REUNIÃO NA MODALIDADE REMOTA EM 12/09/2021

 

Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, apresentou os participantes e conduziu a reunião 

Coube à nossa Acadêmica Dinaura Pimentel Gomes a leitura do Credo Acadêmico

Ludmila Kloczak

Bem-vindos caros confrades, confreiras, visitantes e convidados!
Este setembro foi recebido de modo inusitado. São tantas as manifestações de esperança e júbilo pela perspectiva do fim da pandemia, gratidão pela vida e percepção da possibilidade de retomada do caminho de cada um! Esse é o ponto. Mas, antes, ou, ao invés de retomada do caminho, vem a pergunta: qual caminho? Sobre isso temos algo a dizer e pensar.
Todas as decisões que envolveram a administração da pandemia ao redor do mundo terão um efeito duradouro e moldarão o mundo por muitos anos. Medidas emergenciais de curta duração, muitas vezes, tornam-se permanentes. Os governos sempre encontram justificativas para mantê-las ativas. O historiador Yuval Harari, em artigo no Financial Times, de 20 de março de 2020, observou que, involuntariamente, todos países tornaram-se cobaias de experimentos sociais em larga escala. Por exemplo, o que acontece quando todo mundo passa a trabalhar em casa e só se comunica à distância? Ou, o que acontece quando todas escolas e universidades passam a atuar ao modo remoto? Em condições normais, os governos, as corporações ou os comitês educacionais não concordariam com tais experimentos.  Haveria muitos debates, levaria muito tempo para as propostas amadurecerem, criar-se-iam contrapesos a tais experimentos. Mas, não são tempos normais. 
Entre o medo que se instala na população e a exigência compulsória dos governos em tomar medidas para enfrentar o problema nos colocou frente a uma importante escolha. O que vamos preferir: a vigilância totalitária ou o fortalecimento do cidadão. É atraente respondermos que desejamos o fortalecimento do cidadão. Mas, o comprometimento da população com as orientações governamentais pode ser obtido de duas maneiras. Um método é o governo monitorar pessoas e punir os que desobedecerem às regras. Atualmente, dispomos de ferramentas tecnológicas que permitem o monitoramento permanente.
Frequentes declarações de instituições internacionais e governos ocidentais revelam certa inveja e lamento porque as leis nos seus países os impedem de aplicar medidas usadas na China. Ao monitorar estreitamente os celulares, fazer uso de centenas de milhões de câmeras de reconhecimento facial e obrigar pessoas a conferir e reportar sua temperatura corporal e condição médica, o governo chinês, não só conseguiu identificar suspeitos portadores do sarscov-2, como também acompanhar seus movimentos e identificar qualquer um que estivesse em contato com os mesmos. Além disso, um sinal do celular alerta o cidadão sobre a proximidade de pessoas infectadas. Isto sem contar com antigo e disseminado método de controle das atividades por quarteirão, exercido por agentes de vigilância, nos países comunistas.
Outro método implica em utilizar, o mínimo possível, alguns recursos tecnológicos de acompanhamento do cidadão. Ao invés deste meio, oferece-se a ele a oportunidade de atuar conscientemente na implementação do autocuidado e da atenção ao outro. Para tanto, os governos utilizaram a testagem extensiva ao maior número possível de cidadãos e estimularam a cooperação voluntária de uma população bem informada. O exemplo também veio da Ásia: Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. Fornecer ao cidadão o direito de se cuidar e os meios sanitários e educacionais, fortalece sua consciência de cidadania e permite exercer sua privacidade e liberdade. 
Estas questões que pareciam distantes, ficcionais, dilemas que só aconteciam em outros países longe daqui, fazem parte da nossa realidade atual. Em períodos em que crises de saúde ou segurança ameaçam as pessoas, é muito fácil optar pelo abandono da privacidade e liberdade e buscar a garantia de saúde e sobrevivência. Entretanto, são escolhas equivocadas, porque são excludentes. Cuidar da saúde e segurança sem perder a privacidade e a liberdade só tem um caminho: fortalecer a consciência de cidadania e tudo que implica, através da educação. Temos o caminho! É um trabalho de longo prazo.
Neste momento, gostaria de desanuviar um pouco nossas mentes e nossos corações desta experiência traumática que nos marcará para sempre, com um destaque especial. 
Fomos agraciados na primeira quinzena de setembro com o belíssimo espetáculo dos ipês brancos a florescer por toda a cidade. Os japoneses criaram parques para cultivar suas cerejeiras em flor e instituíram um dia para a sua contemplação. Em Apucarana, a comunidade japonesa seguiu a tradição. Anualmente, a cidade é brindada com um lindo espetáculo! Em Londrina, os ipês se espalham pela cidade. Cada cor de ipê tem o seu tempo de florescer. Somos agraciados com o colorido. Seria emocionante dedicarmos um parque a esta exuberante árvore brasileira. Sua florada nos fornece a beleza majestosa e a lembrança de que a beleza é efêmera e finita.

Ensaio inspirado no artigo: 
Yuval Noah Harari: the world after coronavirus. Financial Times: Life & Arts. 20/03/2020

Eduardo Assad Sahão *
Multi-instrumentista

* Multi-instrumentista e mestre em Música pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), EDUARDO ASSAD SAHÃO iniciou seus estudos em piano e violão aos 8 anos de idade. Com apenas 16 ingressou no curso superior de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL), juntamente com Comunicação Social pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). Sua formação instrumental passa pelo estudo de piano, violão, contrabaixo acústico e elétrico, saxofone, flauta transversal e guitarra elétrica, versatilidade esta que deu margem a sua participação como instrumentista em diversas formações musicais.
Estudou Regência Orquestral com maestros de renome internacional como Alessandro Sangiorgi (Itália-Brasil), Maurizio Colasanti (Itália), Josep Caballe-Domenéc (Espanha), Daisuke Soga (Japão), Mônica Giardini (Brasil) e Lutero Rodrigues (Brasil). Em 2018, foi selecionado para o 61th International Masterclass in Orchestral Conducting, em Viena (Áustria), onde passou uma temporada de estudos com o maestro austríaco Johannes Wildner. Músico eclético que desconsidera barreiras de gênero musical, atua como instrumentista, arranjador, diretor musical e regente convidado.
Na área acadêmica, é atuante e pesquisador na área da Educação Musical e Neurocognição Musical, também integra o grupo de pesquisa APREMUS - Aprendizagem Musical na Contemporaneidade e COGMUS – Processos analíticos, criativos e cognição musical. Em 2019 ficou entre os primeiros colocados no Prêmio Villa-Lobos, que premiou os projetos mais inovadores em Educação Musical de São Paulo. Em 2021 lançou seu canal no YouTube, onde apresenta obras solo e convida outros músicos, com o objetivo de produzir e promover a música sem rotulações e estereótipos, desde o erudito até popular.


A Constituição da República Federativa do Brasil em seus trinta e três anos 
(1988-2021)
Acadêmico Sergio Alves Gomes *

        No momento “Palavra do Orador”, foi concedida a palavra ao Acadêmico e Orador SERGIO ALVES GOMES, o qual, após as saudações de praxe e agradecimentos pela oportunidade para pronunciar-se, expôs os principais pontos de texto de sua autoria cujo teor integral segue abaixo. 

        Em 05 de outubro de 1988, o Deputado Ulysses Guimarães, Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, promulgava, solenemente, a atual Constituição da República Federativa do Brasil, prestes agora a completar trinta e três (33) anos.  A proximidade de tal aniversário da Carta Magna do País é um convite à reflexão sobre seu significado, para bem compreendê-la e cumpri-la, a fim de que os objetivos nela traçados pela Nação, em vista do “bem de todos”, possam ser alcançados. Levar a sério a Constituição é a melhor homenagem que se pode prestar à ilustre aniversariante. 
Nenhuma Constituição nasce do nada. Pelo contrário, a Constituição (jurídica e política)  é sempre fruto de um caminho que envolve lutas históricas  a respeito de poder, direitos, deveres, valores e  sentido -   enquanto significado de suas palavras e também enquanto direção para a qual se quer caminhar.(1)  Por isso, “constituição” é termo que não apenas expressa a estruturação de algo que “é”, mas também daquilo que se almeja venha a ser (sentido prospectivo) e que para tanto exige observância de comportamentos que acatem o  “dever-ser” expresso pelas normas constitucionais  a fim de que o “ser” se concretize.    No Brasil, tal “ser”, isto é, a realidade que se almeja  realizar, construir,  segundo o estabelecido na Constituição Federal de 1988, consiste em “uma sociedade livre, justa e solidária, na qual esteja garantido o desenvolvimento nacional, somado ao contínuo empenho do País na erradicação da pobreza, da marginalização e da redução das desigualdades sociais.(2) Temos  uma Constituição que,  ao cumprir seu papel de “lei das leis” – pois nela se amparam e a ela se submetem todas as leis infraconstitucionais, para que tenham validade -  e salvaguarda da Democracia,  exige de todos, especialmente dos poderes constituídos,  a promoção do “bem comum”, isto é, “do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.(3)
A Constituição vigente é fruto do Poder Constituinte(4) que, lógica e juridicamente, antecede os poderes estatais constituídos pela Assembleia Nacional Constituinte, instalada por ordem da Nação brasileira, consoante palavras de Ulysses Guimarães, em seu discurso de promulgação da Carta Magna: “A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo”. (5) Assim, com solene gesto, o País inaugurava uma nova era política, jurídica e social, uma era de construção e busca de efetividade de instituições, regras, princípios e  valores democráticos.
Muitas consequências advêm da suprema e solene decisão constituinte de instituir o Estado Democrático de Direito (6). A primeira delas é o compromisso com a realização da Democracia, o que por si só já significa uma mudança radical no paradigma de Estado vigente no período ditatorial inaugurado em 1964, durante o qual a Constituição foi suplantada por atos institucionais de extrema radicalidade autoritária, consoante se vê pelo teor de excertos  do Ato Institucional n.5. (7)  Com base em seu texto, o Presidente da República estava autorizado a “ decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de vereadores [...] só voltando os mesmos a funcionar quando convocados” pelo próprio Presidente (art.2º). O mesmo Ato deu poderes ao Chefe do Executivo Federal para poder “decretar a intervenção nos Estados e Municípios, sem as limitações previstas na Constituição” (art. 3º). Igualmente, sem as limitações previstas na Constituição, o Presidente podia “suspender os direitos  políticos  de  quaisquer cidadão, pelo prazo de 10 anos, e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais” (art.4º). A mutilação do Poder Judiciário restou evidenciada, mediante a suspensão das “garantias constitucionais ou legais de: vitaliciedade, inamovibilidade e estabilidade” dos juízes (art.6º). Ademais, ficou “suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e economia popular” (art.10)  E para não haver nenhuma saída jurídica favorável a quem fosse enquadrado em alguma das hipóteses previstas em tal Ato, impediu-se o acesso à tutela do  Poder Judiciário, conforme estabelecido no art. 11, que dizia: “Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos”.
Felizmente, o sol da democracia voltou a brilhar em 1988. Reconheceu-se o princípio da supremacia da Constituição, banindo-se do ordenamento jurídico os atos institucionais.  Isso significa que nenhuma lei, nenhuma norma jurídica terá validade se contrariar a Constituição. A Carta Magna voltou para seu devido lugar no topo da hierarquia das leis, acima da qual ninguém pode se colocar.  E, para garantir tal obediência aos mandamentos constitucionais supremos, há o controle de constitucionalidade, exercido por todos os juízes e tribunais do País, atribuindo-se ao Supremo Tribunal Federal a grave responsabilidade de dizer a “última palavra” nos julgamentos sobre toda e qualquer matéria constitucional. 
A Constituição Federal de 1988 significa a superação e substituição  do paradigma ditatorial pelo da  Democracia. Estabeleceu princípios fundamentais e regras que se constituíram em normas constitucionais que impõem a todos – e especialmente aos poderes constituídos - a tarefa de realização dos valores  que devem orientar  a vida política, jurídica, econômica, social e cultural do País. É democrática não apenas porque o poder constituinte que lhe deu existência “emana do povo”, mas também porque, mediante princípios e direitos fundamentais, coloca freios e contrapesos no exercício do poder, de modo a afastar toda e qualquer espécie de arbitrariedade. Ademais, contém “cláusulas pétreas” que impedem aos poderes políticos constituídos abolir, por emenda, elementos essenciais à democracia, tais como: a separação dos Poderes; o voto direto, secreto, universal e periódico; os direitos e garantias individuais (CRFB, art.60, §4º). 
Já em seu Preâmbulo, o texto constitucional explicita com absoluta clareza a razão pela qual o povo brasileiro, por meio de seus representantes reunidos em Assembleia Nacional Constituinte, decidiu instituir um Estado Democrático de Direito. Foi para  “assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça”, considerando tais elementos como “valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”.
Incomensurável é o ganho civilizatório trazido pelas constituições dos países que assumiram efetivo compromisso com a Democracia, sobretudo após a II Guerra Mundial, quando,  uma vez vivenciado o horror do holocausto,  inaugura-se  um novo tempo com um novo paradigma estatal  que busca não apenas proclamar, mas também garantir a efetividade dos direitos humanos e dos direitos fundamentais, fundados no princípio da dignidade humana.   A partir de então, enquanto, de um lado, na esfera do Direito Internacional dos Direitos Humanos, relevantes tratados de direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais são assinados e ratificados, de outro lado, no âmbito interno dos países democráticos, são afirmados os direitos fundamentais individuais, sociais e transindividuais. A Constituição Federal vigente, além de agasalhar um elenco de direitos fundamentais, adota também o princípio da “prevalência dos direitos humanos” (CRFB, art.4º, II). 
E qual a principal finalidade de tal “afirmação histórica dos direitos humanos” (8) e fundamentais?  A salvaguarda da “dignidade da pessoa humana”, que passa a atuar como um “superprincípio”, pois, conforme enfatiza a jurista  Flávia Piovesan, (9) “ é no valor da dignidade humana que a ordem jurídica encontra seu próprio sentido, sendo seu ponto de partida e seu ponto de chegada, na tarefa de interpretação normativa”.[...] Assim, seja no âmbito internacional, seja no âmbito interno (à luz do Direito Constitucional ocidental), a dignidade da pessoa humana é princípio que unifica e centraliza todo o sistema normativo, assumindo especial prioridade. A dignidade humana simboliza, deste modo, um verdadeiro superprincípio constitucional, a norma maior a orientar o constitucionalismo contemporâneo, nas esferas local e global[...]”. 
O paradigma do Estado Democrático de Direito adotado pela Constituição vigente, ao encampar um conjunto de princípios, direitos e garantias fundamentais, evidencia tratar-se de modelo estatal instituído para funcionar a serviço do “bem de todos”, levando em conta que todo indivíduo é uma “pessoa humana” dotada de igual dignidade às demais. Por isso, a constituição democrática não aceita a arbitrariedade nem desvios de poder, ao mesmo tempo que abomina e pune a corrupção. O texto constitucional vigente evidencia ter adotado uma concepção de ser “humano multidimensional”. Percebe que as pessoas não se realizam enquanto tais por simples proclamação de uma liberdade formal perante a lei. Não lhes bastam os direitos individuais, como por exemplo, o de ir e vir, de votar, de expressar o que pensam, ou seja, as diversas modalidades de liberdade. Estes direitos   são indispensáveis à cidadania, mas, insuficientes porque não contemplam todas as necessidades básicas da pessoa. Esta necessita, também, de educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, ser assistida quando desamparada... Daí a razão de ser dos direitos sociais (CRFB, arts. 6º a 11) para atender carências de outras dimensões da vida humana não contempladas pelos direitos  individuais.  Além disso, como garantir  tais direitos em um meio ambiente ecologicamente desequilibrado, poluído, envenenado pelas ações depredadoras do próprio homem? Não por acaso, portanto, a Constituição assevera, em seu artigo 225: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 
        Vida com dignidade e boa qualidade não se obtém sem a complementaridade das múltiplas espécies de direitos humanos e fundamentais.  Quando se reconhece a indivisibilidade e a complementaridade dos direitos humanos e fundamentais, o que se está a perceber é a indivisibilidade do próprio ser humano que, em sua unidade e unicidade (de cada pessoa) não admite fragmentação. Por isso, suas necessidades fundamentais são todas aquelas que decorrem de sua própria natureza e condição humanas de “ser indivisível” que não admite ser considerado apenas pelas partes de que é constituído, mas sim em seu todo, enquanto pessoa. E para se contemplar o todo em sua complexidade enquanto “ser humano”, este requer perspectivação de suas múltiplas dimensões. Se a pessoa humana é multidimensional, os direitos e deveres que lhe dizem respeito não poderiam ser unidimensionais. Daí fazer sentido falar-se inclusive em “dimensões dos direitos” que vão se afirmando ao longo da história, principalmente a partir da segunda metade do século XVIII até o presente. (10)   
Assim, o que se está aqui a sugerir como indispensável  é  que seja feita uma leitura antropológica e teleológica da Constituição  que ultrapasse o mero balbuciar  de sua letra; uma leitura que seja capaz de perceber as múltiplas dimensões do ser humano nela contemplados; uma leitura interpretativa que possibilite ver a plena sintonia do Estado constitucional estampado na Lei Maior  de 05 de outubro de 1988 com os valores democráticos construídos e percebidos, ao longo da história, pela  humanidade.
  Diante da pandemia e de tantos outros desafios que assolam o País e o mundo, com consequências incomensuráveis, evidencia-se a necessidade de união em torno da defesa da Constituição da República Federativa do Brasil. Não existe civilização sem limites. O perigo da desgraça mora dentro do coração humano que não se faz humano caso não se eduque nos caminhos da convivência pacífica, solidária, fraterna e justa.  E são estes os caminhos traçados pelo texto da Constituição de 1988. Obviamente que a Constituição, por si só, não alcançará os objetivos traçados em seu bojo, se não houver efetiva “vontade de Constituição” (11). Mas, para que haja vontade de respeitá-la, concretizá-la, no cotidiano do País, é necessário conhecê-la e compreendê-la. Para compreendê-la é preciso estudá-la, analisar o contexto histórico em que surgiu, os valores que estão em sua base e no seu ápice, apontando para uma convivência livre e responsável. Liberdade sem limites é pura opressão. Nenhuma civilização se constrói sem delimitação razoável do exercício do poder, dos direitos e dos deveres. Nenhum povo pode orgulhar-se de sua história se permitir de alguma forma o retrocesso em termos de convivência democrática. Caminhar desde o Estado absolutista dos soberanos despóticos até a construção do Estado Democrático de Direito significou ganhos civilizatórios em prol da liberdade, da igualdade e da fraternidade.  Tais ganhos estão positivados no texto da Constituição Federal. No entanto, não basta que aí estejam. Urge que se expanda a consciência sobre tais conquistas e também sobre os graves e evidentes riscos de retrocesso social, nos dias atuais. Para tanto, cabe “levar a sério” a Constituição, especialmente quando eventos do presente intentam atingir gravemente os pilares da Democracia e da própria Constituição, que a consagra não apenas como forma de governo mas como modo civilizado de convívio. Só a Democracia oferece oportunidade para efetiva realização da paz, harmonia e justiça entre os humanos. Ao tê-la por base e finalidade, a Constituição Federal de 1988 está a merecer a mais ampla e plena defesa de seus princípios, regras e valores, por ser a guardiã maior da vida, da liberdade e da fraterna igualdade, com segurança e justiça. Tal defesa não é incumbência apenas de órgãos oficiais. É dever de todo cidadão. Na Democracia, não há lugar para escravos, nem para servos. Todos são convidados a ser e a comportar-se como cidadãos, bem como  a defender a Constituição, cumprindo-a e exigindo sua observância, como “lei maior”, a fim de não se permitir que o País caia em trágico retrocesso de suas instituições democráticas.   Nesse sentido, ao se refletir sobre a  “lei das leis” (Constituição),  neste momento de múltiplas crises que assolam o Brasil, merece final referência as palavras do filósofo pré-socrático  Heráclito de Éfeso (sec. VI a.C): “é necessário o povo lutar pela lei como pelas muralhas”.(12)  Ressalte-se que a  lei objeto desta reflexão é a “Lei Maior”, ou seja,  a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu 33º aniversário, a qual  ainda aguarda maior respeito e concretização na realidade social brasileira, para o bem de todos.   

NOTAS
(1) Vasta bibliografia demonstra o desenvolvimento histórico do Constitucionalismo e da ideia de Constituição. Alguns exemplos de obras sobre o tema : CAENEGAM, R.C. van. Uma Introdução Histórica ao Direito Constitucional Ocidental. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,2009; DIPPEL, Horst. História do Constitucionalismo Moderno. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007; DALLARI, Dalmo de Abreu. A Constituição na Vida dos Povos. São Paulo: Saraiva,2010; BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo, 9ªed. São Paulo: Saraiva,2020. 
(2) Cf. Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB), art. 3°, I, II e III. 
(3) Idem, art. 3º, IV. 
(4) Sobre o “Poder Constituinte”, cf. MEIRELLES TEIXEIRA, J.H. Curso de Direito Constitucional. Florianópolis: Conceito Editorial, 2011 (p. 195-217); BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional, 13ªed. São Paulo: Malheiros, 2003 (p.141-169).
(5) Cf. BONAVIDES, Paulo; ANDRADE, Paes de. História Constitucional do Brasil, 3ªed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991 (p.921).
(6) Diz a CRFB, em seu art. 1º “caput”:  “A República Federativa do Brasil, formada pela União indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito [...].” Sobre a relevância de tal artigo cf. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo Constitucional e Direitos Fundamentais, 4ªed. São Paulo: RCS, 2005 (p.15-28).
(7) BONAVIDES, Paulo; ANDRADE, Paes de. Opus cit. p.788/791.
(8) Cf. COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva, 1999.
(9) PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos, O Princípio da Dignidade Humana e a Constituição Brasileira de 1988. In: Revista do Instituto de Hermenêutica Jurídica. Porto Alegre, 2004 (p. 79-100).  
(10) Sobre as diversas dimensões dos direitos fundamentais, cf. SARLET, Ingo Wolfgang.  A Eficácia dos Direitos Fundamentais, 10ªed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009 (p.45/57).
(11) Cf. HESSE, Konrad. A Força Normativa da Constituição. Porto Alegre: S.A. Fabris, 1991 (p.19)
(12) Cf. HERÁCLITO. Fragmentos Contextualizados. São Paulo: Odysseus, 2012 (p.67).

* Sergio Alves Gomes é Doutor em Direito: Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público), na qual é também Professor colaborador do Programa de Mestrado/Doutorado em Direito Negocial; Magistrado  (Juiz de Direito aposentado) e Ocupante da Cadeira 36 (Patrono: Hugo Gutierrez Simas) da Academia de Letras, Ciências e Arte de Londrina.

  Um breve recorte sobre o Poeta Luiz Vaz de Camões
Acadêmico e Professor Afonso de Sousa Cavalcanti *

Nascido em Lisboa, em torno de 1517 e 1524, o rapaz assistiu às conquistas marítimas do grande império português na aquisição de colônias (LE GENTIL, 1982, p. 16).
O jovem estudou num convento e mais tarde se tornou professor de história, geografia e literatura. Camões chegou a entrar no curso de Teologia, mas acabou por desistir da empreitada. Por fim ingressou no curso de Filosofia. Estudou lá, graças a seu tio D. Bento, Prior de Santa Cruz, na função de chancelário (LE GENTIL, 1982, p. 17). Tornou-se preceptor na casa dos Noronhas. Era pobre, mas frequentou a corte de D. João III porque era poeta. 
Camões era boêmio e teve uma vida agitada, repleta de confusões e casos amorosos. Uma das suas paixões mais ardentes foi com Dona Catarina de Ataíde, dama da rainha D. Catarina da Áustria, mulher de D. João II (LE GENTIL, 1982, p. 19).
Num dos duelos que Camões protagonizou, acabou por ser preso e desterrado durante um ano em Lisboa. A fim de fugir das inimizades que havia criado, em 1547, o poeta se voluntariou para servir como soldado na África. Durante os dois anos de serviço em Ceuta combateu contra os mouros, o que lhe custou a perda do olho direito.
Após a atuação militar, Camões regressou a Lisboa onde voltou a ter a sua vida boêmia e com complicações.
Durante essa nova temporada na capital portuguesa redigiu o clássico poema épico Os Lusíadas - a obra considerada a maior poema épico da língua portuguesa. Em paralelo, seguiu escrevendo os seus versos, muitos deles dedicados à lírica amorosa.
Camões faleceu em Lisboa no dia 10 de junho de 1580.

O Príncipe dos poetas
Afonso de Sousa Cavalcanti

Da Portugal dos reis conquistadores, eis que surge o poeta dos senhores que veio valorizar a língua portuguesa.
Jovem afoito e com forte inteligência, mostrou ao mundo qual é a essência para que a linguagem denote beleza.
Como estudante, na Coimbra universitária, preparou-se para ser a pessoa necessária, como poeta lírico, o seu grande saber.
Por seu desequilíbrio e dominado pela paixão foi dali direto ao exílio, ordenado por D, João, e, lá, o exilado começa Os Lusíadas florescer. 
Pelas narrativas dos literatos e historiadores, o poeta foi levado pelos amores e desamores e assim, o Príncipe foi sempre desafortunado.
Infelizmente não contou com a boa sorte, por várias vezes defrontou-se com a morte e na batalha de Marrocos teve um olho vazado. 
Anos depois, partindo para a Índia e China, ele levava o poema que a língua ilumina, mas infelizmente veio-lhe um naufrágio.
A força física e a astúcia do novo compasso deram ao poeta a natação com um só braço, e, com o outro deu aos Lusíadas novo estágio.
Com a ajuda do rei D. Sebastião, o rei português, e, em Lisboa, o grande poema ressurge de vez e como epopeia celebra a forte Nação Lusitana.
Como poema, Os Lusíadas narra a história, garante aos portugueses uma riqueza de memória, um brilho à Língua pátria e a outras que ela irmana.
Além da poesia, é vastíssima a literatura camoniana, pois o Príncipe fez comédia falando da dor humana, de forma que seus escritos são por demais valiosos.
O povo português e todos os que a língua cultivam saúdam e manifestam alegria pela força criativa que Luiz Vaz de Camões se nos mostra argucioso.
Agora, dirigindo-me ao príncipe dos poetas, quero de uma forma simples e direta, agradecê-lo por dar à gente lusitana a gentileza.
Apesar de sua vida sofrida e com desilusões, seu nome faz história porque se tornou Camões e o mundo o reconhece por dar a língua a agudeza, por ser reconhecida como a língua portuguesa.

Os Lusíadas de Luiz Vaz de Camões

Os Lusíadas é uma das obras mais importantes da literatura de língua portuguesa e foi escrita pelo poeta português Luiz Vaz de Camões e publicada em 1572.
Ela foi inspirada nas obras clássicas a “Odisseia”, de Homero, e a “Eneida”, de Virgílio. Ambas são epopeias que narram as conquistas do povo grego.
No caso de Os Lusíadas, Camões narra as conquistas do povo português na época das grandes navegações.
Estrutura da Obra:
Os Lusíadas é um poema épico do gênero narrativo, o qual está dividido em dez cantos.
É composta de 8816 versos decassílabos (em maioria os decassílabos heroicos: sílabas tônicas 6ª e 10ª) e 1102 estrofes de oito versos (oitavas). As rimas utilizadas são cruzadas e emparelhadas.
A obra está dividida em 5 partes, a saber:
Proposição: introdução da obra com apresentação do tema e dos personagens (Canto I). Invocação: nessa parte o poeta invoca as ninfas do Tejo (Canto I) como inspiração.
II). Dedicatória: parte em que o poeta dedica a obra ao rei Dom Sebastião (Canto I).
III). Narração: o autor narra a viagem de Vasco da Gama e dos feitos realizados pelos personagens. (Cantos II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX).
IV). Epílogo: conclusão da obra (Canto X).
V). O Gênero Épico (ou Gênero Narrativo) é um gênero literário considerado como a mais antiga manifestação literária.
Do grego, “epikós” faz referência à narrativa feita em versos que retrata acontecimentos grandiosos (sejam fatos históricos reais, lendários ou mitológicos), vinculados à figura de um herói, considerado um semideus, isto é, um ser superior dotado de superpoderes (LE GENTIL, 1982, p. 39-64).
Origem do Gênero Épico: 
O gênero épico surgiu na Antiguidade por volta do século VII a.C., sendo os grandes representantes Homero, poeta grego considerado o fundador da poesia épica, com suas obras “Ilíada” e “Odisseia”; e Virgílio, poeta romano, com sua obra “Eneida”.
Na Idade Média, o grande representante do gênero foi o poeta italiano Dante Alighieri, com sua obra a “Divina Comédia”. Na Idade Moderna, o poeta português Luiz Vaz de Camões destacou-se com a obra “Os Lusíadas”, considerada uma obra prima singular para a Língua Portuguesa. 
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Vários poemas de Camões: 

o Amor é fogo que arde sem se ver
o Verdes são os campos
o Transforma-se o amador na cousa amada
o Se tanta pena tenho merecida
o Busque Amor novas artes, novo engenho
o Enquanto quis Fortuna que tivesse
o Tomou-me vossa vista soberana
o Quem pode livre ser, gentil Senhora
o O fogo que na branda cera ardia
o Tanto de meu estado me acho incerto
o Alma minha gentil, que te partiste
o Quando de minhas mágoas a comprida
o Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
o Endechas a Bárbara escrava
o Descalça vai pera a fonte
o Perdigão perdeu a pena
o Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
o No mundo quis o Tempo que se achasse
o Quando me quer enganar
o Amor, que o gesto humano na alma escreve
o Quem presumir, Senhora, de louvar-vos
o Posto me tem Fortuna em tal estado
o Ao desconcerto do Mundo
o Eu cantarei de amor tão docemente(13/2/95)
o Que me quereis, perpétuas saudades?(20/2/95)
o Se as penas com que Amor tão mal me trata (6/3/95)
o Se me vem tanta glória só de olhar-te (22/5/95)
o Quem vê, Senhora, claro e manifesto (31/7/95)
o O dia em que nasci moura e pereça (5/2/96)
o Julga-me a gente toda por perdido (14/2/96)
o Vencido está de amor (14/2/96)
o Senhora minha, se de pura inveja (28/10/96)
o O cisne, quando sente ser chegada (28/4/97)
o Se pena por amar-vos se merece (13/10/97)
o Sempre a Razão vencida foi de Amor (11/5/98)
o Coitado! que em um tempo choro e rio (22/6/98)
o Lembranças, que lembrais meu bem passado (21/9/98)
o Nunca em amor danou o atrevimento (1/3/99)
o Erros meus, má fortuna, amor ardente (22/3/99)
o Qual tem a borboleta por costume (12/4/99)
o O tempo acaba o ano, o mês e a hora (7/6/99)
o Quem diz que Amor é falso ou enganoso (10/1/00)
o De quantas graças tinha, a Natureza (17/1/00)
o Ditoso seja aquele que somente (20/3/00)
o Se só no ver puramente (15/5/00)
o Onde acharei lugar tão apartado 

Revisão por Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Amor é fogo que arde sem se ver é um soneto de Luís Vaz de Camões (1524-1580), um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos. O famoso poema foi publicado na segunda edição da obra Rimas, lançada em 1598.

    Amor é fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói, e não se sente;
    é um contentamento descontente,
    é dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    é um andar solitário entre a gente;
    é nunca contentar-se de contente;
    é um cuidar que ganha em se perder.

    É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    nos corações humanos amizade,
    se tão contrário a si é o mesmo Amor

Trecho de Os Lusíadas

As armas e os barões assinalados 
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Vocabulário:
Assinalado: ilustre.
Taprobana: Ilha do Ceilão.
Valeroso: valoroso.

O trecho, abertura de Os Lusíadas, vale-se de recursos linguísticos e temáticos para 
a) expressar suas preocupações diante dos grandes feitos de sua nação.
b) relatar a grandiosidade dos fatos heroicos praticados por seu povo.
c) narrar acontecimentos históricos portugueses com rigor documental.
d) dar mais expressividade aos feitos históricos por meio de dramatização.
e) fazer um juízo depreciativo dos acontecimentos históricos de seu povo.
Os Lusíadas é constituído por dez partes, chamadas de cantos na lírica; cada canto tem um número variável de estrofes (em média, 110); as estâncias são oitavas, tendo portanto oito versos; a rima é cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos (AB AB AB CC, ver na citação ao lado);
Os Lusíadas, grande poema épico de Luís de Camões, foi publicado em 1572, durante o Renascimento em Portugal. Nesse período, os autores buscavam sua inspiração na cultura da Antiguidade greco-latina 
Referências
LE GENTIL, Georges. Camões. Tradução e notas de José Terra. Lisboa: Portugália Editora, 1982.
WWW.Google. Luiz Vaz de Camões, vida e obras.

* Natural de Jandaia do Sul, graduado em Filosofia, Estudos Sociais, História e Pedagogia. Doutorado em Educação, Administração e Comunicação; Mestrado em Filosofia. Acadêmico da Academia de Letras, Artes e Ciências Centro Norte do Paraná (presidente de 2017-2021).

Algumas obras do autor:

“A Política no Confronto entre os pensamentos de Thomas Hobbes e John Locke: por uma ética política”
“Filosofia: uma nova possibilidade ao ser”
“A vivência com ÉTICA facilita o BEM e evita o MAL”
“PROCURA E DISCERNIMENTO (religião e filosofia)”
“PROCURA E DISCERNIMENTO (Contos com profundo senso moral)”
“PROCURA E DISCERNIMENTO (A ética na profissão e no trabalho público)”
“PROCURA E DISCERNIMENTO – A ARTE DE FILOSOFAR CONDUZ A PESSOA À SENSIBILIDADE E AO ENTENDIMENTO”
“PROCURA E DISCERNIMENTO: Estatuto da Terra e Estatuto dos Trabalhadores Rurais e outras legislações”
“HISTÓRIAS QUE ENVOLVEM A PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA DE MANDAGUARI”
“Mandaguari: Enredos e desenredos”
“A PROPRIEDADE DA TERRA E A MORADIA POSSIBILITAM A LIBERDADE PARA OS “SEM-TERRA”.
“PROCURA E DISCERNIMENTO – ESTATUTO DA TERRA, ESTATUTO DO TRABALHADOR RURAL E LEGISLAÇÕES COMPLEMENTARES”
“Prosapoemas, v. II. Terezópolis: Guemanisse”
“VISITANDO A PEDRINHA E AGINDO COMO REDENTORISTA. Mandaguari”
 
Controle natural de vetores, solução no combate à dengue

Elaine Paldi *

Lisiane da Castro Poncio **



* Elaine Paldi, Advogada, sólida experiência em gestão empresarial.
B.O.D (Membro do conselho) Forrest Innovations Ltd. (Empresa matriz) .
Desde 2013 atuando na Direção Administrativo e Comercial e em 2019, assumindo o cargo de C.O.O (Diretora de Operações)  da Matriz em Israel. Atualmente é também Diretora executiva da Forrest Brasil, onde mantém as atividades operacionais

** Bióloga, com Mestrado em Entomologia e Doutorado em Biotecnologia, ampla experiência em pesquisa e desenvolvimento e entomologia médica. Atua como responsável técnica e líder de projetos na Forrest Brasil Tecnologia, desde 2015
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Extraído do "chat" da reunião":

From Soledad Ferdinandi to Everyone:  
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
From José Montal to Everyone: 
👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
Os Assad e a música. Casamento perfeito.
From Soledad Ferdinandi to Everyone:  
Lindo, lindo!!!👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
From Soledad Ferdinandi to Everyone: 
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻Bravo!!!! 
From Leonilda Spina to Everyone: 
Parabéns, Eduardo! Foi uma ótima apresentação!
From Ludmila Kloczak to Everyone:  
Maravilhoso! Eduardo, você nos oferecer um belo domingo!
From Eduardo Assad Sahão to Everyone:  
Muito obrigado a todos! Fico imensamente lisonjeado!
From Jonas to Everyone:  
um encanto para nossas vidas. Parabéns Eduardo. Vida, saúde e paz
From Leonilda Spina to Everyone:  
Parabéns, Eduardo! Foi uma ótima apresentação!
From Ludmila Kloczak to Everyone: 
Maravilhoso! Eduardo, você nos oferecer um belo domingo!
From Eduardo Assad Sahão to Everyone:  
Muito obrigado a todos! Fico imensamente lisonjeado!
From José Montal to Everyone:  
Muito oportuna e muito densa a sua fala de louvor à Carta Magna, Dr. Sérgio.
Parabéns. Viva a dignidade humana!
From Leonilda Spina to Everyone: 
Parabéns, Sergio, pelo seu aniversário amanhã. Muitas bênçãos!
From Jonas to Everyone:  
parabéns professor Afonso, obrigado pela sua participação
From Elaine Cristina Dos Santos to Everyone:  
https://www.youtube.com/watch?v=KNDd1HYA8Fs
From Soledad Ferdinandi to Everyone: 
Dra Ludmila, muito obrigada pelo convite!
Foi um prazer participar de tão rica reunião!
Bom domingo a todos!
From Eduardo Assad Sahão to Everyone:  
Agradeço imensamente! Foi uma reunião formidável!
From Fatima Mandelli to Everyone:  
muito obrigada pela excelente palestra
From Maysa to Everyone: 
Muito obrigada a todos. Mais uma manhã de temas enriquecedores e úteis....sempre!
From Fatima Mandelli to Everyone:  
ótima reunião  como sempre
From Tania’s iPad to Everyone:  12:07 PM
Como sempre, esses encontros só agrega conhecimento. Parabéns pela apresentação.
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REUNIÃO NA MODALIDADE REMOTA EM 08/08/2021

 



Acadêmica Ludmila Kloczak
Caros confrades, confreiras, convidados e visitantes!
Bem-vindos à reunião da Alcal, de um estranho mês de agosto que, ao invés dos ventos a propulsar pipas coloridas pelos céus de Londrina, convida a nos proteger do frio intenso, dentro de casa!
Este é o mês em que se comemora o Dia dos Pais! Falar dos pais é falar do homem! E o homem neste século XXI está na berlinda. Sua conduta é escrutinada, suas fraquezas são expostas. O propósito explícito seria para torná-lo melhor para o convívio social. Esperamos que contribua para uma sociedade mais pacífica, mais humana. Um dos efeitos que tem surgido está em um movimento, cuja sigla em inglês é MGTOW, que quer dizer: “ men going through own way” (homens seguindo através do seu próprio caminho). Homens que passaram a entender que a vida comunitária, não precisa passar, necessariamente, pela formação do casal e família. Preferem criar modos próprios e solitários de convívio, a ter que entender e conviver com este outro que é a mulher. 
A partir da leitura de textos que analisam o clássico Odisseia, de Homero, gostaria de acompanhar a trajetória do personagem, com o intuito de refletir sobre o homem de hoje. Ulisses não queria abandonar seu lar, deixar Penélope com seu filho ainda bebê e lutar contra os troianos. A pressão do poder dos seus correligionários o levou a deixar Ítaca e vencer os troianos. Entretanto, ao irritar Poseidon, deus dos mares e terremotos, é impedido de retornar ao lar, ao seu reino. Passa a vaguear, por quase vinte anos, pelas ilhas gregas e a ser desafiado a enfrentar as características da sua natureza. É uma viagem em busca do seu interior. Ao conhecer a ninfa Calipso, que o salva do naufrágio, descobre que ao confiar a ela sua vida, e deixar-se seduzir por seus encantos, será aprisionado, engolfado, escondido longe de todos e de tudo que lhe poderia ser mais caro. Ele, cujo nome, Odisseu, significava o ‘homem da dor’, se recolheria a uma profunda depressão. Escapa de Calipso, mas encontra outros perigos. Circe transforma os homens que seduz em porcos. Noutra ilha lhe é oferecida a poção do esquecimento. Sua vontade de continuar em seu retorno o faz encontrar quem lhe ofereça a imortalidade e a beleza. Entende que o tempo é finito e precisa continuar. Encontra os Cíclopes, comedores de humanos. Sua astúcia garante a fuga. Adota um nome: sou’ Ninguém’. 
Assim, de aventura em aventura, perde-se no esforço de encontrar-se. Até que a deusa Atena, despertada pelo clamor de Telêmaco, o filho deixado bebê, no colo da mãe, hoje um jovem em busca da sua identidade, que reclama da falta de um pai, modelo e apoio em sua busca e construção da identidade, da masculinidade, do esforço em compreender o feminino, do entendimento do lugar que se ocupa no mundo, ajuda Ulisses a retornar a Ítaca e a conquistar o reino, sua esposa e seu filho. 
A travessia que deve levar a um casamento em que exista homophrosyne (homofrosina), ou seja, o pensar e o conhecer compartilhado entre duas pessoas.  Não apenas o ajustamento entre corpos, mas o encontro das mentes que resulta em viverem juntos, mas, sobretudo, compartilharem uma verdade comum.  Telêmaco, cujo significado é  ‘atirador distante’, desenvolve em seu interior a capacidade de criar um elo invisível inconsciente com seu pai distante, mas cada vez mais disposto a encontra-lo. Seu pai interno lhe fala de forma significativa, amorosa, sem veleidades.
Tornar-se pai significa capacidade interna de acolher o filho.  É um trabalho longo e exaustivo, que só vale a pena porque é um belo exercício de Amor.
Feliz Dia dos Pais, aos pais presentes e ausentes, que permanecem em nossas lembranças!

Obs. Este texto foi inspirado na leitura de: 
“A Odisseia do Analista: restaurando objetos internos”, da autora Meg Harris Williams; 
publicado na revista IDE: vol. 43, n. 71, junho 2021


"Telêmaco Borba: um paranaense em destaque"
Acadêmica Fátima Mandelli
Telêmaco Augusto Enéas Morosini Borba era um dos doze filhos do paulista Vicente Antônio Rodrigues Borba, o Capitão Borba, veterano da Guerra da Independência e da Campanha Cisplatina. O Capitão Borba possuía admiração e prestígio pelo bandeirante paulista Manuel de Borba Gato, sendo descendente da família Borba Gato e de portugueses. Vicente Antônio Rodrigues Borba foi sargento-mor na antiga Cisplatina, ao lado do general Fructuoso Rivera, e lá conheceu a uruguaia, descendente de espanhóis e italianos, Joana Hilária Morosini. Nascida em Montevidéo, seu pai era de Sacramento, os avós paternos de Veneza, Itália, e os avós maternos de Andaluzia, Espanha. Ainda no Uruguai, Borba e Joana, tiveram o primeiro filho, que faleceu prematuramente e foi batizado com o nome de Ulisses Epaminondas Borba. Entre os demais filhos, estão: Jocelin, Claudiana, Emília, Sofia, Porcina, Telêmaco e Nestor.
Telêmaco casou-se com Rita Marques do Amaral em Porto de Cima, em 25 de dezembro de 1860. Rita era filha do comerciante Lupércio José do Amaral. O casal deixou inúmeros descendentes, formando uma célebre família paranaense. Tiveram oito filhos: Luiza Borba, Martiniano Morosini Borba, Eusébio Borba, Eliza Borba, Joana Borba, Hermínia Borba, Maria Augusta Borba. Entre os seus descendentes ilustres estão Rogério Morosini Borba (filho), Guataçara Borba Carneiro (neto), Hermínia Rolim Lupion (neta), Abelardo Lupion (trineto) e Túlio Vargas (bisneto).
Rara foto de
Tekêmaco Borba
Descendente de portugueses, espanhóis e italianos, era autodidata e poliglota, falava além da língua portuguesa, o espanhol, o francês, o italiano, o caingangue e o guarani. Aceitando uma vida perigosa e arriscada, decide complementar a tarefa missionária dos padres capuchinhos, e aos 23 anos é nomeado para dirigir o Aldeamento Indígena de São Pedro de Alcântara, iniciando suas atividades de sertanista. Permaneceu dez anos exercendo tal ofício. Em 1878 fundou o Toldo Indígena de Barreiro, no município de Reserva, tendo sido, no momento subsequente, nomeado como Diretor dos Índios no Amparo, município de Tibagi. Na cidade de Tibagi fundou o Museu do Índio. Era tolerante com as questões espirituais, jamais impedindo que os membros de sua família cumprissem com os deveres religiosos. Telêmaco, contudo, era cético, de orientação gnóstica, não ateu.
Escritor
Em 1882, escreve o Pequeno vocabulário das línguas Portuguêsa e Kaigangues ou Coroados acompanhado de outro Vocabulário das línguas Cayuguas e Chavantes, ambos publicados no Catálogo dos Objetos do Museu Paranaense, obras de real valia, que por notícias, até os dias atuais são as únicas existentes no gênero.
Escreveu também Actualidade Indígena, um compêndio de informações indígenas, em 1908. Em 1883, publicou na Revista Sociedade de Geografia de Lisboa, o artigo Breve notícia sobre os Índios Caigangues, que foi reeditada em 1935, em Viena, na Revista Internacional de Etnologia e Lingüística Anthropos. Passou a externar seus pensamentos num pequeno semanário chamado “O Tibagy”, no ano de 1904, durante dois anos. Seus estudos levaram-no a sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense.
Explorador
Como explorador, Telêmaco foi igualmente surpreendente. Lamenha Lins, então presidente da Província do Paraná, resolveu executar o projeto de uma estrada férrea no sentido do Mato Grosso, cujo traçado previa uma ponte sobre o Salto, em Guairá, Telêmaco aceitou o comando da empreitada, buscando quebrar o mito de atingir seu objetivo pela via aquática. Após 45 dias, Telêmaco e seus comandados, atingem seus objetivos. Conquistam Sete Quedas, cumprindo a missão impossível que lhe havia sido confiado. O registro desse acontecimento foi feito com a fixação de uma inscrição em pedra, retratada por diversos historiadores, nas gargantas de Sete Quedas, na cidade de Guairá.
Político
Telêmaco não se limitou à vida sertaneja. O vasto círculo de suas relações, arrastou-o para a política provinciana. O senso crítico o tornou um rebelado. Cerrou fileiras na Revolução Federalista de 1894, o que lhe rendeu, ao final da revolta contida, longos meses de exílio no Uruguai.
Após a anistia, retornou ao Brasil, elegendo-se deputado provincial, para o biênio 1882/83 e deputado ao Congresso Legislativo Estadual, nos anos de 1891, 1897, 1899, 1908, 1910, 1912, 1914, 1916 e 1918, vice-presidente do Estado no período 1916/1917, primeiro prefeito eleito de Tibagi, cargo que ocupou por nove gestões, inspetor escolar, sub-delegado de polícia, exercendo todos esses cargos com imensa abnegação, prestando em todo o período relevantes serviços à causa pública do Paraná.
Foi Telêmaco Borba quem percebeu serem as terras do norte do estado ideais ao plantio do café, tendo defendido ardorosamente a construção de estrada para aquela região. Lutou para livrar o magistério da influência política que lhe impingia o governo estadual. Criticou a contratação de obras públicas pelo governo sem concorrência pública, entre tantas outras intervenções. Era um político que se preocupava com o ofício.
Já velho, possuidor de rara autocrítica, dono de vasto conhecimento adquirido através de estudos e pesquisas, prefeito vitalício de Tibagi, determina, por testamento, a doação das coleções de seu museu particular ao acervo do Museu Paranaense.
Morreu aos setenta e oito nos, vítima de gripe espanhola, em Tibagi. Muitas homenagens foram feita os ao Coronel Telêmaco Borba no Congresso Legislativo Paranaense e pelo Museu Paranaense.
Apesar do seu vasto currículo, de uma vida dedicada à causa indígena, Telêmaco é um personagem caluniado. Atribui-se a ele a matança de índios, entre outras impropriedades. Tal afirmação é contestada, tendo sua memória transformada em um leque de dúvidas e difamações.

Uma análise do Acadêmico José Ruivo 
(leitura da Acadêmica Neusi Berbel)
(A propósito da intervenção da nossa confreira 
Leonilda Yvonneti Spina sob o tema “Dia do Trovador. 
A Trova em Londrina", na reunião de 11/07/2021)
A dada altura, falou a nossa ilustre Confreira, a respeito dos Trovadores medievais e sua repercussão em Portugal. Entre nós sempre houve fortes ligações culturais com a França. E os Trovadores provençais eram conhecidos entre nós. E os reis portugueses todos eles tiveram uma primorosa educação cultural.
Ainda antes de haver Portugal, cerca dos anos de 900 – no testamento da Condessa Mumadona se faz menção da sua biblioteca como bem disponível.
O Conde D. Henrique, primeiro titular do Condado Portucalense e Pai do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, era primo do grande São Bernardo de Claraval que dizia ser “um mosteiro sem biblioteca como um canhão sem balas”. E aos frades de São Bernardo, D. Afonso Henriques confiou o Mosteiro de Alcobaça onde, em 1154 nasceu a primeira escola pública em Portugal. Escolas ligadas às sedes episcopais e paroquiais já existiam.
D. Dinis, o fundador das Escolas Gerais em 1299 era um notável cultor das “cantigas de amor ou cantigas de escárnio e malvadeza” dos trovadores medievais - cujo espírito ainda hoje se pode encontrar na poesia popular.
Ao ouvi-la relembrei algumas quadras que aqui quero transmitir.
Nasceram elas do sentimento do poeta contemporâneo (séc. XIX e XX) ou do espírito do povo que guardou em si as trovadorescas e medievais cantigas de “amor e amigo”, ou cantigas de “escárnio e malvadeza”.
E o ridículo a que se expunham os homens públicos tiveram tanto poder que chegaram a causar demissão de um Ministro de Estado, no governo de Salazar.
I – Se aquilo que a gente sente
Cá dentro tivesse voz ...
Muita gente; toda a gente!
Teria pena de nós!!!
II- Com três letrinhas apenas
Se escreve a palavra Mãe
É das palavras pequenas
A maior que o Mundo tem!
João de Deus (?)
Do espírito popular:
III- Oh minha Mãe, minha Mãe
Oh minha Mãe minha amada
Quem tem uma Mãe tem tudo
Quem não tem um Mãe, não tem nada.
IV- Filho és,
Pai serás,
Assim como fizeres,
Assim acharás...
Do filme português - “O Costa do Castelo”
V- O amor só se alimenta
Com afagos e carinhos:
Ao almoço três abraços,
Ao jantar, quatro beijinhos.
E dos vasos de manjericos que existiam nos arraiais das festas populares, nas bandeirinhas que os enfeitavam:
VI- Manjerico
Meu manjericão.
Amor da minh ‘alma
Dá-me a tua mão.
E do grande Manuel Maria Barbosa du Bocage.
Saindo do Café Nicola, ao deparar-se com uma guarda noturna sob as ordens do Intendente Geral da Polícia – Pina Manique. Às perguntas: Quem és? De onde vens? Para onde vais?
Respondeu
VII- Eu, sou o Bocage.
Venho, do Nicola.
Vou, para o outro mundo,
Se disparas a pistola!
O poeta, escritor e intelectual de grande valor que foi Trindade Coelho, era Ministro, creio que da Educação num dos governos de Salazar. E parece ter alguma simpatia pelas ideias fascistas de Mussolini.
Ora numa entrevista concedida por Salazar ao jornalista António Ferro, este perguntara-lhe: “O senhor é fascista?”
Ao que Salazar respondeu: “Eu não posso ser fascista porque estou limitado pela moral”.
E a moral a que Salazar se referiu era a moral católica.
Alguém, com a finalidade de ridicularizar o Ministro Trindade Coelho, fez circular esta quadra que, em menos de quarenta e oito horas percorreu Portugal de Norte a Sul.
VIII- Mussolini, Duce, Itália,
Saúde e fascividade.
Quis seguir os teus caminhos
Tramei-me, teu Trindade.
E como consequência do ridículo, este teve tal força que o levou a ser demitido de imediato do cargo de Ministro.
E para não fugir ao tema “Salazar” no jornal português “O Diabo” publicado em 02 de julho de 2021, e que com atraso me chegou às mãos, veio a seguinte notícia:
Salazar quis ser sepultado em campa rasa no cemitério de sua Terra Natal. O povo seu conterrâneo colocou algumas placas de mármore em sua volta com alguns dizeres. Os idiotas, inúteis incapazes e depredadores que agora se espalharam pelo mundo, procuraram destruir uma placa que a seguir copio. O povo saiu em sua defesa e houve quatro mortes em consequência da luta. Estava escrito:
IX- Aqui jaz o homem
A quem Portugal mais a dever ficou!
Ao País deu tudo de si!
Do País nada para si tirou!
Mas este veneno de destruição por aqueles que são incapazes de fazer qualquer coisa e não suportam a presença dos que pensam, vem de muitos séculos. Santo Alberto Magno, no século XII, deles se queixava. E, numa palestra que ouvi em Lisboa sob o tema Arte Moderna, o orador pura e simplesmente defendia que toda a pintura, escultura e outras valiosas obras de arte que são a riqueza cultural da humanidade, deveriam ser destruídas.
Ao lhe ser perguntado: “e que colocareis em seu lugar? – respondeu: “Ah, isso não sabemos”. Destruir somente por destruir é obra de Satanás - “o inimigo”.
E olhando o Portugal de hoje podemos chegar a dizer:
X- A heroica “revolução dos cravos”
Depois de quarenta anos vividos,
Está deixando o País” encravado”
E por três vezes “falido”.
A União Europeia e os banqueiros internacionais têm vindo em seu socorro – (do qual o ex - Primeiro-Ministro Sócrates fez desaparecer 63 bilhões de Euros sem deixar rastro).
Mas esse socorro tem um preço: o dinheiro terá de ser devolvido com juros escorchantes; e desde já se está perdendo a Soberania e a Independência Nacionais.
Portugal - Província da E.U.
E para finalizar já que o tempo urge: há muitos anos, talvez séculos, a sabedoria popular portuguesa nos ensinava: “... de poeta, médico e louco, todos temos um pouco”.
Vimos a pequena quadra de agradecimento que o povo, sempre o povo humilde, sincero e verdadeiro colocou na campa rasa de Salazar.
Recuemos no tempo, mais ou menos 1390: agora o povo português que lutou heroicamente para continuar a ser uma nação independente de Castela, buscava o grande homem que foi, no mundo e no convento, Nuno Alvares Pereira, o condestável que nos deu as vitórias que o permitiram continuar a ser.
Os nobres e os grandes senhores ciosos de garantirem suas prerrogativas acompanhavam em grande maioria, os reis de Castela. E na batalha de Aljubarrota em 1835 em que cerca de 5 mil portugueses derrotaram estrondosamente 37 mil castelhanos, nela morreram dois irmãos de D. Nunes Alvares Pereira que acompanhavam o rei de Castela.
E o povo agradecido cantou:
Nobre condestabre
Alma pura e bela
Vós que nos livraste
Do leão de Castela
Recebereis las gracias e
Mas les berces
De quem ama a Pátria 
E é português.
Hoje a igreja reconhecendo as virtudes de D. Nuno, o seu desapego pelas honras e poder, o seu amor profundo pela Senhora Santa Maria, o colocou nos altares com o nome religioso de carmelita descalço como São Nuno de Santa Maria.


"Poemas para aquecer uma manhã de domingo"
Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina*
Fomos brindados com a apresentação de três declamações belíssimas. Confira:

* Natural de Bragança Paulista/SP, reside no Paraná desde 1964.
Professora, advogada, escritora, poetisa, declamadora.
Integrante do coral da Universidade Estadual de Londrina – UEL, desde 1987.
Pertence à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina (ALCAL), desde 1994, sendo Titular da Cadeira n. 4. 
Exerceu o cargo de Presidente da ALCAL na gestão 2016/2017.
Presidente da União Brasileira de Trovadores/UBT/Londrina.
Sócia correspondente da ASES - Associação de Escritores de Bragança Paulista/SP.
Publicou quatro livros de poesias: FOLHAS DE OUTONO, GIRASSÓIS, ROSA-DOS-VENTOS e VEREDAS DA ALMA. 
Lançou o CD  ESSÊNCIA, com quinze poemas de sua autoria, declamados ao som de piano.
Seu trabalho mais recente foi o Prefácio da Antologia AOS TEMPOS DO ENVELOPE E DO SELO, lançada virtualmente no dia 20 de junho/21, pela ASES - Associação de Escritores de Bragança Paulista. 
Essa ANTOLOGIA contou com trabalhos de trinta e quatro escritores.
Participou de inúmeras Coletâneas e recebeu um número considerável de troféus, medalhas e certificados em Concursos de Poesias e Trovas, nacionais e internacionais.
Recebeu o título de Comendadora, outorgado pela Prefeitura Municipal de Bragança Paulista/SP, pelos relevantes serviços prestados à cultura da cidade. 


O silêncio do Leste: refugiados do stalinismo no Paraná
André Ulysses De Salis *


* Concluiu a graduação em História na UNESP de Assis em 1998.  
Concluiu o mestrado na PUC/SP em 2001, com a dissertação intitulada: A IMIGRAÇÃO SUÍÇA NO ESTADO DE SÃO PAULO: OS SUÍÇOS NAS “FRANJAS PIONEIRAS”DO OESTE PAULISTA.
Concluiu o doutorado na PUC/SP em 2020, sob a orientação da Prof. Dra. Maria Izilda Santos de Matos, com a tese intitulada: O SILÊNCIO DO LESTE: REFUGIADOS DO STALINISMO NO PARANÁ.
Lecionou na Universidade Paranaense de 2002-2006 e como professor colaborador na Unicentro/ Gurarapuava de 2009-2016. 
E lecionou na pós-graduação (lacto sensu) no Instituto ESAP e Alfa. 


 "Sobre a Academia e o Poder da Palavra"
Sergio Alves Gomes (*)

No  momento “Palavra do Orador”, o Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da ALCAL, após breve saudação aos presentes à reunião, agradeceu à Presidência pela concessão da palavra e apresentou considerações reflexivas inspiradas nos conteúdos da reunião, destacando, sobretudo o papel social da Academia e o  Poder da Palavra na construção de elos civilizatórios entre os seres humanos.
O Orador começou por referir-se ao “Credo Acadêmico”, que congrega e sintetiza o conjunto de valores cultuados pela Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, dentre os quais se situa a busca do conhecimento para superar a ignorância e possibilitar  ao ser humano, mediante o pensar e o agir construtivos, uma convivência justa, pacífica e democrática.
Em seguida, destacou a menção feita pela Acadêmica e Presidente Ludmila Kloczak ao personagem Odisseu, de Homero (Ulisses na mitologia romana), o qual, após a vitória dos gregos sobre os troianos, empreende uma longa viagem de volta à Ítaca, para reencontrar sua esposa Penélope. Em tal trajeto, o herói Odisseu é desafiado por uma multiplicidade de perigos vencidos por sua força e virtudes. Diante de tal narrativa, o Orador utilizou-se de metáfora para apontar a “vida como uma viagem”, plena de riscos e obstáculos a serem superados mediante esforços e entendimento entre os humanos. Ao aludir  a  tais perigos destacou a noção grega de “HYBRIS” (desmedida, ausência de limites, excesso) que impossibilita o convívio ordenado, justo e equilibrado. Neste sentido, o convívio também requer construção da arte de viver, a qual é sempre um “viver com o outro”, um viver em que a alteridade (presença do outro) é levada a sério, mediante o mútuo respeito. E é neste sentido que se faz a convivência democrática, a qual vem sofrendo sérias ameaças e abalos em vários países do mundo, inclusive no Brasil. 
Ao mencionar a palavra “arte”, em razão do “Momento de Arte” previsto no programa da reunião do dia, o Orador lembrou quão polêmica e complexa é a seara em que se discute o conceito de arte, discussão esta que não caberia em sua  breve reflexão.  No entanto, frisou valer à pena lembrar que, para LEON TOLSTÓI, “a arte é um dos meios que unem os homens”.(1)   Enquanto que para Ivan S. TURGNEV, “ a arte de um povo é a sua alma viva, o seu pensamento, a sua língua no significado mais alto da palavra; quando atinge sua plena expressão, torna-se patrimônio de toda a humanidade, quase mais do que a ciência, justamente porque a arte é a alma falante e pensante do homem, e a alma não morre, mas sobrevive à existência física do corpo e do povo”.(2)
É com este intuito de deixar a alma falar, que no “Momento de Arte” podem ser ouvidos “poemas para aquecer uma manhã de domingo”, na impecável declamação da Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina, frisou o Orador.
Na sequência, inspirando-se na Palestra do Prof. André Ulysses De Salis, intitulada “O Silêncio do Leste: refugiados do stalinismo no Paraná”, chamou atenção para a oposição entre silêncio e palavra (termo corresponde a um dos significados da palavra grega “logos”). Frisou que o silêncio destacado no título da palestra não é o silêncio reflexivo, necessário ao aprofundar do pensamento e preparador da palavra sensata, mas sim o silêncio imposto pela força, pelo terror e pelo medo. É o silêncio que esconde a fome, engendra a fuga e produz a expropriação. É o silêncio que tira do “outro” a possibilidade da fala, de ter voz, de se afirmar como igual, como pessoa. É o silêncio totalitário e ditatorial. É contra este silêncio que a Democracia se apresenta como única alternativa para a liberdade de pensar e de expressar o pensamento. Construir pontes e não cercas (ou muros) é próprio da convivência democrática, diz o Orador. Neste sentido, citou versos do poema “A Ponte e a Cerca”, de Marilene Mees Pretti, que dizem: 
“Se formos cerca... 
Estaremos dividindo...Marcando espaço...
Quando poderíamos formar elos...
Entre mundo em duelos”. 
Destacou ainda que, na formação dos elos de fraternidade e solidariedade, é imenso o poder da palavra, lembrando que “fazemos coisas com as palavras”, (3) boas e ruins. Com palavras exaltamos virtudes de uma pessoa ou de um país, mas podemos, também, com palavras maledicentes, conspurcar e destruir tal reputação. 
Tem-se no mundo contemporâneo uma “sociedade em rede”,4) conectada mediante um sistema mundial de computadores e diversos aparatos que possibilitam a imediata comunicação a todos os continentes de tudo o que acontece. Todavia, tal realidade não torna por si só o mundo melhor. Todo instrumento pode ser utilizado para fins construtivos ou destrutivos. A “Internet” não se isenta desta realidade. Pode unir ou separar, divulgar a verdade científica ou ser usada para “fake news” e disseminação do ódio.(5)  Neste sentido, o Orador citou trecho de MUNIZ SODRÉ (6) que afirma: “a rede é uma “cidade” sem cidadania, todos os habitantes eletronicamente juntos, mas humanamente separados, a exemplo de um agrupamento de autômatos. Separação é a palavra-chave de uma nova equação civilizatória, lastreada por uma dinâmica “incivil”.
Diante disso, frisou  o Orador que é preciso unir esforços e agir no sentido oposto da incivilidade e que tal ação faz parte da necessária “cura do mundo” (7), a qual pode ser dita também de forma poética, como na versão em português da canção original de Michael Jackson, “heal the world” (cure o mundo), em forma de persuasivo convite:
“Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar, outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz.
Para concluir, o Orador ressaltou que a reunião da Academia evidencia ser esta o lugar da palavra (“logos”), do cultivo da Ciência, das Letras e das Artes, mediante o exercício criativo da liberdade responsável e da comunicação do pensamento. E a união em torno dos valores que norteiam suas atividades faz lembrar a todos que se quisermos a “cura do mundo” é  necessário sempre e cada vez mais que as pessoas se unam por meio do diálogo, da admiração e do respeito mútuo; que o silêncio seja rompido não por termos e gestos agressivos, chulos, ofensivos, mas sim, pela palavra construtiva e transformadora. Tal palavra é aquela que expressa conhecimento, civilidade, hospitalidade, acolhimento e afabilidade em relação ao “outro”, especialmente quando este se apresenta como vítima da miséria, de catástrofes e guerras, como ocorre com os refugiados espalhados pelo mundo a procura de um abrigo, de um lar, de uma pátria. Compreender isso e lutar por uma convivência mais humana no planeta é fundamental para que possamos merecer o nome de “humanidade”. Torna-se evidente que a humanização do homem só ocorre se na convivência social forem tecidos e fortalecidos laços de fraternidade.   
Ao encerrar sua reflexão, o Acadêmico e Orador Sergio Alves Gomes  agradeceu a todos pela atenção e passou  a palavra ao cerimonial da reunião. 

NOTAS:
(1) Cf. BARELLI, Ettore; PENNACCHIETTI, Sergio. Dicionário das Citações. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p.63.
(2) Idem, ibidem
(3) Sobre ações feitas com palavras, cf. AUSTIN, J.L. “Quando Dizer é Fazer” (título original: How To Do Things With Words). Porto Alegre: Artes Médicas 1990. 
(4) Cf. CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 
(5) Cf. MELLO, Patrícia Campos. A Máquina do Ódio. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
(6) SODRÉ, Muniz. A Sociedade Incivil. Petrópolis: Vozes, 2021, p. 14.
(7) Preocupado com a “cura do mundo”, diz o pensador Frédéric Lenoir: “para desenvolver-se, o ser humano precisa tanto da interioridade como da exterioridade, tanto de meditação quanto de ação, tanto de conhecer a si mesmo como de ir ao encontro dos outros. Além disso, quanto mais sua ação for importante, quanto maior for a sua projeção no mundo, quanto mais o corpo e a matéria ocuparem um lugar determinante em sua vida, mais ele precisará se recentrar, ir rumo à interioridade, para realmente assumir seu peso e dominar suas consequências.” (Cf.LENOIR, Frédéric. A Cura do Mundo. São Paulo: Loyola, 2014, p.196).

(*) Sergio Alves Gomes é Doutor em Direito: Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público), na qual é também Professor Colaborador do Programa de Mestrado/Doutorado em Direito Negocial; Magistrado (Juiz de Direito aposentado) e Ocupante da Cadeira 36 (Patrono: Hugo Gutierrez Simas) da Academia de Letras, Ciências e Arte de Londrina.
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Extraído do "chat" da reunião:
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  10:05 AM
Jonas, bom dia!
From Murilo Rebecchi to Everyone:  10:06 AM
Bom dia! Docente da Faculdade UniAlfa Umuarama!
From Sueli to Everyone:  10:11 AM
Bom dia a todos!
From M. Henrique P. Brügge to Everyone:  10:12 AM
Bom dia a todos!
From Jonas to Everyone:  10:15 AM
Bom dia a todos e a todas, saudade do contato presencial, saudade do nosso café, da conversa de canto e de todos os encantos da vida
From Izilda Matos to Everyone:  10:17 AM
Bom dia a todos
From Sueli to Everyone:  10:21 AM
Linda homenagem!
From Izilda Matos to Everyone:  10:23 AM
Prazer estar participando desta sessão, sou Profa. da PUC/SP e agradeço a possibilidade da divulgação da excelente tese de André Salis.
From Marco to Everyone:  10:28 AM
Maravilhosa exposição da nossa presidente. Coincidentemente li essa semana um belo poema de Konstantinos Kavafis, poeta grego, chamado Itaca, que recomendo!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  10:47 AM
Excelente!
From M. Henrique P. Brügge to Everyone:  10:48 AM
Meu coração está emocionado com as declamações
From Murilo Rebecchi to Everyone:  11:03 AM
Prof. André !!! Saudades. Prof. André foi meu professor na graduação de História !!!
From Clodomiro Jose Bannwart Junior to Everyone:  11:36 AM
Parabéns ao André pela excelente exposição. Muito bom!
From Izilda Matos to Everyone:  11:36 AM
Parabéns
From Neusi Berbel to Everyone:  11:37 AM
Parabéns, Prof. André!!!!
From Maysa to Everyone:  11:37 AM
Parabens Andre. Obrigadissima
From Sueli to Everyone:  11:51 AM
Parabéns Dr. André!
From Sueli to Everyone:  11:52 AM
Parabéns Dr. André! Trabalho profundo e de muito valor.
From André Salis to Everyone:  11:52 AM
Muito obrigado! Agradeço demais a atenção de todos
From Leonilda Spina to Everyone:  11:53 AM
Parabéns, Prof. André!
From André Salis to Everyone:  11:53 AM
Link para a tese:
https://sapientia.pucsp.br/handle/handle/23238
From Sueli to Everyone:  11:53 AM
Muito obrigada a todos pelas profundas reflexões que têm  nos promovido..
Parabéns a todos pais! Muito obrigada Dra. Neusi pelo convite.
From Neusi Berbel to Everyone:  12:00 PM
Agradeço, Sueli, pela sua presença e participação!!!
Que reunião magnífica!  Parabéns e obrigada a todos!!!!
From M. Henrique P. Brügge to Everyone:  12:05 PM
Agradeço a oportunidade de ter recebido tanto conhecimento e reflexões magníficas aqui feitas.