Extratos da reunião de 09/setembro/2018

 
Mesa diretiva, composta pela nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira 
ladeada pela Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa, vice presidente 
e pela Acadêmica Ludmila Kloczack, a palestrante do dia.


Na condução da reunião, contamos com a participação do nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Mattos, na foto com o Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo.


O Acadêmico Nelso  Attílio Ubiali procedeu à leitura do Credo Acadêmico.





APATIA
Vivemos em tempos tumultuosos. Temos sempre vivido em tempos agitados. Tempos tumultuosos sempre foram causados pelo homem, e o homem tem sempre permitido, ou apenas ignorado, a sua supremacia. Reclamamos com frequência as condições e forças que têm criado tumultos entre nós; temos protestado, temos pedido, implorado alívio dessa situação. Nossos esforços têm sido ineficazes, porque temos sempre esperado que outros promovam as mudanças desejadas. Porque? Há alguma razão especial para que outros devam ser mais responsáveis por mudanças construtivas do que nós mesmos? Pode ser desagradável aceitarmos a acusação, mas a verdade é que somos culpados de apatia.
Apatia é a ausência de emoção ou indiferença. A palavra deriva da raiz grega que significa falta de interesse. Em muitas partes do mundo, hoje em dia, a apatia está associada com a covardia e tem criado uma atmosfera em que a anarquia e a crueldade desumana podem florescer e se expandir. Em qualquer sociedade avançada em que há leis para proteger os inocentes, seremos culpados de apatia e covardia se formos testemunhas de um fato criminoso ou maléfico e nada fizermos. Somos então destituídos de todo sentimento humano e recusamos nos relacionar com a vítima. Poderíamos protestar, poderíamos pedir ajuda, poderíamos nos associar à vítima em sua defesa, poderíamos sacrificar nossos interesses, mas em nada fazendo, perdemos respeito próprio e a dignidade como ser humano.
As pessoas arbitrárias e cruéis estão conscientes de sua inferioridade e deficiência ou não recorreriam ao crime. São covardes porque atacam somente quando acreditam que seu crime não trará à luz sua culpa. Estão também conscientes de que, em geral, intimidam os apáticos e, portanto, não antecipam interferência. O crime e a injustiça desaparecem na proporção direta da manifestação de coragem, determinação e retidão. Os criminosos são covardes! Assim sendo, a sociedade deve tem uma parte de responsabilidade por todos os crimes e injustiças, devido à sua apatia. 
A sociedade é o leitor e eu, não “eles”, não a polícia, não o governo. Essas condições indesejáveis não se alterarão enquanto esperarmos que outros as alterem. Não podemos fugir afirmando que somos apenas uma pessoa e que nada podemos fazer. Se o nosso vizinho estiver aguardando que alguém mais tome atitude, como aliás, também estamos fazendo, quem tomará a iniciativa?
Diz-se que a pessoas não querem se comprometer. Todavia, todos nós estamos comprometidos, queiramos ou não! Devido a nossa apatia, estamos permitindo que as forças negativas lentamente destruam a nossa avançada civilização, que levou séculos para se desenvolver.
A apatia não se restringe apenas à tolerância com o crime. Ela pode enfraquecer ou destruir outras relações humanas. Basta lembrar o seu significado: Falta de Interesse.
Se ocuparmos posição de responsabilidade e relutarmos em corrigir os erros cometidos por aqueles que estiverem sob nossa direção, seremos culpados de apatia. Se falharmos em reparar injustiças que requeiram atuação de nossa parte, seremos cruéis e culpados de apatia.
Em geral, é desagradável, embaraçoso, fazer ou dizer aquilo que é correto e justo. Isto pode nos tornar impopulares e talvez tenhamos de ficar sozinhos. Todavia, é melhor ficarmos em paz com a nossa consciência, que sempre nos impelirá a enfrentar a verdade, do que ceder, de maneira covarde, às conveniências e pressões do momento. Os grandes líderes e colaboradores para evolução da humanidade têm sempre sido fortes em caráter, não se permitindo jamais renunciar à dedicação e defesa do direito e da justiça para todos.
É nosso primeiro dever determinar para nós mesmos o que é direito e justo, e não acreditar naquilo que outros nos poderiam dizer. Nosso segundo dever é desenvolvermos fortaleza moral, decidindo-nos a defender e proteger tudo que é direito e justo, a qualquer preço para nós próprios, física, mental ou espiritualmente. Se é nossa intenção afirmar que somos esclarecidos e civilizados, então deveremos controlar nossa conduta de maneira esclarecida e civilizada. Deveremos demonstrar nossa dedicação a fraternidade humana com amor e sensibilidade, e não com prostração moral, apatia.  
Pilar Alvares Gonzaga Vieira


Contamos com a participação do Maestro Fernando Mourão, que brindou os presentes com uma breve apresentação de violão clássico: Sonatina Opus 71 no. 3, autoria de Mauro Giuliani.
Tivemos também a apresentação da pianista Elaísa Barbosa, que nos brindou com a Sonata Diapele.


APRESENTAÇÃO DE TROVAS
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo
Com um livro de trovas na mão, o Acadêmico analisou trovas e falou da sua especialidade na área. 
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ESPAÇO DOS VISITANTES
Doação de livro


O escritor Jan Luiz Lluesma Parellada apresentou aos presentes o seu livro "Jogo da Burocracia 2" e procedeu à doação de um exemplar autografado à nossa Academia.

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Trova argentina
O Dr. Luiz Parellada Ruiz, Membro Benemérito, apresentou uma trova de sua autoria, premiada na Argentina.
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A URSAL NA TERRA DO NUNCA

Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

Em 9 de dezembro, de 2001, escrevi um artigo intitulado “Os Companheiros” que foi publicado em alguns blogs. Transcreverei aqui trechos do referido artigo, para que se entenda melhor como a URSAL começou.
“A conhecida frase ‘uma imagem vale mais que mil palavras’, me veio à mente quando vi uma foto na capa do primeiro caderno do jornal O Estado de S. Paulo. Nela estavam Fidel Castro e Lula sentados lado a lado, barbas viradas de perfil uma para outra. O motivo dos dois estarem mais uma vez juntos devia-se a uma reunião do Foro de São Paulo que se realizava em Havana”.
Naquela ocasião Lula discursou e “foi fundo no ataque a criação da Área de Livre Comércio das Américas – ALCA”.  Ele soltou o verbo e copiando Hugo Chávez disse: ‘É um projeto de anexação que os Estados Unidos querem impor. Será o fim da integração latino-americana”.
“Mas, qual seria, me perguntei, essa tal integração no modelo Castro/Chávez/Lula? Quem sabe, indaguei irônica, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina - URSAL?”
Posterior a minha ficção comecei receber alguns e-mails de pessoas assustadas, que citavam a URSAL como algo concreto. Em vão lhes dizia que aquilo não existia como se fosse uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. 
Porém, a URSAL da “Terra do Nunca” havia tomado vida de um modo que não me dei conta até assistir ao debate dos presidenciáveis na Band, realizado em 9 de agosto, portanto, dezessete anos depois de ter escrito aquele artigo.
Como é de praxe, candidatos procuram fulminar uns os outros com perguntas difíceis, afim de sobrepujar o concorrente e conquistar votos. Nesse sentido, o candidato Cabo Daciolo (Patriota), inquiriu de modo enfático ao candidato Ciro Gomes (PDT): “O que pode falar sobre o plano da URSAL? Tem algo a dizer a Nação Brasileira?”. Espantado pela inusitada pergunta Ciro disse que desconhecia tal coisa.
Fiquei bastante surpresa com a menção á URSAL e mais ainda com a repercussão da sigla, que suscitou a curiosidade de jornalistas, de pessoas em geral e percorreu as redes sociais com velocidade impressionante ora como brincadeira e piada ora como algo existente ou simplesmente como projeto de poder da esquerda. Entretanto, em lugar algum se poderá encontrar uma ata ou qualquer documento onde se possa ler URSAL ou sua criação a significar a união de todos os países latino-americanos dotados de um só governo, um só exército e idênticas diretrizes econômicas, políticas e sociais.
A ideia de União de países latino-americanos não é nova. Foi tentada por Simón Bolívar, primeiro com o projeto de uma liga das nações americanas, depois com a Federação Andina composta pela Nova Granada, Venezuela, Equador (unidades que constituíam a Grande Colômbia), Peru e Bolívia. Não deu certo. Desiludido, Bolívar disse em 1830: “A América Latina é para nós ingovernável”.
Inspirado por Bolívar o argentino, Manuel Ugarte, introduziu no começo do século XX o conceito de Pátria Grande, considerada “desejável e necessária”, como forma de dar melhores condições aos países latino-americanos de competir no cenário geopolítico mundial”. O sonho não foi concretizado.
Em 1990 foi criado o Foro de São Paulo, entidade que congrega partidos e movimentos de esquerda. Supõe-se que em 2000 foram eleitos alguns presidentes influenciados pela ideologia do Foro de São Paulo. Cada um dos presidentes, porém, manteve seu contexto nacional e seus governos foram e tem sido um completo desastre político, econômico e social que infelicitou os povos de seus respectivos países como, aliás, sempre acontece com sistemas socialistas
Em 2008, foi criada, pela ideia de Hugo Chávez seguido por Lula, a União das Nações Sul-Americanas – UNASUL, composta por 12 países. A UNASUL está se desintegrando e mantém agora apenas 6 países.
Em 2010 foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELLAC, que até hoje não disse a que veio.
Nenhuma dessas entidades é a URSAL, o que não impede formuladores de teorias conspiratórias de afirmar que ela exista como um complô de dominação esquerdista.
Conforme o capitão Simonini, personagem da notável obra de Umberto Eco, “O Cemitério de Praga”, “sempre conheci pessoas que temiam o complô de algum inimigo oculto”. “Aí está uma fórmula a preencher à vontade: a cada um o seu complô”.
Exímio falsificador de documentos, Simonini escreveu a pedido de um russo os “Protocolos da reunião dos rabinos no cemitério de Praga”. No cemitério inventado rabinos fictícios disseram coisas terríveis e, assim, os “Os Protocolos” serviriam como arma política de antissemitismo. Afinal, como raciocinou Simonini “basta falar uma coisa para fazê-la existir”. Às vezes, na “Terra do Nunca”.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Crônica
NA MINHA ÉPOCA...
Pelo autor, publicitário Victor Gouveia

Tem coisas me incomodam. Uma delas é essa mania das pessoas dizerem “na minha época...” Como assim? Que época? Qual o período da vida que podemos chamar de “minha época”? 
Será aquele em que fatos marcantes carimbaram nossa mente? 
- Na minha época as camisas dos times de futebol não eram um conjunto de marcas, nem cores diferentes a cada jogo, como impõem a ganância dos patrocinadores de material esportivo. Corinthians era preto e branco; Flamengo vermelho e preto. Palmeiras verde. Cada time “defendia suas cores”. Hoje em dia...
Falando em cores, na minha época geladeiras eram brancas e telefones pretos.
- Mas será que essa questão não é puro saudosismo? Será?
- Saudades dos bailes. Cadê os bailes? Onde os homens tiravam as mulheres para dançar? Facilitava o contato e a aproximação das pessoas. Na Casa de Portugal, em São Paulo, dançávamos com lenço na mão e beijar era proibido.
Muitas coisas “caíram de moda” para dar lugar ao virtual sem graça, sem cheiro e com sabor de “tenho que”. No meu tempo o verbo “ter que” era pouco conjugado. Hoje “tenho que” ler e responder e-mails, “tenho que responder um whats,“varrer” o facebook e atualizar o blog antes que me chamem de antiquado. 
Na minha época não tinha tanta modernidade. Parece que as pessoas eram mais felizes quando não existiam os fornos micro-ondas – que não se sabe bem se faz mal – nem os telefones celulares e outras bugigangas.
- Mas você vai concordar que os celulares facilitam muito a nossa vida!
- Também facilitam muito o contato de dentro das prisões.
Meus avós pegavam o leite em garrafas de vidro sem marca alguma, deixadas nas portas de casa. Não se falava em conservantes, acidulantes... Doces não eram industrializados, mas feitos em grandes panelas ou tachos, que as crianças adoravam ajudar.
No meu tempo as famílias sentavam à mesa para fazer as refeições e os alunos respeitavam seus professores. Das lancheiras exalava um cheiro agradável de pão com manteiga e algum doce. Meus pais tinham caderneta na “venda” e pagavam no fim do mês. Hoje também, só que com juros. 
Dinheiro de plástico também é coisa nova....os tais cartões de crédito e débito, sem falar nos bit coins, o dinheiro virtual que já causa tanta polêmica.
- Isso tudo não é da minha época, diz a vovó, sem querer “se atualizar”.
Já pensou que estamos “comprando bens da natureza”? Sim, porque hoje em dia pagamos pela água que bebemos (engarrafadas) e pelo ar (condicionado) que respiramos. 
Também me lembro bem que na minha época (e até hoje) não ouvi uma explicação convincente para a expressão “proteja as placas de sinalização”. Como assim proteja?
Cobrí-la com um guarda-chuva? Ou protegê-la com uma armadura?
Na minha época as crianças brincavam de taco (betis), peões, tampinhas, mana-mula, cordas, bonecas e bolas. “Ora bolas”. Deve haver um “quê” de brasilidade futebolística nessa expressão, para ser incorporada à nossa língua.  
E a “música popular brasileira”? Não entendo esse "popular". Será que existe outro tipo de música tão importante a ponto de precisar essa distinção? A Rádio UEL FM de Londrina resolveu a questão: música do Brasil.
Na minha época não se falava em autoajuda e muito pouco em depressão. Hoje qualquer triz de desequilíbrio é motivo pra terapia. Por que será?
Inventam coisas para “facilitar” a nossa vida, e assim ficarmos com tempo mais livre para fazer outras coisas. E assim a gente “enche” o tempo com uma infinidade de facilidades e bobagens, como a esteira, por exemplo. A gente corre parado, dentro de uma sala com ar ligado e muitas pessoas fazendo a mesma coisa, algumas com fones de ouvido para se isolarem.
Na minha época (não me pergunte qual) farmácias vendiam só remédios e o médico de família raramente pedia exames. 
- Parece que você é contra a evolução, a globalização e as grandes descobertas!
- De forma alguma. É que na minha época (hic) existiam coisas certas e coisas erradas. Por isso tudo era mais simples.
- Mas, peraí!
- Que foi?
 - Acho que descobri: ”na minha época” não é uma medida de tempo, mas um componente emocional, lembranças sempre agradáveis dos anos que ajudaram a moldar nossa identidade. 
- É isso. Deleta tudo que eu escrevi. Ou, como se dizia na minha época: passa a borracha.



CRISE DE REPRESENTAÇÕES E O REGIME DO ATENTADO
Acadêmica Ludmila Kloczak
(RESUMO)

O tema teve como objetivo analisar o mundo em que vivemos na atualidade, a partir de conceitos descritos, elaborados e fundamentados pelo psicanalista brasileiro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Fabio Herrmann. O autor considera o campo do real humano, o mundo humano, como  um conjunto de determinações inconscientes que, através de determinadas regras criam o homem em qualquer condição de existência possível. Enquanto que o processo de individualização e a  constituição de  grupos ou  instituições revelam o desejo que emerge deste real humano como a matriz simbólica que dá forma às emoções e às idéias. O real e o desejo manifestam-se através de dois sistemas de representações: a realidade e a identidade. Em outros termos, somos ao mesmo tempo, a psique e o mundo. Enquanto o mundo refere-se aos sistemas simbólicos que nos precedem e constituem o fundo de nossa vida psíquica, a psique é a maneira pela qual os significados operam numa dada época e cultura. Isto nos leva a indagar pela forma lógico-emocional inconsciente que sustenta um modo de ser que perpassa todo o tecido social, suas instituições e o sujeito singular.
Naturalmente, cada época passa por transformações das relações sociais, políticas, econômicas com o progressivo desmantelamento das organizações sociais existentes e em funcionamento e a sua lenta substituição por novas formas de organização. O que é peculiar da sociedade contemporânea  são os efeitos acentuados de despersonalização, de não reconhecimento do indivíduo nas novas formas sociais que surgem. Vivemos um tempo de profunda e ampla crise de representações. Estas são substituídas pela imagem. A propaganda  promove o desnudamento na criação de imagens como a única forma de eficaz de fornecer a informação. Ela visa criar o espetáculo ao qual o indivíduo deve aderir. A realidade se torna cada vez mais ilusória e a identidade se fragiliza e perde substância social ao atender aos simulacros de realidade. O inconsciente povoado de imagens excessivas sem a concomitante mediação simbólica, leva as representações a se refugiarem na ação, no ato. Daí, a forma lógico-emocional desta época é a lógica do ato-puro em que o pensamento deixa de exercer sua função de motivar e sustentar o ato apoiado no vínculo com as idéias e na capacidade de buscar a confirmação na realidade.  Ao contrário, o ato-puro busca transformar a representação em ato autônomo, desvinculado de suas finalidades realistas e sem impedimentos para proliferar infinitamente até se voltar contra o sujeito da ação. A este fenômeno, Fabio Herrmann conceituou como regime do atentado constituído pela prevalência do ato-puro sobre o pensamento racional. Ao se ver incapaz de conceber seu mundo, o pensamento se funde com o ato e inventa uma forma de operação que é o ato-puro. Atos impensados, cuja finalidade é produzir  grande impacto midiático, efeitos e mais meios para maiores efeitos, numa tentativa de sobreviver à erosão do pensamento.
A palestrante Ludmila Kloczack recebe
Certificado de Participação das mãos 
do  Acadêmico Sergio Alves Gomes
Para ilustrar, temos um episódio recente ocorrido em Los Angeles, nos Estados Unidos: num campeonato de jogos em videogame num ginásio de esportes lotado, um jogador foi derrotado. Ele saiu do recinto, voltou depois de algum tempo com uma arma, atirou nos jogadores e se suicidou. Outro exemplo de insuperável efeito midiático foi o ataque ao WTC, em Nova York. Entre nós, o atentado ao candidato à presidência da República em 06/09/18 é um grave exemplo desta época.
Frente à fragilidade das representações na era da imagem, à dificuldade de criar representações mentais, a solução é preencher o vácuo com atos-representações, e assim dar consistência e permanência ao regime do atentado.



Acadêmico Sergio Alves Gomes

O Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da Academia, ao fazer uso da palavra, realizou um breve apanhado dos vários momentos em que se desdobrou a reunião do dia (reflexões sobre a APATIA  e falta de comprometimento para com o que vem ocorrendo na nossa sociedade, em termos de violência e comportamentos contrários à ética; transformação da política em campo de morte (barbárie); crise de representação e atentado; momento de arte musical e também da crônica) para, ao final, propor questões reflexivas sobre  “O que é viver?”, “O que é conviver”?  “O que significa participar da “Sinfonia da Vida”? (título de obra que apresenta uma coletânea de Poemas  de Helena Kolody, organizada por Tereza Hatue de Rezende. Curitiba, Pólo Editorial do Paraná, 1997). Da referida obra, o Orador leu quatro poemas: Dom (1986), Sem Aviso (1988), Jovem (1985) e Outra Dimensão (1985). Seguem as letras dos referidos poemas, com o convite  para que não apenas fiquemos com sua beleza poética (que já configura uma  enorme dádiva  da renomada poetisa a seus leitores), mas que façamos deles momentos de reflexão e de verdadeiro voo do pensamento, estimulado por e na companhia de Helena Kolody (1912-2004).

DOM
“Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la”.

SEM AVISO
Sem aviso,
o vento vira
uma página da vida.

JOVEM
Suporta o peso do mundo,
E resiste.
Protesta na praça.
Contesta.
Explode em aplausos.
Escreve recados
nos muros do tempo.
E assina.
Compete
no jogo incerto da vida.
Existe.

OUTRA DIMENSÃO
Quem pintará
a voz e a canção?
Quem prenderá
no cárcere do verso
a miragem e o sonho,
o vôo e o pensamento?

Edital de interesse da comunidade londrinense

O edital aqui mencionado se referia ao 
preenchimento de cadeiras vagas em 
nossa Academia.
O prazo para as candidaturas 
encerrou-se em 31/08/2018.
Em breve, novo edital será publicado.

Extratos da nossa reunião de 12/08/2018

Mesa diretiva, composta pela presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, ladeada pela palestrante do dia, Profa. Flora Neves e pelo Acadêmico Miguel Luiz Contani

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias

A leitura do nosso Credo Acadêmico, pela Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina


Adaptabilidade
Adaptabilidade é a qualidade de adaptar-se, não somente às condições do meio ambiente, mas principalmente às próprias condições internas e a fazer delas um ponto de apoio para um progresso cada vez maior.
Onde existe adaptabilidade não existe inveja. Porque, sendo o reconhecimento das próprias condições internas e a adaptação dessas condições ao meio, será também o aproveitamento dos próprios valores. E, quem se preocupa sinceramente em realizar algo de bom em si mesmo, não terá tempo de invejar os valores alheios. Pelo contrário, esses valores só servirão de estímulo para o melhoramento de nosso próprio trabalho interno e externo. Adaptar-se é uma qualidade simples, como são simples todos os valores de Deus. Ela nos leva a executarmos o nosso trabalho no mundo, com as armas que possuímos, sem necessitarmos dos meios de outros e a agirmos por nossos próprios meios, sendo isso o que dá valor ao nosso próprio progresso.
Na vida prática, temos oportunidade de empregar a adaptabilidade todos os dias, em qualquer momento, a cada instante em todas as circunstâncias. Ilustramos com um exemplo: uma pessoa aprende alfaiataria com um professor habilidoso. Lógico que só a prática, o exercitar-se o levará ao desenvolvimento do mesmo professor. Porém essa pessoa deverá considerar que terá de contar com seus próprios recursos e não com os do mestre. Essa pessoa possui outras condições internas, outro caráter, outro tipo de vida. Um modo diferente de encarar as coisas. 
Pode não ser tão caprichosa, nem tão paciente, mas em comparação pode possuir maior criatividade, maior senso de adaptação, observação mais aguda dos detalhes, e talvez até maior perseverança. Que deverá fazer então, se mesmo tendo tentado, percebeu que jamais será um profissional, com as qualidades de desembaraço do mestre?
Deverá adaptar-se às próprias condições, aproveitando os próprios valores, para tornar-se então uma pessoa com facilidade de fazer arranjos e adaptações superando até mesmo o seu mestre, por possuir outras qualidades, outros dons divinos.
É assim a adaptabilidade em todos os setores: leva o indivíduo a procurar a si mesmo, em seu foro íntimo, o que realmente possui em força, coragem e imaginação para empregar em esforço no mesmo caminho em que outras pessoas talvez realizem progressos com uma habilidade natural.
Cada um de nós tem suas tendências próprias, suas qualidades pessoais, suas facilidades para isso ou para aquilo.
Vamos procurar adaptar o nosso trabalho, seja qual for a essas facilidades.
Não necessitamos imitar o trabalho alheio. Buscaremos sim as oportunidades.
Usemos a nossa própria imaginação que é uma qualidade especial no caminho da auto-realização e que favorece os meios para o desenvolvimento das nossas próprias virtudes e consequente amadurecimento de nossas habilidades pessoais.
Deus dotou a cada um de seus filhos com dons especiais, para que juntos expressamos esses dons a serviços da humanidade conscientemente e com sabedoria, procurando brilhar ao máximo, cada um a seu jeito, exatamente no lugar em que fomos colocados para a batalha da vida.
A mensagem desta reflexão é a de que tenhamos tolerância e profunda humildade com as diferenças e individualidades de cada ser humano.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
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Clube do Choro de Londrina
A Academia de Letras teve o prazer de receber e assistir à apresentação do pessoal do Clube do Choro de Londrina, que foi criado em meados da década de 60 tocando serestas, polca, maxixes, choros e gêneros tipicamente brasileiros. O grupo nunca se dissolveu, mesmo com as fortes investidas da corrente massificante da música promovida pelas mídias.
Com o passar dos anos o grupo perdeu antigos membros e ganhou novos músicos, adeptos e apreciadores do Choro. A formação atual conta com instrumentos típicos do gênero: flauta transversal, bandolim, cavaquinho, violão e pandeiro. No repertório, mesclam composições dos atuais e antigos membros do grupo, bem como de grandes nomes do Choro: Pixinguinha, Jacob e Nazareth.
Para quem gosta do Choro, basta acompanhar a programação das suas apresentações pelo Facebook e pela mídia.

Apresentação na nossa Academia.
Assista em tela grande! Ligue o som!
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Aluno vencedor em concurso de redação
A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina convidou o aluno Alan Vilas Boas de Lima, do Colégio Interativa de Londrina, vencedor do Concurso "Língua Portuguesa - Grande Língua de Comunicação Internacional", com redação de carta abordando o tema.
Alan veio acompanhado do Sr. Valter Orsi, representando a mantenedora do Colégio Interativa, da Sra.Ednar Nogueira, Presidente do Elos Clube e do Prof. Antonio Lemes Guerra Junior, do Colégio Interativa, responsável pela disciplina de Língua Portuguesa no Ensino Médio do Colégio.

Prof.Antonio Lemes Guerra Junior apresentando o aluno Alan
Vilas Boas de Lima, do Colégio Interativa. Ao seu lado
o Sr. Valter Orsi e à direita a Sra. Ednar Nogueira

O aluno Alan Vilas Boas de Melo, do Colégio Interativa de Londrina, 
lendo sua carta vencedora do concurso

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A Trova em Destaque
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo
Trovador, membro da U.B.T (União Brasileira de Trovadores). nosso Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo já abocanhou diversos prêmios em concursos de trovas. Autor do livro "Trovas em vários gêneros", tem realizado palestras e oficinas literárias de trovas.
Nesta reunião, o Acadêmico apresentou algumas trovas da sua criação e de terceiros.
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Literatura e Publicidade: primos entre si
Acadêmico Julio Ernesto Bahr
É muito raro se falar em publicidade numa Academia de Letras, talvez porque a Academia esteja intrinsecamente ligada à literatura, à música e às artes.
A publicidade faz parte de um campo de ação intelectual onde literatura, música e artes se encontram e ocupam um amplo espaço. A publicidade representa cem vezes mais em volume de dinheiro investido do que a literatura.
Índices de 2016 mostram que o volume financeiro do mercado editorial brasileiro de livros atingiu R$ 1,384 bilhão e os investimentos em publicidade somaram R$ 129,9 bilhões. Textos publicitários escritos ou narrados e divulgados pelas várias formas de mídia abrangem muito mais público do que a literatura.
A história da Propaganda Brasileira começou em meados de 1800 com Tiradentes, com a primeira campanha política, a campanha para a Independência.
Poetas como Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Ari Barroso, Casimiro de Abreu e Fernando Pessoa foram alguns dos escritores que participaram da criação dos textos publicitários. Guilherme de Almeida criou o slogan para a empresa La Fonte ("A fechadura que fecha e dura").
O Século XX revelou poetas e prosadores produzindo sonetos, trovas, paródias e narrativas breves em anúncios, iniciando uma tradição que atravessou décadas e continua viva hoje, com escritores atuando profissionalmente em agências de publicidade como redatores e diretores de criação, ou ainda sendo convidados a redigir textos para campanhas publicitárias.
É do poeta Manuel Bandeira um dos raros anúncios que mostra o vocabulário informal para a época:

Meu Deus, que mulher durinha!
Foi um buraco na minha vida,
Mas eu mato ela na cabeça,
Vou mandar-lhe uma caixinha de Minorativas
Pastilhas Purgativas
É impossível que não faça efeito!

Uma sextilha criada nos anos 1920 foi exposta por décadas em bondes e ônibus. Até recentemente se discutia quem teria sido seu autor, se Martins Fontes, Emilío de Menezes ou Bastos Tigre:

Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro,
Que o senhor tem a seu lado.
E, no entanto, acredite,
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosotado

Mas o mais importante “escritor-redator" publicitário dos anos 1920 talvez tenha sido Monteiro Lobato com a peça publicitária que ficou popularmente conhecida como ‘Almanaque Fontoura’, contendo noções de higiene e saneamento, historinhas e atividades recreativas para crianças e publicidade a favor do medicamento. O almanaque alcançou a marca dos 100 milhões de exemplares distribuídos, tornando-se assim provavelmente a peça publicitária de maior sucesso no Brasil.
O exercício da propaganda é o campo dos chamados criativos. Exige ideias, inovações e arte. Aproveita-se de todos os avanços tecnológicos que vêm surgindo ao longo das décadas. Foi responsável por impulsionar a televisão, desde a primeira transmissão em preto-e-branco (PRF3 TV Tupi Difusora) implantada por Assis Chateaubriand em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi. Chateaubriand ajudou a criar também a Escola de Propaganda de São Paulo, a primeira do gênero na América Latina, que se transformou posteriormente na hoje conhecida ESPM.
Vários escritores-publicitários somaram criatividade e qualidade aos textos publicitários, como Renato Castelo Branco, autor de 22 livros e que chegou a presidente da J. Walter Thompson nos Estados Unidos; Ricardo Ramos (filho de Graciliano Ramos) e Geraldo Santos.
O escritor João Antônio (16 livros escritos) sobreviveu um período de tempo como jornalista e também como redator publicitário. Foi um dos grandes nomes da antiga revista Realidade, da Editora Abril, sob a direção de Roberto Freire. Passou uma temporada em Londrina em 1975 e fez escola. 
Jornalistas, publicitários e escritores impulsionaram a criação de novas revistas, dirigidas para públicos-alvo específicos. O sexo e o conceito de liberdade sexual deixaram de ser tabu a partir do jornal Pasquim para serem descritos e exibidos com todas as letras, tanto na mídia impressa, quanto nas novelas da televisão. Foi também o Pasquim com escritores como Millor Fernandes, Paulo Francis, Ivan Lessa, Sergio Porto e Fausto Wolff, que inovou na linguagem, com um humor aguçado e debochado, trazendo descontração nos textos. Esta forma de escrever foi transposta para a publicidade, como na campanha com os comerciais do garoto Bom Bril.
A participação dos homens das letras no fascinante campo da publicidade nos induz a concluir que se estes dois ramos de escrita e de arte não são irmãos siameses, certamente são primos entre si.
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Telejornalismo: Informação ou Espetáculo?
Profa. Flora Neves *
A Televisão começou no Brasil na década de 1950 com o pioneirismo de Assis Chateaubriand, megaempresário da época, e tornou-se um fenômeno cuja influência alterou a própria urbanização do país. Estava em curso, e se intensificava, o êxodo do campo para as cidades, tidas como locais de maiores perspectivas e modernização mais acelerada. A era do rádio entrava em declínio, e a combinação de som e imagem proporcionada pelos aparelhos de TV fascinava a população. A influência permanece e se amplia nos dias de hoje, chegando mesmo a se verificar que ela não falta em nenhuma casa, e até sem exagero, uma família pode não dispor de uma geladeira, mas não deixa de adquirir um televisor. 
Embora, atualmente, haja uma multiplicidade de opções entre canais de TV a cabo e canais da TV aberta, esta última ainda é dominante no cotidiano das famílias. Essas emissoras de TV aberta são concessões, e por esse motivo, ligam-se ao ambiente político do Congresso Nacional, de onde partem as análises e os acordos que as concretizam. O Brasil tem redes nacionais e concessões regionais com acesso à mesma programação. Cabe destacar que o telejornalismo e a dramaturgia são duas modalidades dessa programação que têm o mais direto potencial de unir a população em termos de sentimento e pensamento. Ocorre, por outro lado, a chamada convergência midiática, em que as pessoas agora também podem assistir a telejornais e peças de dramaturgia por meio de aplicativos baixados em smartphones, como, por exemplo, o Youtube e uma grande variedade de outros canais, acessados via internet. Ou seja, pode-se assistir televisão de um aparelho de bolso.
Um ponto que não pode escapar é o fato de que o telejornalismo foi adquirindo traços da dramaturgia que preenchem a notícia com elementos de emoção, suspense e até mesmo de aventura. Nesse aspecto reside todo um cuidado a tomar, porque a chamada espetacularização da notícia tem origem em roteiros estabelecidos por uma autoria, do mesmo modo que uma novela ou filme. Uma notícia recebida nesse formato pode provir de uma única pessoa ou de um grupo muito pequeno. Há também um agendamento em que, numa determinada temporada, cenários, ambientes, falas de entrevistados, flagrantes retirados de um episódio, edições de matéria, são organizados para promover um dado resultado emocional no espectador e, principalmente, mantê-lo fiel na audiência, sempre esperando o desfecho no dia seguinte como nos capítulos de uma série televisiva. 
Esse é um fenômeno resultante, no caso da emissora de TV aberta, dentre outros, do fato de ela ser uma concessão e necessitar das inserções comerciais responsáveis por seu faturamento. Na época de eleições que atravessamos hoje, muito maior atenção deve ser prestada, principalmente quando repórteres e cinegrafistas se envolvem diretamente com os eleitores nas diferentes regiões, como se presenciou nos últimos pleitos. Por serem manifestações individualizadas, na maior parte das vezes fora de contexto, e mesmo editadas para irem ao ar, torna-se crucial resgatar-se dos sentimentos e emoções que aquela situação particular confere à percepção sobre o candidato sendo mencionado. 
* Jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina, 
mestre e doutora em comunicação pela USP, atuou como produtora, 
repórter, editora e apresentadora de televisão. 
Docente do departamento de comunicação da UEL 
e do Programa de mestrado em comunicação da mesma instituição. 
Autora do livro: "Telejornalismo e Poder nas eleições".

O Acadêmico Miguel Luiz Contani entregando o Certificado de Participação 
à palestrante Profa. Flora Neves
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Ao final da  reunião, momento de confraternização entre Acadêmicos 
e convidados, erguendo um brinde pelo Dia dos Pais

Extratos da reunião de 08/07/2018

Mesa diretiva: a presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, ladeada pela 
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa e o palestrante do dia, 
Prof. Daniel de Oliveira Figueiredo

Nosso Mestre de Cerimônias,
Jonas Rodrigues de Mattos

Leitura do Credo Acadêmico, pela
Acadêmica Fátima Mandelli



Os Elementos do Caráter
Acadêmica Pilar Alvares Gonzaga Vieira

“O caráter é produto das ações, das palavras e dos pensamentos de cada dia e cada hora: é o perdão, o altruísmo, a bondade, a simpatia, a caridade, os sacrifícios pelo bem dos outros, o empenho contra as tentações, a resignação ante o infortúnio. Tudo isto, como a combinação de cores num quadro, ou a harmonia de notas na música, é que constitui o homem.”
J. R. Macduff 

Somos o que pensamos. Em nossos pensamentos encontram-se todas as possibilidades de êxito, ou não, em nossas vidas. Foi-se o passado, e o presente foi criado pelos pensamentos e ações do passado. Nosso amanhã será como o construirmos com os pensamentos de hoje. Por conseguinte, pensamentos sublimes e elevados edificarão um grande e nobre futuro.
Há uma crença popular de que tudo que quanto se precisa fazer é alimentar pensamentos construtivos, a fim de se criar um futuro propício, porém este não é um procedimento assim tão simples. Mais do que isto, o caráter dos nossos pensamentos e ideias influenciará nosso futuro.  Por conseguinte, a nobreza de caráter e os elevados ideais morais influenciam profundamente o modo como encaramos a vida.
Na vida interior de cada um de nós, nosso caráter e nossos padrões morais afetam intensamente nosso progresso e desenvolvimento interior. A menos que nos esforcemos pelo que de melhor concebemos em pensamento e atitude, nosso desenvolvimento será lento e pouco recompensador. Isto não quer dizer que devemos ser perfeitos em nossos pensamentos e atitudes, mas antes, que devemos nos esforçar por aprimorar-nos de todos os modos possíveis.
É espantoso como restringimos nosso desenvolvimento, com nossos conceitos de certo e errado, de bem e de mal, de modo que a verdadeira personalidade, não encontra oportunidade de nos revelar a verdade da vida.
Devemos empenhar-nos em seguir nossa própria luz, sem preconceitos e com uma perspectiva verdadeira de nós mesmos em relação a nossos estudos e aspirações.
Muito frequentemente, impedimos nosso desenvolvimento em todos os níveis de vida, por causa de nossas concepções falsas de certo e errado. Nada é tão eficaz para dissipá-los do que uma perspectiva verdadeira da vida.
O caráter se encontra sempre em formação. Nossos pensamentos dominantes, nossos ideais e aspirações interiores, bem como nosso comportamento, estão constantemente moldando nosso caráter em novas e mais sublimes formas, a medida que seguimos os nossos mais altos ideais de vida.
Todavia, muito frequentemente, nos desvíamos do nosso objetivo na vida, permitindo que objetivos menos importantes e problemas diários se tornem dominantes em nossa consciência. Isto influencia profundamente nosso caráter de um modo que mais tarde lamentaremos.
Quando, a outros nos associamos num grupo, inúmeros aspectos do nosso caráter e de nossa personalidade colocam-se imediatamente em evidência, em razão das intensas vibrações estimuladoras. Ocorre um desafio, para que se revele o melhor do que sabemos e podemos realizar. Empenhamo-nos em mostrar nosso melhor comportamento e conservamos à parte muitas das pequenas idiossincrasias de nossa natureza. Sentimos uma especial preocupação em nos distinguirmos, e isto constitui importante aspecto de nosso trabalho de grupo. Deve haver um esforço da parte de cada qual, no sentido de dar o melhor de si mesmos, pois a íntima atmosfera criada na associação de um grupo harmonioso é bastante eficaz para estimular e desenvolver os aspectos mais nobres do nosso caráter. É surpreendente a rapidez com que o desenvolvimento ocorre quando um estudante se reúne a um grupo de companheiros, em especial entre os que estão iniciando seus estudos.
Devemos nos lembrar, porém, que no grupo, alguns poderão manifestar a tendência de reagir de um modo a que todos devemos estar atentos, pois surge a inclinação a nos tornarmos vaidosos e arrogantes em razão de nossos conhecimentos. Devemos, portanto, tomar a precaução de não nos tornarmos egocêntricos, sabichões e incômodos, pensando que conhecemos muito mais que os outros componentes do grupo.
No desenvolvimento de nossa personalidade e conhecimento do mundo, das coisas e das pessoas com quem convivemos, a humildade é a diretriz mais importante e proveitosa para todos os nossos pensamentos e ações.
A humildade de caráter constitui uma característica indispensável para o progresso e o verdadeiro servir.
Frequentemente deturpamos a finalidade e o propósito dos estudos a que devotamos nossas vidas. O fim último do conhecimento é prestar eficiente serviço à humanidade.
Por conseguinte, estejamos sempre atentos às responsabilidades de aprendermos e compreendermos e de servimos com humildade.
Que a beleza radiante e a amorosa harmonia de nosso caráter, possa brilhar sempre para iluminar o caminho, e que o serviço por nós humildemente prestado, possa verdadeiramente refletir as qualidades do nosso ser e nosso caráter.  



Nosso Momento de Arte contou com a apresentação da pianista Flávia Harumi Miashyta, que nos brindou com músicas de Dave Brubeck e Chiquinha Gonzaga. Flávia é aluna do maestro Fernando Mourão.








A FALSA NEOESQUERDA BRASILEIRA
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

A esquerda brasileira é uma quimera. Característica não apenas nossa, mas que aparece na América Latina e tem causas que podem ser encontradas, inclusive, no afã de justificar nossos fracassos fazendo contraponto aos países capitalistas, notadamente, os Estados Unidos. 
Na teoria da dependência consta que somos pobres porque os ricos capitalistas nos exploram. Desculpa reconfortante para fugir de nossas responsabilidades e creditar a outros nossas desgraças.  Desse modo, a tática da vitimização encontra nas falsas promessas da esquerda a sedutora utopia da igualdade
Para a imposição da mentalidade esquerdista são criadas massas de manobra, sendo o alvo principal a juventude doutrinada na escola e, principalmente, na universidade. Sem maturidade para cotejar os fatos à luz da realidade os cérebros juvenis absorvem ralas noções marxistas e, sobretudo, palavras de ordem. Aprendem que ser de esquerda significa ser bom, defensor dos pobres, possuidor de caráter ilibado. Na direita está a “elite” maldosa, seguidora de um tal de neoliberalismo, opressora dos pobres e oprimidos que necessitam dos paladinos da esquerda para salvá-los em nome da causa, ou seja, da fé.
Não é transmitido aos jovens os horrores do comunismo, sistema que matou milhões de pessoas, sequestrou a liberdade, reduziu a maioria à miséria enquanto uma casta dirigente usufruía do poder e seus inerentes privilégios e, que por fim, fracassou. Na América Latina são, entre outros expressivos exemplos do que pode fazer a chamada esquerda para a desgraça das populações, Cuba e Venezuela.
No Brasil, o governo petista depois de quase 14 anos no poder afundou o país economicamente e corrompeu valores, tendo chegado à decadência por contas da ganância, da incompetência e da corrupção institucionalizada.
Além das massas de manobra existem também os oportunistas, que se dizem de esquerda para obter vantagens nas universidades e nos empregos loteados pelo PT por todo País. Não faltam além disso as espertas lideranças partidárias e os candidatos populistas, que em campanha são de esquerda desde criancinhas.
Note-se que nenhum de nossos partidos, esses trampolins para se alcançar o poder, se apresentam como de direita. Para evitar o estigma de fascistas ou coisa pior preferem se dizer de esquerda, centro-esquerda, centro e, no máximo, de centro-direita.
Esse esquerdismo é totalmente falso porque não temos partidos ideológicos, mas, sim, clubes de interesses. Além do mais, a chamada esquerda virou uma mistura de opiniões politicamente corretas que nada tem a ver com o marxismo.  Alguns neoesquerdistas chegam a se declarar cristãos, o que deve fazer Karl Marx revirar na tumba.
O PT, que sempre foi considerado o maior partido brasileiro de esquerda, nos seus congressos nunca conseguiu definir qual era seu socialismo.
Seria o PDT um partido de esquerda? Seu candidato à presidência da República, Ciro Gomes, conhecido por seus destemperos, grosserias e insultos está no sétimo partido e mantém os pés em duas canoas: a considerada de esquerda e a que é vista como de direita.
Marina, PT de coração, esqueceu a ecologia e aceita na Rede qualquer “peixe”. Ela se tornou a menina dos olhos de FHC (PSDB), que depois de destruir a candidatura de João Dória à presidência da República parece desgostoso com o fraco desempenho de Geraldo Alckmin.
Curiosamente, o pré-candidato do PC do B ao governo do Rio de Janeiro, Leonardo Giordano, admitiu que seu partido considerado de extrema esquerda apoiou a administração do ex-governador e atual presidiário, Sérgio Cabral (MDB) e do ex-prefeito, Eduardo Paes (DEM). A combativa deputada, também do PC do B, Jandira Feghali, foi secretária da Cultura na gestão de Paes.
Muitos são os exemplos da falsa esquerda e no momento o que se vê é uma matéria gelatinosa de todos os partidos buscando freneticamente entre si alianças das mais esquisitos. Esquerda? Que nada. O que existe apenas é o lado de cima.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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Cuidado com o Estado de partido único
Acadêmica Ludmila Kloczack

Ao indagar se os Estados Unidos correm o risco de se transformar numa tirania, o autor assinala que os americanos que criaram os fundamentos da Democracia
americana, acreditavam que sim. Por isso, cuidaram em criar um sistema cuja lógica visava mitigar as conseqüências das imperfeições reais, e não celebrar, nem se iludir, com a perfeição imaginária. Nas palavras de Wendell Phillips, abolicionista americano, “o preço da liberdade é a eterna vigilância” e acrescenta que “ o maná da liberdade popular deve ser colhido a cada dia, ou apodrece”.
Democracias surgidas após a Primeira Guerra Mundial (e da Segunda), ruíram quando, numa combinação entre eleições e golpe de Estado, um partido único se apossou do poder. Quando nazistas, fascistas e comunistas venceram eleições, utilizaram-se, em seguida, de uma combinação de espetáculo, repressão e ‘tática do salame’ – ao cortar, uma a uma, as fatias da oposição, para obter a hegemonia do poder.
O autor lembra que os alemães que votaram no Partido Nazista em 1932, não imaginavam que seriam privados do voto até 1945, quando a Alemanha perdeu a Segunda Guerra. Do mesmo modo, o Partido Comunista Tchecoslovaco, ao obter o poder pelo voto, aboliu a Democracia e manteve-se no poder até o colapso do sistema em 1989. Mais recente, os russos que votaram em 1990, não imaginavam que seria a última eleição livre e limpa da história do país, pois a oligarquia russa surgida depois dessas eleições, continua no governo e promove uma política externa destinada a destruir a Democracia em outros países. Nos Estados Unidos, a oligarquia transforma-se em ameaça à medida que a globalização aprofunda a desigualdade econômica e fornece aos muito ricos maior liberdade de expressão e mais poder de voto que os outros cidadãos.
Nas palavras do autor, é preciso corrigir o sistema eleitoral, incluindo “votos de papel, que não podem ser adulterados remotamente e sempre podem ser recontados”.
Snyder, T. Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente. 
1ª. Ed.; São Paulo:
Cia das Letras. 2017 ( 3º. Capítulo)
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Um roteiro para a leitura de charges
DANIEL DE OLIVEIRA FIGUEIREDO *

As charges são, notadamente, um instrumento argumentativo largamente utilizado em diversos meios de comunicação e em diversos cenários diferentes. Algumas vezes encarada como apenas uma crítica bem-humorada à fatos do cotidiano, as charges, em uma leitura mais apropriada e especializada, desempenha papel fundamental na constituição e formação da opinião das pessoas em muitos assuntos, inclusive assuntos bastante delicados.
As famosas Charges de Maomé (promovidas por um jornal dinamarquês), o caso do periódico francês Charlie Hebdo em 2015, o atentado à liberdade do chargista adolescente da Folha de São Paulo e várias outras situações deflagram o potencial argumentativo dessa modalidade de gênero verbo-visual (característica de uma linguagem híbrida) e toda sua força crítica na defesa de determinada opinião.
Dadas essas idiossincrasias, um roteiro para leitura de charges é apropriado para uma reflexão mais precisa e aprofundada desse recurso imagético, vista sua importância em nossa sociedade contemporânea. O roteiro se articula em três eixos, com oito elementos constitutivos.
O EIXO DE BASE possui os elementos da situacionalidade, em que se percebe o cenário e conjuntura da situação que é referida na ilustração, e a contextualização, etapa em que analisa-se elementos que constituem o contexto de publicação e produção da charge.
O EIXO DE ESTRUTURAÇÃO revela algumas perspectivas criativas e formais da construção da charge, como a dimensão visual (elementos da linguagem visual, como utilização de cores, formas, texturas e traço estilístico do artista); a dimensão textual (recurso muito presente nos balões e títulos); uso de caricaturas e estereótipos (reconhecimento dos personagens ali descritos e as noções de grupos sociais e políticos representados); e as relações intertextuais (recurso muito usado na constituição das mensagens que se constroem em uma relação explícita ou implícita com outros textos).
Entrega do Certificado de Participação
ao palestrante, pela Acadêmica
Dinaura G. Pimentel Gomes
Finalmente, o EIXO DE ARGUMENTAÇÃO engloba a análise do efeito político causado pelo humor da charge no leitor e a opinião que é revelada na articulação de todos esses elementos em harmonia, culminando na crítica global que é percebida.

*Formado em Relações Públicas
Doutor em Estudos da Linguagem
Professor do Departamento de 
Comunicação da UEL 







Os Acadêmicos
 Sergio Alves Gomes
e Marco Antônio Fabiani
externaram suas opiniões a respeito
do tema apresentado
pelo palestrante,
contribuindo para o debate