espaços de ignorância, de negacionismo da ciência, da descrença no transcendente, dos fanatismos, das polarizações orientadas pela irracionalidade e insensatez. A luz precisa brilhar nas mentes e corações estimulando o não à coisificação do homem e construindo meios de efetivo combate às novas e sofisticadas formas de escravidão que o egoístico uso do poder estabelece, ao instrumentalizar pessoas ou ao excluí-las das possibilidades mínimas de viverem com dignidade.   
            A fraternidade, a dedicação ao “bem de todos” e a criação das condições de possibilidades a uma vida digna constituem o núcleo da mensagem cristã, sempre reafirmada e reforçada no Natal: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João, 10, 10b). Para isso, é necessário ver em cada pessoa sua unicidade e dignidade a ela inerentes e perceber que milhões de pessoas, no Planeta, estão apenas sobrevivendo, morrendo aos poucos, de fome, de doenças desta decorrentes, vítimas de guerras e, especialmente, da pandemia.  São vítimas da ausência de efetivo apoio para superarem suas situações de miséria, de abandono, de recusa como refugiados, nas fronteiras artificiais que separam países, povos e interesses econômicos. Natal é tempo de perceber que, sem solidariedade, cooperação, empatia com os mais frágeis e seus sofrimentos, o mundo deixa de ser humano. Deix a de ser mundo e se torna cada vez maisi-mundo” (lembrando aqui a expressão de Jean-François Mattei, em sua obra “Barbárie Interior”).
 Que a simbologia das luzes festivas do NATAL  não tenha apenas um brilho exterior, mas adentre nos recônditos dos corações, movendo-os a ações concretas de respeito, solidariedade e fraternidade, especialmente em relação aos mais fragilizados, doentes, marginalizados, desempregados, refugiados,  excluídos das possibilidades de um convívio que lhes garanta o efetivo respeito à dignidade humana inerente a cada ser humano.  E que esta Academia esteja sempre a serviço da promoção do conhecimento necessário à superação das misérias humanas, filhas da maldade e da ignorância.  
            Que as celebrações do ANO NOVO sejam fonte de inspiração à paz, ao entendimento, à fraternidade, à solidariedade, ao AMOR fraterno.
            Um Feliz NATAL e abençoado ANO NOVO a todos.
__________________________
Extraído do Chat:
From Agnes Nagashima to Everyone 11:20 AM
adorei conhecer os livros 😍👏👏👏
From carlabenedetti to Everyone 11:21 AM
Obrigada pelo convite para participar da reunião de hoje e deixar meu domingo cheio de beleza e conteúdo.
From Luciana to Everyone 11:25 AM
Claro! Conversa afiada!! Afiada demais!! Bravo!!
From Fatima Mandelli to Everyone 11:25 AM
maravilhosas apresentações!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone 11:26 AM
Obrigado a todos pela exposição de sua obras. Uma riqueza ímpar. Obrigado aos demais pela participação nesta última reunião do ano de 2021 da Academia de letras de Londrina.
From Fatima Mandelli to Everyone 11:26 AM
Sergio bravíssimo!
From Nilson to Everyone 11:28 AM
Maravilhosa apresentação musical.
Muito obrigado, Sérgio, pela referência aos Retalhos. A Ciência e a fé apuraram-se.
From Edilson Elias to Everyone 11:32 AM
Excelente encontro que renovou nossa alma com auras renovadoras. Parabéns presidente Ludmila, pela sua brilhante ação no exercício da presidência neste período. Minhas sinceras homenagens!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone 11:26 AM
Obrigado a todos 
From Nilson to Everyone 11:32 AM
Parabéns, Sérgio, pela alma de seu discurso, a necessidade de repensarmos, sempre, a Vida. Endosso-lhe, se me permite: as palavras têm alma!
From Edilson Elias to Everyone 11:35 AM
Doutor Sérgio, suas análises têm nos enriquecido cada vez mais. Parabéns!
From Fatima Mandelli to Everyone 11:35 AM
PARABENS LUDMILA PELA EXCELENTE ATUACAO NA PRESIDENCIA DA NOSSA ACADEMIA DO DESAFIO QUE VIVEMOS E NOS MOTIVAMOS A CONTINUARMOS FIRMES. PARABENS A DIRETORIA E A TODOS OS NOSSOS ACADEMICOS. SAUDADES... 2022 venha com abraços e luz. g
GRATIDAO
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone 11:39 AM
Agradecemos, Dr. Sérgio, querido orador da Academia de Letras, suas importantes reflexões partilhadas nos últimos seis anos. Sua voz foi luz nesse período. Obrigado por tudo!
From Agnes Nagashima to Everyone 11:39 AM
👏👏👏👏

Continue se protegendo e
protegendo os outros!

COMUNICADO

 Em relação ao edital sobre a abertura de vagas para interessados no preenchimento de cadeiras na nossa Academia, informamos que recebemos vários currículos, que estão sendo analisados pela comissão especialmente nomeada.

O resultado da seleção será divulgado no correr do mês de dezembro.
Desde já agradecemos pela participação.
A diretoria

EXTRATOS DA NOSSA REUNIÃO REMOTA EM 14/11/2021


Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias, cumprindo uma tradição que já vem de anos, abriu os trabalhos e conduziu a reunião

Nossa Acadêmica Fátima Mandelli leu o Credo da nossa instituição

Acadêmica Ludmila Kloczak 
    Caros confrades, confreiras, convidados e visitantes, sejam bem-vindos a mais uma reunião virtual da nossa Academia!
    Entre os dias 29 e 31 de outubro aconteceu o 15º Encontro das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná. Gostaria de poder transmitir um pouco do espírito cultural e festivo que uniu os presentes a essa importante reunião anual da cultura paranaense. 
    Em poucas palavras, espero abrir uma fresta de um rico conteúdo que venha a despertar em todos, as papilas da curiosidade e do prazer em conhecer o Belo na literatura.
    Da primeira parte da abertura oficial e solene com a entrada dos representantes das Academias participantes, com seus respectivos banners, não participei, pois a viagem até Toledo ocupou mais tempo do que previ. Na continuidade foi dada ênfase nos vários discursos proferidos pelas autoridades presentes, aos propósitos de promoção da escrita, leitura, literatura, artes e demais manifestações culturais do Paraná. Houve lançamento de livros e sessão de autógrafos. Fomos brindados com a apresentação do grupo Incantare de Toledo e do Coral Encanto Sul, além do belíssimo show da Orquestra São Gonçalo de Viola Caipira. Para a posteridade foi realizada a Fotografia Oficial do Encontro, com e sem máscara.
    Na manhã de sábado, iniciamos nossas atividades com a palestra proferida on-line pelo Prof. Dr. Stefano Busellato: “ Dom Quixote: o duelo entre literatura e realidade”. O palestrante é professor da Unioeste. Reside em Toledo, mas, devido à pandemia, permanece na Itália, seu país de origem, em Piza, Florença. 
    O autor destacou que, enquanto Dom Quixote lutava com moinhos de vento, Cervantes afirmava sua condição de artista da realidade. Seu propósito, com sua refinada arte que encanta leitores ao longo dos séculos, é o de buscar a relação entre realidade e ilusão. Através do clássico personagem, o autor demonstrou que a compensação da impossibilidade de atender aos desejos nos leva a criar arte. A arte permite conviver com o fato de que as fronteiras entre realidade e ilusão são muito menos certas do que gostaríamos de acreditar.  A criação literária oferece condições de possibilidades de transitar livremente entre a realidade e a ilusão. Ao final da obra, Dom Quixote demonstra que a liberdade é o maior bem para o ser humano.
    A palestra seguinte  – “ Escrita Criativa” - , foi proferida pelo biomédico, mestre e editor chefe da Revista Philos, Jorge Pereira.
    O palestrante abordou as interfaces entre a palavra e a narrativa e os elementos presentes na construção dos personagens. Neste sentido, palavra e narrativa se engolem. A palavra é o elemento fundamental. Um exercício inequívoco para o escritor é o de romper limites da palavra para romper limites da narrativa. O sema, unidade mínima da narrativa,  pode ser a virtude da história, que se instala a partir da quebra de palavras e construção de poemas. A escrita é caracterizada pelo íntimo desapego das coisas muito acarinhadas pelo escritor, as ideias e palavras. O que jogar fora? Quais partes da narrativa precisam ser destacadas ou excluídas? Quais partes do texto devem ser destacadas? Esta tensão ocorre dentro de dois eixos semânticos básicos, a observação e a destruição.
    A escrita criativa é experimentação verbal constituída de  alegorias e símbolos contidos dentro de estruturas de tempo, espaço, personagens e intrigas.
    Ao falar do personagem, lembremos que ele é a entidade comunicante, cuja construção não pode cair no exagero da metalinguagem.  O leitor precisa de espaço para imaginar.  Devem ser garantidas as relações entre estruturas e sujeitos. Estabelecer diálogo entre Personagem, que carrega o conflito e Enredo, que é o cenário.
    É fundamental avaliar o peso de cada personagem. Exercitar o apagamento necessário do autor para realçar necessidades do personagem e/ou do leitor. Os personagens são fontes inesgotáveis de histórias originais. São sempre considerados seus aspectos emocionais e sociais.
    Em síntese, o exercício da escritura se realiza na composição da identidade geral do personagem.
    No período da tarde,  fomos brindados com a Mesa de Conversa, com o tema - “O artista em processo -  literatura e artes plásticas”, a cargo do artista plástico,  historiador e diretor comercial e de projetos da Revista Philos, Lucas Fonseca.
    Da intrigante pergunta inicial, se o personagem é o criador ou criatura, foi proposta a análise da relação entre autor e leitor. Qual é o tempo do escrito? O autor busca a inovação. O autor é contador de histórias. Escrevemos primeiro para nós.
Entretanto, a criação e a produção de um livro deve ser avaliada em dois planos. No plano pessoal, a obra é do autor e para o autor. No plano profissional deve considerar o mercado, a extensão e o produto. Todo autor deseja que sua obra seja lida. Por isso, deve se preocupar com a forma de escrever para que seu produto seja atraente para o leitor potencial.
    Na manhã de domingo, a professora, doutora Sonia Sirtoli Färber, apresentou a palestra “As interfaces da Tanatologia nas produções literárias e seu contributo para o enfrentamento das perdas”. A palestrante reside em Cascavel e sua apresentação foi on-line.
    O destaque da palestra está no modo como os escritores tratam a dimensão da morte na literatura. Para tanto, percorreu grandes autores clássicos, com ênfase em Fiódor Dostoievski, que é seu autor preferido. 
    Nas palavras da palestrante, a Morte sempre espreita. Perdas acontecem todos os dias. A vida se amplia quando encontramos sentido. Como enfrentar este momento?  Quais modos de enfrentamento são obras de arte? É muito ampla a escrita literária a respeito da dor. Por exemplo, pensar que a própria vida vale mais que a do outro, é um modo de ver a questão. Entretanto, o que é imortal e dá poder é a humanidade nos cuidados com os outros. A salvação está no resgate do humano. Morte é irmã gêmea da Vida:  lança luzes para a vida. Só morre quem tem vida. A ética social existe porque existe a morte. Olhar a realidade como realmente é.  Escolher é perder e ganhar.
    Na obra “O Capote”, Gogol oferece uma alusão, na dinâmica entre perdas e ganhos, ao capote, que é o desejo de uma nova identidade.
    Na obra de Dostoievski, o tema da morte é recorrente. Em “O Idiota” a beleza salvará o mundo. E a morte é uma realidade natural. Por sua vez, “Crime e Castigo” coloca a questão do direito de matar.
    O leitor é instado a encontrar o primor estético, os elementos de superação. Como olhar o fim? 
    Em “Irmãos Karamazov”, a morte é abordada em várias nuances. O filósofo aponta uma condição humana essencial: se Deus não existe, tudo é possível!
    Gabriel Garcia Marques aborda o tema da mulher que deixa testamento para dizer como cada um deverá viver após sua morte. A tentativa de controlar os outros após a própria morte é uma tentativa de imortalidade.
    Tchekov, na obra “ Perdi meu filho” trata do sofrimento represado que espera ser acolhido. Pede solidariedade. 
    Morte é vista socialmente como um mal. A morte nos lembra da  transitoriedade, da provisoriedade. Um destaque importante na sociedade é o trabalho de cuidador dos doentes e das pessoas limitadas. Cuidador é aquele indivíduo que partilha da própria vida para trazer conforto frente a provisoriedade.
    Para Freud, o ser humano tem certeza que é imortal. As letras, a literatura, são formas adaptadas de imortalidade. 
Nossos grandes amigos são os livros. Dos grandes autores não há como escapar. Os grandes autores são gigantes que nos carregam. Literatura é uma estética curativa. 
    Intercaladas com as palestras, as Academias apresentaram suas atividades, seus planos de ação, suas dificuldades e conquistas.
    Como representante da Alcal, destaquei que todos os membros precisam se aposentar do seu trabalho por algumas horas do mês, para dedicar seu tempo à criação, administração e manutenção da instituição. Reconheci esta limitação em mim, inclusive. Lembrei que a Academia não se sustenta por meios mágicos. Precisa de suporte e administração financeira. 
    O professor Afonso de Souza Cavalcanti mencionou, quando da sua apresentação, uma imagem utilizada pelo prof. Leonardo Prota de que a Academia é um farol. Deve permanecer firme e aguardar que as pessoas cheguem até ela. Parti dessa imagem, mencionei o boletim “Almenara”, que significa, farol, sugeri que vivemos em tempos diferentes e que os faróis de hoje não podem se limitar às rochas firmes. Devem ganhar alguma mobilidade.  Ir em busca dos ‘navios e seus passageiros’.  
    Sábado, após o jantar em comemoração aos 10 anos da ALT e homenagem da ALT às instituições presentes, assistimos à alegre e bonita apresentação da Invernada Adulta do CTG – Província Gaúcha e participamos do Sarau dos acadêmicos.
    Domingo, após a palestra, chegara o momento das atividades formais da ALCA com a apresentação dos trabalhos realizados na atual gestão com objetivo de associar mais academias ao seu quadro de membros e a promover a integração entre as mesmas. Com vistas à nova diretoria para a gestão 2023-2024, a ser eleita e empossada no 16º Encontro – Irati – nov/2022, foi indicado candidato, o atual presidente da Academia de Irati – ALACS,  Herculano Batista Neto. 
    Em seguida, foi apresentada e assinada por todos os presentes, a Carta de Toledo, com a avaliação do Encontro e realizada a Solenidade de Encerramento. 
    Como sempre, os Encontros são muito estimulantes, enriquecedores e deixam saudades. Espero que na próxima vez, a Alcal seja representada por um número maior de membros.
    Nem preciso mencionar que havia uma espécie de névoa a permear todas atividades, com a lembrança da pandemia. No entanto, muitas vezes, conseguíamos respirar e brindar ao bem-estar e à liberdade.     
                                                      
"Retratos Brasileiros"
Kalon Guitar Duo *
com Natanael Fonseca e Márcio Gouveia

(Clique nos links abaixo para assistir)






* Kalon Guitar Duo - é um trabalho de música de câmara formado pelos violonistas Natanael Fonseca e Márcio Gouvea, que tem por objetivo apresentar em seu repertório, as composições originais e transcrições de reconhecido valor histórico musical no contexto desta formação instrumental. 
Natanael Fonseca 
Mestre em violão erudito pela Universidade de Aveiro - Portugal. É violista da OSUEL desde 1991 e da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina, com a qual participou da gravação de seus cinco discos. Apresentou-se em recitais de violão em Portugal e Espanha, e como solista nos concertos para violão e orquestra de Mário Castelnuovo Tedesco, Heitor Villa-Lobos e Anton Garcia Abril com a orquestra Sinfônica da UEL e dos concertos de A. Vivaldi e J. L. Krebs com a OCSL.
Márcio Gouvea
Ganhador do Concurso Souza Lima de 1993. Natural de Arapongas–PR iniciou seus estudos de violão no Colégio Mãe de Deus em Londrina com o violonista Nelson Bolzoni. Ao transferir-se para Curitiba, desenvolveu intenso trabalho musical sob a orientação do violonista Luiz Bueno realizando uma série de concertos no estado do Paraná. Participou dos Festivais de Londrina, Cascavel e Campos do Jordão-SP onde teve aulas com Paulo Porto Alegre, Henrique Pinto, Thomas Patterson, Eduardo Fernandez e Jodacil Damaceno. 



Vida e Meio Ambiente

Acadêmico Sergio Alves Gomes *

    É fácil entender porque o direito à vida é um direito fundamental, conforme consta do art. 5º, caput, da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). Pois sem o gozo e a garantia de tal direito, nenhum outro direito faria sentido. A ausência de vida é própria de entes inanimados ou de cadáveres. Seres humanos e demais viventes estão no mundo graças à vida que os anima. Para estes, viver é essencial ao existir. E para que a vida exista, se difunda e se multiplique, há de haver condições adequadas que a tornem possível. Dentre estas estão as condições ambientais, incluindo as climatológicas. Não se conhece, além da Terra, outro planeta no universo capaz de apresentar as condições de possibilidades à existência e continuidade da vida. No entanto, tais condições vêm sendo gravemente afetadas, alteradas, destruídas pelos humanos. Estes, embora tenham evoluído no âmbito do conhecimento científico e tecnológico, parecem estar perdidos em relação a certas questões fundamentais, tais como: para onde estamos indo, enquanto humanidade? ou o que significa “ser humano”? como estamos tratando nossa morada, isto é, nosso planeta, nossa “mãe-terra”? Parece que ainda não percebemos nossa total dependência em relação ao equilíbrio ecológico, para que possamos ser, viver, conviver, continuar a existir como seres humanos, ter saúde, saciar a sede, a fome, superar misérias e gritantes desigualdades. Será que ainda não somos capazes de enxergar que a busca desenfreada e insana de querer tudo transformar em valor econômico é algo extremamente desumano e que funciona como “o cavar de nossa própria sepultura”?(1)
    O homem nasce e vive graças a um conjunto de fatores constitutivos e ambientais que lhe possibilitam a existência. Sua conexão com o meio ambiente adequado às suas necessidades vitais é o que lhe garante manter-se vivo e saudável. Assim, o oxigênio indispensável à respiração, a água para saciar a sede, os alimentos para vencer a fome e assegurar-lhe energia, o material para construir abrigo e produzir vestuários, as plantas e minerais que servem à produção de remédios são alguns exemplos de elementos que o ser humano encontra na natureza para suprir suas necessidades vitais. Isso evidencia a conexão direta entre o ser humano e o meio ambiente. Logo, defender este significa garantir a vida humana e de todos os demais viventes que compõem o ecossistema planetário.   
    A tal respeito ensina a educadora  MARIA CÂNDIDA MORAES: 
    “De uma visão antropológica dualista do homem máquina, patologicamente hierárquica, senhor do mundo, dono da natureza escravizada, fonte de todos os valores, se está caminhando em direção a uma compreensão que já não mais separa os seres humanos, ou qualquer outro ser, do seu meio ambiente. Esta linha de pensamento nos leva à construção de uma filosofia ecossistêmica que já não mais coloca sujeito e objeto, homem e natureza em oposição, mas que reconhece a sua complementaridade [...] Essa nova visão requer transformações profundas em nossa forma de ser, de atuar e de estar no mundo”.(2)
    Tal conscientização é urgente e indispensável para todos. Mas não basta. A humanidade precisa agir com a máxima urgência para se salvar da autodestruição, tendo em vista que ações humanas depredadoras do meio ambiente estão levando o Planeta aos limites de sua sustentabilidade, de modo a torná-lo incapaz de manter-se como um “habitat” adequado à vida não só dos humanos, mas de todos os viventes que encontram nele o suporte para existir, suporte este que vem sendo destruído pelo “modus vivendi” desumano adotado pelo “homo sapiens”. 
    Ao falar para o mundo sobre a situação em que a humanidade se encontra em relação aos problemas climáticos e pandêmicos, o Secretário Geral da ONU, António Guterres, fez várias advertências, dentre as quais destacam-se as seguintes: “estamos à beira de um abismo – e nos movendo na direção errada. Nosso mundo nunca foi tão ameaçado. Ou tão dividido. [...]A pandemia de Covid-19 ampliou as desigualdades gritantes. A crise climática está atingindo o planeta. [...] Uma onda de desconfiança e desinformação está polarizando as pessoas e paralisando as sociedades, e os direitos humanos estão sob ataque. A ciência está sob ataque. E o apoio econômico para os mais vulneráveis chega muito pouco e muito tarde - quando chega. A solidariedade não está sendo acompanhada pela ação – exatamente quando mais precisamos. [...] Por um lado, vemos as vacinas desenvolvidas em tempo recorde - uma vitória da ciência e da engenhosidade humana. Por outro lado, vemos esse triunfo desfeito pela tragédia da falta de vontade política, do egoísmo e da desconfiança. Um superávit em alguns países. Prateleiras vazias em outros. [...] Passamos no teste de ciências. Mas estamos tirando a pior nota em Ética.[...] Vemos os sinais de alerta em todos os continentes e regiões. Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos. E desastres relacionados ao clima em cada esquina. [...] Em vez de humildade em face desses desafios épicos, vemos arrogância. Em vez do caminho da solidariedade, estamos em um beco sem saída para a destruição. [...]Como nunca os valores essenciais estão na mira. Uma quebra de confiança está levando a uma quebra de valores”. (3) 
    No entanto, no mesmo discurso, aponta caminhos de solução que passam pela humanização da própria humanidade. Dentre eles estão, por exemplo: restaurar a confiança e a esperança, fortalecer a “governança global”, garantir uma ONU adequada a uma nova era. Trabalhar juntos, estimular a cooperação, o diálogo e a compreensão. Investir em prevenção, manutenção e consolidação da paz, progredir no desarmamento nuclear e no combate ao terrorismo, desenvolver um plano global de vacinação, de modo a proteger igualmente países pobres e ricos contra a pandemia, etc. e diversas outras providências indispensáveis à salvaguarda da vida de milhões de seres humanos nas mais diversas circunstâncias em que se encontram no Planeta. 
    A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 225, estabelece que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. No entanto, não basta olharmos para o texto constitucional que estabelece o que “deve ser” feito. É necessário, ao mesmo tempo, ver a realidade dos fatos, dos comportamentos, das ações humanas de todos, mas, especialmente, o agir  dos governantes, para se ver o que realmente o Estado brasileiro faz ou deixa de fazer em relação à salvaguarda e garantia de tal direito. Urge a união de esforços nacionais e mundiais para enfrentar desafios globais. Problemas ecológicos não se resolvem no âmbito de estritas fronteiras de alguns países. Afetam toda a humanidade. É isso que tem ensejado as  reuniões de líderes globais em eventos de discussão sobre as questões ecológicas, em cujo contexto situa-se a COP 26, ocorrida em Glasgow.
    No Brasil, infelizmente, as notícias não são boas. Apontam que “com o recente aumento do desmatamento na Amazônia, mais de um milhão de hectares de floresta é perdido anualmente [...] Estudo do Instituto do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) demonstra que as florestas públicas são invadidas numa velocidade assustadora e concentram cerca de 30% do desmatamento da Amazônia.” As análises também destacam que, “para evitar uma catástrofe climática, é urgente zerar o desmatamento, a maior fonte de emissões de gases-estufa no Brasil. Além  da destruição das florestas não gerar nenhuma riqueza para o país, nos coloca numa situação de pária internacional, atrapalhando acordos comerciais. Impedir que o crédito rural incentive o desmatamento é uma ação crucial, para o clima e para o desenvolvimento econômico do país. Grileiro e desmatador não podem continuar a ter certeza da impunidade”. (4)
    Somente uma consciência ecológica que substitua a ganância de lucro pelo respeito à vida poderá salvar o Planeta e a humanidade de catástrofes cada vez mais severas. Isso representa um grande desafio para governos, povos e nações acostumados a um sistema de vida artificial, consumista, capitalista, neoliberal, fora de sintonia com os limites impostos pela natureza e pelo senso de razoabilidade. Um modo de vida estúpido que se esquece do valor e das  limitações da própria vida. 
    À sanha pelo dinheiro a custo da destruição da natureza e, consequentemente, da própria humanidade opõe-se o Direito comprometido com a vida, a dignidade humana e a relevância ecológica de todos os seres vivos. Cabe-lhe o relevante papel de domesticador do poder econômico desenfreado que tudo almeja engolir ou transformar em cifrões. Daí a necessidade do vital empenho em busca do desenvolvimento sustentável. 
A promessa solene de respeito à Constituição da República Federativa do Brasil, feita no ato da investidura, está a exigir de todos os que exercem poder público o exemplar cumprimento da Carta Magna, inclusive no quesito “meio ambiente”. 
    Oxalá, o feriado de 15 de novembro seja bem aproveitado como  momento  de séria reflexão sobre a urgência e prioridade das ações que ainda podem servir de salvação da vida, no Brasil e  no Planeta. Isso não é ficção, nem pós-verdade:  rios, lagos, florestas, fauna, flora, mares, atmosfera... clamam por respeito. Milhões de pessoas já não têm acesso à agua potável, a alimentos suficientes, à saúde, à educação.  O sinal vermelho para a humanidade está acionado, mas ainda há esperança, porque muitas das mazelas provocadas pelo ser humano podem ser superadas, desde que haja vontade.  Especialmente vontade política, orientada pela racionalidade e sensatez. Urge sejam coibidas as ações de insanidade que corroboram a degradação do meio ambiente, impossibilitam vida com dignidade e destroem as possibilidades do almejado bem de todos, ou seja, do “bem comum”, objetivo central da Democracia. A esperança aqui nada tem a ver com passiva espera. É hora de dizer basta a toda espécie de ato predatório da natureza e de se aprender a conviver com esta de forma sustentável.
    Sustentabilidade ou morte! Sustentabilidade pela manutenção da vida no Planeta! A escolha está nas mãos da humanidade.  
Notas:
(1) A frase lembra o discurso do Secretário Geral da ONU, António Guterres, na abertura da COP26, a 26ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, no dia 01 do corrente mês (novembro), noticiada pela imprensa internacional, quando afirmou aos líderes mundiais que “estamos cavando nossa própria cova”.
(2) Cf. MORAES, Maria Cândida. Pensamento eco-sistmêmico: educação, aprendizagem e cidadania no século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004, p.146-147.
(3) Discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura dos debates da 76ª sessão da Assembleia Geral, em 21 de setembro de 2021. Disponível no “site” das Nações Unidas.
(4) Cf. DARRIGO, Maria Rosa; MARK, Merel van der; FEITOSA, Tarcísio. Artigo intitulado “BC perde a chance de colaborar com a proteção da Amazônia”. Folha de São Paulo, São Paulo, 13 de nov, 2021. Caderno ambiente, B1.

(*)SERGIO ALVES GOMES é Doutor em Direito: Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público), na qual é também Professor Colaborador do Programa de Mestrado/Doutorado em Direito Negocial; Magistrado (Juiz de Direito aposentado), Membro Efetivo Ocupante da Cadeira 36 (Patrono: Hugo Gutierrez Simas) da Academia de Letras, 
Ciências e Artes de Londrina.

"Noventa anos da visita do Príncipe de Gales ao Norte do Paraná"
Prof. Roberto Bondarik * 



* Professor Titular da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Campus Cornélio Procópio, desde 1995; Doutor em Engenharia de Produção (CAPES-Conceito 4), pela UTFPR (2018), Mestre em Engenharia de Produção (CAPES-Conceito 4), pela UTFPR (2007); Graduado e Licenciado em História e Geografia pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho, Paraná (1991), atual Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP); Membro da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC); da Associação Paranaense de Engenharia de Produção (APREPRO); Sócio instituidor da Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UTFPR (FUNTEF), e; Academia de Letras, Artes e Ciências de Cornélio Procópio, Paraná (ALLACOP), ocupando a cadeira de número 03; Membro, em Cornélio Procópio, do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência; Possui como áreas de atuação: História, Educação, Sociologia, Ensino-Aprendizagem, Ciência, Tecnologia e Engenharia de Produção

___________________________________

"Chat" (comentários durante a reunião):
From André Contani to Everyone:  09:54 AM
Bom dia a todos!
From Jonas to Everyone:  09:58 AM
bom dia confrades e confreiras, um bom domingo a todos
From Ludmila Kloczak to Everyone:  09:59 AM
Bom dia a todos. Espero que tenhamos uma ótima reunião.
From Fatima Mandelli to Everyone:  09:59 AM
Bom dia! Um prazer revê los. Boa reunião a todos!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  10:00 AM
Bom dia! Ótima reunião a todos.
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  10:36 AM
Parabéns, Ludmila, pelo relato do encontro das academias de letras do Paraná.
Excelente momento cultural. Parabéns!!!
From Fatima Mandelli to Everyone:  10:43 AM
PARABENS LUDMILA!BELA APRESENTACO
APRESNTACAO TAMBEM NO MOMENTO DE ARTE MARCIO GOUVEIA APLAUSOS!
From Leonilda Spina to Everyone:  10:46 AM
Excelente a apresentação do duo de violões! Parabéns!
Muito completo seu relato sobre o Encontro da ALCA. Parabéns, Ludmila!
From Edilson Elias to Everyone:  10:51 AM
Excelente pronunciamento, com informações bem atuais.
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  10:51 AM
Dr. Sérgio, nosso querido orador, sempre assertivo, chamando-nos a atenção para temas sensíveis que tocam nosso tempo. Obrigado pela excelente reflexão, Dr. Sérgio.
From Neusi Berbel to Everyone:  10:52 AM
Parabéns, Presidente, Natanael e 
From SERGIO ALVES GOMES to Everyone:  11:04 AM
Muito obrigado a todos pela valiosa atenção. Bom domingo!
From Fatima Mandelli to Everyone:  11:20 AM
JONAS NOSSO ORADOR OBRIGADA PELA SUA DISPONIBILIDADE E COMPETENCIA!
AMIGO E CONFRADE DR SERGIO ME EMOCIONEI MUITO COM O SEU DESTAQUE DE CONSCIENTIZACAO AMBIENTAL HUMANO ETC AS MAZELAS QUE NOS DEIXAMOS ACONTECER.
From Leonilda Spina to Everyone:  11:25 AM
Parabéns, professor Bondarik! É sempre muito bom ouvi-lo!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  11:26 AM
Excelente palestra. Parabéns, prof. Roberto Bondarik.
From God of War to Everyone:  11:35 AM
Parabéns Professor!
From SERGIO ALVES GOMES to Everyone:  11:39 AM
Parabéns, Professor Bondarik. Muito enriquecedora sua Palestra! Parabéns!
From Leonilda Spina to Everyone:  11:40 AM
Muito enriquecedora a palestra!
From Fatima Mandelli to Everyone:  11:41 AM
GRATA PROF ROBERTO BONDARIK. SENSACIOINAL PALESTRA!
From Leonilda Spina to Everyone:  11:41 AM
Parabéns, Confrade Sérgio!
From SERGIO ALVES GOMES to Everyone:  11:43 AM
Obrigado, Confreira Leonilda. Parabéns pelo convite ao Prof. Bondarik
From God of War to Everyone:  11:45 AM
Eu quem agradeço o convite da Dra. Neusi




EXTRATOS DA NOSSA REUNIÃO REMOTA EM 10/10/2021

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias, abriu a reunião e, como sempre, fez as apresentações dos participantes com brilhantismo

A leitura do Credo Acadêmico ficou a cargo da Acadêmica Dinaura Pimentel Gomes

Pequenas lições
Acadêmica Ludmila Kloczak

    Caros confrades, confreiras e visitantes à reunião da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina,

    Conheço uma senhora de idade avançada que me acompanha na vida e me ensina a viver. No dia 01 de outubro de 2021, completou 97 anos de existência.
    Sua história se confunde com a história mundial do século XX, pois esteve diretamente envolvida nos dois maiores acontecimentos históricos deste período. Criança, sobreviveu ao Holodomor – morte pela Fome -, perpetrado pela política de Estado da União Soviética, no processo de coletivização forçada das terras ucranianas, no período conhecido como Terror Stalinista. Processo que culminou na implantação do comunismo na Ucrânia, ao custo de 5 milhões a 7 milhões de vidas sacrificadas pela fome.
    Jovem, foi integrada ao enorme contingente de “trabalhadores do Leste”, levados à Alemanha para cobrir a falta de mão de obra em residências, indústrias e no campo, durante a 2ª Guerra Mundial. Chorava muito, ansiava pelo retorno a sua aldeia natal e à casa dos pais. Mas não esmoreceu. Aprendeu a ler e falar alemão com fluência, o que lhe ajudou inúmeras vezes a enfrentar e resolver situações espinhosas para si e pessoas necessitadas à sua volta. A leitura do jornal e a escuta de conversas a ajudavam a entender as situações do momento com bastante objetividade. É uma lição importante: não se abater, mas aproveitar dos recursos disponíveis para garantir a sobrevivência.
    Submetidos ao controle do Estado nazista e disponíveis às suas necessidades, foi incluída, em determinado momento, entre os jovens levados para cavar trincheiras na fronteira com a França, em terras rochosas, o que acrescentava um sacrifício a mais ao trabalho escravo. Neste trecho da vida, conheceu aquele que viria a ser seu esposo. Não dava a mínima importância às suas investidas sedutoras, a não ser ao fato que não lhe passara despercebido, de que era um homem diligente, trabalhador e hábil para encontrar soluções aos inúmeros desafios que precisava enfrentar para sobreviver. Não lhe agradava nada, no entanto, quando se vangloriava de seus feitos e demonstrava certa arrogância.  
Afirmava que pessoas assim, possuíam duas faces que exigiam muito esforço para conviver. Esta é uma das lições: conhecer a pessoa e extrair o melhor possível deste convívio. Propósito difícil de alcançar e que exige, na maioria das vezes, entender e conformar-se com o resultado nem sempre muito exitoso.
    Aportaram ao Brasil, na ilha das Flores, ela e seu esposo, em meio a inúmeros passageiros iguais a eles, classificados como Deslocados de Guerra, aqueles que perderam sua origem, não tinham para onde voltar. Na verdade, optaram por não voltar para a União Soviética, pois sabiam que seriam perseguidos, provavelmente enviados à Sibéria para povoá-la como prisioneiros e cuja eventual morte nem seria notada.  Aqui mais uma ação de sobrevivência, mais uma pequena lição: abrir mão do que é mais caro na vida, o núcleo pátrio e o núcleo familiar, ao descortinar a possibilidade de viver em Liberdade. Agarrar essa chance e defende-la sempre, sem negociar.
    Certa vez, ela e eu, após uma longa viagem, chegamos à casa da praia, tarde da noite. Havíamos jantado pelo caminho. Não tínhamos fome. Mas, ela não sossegou enquanto não providenciei alguma comida. Foi mais uma lição: uma casa não pode passar a noite sem comida. Podemos precisar. Sobreviver, sempre!
    Desde muito jovem, sua paixão é a leitura. O conhecimento extraído dos livros permitiu-lhe entender o mundo e a afinar sua observação e avaliação sobre as circunstâncias que envolvem o viver. Lições que vem da literatura! 
    Dirigia seu carro até o final do ano passado. Infelizmente, a pandemia a impediu de continuar a dirigir até o vencimento da sua carteira de habilitação. Desabafou, com tristeza, que no dia 13 de setembro de 2021, sua carteira perdera a validade. Sua última renovação foi de três anos. O médico afirmou que tomou essa decisão por sua total lucidez. Perguntei se gostaria de tentar renovar. Recusou, e observou que está muito fraca. Surge aí uma lição muito sutil: reconheça e aceite seus limites. Isto lhe trará paz!
    Se alguém ousasse perguntar, entre surpreso e admirado: - a senhora ainda dirige?! Respondia, sem pestanejar, com as mãos na cintura: - Porquê, ainda? O constrangimento do interlocutor, realça outra lição: defenda sua posição. Não se deixe submeter pela opinião alheia. Defenda suas convicções e sua liberdade de escolha. 
    Quando lhe perguntam o segredo para essa disposição e longevidade, diz que é só pegar numa enxada e cuidar da horta e do jardim. O vinho também ajuda a aliviar o sofrimento da vida. Faz esquecer um pouco, por algum tempo. A caipirinha, então, é uma ótima bebida! O trabalho árduo e um pouco de álcool se combinam para fortalecer e garantir a disposição para viver. É uma boa e simples lição!
    Perguntei, recentemente, se teria algo a me dizer como um conselho para a vida. O quê, depois dessa longa existência, ela gostaria de transmitir? Numa resposta imediata, me disse: -“nunca deixe de viver”! Parece uma afirmação simples. Mas, ela sabia que não era simples. Pois, em seguida, exemplificou: -  posso dormir quantas horas quiser. Por isso mesmo, levanto-me cedo e cuido dos meus afazeres: rego as plantas, alimento a cachorra, preparo meu café, cuido do jardim. Visto-me com apuro, todos os dias. Vivo! Não consigo aceitar mulheres largadas numa cama, sem fazer nada. Meio mortas. Elas antecipam a morte em vida. Sempre há o que fazer! 
    Esta senhora é  minha mãe. Ela continua a mostrar que sempre há algo a se fazer. Basta ter vontade de viver! 
    Homenageio as sábias anciãs que, a exemplo da minha mãe, alimentam a árvore da vida a alinhavar experiências que atravessam e integram gerações.

"Entre Afetos e Intensidades"
Ana Paula Miqueletti *


Natural de Altônia-PR, é licenciada em Música (2000) e pós-graduada em Performance – Piano (2007), ambas pela UEL. Foi professora temporária na UEL (2003) e PARFOR/UEL (2011, 2012, 2013 e 2014) nas áreas de Metodologia e Prática em Educação Musical, Canto Coral e Piano. Foi professora no FIML (Festival Internacional de Música de Londrina) em 2011, 2012, 2013, 2017, 2018 e 2019, nas áreas de Educação Musical e Prática e Regência de Coro Infantil. Participou de simpósios e congressos de canto coral em Copenhagen – DK (2008), Chicago – USA (2011), e Salt Lake City – USA (2015). Realizou diversos concertos, em turnê pela Europa, como pianista correpetidora do Coral Unicanto (2015, 2017 e 2019) na Holanda, Alemanha, Suíça e Itália. Desde 2004, atua como regente, arranjadora e pianista no projeto “Um Canto em Cada Canto” - Educação Musical através da voz. Escreveu, em parceria com a regente Carla Nishimura, o capítulo intitulado “Metodologia no ensino de canções”, no livro “Um Canto em Cada Canto – fazendo história e transformando vidas”, lançado em 2020. Nesta publicação, há um arranjo e duas composições de sua autoria, sendo as duas últimas em parceria com Leo Cunha. Atualmente, leciona piano, é pianista correpetidora, e escreve arranjos para grupos vocais, coro infantil e coro adulto. Lançou seu primeiro livro em 2021, pela Editora ProCoral, que inclui composições próprias, em parceria com o poeta, escritor e tradutor Leo Cunha, além de arranjos criados especialmente para a publicação.

 "George Orwell na guerra civil espanhola"
Luis Parellada Ruiz



* Membro Benemérito da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.
 Médico formado pela Faculdade de Medicina de Zaragoza (Espanha) em 1956, com revalidação na Faculdade de Medicina da Universidade do Recife (PE). 
Especialista em Patologia Clínica-Medicina Laboratorial. Sócio proprietário do Labmed – Laboratório Médico de Londrina S/C Ltda. desde 1984.  
Idealizador e primeiro Presidente da Sociedade de Amigos da Orquestra Sinfônica de Londrina (OSUEL).  
Foi Presidente da Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina(AAFML).
Membro da Comissão de Avaliação de Projetos da Lei municipal de Incentivo à Cultura, de 1992 a 1998.  
Patrocinador, por meio da firma Lab Imagem, do CD do 17° Festival de Música de Londrina. 
 Diretor do Departamento Cultural de Associação Médica de Londrina, de 1992 a 2001. 
 
 Criador dos “brinquedos Recorte e Cole” do Museu de Arte de Londrina, Museu Histórico de Londrina, Kasatu Maru e Primeiro Hospitalzinho de Londrina.

"George Orwell: As facetas do escrito" 

Alan Thomas *

> Clique aqui para assistir ao vídeo da palestra!

* Gerente Regional e Gerente Acadêmico da Associação Cultura Inglesa de Curitiba. Ministra cursos em inglês sobre contos, e também de Shakespeare. É formado em Línguas e Literatura Clássica, e Filosofia, pela Universidade de Oxford


"Inspirações à Sabedoria e ao Amor Universal"
Acadêmico Sergio Alves Gomes (*)

    No momento “Palavra do Orador”, o Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da ALCAL, após saudar os presentes, elaborou considerações reflexivas inspiradas nos conteúdos apresentados. Para acentuar o efetivo valor das contribuições culturais trazidas pelas apresentações ocorridas, o Orador invocou célebre frase de William Shakespeare, pronunciada pelo personagem  “Hamlet”, na peça que tem o nome deste  por título, no Ato V, cena II : “o resto é silêncio”,(1) frisando, no entanto, que, apesar das contribuições falarem por si mesmas, caber-lhe-ia, como orador, atender ao convite para desenvolver algumas reflexões inspiradas em tais apresentações, isto porque  “a reunião de hoje  congregou um conjunto de saberes que nos faz refletir”, afirmou. 
    Assim, iniciou pelo destaque a três expressões presentes no “credo acadêmico”, lido, no início da reunião, pela Acadêmica Dinaura Godinho Pimentel Gomes: sabedoria, amor universal e manifestação divina. Segundo o Orador, quando o “credo acadêmico” afirma que “somos todos expressão da manifestação Divina”, está a indicar o reconhecimento do que é sagrado, transcendente ao ser humano e que ultrapassa suas limitações. Tal  reconhecimento, afirma o Orador, é indispensável, a fim de que o homem não se coloque como “dono e senhor do mundo”, um substituto de Deus, mas encontre seu lugar adequado, consonante com sua natureza, no âmbito do universo, em harmonia com seus semelhantes e demais viventes.(2)  
    Provocado por tal pensamento, o Orador se deparou com a pergunta que  inquietou  o poeta Carlos Drummond de Andrade, ao inspirá-lo no poema: “Mas que coisa é o Homem?”, (3) do qual leu os seguintes trechos:

“Mas que coisa é homem, 
Que há sob o nome:
Uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?

Como pode o homem
Sentir-se a si mesmo
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto com outro homem
sem perder o nome?
[...]

Tem medo de morte?
Mata-se, sem medo?
Ou medo é o que o mata?

Com punhal de prata,
Laço de gravata,
Pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta 
Seu todo segredo
Mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente  mente 
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala
em tudo que sente?
 [...]

Para que serve o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
Ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

    Diante da pergunta final do poema, o Orador respondeu: “parece que sim, por tudo o que vimos nesta reunião”, referindo-se às múltiplas modalidades de conhecimento (filosófico, artístico, científico, literário...) apresentadas, no decorrer desta. 
    Na sequência, o Orador colocou em foco a palavra “sabedoria”, invocando o poeta e dramaturgo norte-americano T.S. ELIOT, que, em sua obra “The Rock” (1934), quando já se manifestavam os primeiros sinais do totalitarismo que tomou conta da Europa, na II Guerra Mundial, perguntava: “Where is the wisdom we have lost in Knowledge?” (onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?)
    Ao fazer tal citação, o Orador conectou-a com as “lições de sabedoria” relatadas  pela Acadêmica Presidente LUDMILA KLOCZAK, a esta ministradas pela Sra. sua mãe, ao longo dos noventa e sete (97) anos de vida já completados, com vivências que demonstram e inspiram um verdadeiro AMOR pela VIDA, ressaltou o Acadêmico Sergio Alves Gomes. São lições de alguém que sobreviveu corajosamente e venceu as ameaças da violência, da fome, do abandono forçado de sua pátria (Ucrânia), durante a Segunda Guerra Mundial. Alguém que aprendeu a valorizar a leitura e o pensar para bem viver, reconhecendo os limites inerentes à condição humana. Alguém que aconselhou sua filha a “nunca deixar de viver”, sejam quais forem as circunstâncias. Alguém que, em quase um século de vida, continua a viver sabiamente. 
    Em seguida, continuou o Orador a observar que o “nunca deixar de viver” aplica-se a toda a humanidade. Apesar das hecatombes, tragédias e eventos destrutivos, a espécie humana vem, ao longo do tempo, escrevendo sua história e se expressando mediante suas elaborações culturais que refletem o seu caminhar. As Letras, as Ciências e as Artes são manifestações relevantes de tal trajetória. Por isso, na reunião de hoje, apesar do tempo secular decorrido desde suas criações musicais até o presente, pudemos contar com a presença de ilustres e clássicos compositores que se apresentaram por meio de sua exímia intérprete e mediadora, a Professora Ana Paula Miqueletti. Graças aos seus conhecimentos musicais, pudemos ouvir, com elevado deleite, obras de Domenico Scarlatti, Händel, Chopin e  Scriabin, as quais podem ser entendidas também como expressão de “amor universal” presente na criação artística, pois há um  reconhecimento mundial do valor estético de suas obras capaz de mantê-las vivas ao longo do tempo e acessíveis às múltiplas gerações, mediante seus ou suas  intérpretes musicais.     
    Diante do  “Destaque Acadêmico” apresentado pelo Dr. Luiz Parellada Ruiz e da palestra proferida pelo  Prof. Alan Thomas sobre a obra do escritor George Orwell, o Orador, movido pela percepção das lutas e ideais de Orwell contrários ao imperialismo e às tantas formas de opressão neste embutidas, destacou o valor das utopias, dos sonhos para melhorar as condições do convívio humano, nos tempos atuais. Sem ideais, sonhos e utopias(4) não há esperança e ninguém consegue viver sem esperança, frisou. E, ao falar em utopia, lembrou trecho da célebre canção “imagine”, de John Lennon, quando diz:

“You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope someday you’ll join us
And the world will be as one”

    Para concluir, o Orador frisou que a reunião, em seu conjunto, pode ser vista como manifestação do desejo de entendimento entre os humanos para o bem da humanidade. E tal bem só se torna possível se as expressões de cooperação, mútuo respeito e igual consideração se tornarem reais, verdadeiras. E para isso acontecer, há necessidade de amor, de “amor universal”, conforme também expressa o  poema de autor desconhecido, (5) lido integralmente pelo Orador:

A inteligência sem amor te faz perverso;
A justiça sem amor te faz implacável;
A diplomacia sem amor te faz hipócrita;
O êxito sem amor te faz arrogante;
A riqueza sem amor te faz avarento;
A docilidade sem amor te faz servil;
A pobreza sem amor te faz recalcado;
A beleza sem amor te faz narcisista;
A autoridade sem amor te faz tirano;
O trabalho sem amor te faz escravo;
A simplicidade sem amor te deprecia;
A oração sem amor te faz falso;
A lei sem amor te escraviza;
A política sem amor te faz oportunista;
A fé sem amor te faz fundamentalista;
A cruz sem amor se converte em tortura;
A vida sem amor...não tem sentido.”

    Prosseguiu o Orador dizendo que  somos sedentos de sentido para nossa existência. Segundo ele, o sentido do convívio social só pode ser  construído na medida em que democratizarmos a capacidade de pensar, de refletir. E tal reflexão coloca perguntas desafiadoras, como aquelas trazidas por Jacques Attali, em sua obra “A Economia da Vida” (6), ao considerar os desafios trazidos pela atual pandemia:
    “Quantos serão os desempregados e por quanto tempo? Voltaremos a encontrar o nível de vida anterior? O modo de vida? A maneira de consumir? De trabalhar? De amar? E quando? Quem ficará desempregado? Que empregos desaparecerão? Que outros irão surgir? Como esquecer os outros combates, particularmente aqueles pelos direitos das mulheres, das crianças e das pessoas mais frágeis? Que nações sairão vitoriosas?[...]”.
    Na sequência, o Orador observou que, nas guerras, em geral, todos perdem e que a sabedoria (7) está a indicar outros caminhos superadores dos conflitos e incentivadores do convívio pacífico e democrático. E que tais caminhos já estão  delineados na Constituição do Estado Democrático de Direito quando esta apregoa a cooperação para o bem da humanidade. (8) É óbvio que jamais foi tão necessária tal “cooperação entre os povos”  para o enfrentamento destes tempos pandêmicos, em que toda a espécie humana se encontra sob forte ameaça de morte. Destacou ainda que o “bem da humanidade” é produzido,  também, mediante o expressar das Letras, das Ciências e das Artes, na medida em que estas, por meio de uma bem qualificada Educação, se fizerem acessíveis, cada vez mais, a um maior número de pessoas e mediante o empenho para que cheguem a todos. Isso significa a verdadeira democratização do processo educacional que considera a Educação como um direito fundamental. (9) Uma Educação para ser, conviver, aprender e fazer (10), orientada por princípios conectados à preocupação com o bem de todos e de cada um, enquanto pessoa dotada de igual dignidade. 
    Ao concluir, com agradecimentos à Presidência pela oportunidade da fala, o Orador frisou que a reunião espelhou muito do “ser” de cada participante, da capacidade de um convívio que valoriza o compartilhamento do saber adquirido ao longo do caminho de aprendizagem e, consequentemente, de contribuir, mediante a participação, na construção de um mundo melhor para o viver que é sempre um CONVIVER. 

Notas: 
(1) Cf. SHAKESPEARE, William. Hamlet; tradução de Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 1977 (p.139).
(2)  Marcelo Gleiser, físico e astrônomo, destaca “o paradoxo que é o homem. Se aprendemos muito sobre o Universo, sobre a natureza das coisas e sobre a vida, continuamos incapazes de erradicar a fome e a pobreza da face da Terra, continuamos a nos matar em guerras e pelas ruas, a nos dividir por preconceitos e intolerância, a poluir e devastar impunemente nosso planeta. Algumas das perguntas mais antigas - a origem do cosmo, da vida, da mente – continuam sem resposta; novas doenças surgem do nada, para nos lembrar de nossa fragilidade perante a Natureza. Morremos, como todas as outras formas de vida. Por mais que tentemos nos convencer do contrário, somos ainda uma espécie imatura, com muito para aprender sobre nós próprios e sobre o Universo em que vivemos. A ciência nos ensina a ser humildes, a aceitar o não-saber como pré-condição do saber, a jamais perder o deslumbramento pelo mistério. Através da nossa constante busca por respostas, crescemos como indivíduos e como cidadãos do mundo e do cosmo. Negar a ciência é abraçar uma existência assombrada por superstições e obscurantismos, é olhar para o mundo de olhos fechados” (Cf. GLEISER, Marcelo. Micro Macro. São Paulo: Publifolha, 2005, p.17).   A relação entre o ser humano e o universo é objeto de muitas reflexões filosóficas e teológicas, como por exemplo se vê em: GRINGS, Dom Dadeus. O Homem Diante do Universo.Porto Alegre: EDIPUCRS, 1995 (Coleção Filosofia, n. 27). Ao comentar sobre tal texto, diz Urbano Zilles: “ Nas últimas décadas, o homem tomou consciência de ser-no-mundo, que sua relação com o universo não passa só pela inteligência mas também atinge o coração. Por isso exige uma atitude de amor, pois só no encontro amoroso com o mundo o homem encontra-se a si mesmo.” (Cf. ZILLES, Urbano. In: GRINGS, Dom Dadeus. O Homem Diante do Universo – orelha da obra).
(3) Cf. BRANDÃO. Carlos Rodrigues. Nós, os Humanos:do mundo à vida, da vida à cultura. São Paulo: Cortez, 2015 (p.20-21).
(4)  O tema “utopia” é objeto de ampla  reflexão filosófica na obra: NOVAES, Adauto (Org.) MUTAÇÕES: O Novo Espírito Utópico. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2016.
(5) Cf. SAYEG, Ricardo. BALERA, Wagner. O Capitalismo Humanista. Petrópolis: KBR, 2011. O poema “Sem amor” foi utilizado pelos autores como epígrafe (p.10) da referida obra, com informações  de sua publicação pelo “Jornal da Igreja de São Judas, São Paulo (SP), junho de 2008 e da desconhecida autoria.
(6) Cf. ATTALI, Jacques. A Economia da Vida. São Paulo: Vestígio, 2021 (p.17). 
(7) Aristóteles, ao falar da sabedoria prática, aquela que deve orientar as decisões, vê-a como a “capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito às coisas que são boas ou más para o homem” (Cf. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, Livro VI, cap.5. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p.144. Col. Os Pensadores). A Bíblia contém um livro inteiro dedicado à Sabedoria, no qual consta que “Ela é que ensina a ciência de Deus, e é diretriz das suas obras. E, se as riquezas se apetecem na vida, que há de mais rico do que a sabedoria que tudo faz? E, se é a perícia que opera, quem é melhor artífice do que a sabedoria em tudo o que se faz? E se alguém ama a justiça, são obra sua as grandes virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza, que é o que de mais útil há na vida para os homens” (Cf. Bíblia Sagrada, 38ª ed. São Paulo: Paulinas, 1982 (Liv. Sabedoria 8, 4-8, p.732).   
(8) Diz a Constituição da República Federativa do Brasil (CRFBR): Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:  “[...] IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade”
(9) Cabe lembrar que o artigo 205 da CRFBR estabelece: “ A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. 
(10) A referência para tal assertiva são os “quatro pilares da educação para o século XXI”, analisados e apregoados na obra: DELORS, Jacques. Educação: Um tesouro a descobrir, 7ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2012 (especialmente o cap. 04).
(*) Sergio Alves Gomes é Doutor em Direito: Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público), na qual é também Professor Colaborador do Programa de Mestrado/Doutorado em Direito Negocial; Magistrado (Juiz de Direito aposentado) e Ocupante da Cadeira 36 (Patrono: Hugo Gutierrez Simas) da Academia de Letras, Ciências e Arte de Londrina.

_______________________________________________

Extraído do "chat" da reunião:
From Jonas to Everyone:  
bom dia a todos e todas.
From iPhone de Fatima to Everyone:  
Bom dia queridos Confrades Confreiras amigos e visitantes!
From iPhone de Fatima to Everyone:  
Belíssimas músicas Parabéns
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  
Excelente exposição artística. Parabéns!!!!
Parabéns pelo excelente destaque acadêmico, Dr. Luis
From Leonilda Spina to Everyone:  
Parabéns, Dr. Parellada, pelo excelente destaque!
Muito emocionante o relato sobre sua mãe, Confreira Ludmila!
From Soledad Ferdinandi to Everyone: 
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  
Parabéns pela excelente palestra.
From Leonilda Spina to Everyone:  
O mini recital foi de muito bom gosto! Parabéns!
Parabéns ao palestrante, ótima explanação!
From Fátima Geha to Everyone:  
Muitíssimo obrigada por suas contribuições!
From Fátima Geha to Everyone: 
Muitíssimo obrigada por suas contribuições!
From Soledad Ferdinandi to Everyone: 
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone: 
Parabéns, Dr. Sergio.
From iPhone de Fatima to Everyone:  
Brilhante Sérgio! Parabéns!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  
Parabéns a todos, ao nosso querido Jonas pela condução dos trabalhos, aos participantes e palestrantes pela difusão da reflexão e da cultura. Excelente reunião.
From iPhone to Everyone: 
Obrigada pelos momentos de reflexão! 
Bom domingo a todos!
Obrigada pelos momentos de reflexão! 
Bom domingo a todos!
From Soledad Ferdinandi to Everyone: 
Riqueza de reunião!👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
From Maria Beatriz Zambon Montans to Everyone: 
Obrigada Ludmila pela lembrança e menção à minha mâe!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  
Bom domingo a todos...