Extratos da reunião de 08/05/2016


Mesa direitiva da reunião: nossa Presidente em Exercício, Leonilda Yvonneti Spina,
ladeada pela Acadêmica e socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa
e pelo Acadêmico, Prof. Sergio Alves Gomes, nosso Orador



 O Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, conduziu a reunião com notável brilho; o Acadêmico, Prof. Miguel Contani, procedeu à leitura do Credo Acadêmico.


DESTAQUES ACADÊMICOS


- A Acadêmica e Poetisa Leonilda Yvonneti Spina 
declamou o poema de sua autoria em
referência ao Dia das Mães:

ROSA DOS VENTOS
 
Nem Sinhá, nem libertária,
nem ingênua, nem pantera...
Mulher determinada:
- Conquista da nova era!
És farol, és leme,
âncora, porto seguro.
Liberal, consciente
 de que, afinal, a Pátria amada,
idolatrada, muito te deve!

Quem se atreve a dizer
que esta Nação seria a mesma,
não fosses tu a lavrar a terra,
a tecer nos teares,
a mourejar nas fábricas,
a brilhar nos esportes e passarelas,
a despertar emoção nas artes,
nas letras, na ilusão das telas...

- A provar teu talento
nas Empresas e Repartições;
a semear o saber em todas as gerações;
a propagar a fé, curar os enfermos;
a levar, sob a brancura dos aventais,
consolo e esperança
na solidão dos hospitais.

- A fortalecer a democracia
 pela presença nas ruas, nas praças
e nas tribunas, defendendo a coletividade,
 ou na seriedade dos Tribunais,
para que  Justiça se faça cada vez mais
(mas, sem escarcéu...), diante de Themis,
de olhos às vezes vendados,
sob a fragilidade de transparente véu!

Tens a mansidão dos rios,
porém, a fúria das tormentas,
quando te impões desafios
ou adversidade enfrentas!
Sabes ser missionária, enfermeira,
cuidar do soldado ferido...
És também cúmplice, companheira,
dando ao partilhar mais sentido.

És altiva militar, armada
para enfrentar  ou prevenir o perigo...
És ainda... anjo da guarda de teu lar,
nem sempre doce, porém, morada,
aconchego, abrigo...

Ah! Mulher, titular de tantos Ministérios:
- do Trabalho, Saúde, Previdência,
Fazenda, Educação...
E dos Transportes, principalmente,
pois assiduamente pilotas fogão, conduzes
carrinhos de feira, bebê, supermercados...
(És motorista, condutora, navegadora
por mares nunca dantes navegados...”)

- Secretária da Infância e Adolescência:
(trocar fraldas, que paciência!...)
 choro incontido, som alto no ouvido...
 (- Madrugar... por que não?)

E com os filhos crescidos
continuas acordada
 na madrugada,
 à espera de ouvir na porta
um divino toque...
A melodia da chave tem sons de harpas,
acordes de bandolins,
porque só assim consegues dormir
e sonhar com um mundo novo...

Mulher! Como Mãe e Maria,
o teu nome principia
na palma de tua mão...”
Tens a essência da flor:
- Simbolizas encanto e sedução...
E te tornas mais bela e enternecida
se abrigas em teu ventre
 a semente de uma vida,
quando já és rosa, não mais botão!...

És a um tempo: flor e espinho, veneno e mel!
Imprescindível como o ar, suave
como o orvalho, serena como a chuva,
ardente como o sol, fecunda como a terra...
Quanta força teu ser encerra!
Rosa... “rosa dos ventos”...
- Que rumos tomarás neste milênio?

Como cenário para a declamação, foi apresentada a obra que ilustrou a capa do livro que leva o mesmo título do poema, criada pela Acadêmica e artista plástica Saide Maruch.
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- A Acadêmica e socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa apresentou uma breve palestra: 
A mulher e a política


A Profa. Maria Lucia fez uma análise sobre a mulher e a política através dos tempos, desde épocas mais remotas da humanidade, passando pela Antiguidade, a Idade Média, o Renascimento, até chegar aos dias atuais. 
O Brasil mereceu uma análise mais acurada, mostrando a situação da mulher na sociedade patriarcal, sua evolução sociocultural a partir da urbanização e as conquistas femininas na atualidade. 
Mencionou duas mulheres notáveis, Carlota Pereira de Queiroz e Bertha Lutz, que elaboraram o anteprojeto da Constituição de 1934, cujo artigo 108 consagrou o voto feminino. 
A Acadêmica frisou que apesar da mulher não ser incompatível com a política, a presença feminina em si não significa que esta seja melhor do que a masculina, mas, sim que homens e mulheres ao exercer a política precisam ser competentes e voltados para o fim último da política que, segundo Aristóteles, é o bem comum. 
Ao final, Maria Lucia citou Indira Gandhi que disse: “Não me considero uma mulher fazendo política, mas sim uma pessoa exercendo um ofício”.
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MOMENTO DE ARTE


Tivemos o privilégio de ouvir uma sucessão de canções na apresentação do Acadêmico e Prof. Sergio Alves Gomes, sob o título Vivendo, Ouvindo e Cantando: uma viagem poético-musical com canções francesas e outras. 


A TIME FOR US
De “Romeo & Juliet”  
Canção de Nino Rota*
Escritores: Larry Kusik, Eugene Walter, Eddie Snyder

Um tempo para nós, algum dia existirá
Quando correntes serão quebradas,
Nascido pela coragem
De um amor que é livre

Um tempo em que sonhos, por tanto tempo  negados
Podem florescer, enquanto nós descobrimos o amor
Que agora nós devemos esconder

Um tempo para nós, para enfim vermos
Uma vida que valha a pena para você e eu

E com nosso amor, entre lágrimas e espinhos
Nós resistiremos
Enquanto nós passarmos pelas tempestades
Um tempo para nós, algum dia existirá
Um novo mundo
Um mundo de brilhos e esperanças
Para você e eu

*Giovanni Rota Rinaldi , mais conhecido como Nino Rota, foi um compositor italiano, célebre por suas composições executadas para cinema.

I STARTED A JOKE
Autoria: Bee Gees

Os Bee Gees foram uma banda formada pelos irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb. Nascidos na Ilha de Man, viveram alguns anos em Chorlton, Manchester, Inglaterra. Ainda crianças se mudaram com os pais para Brisbane, em Queensland, na Austrália
Foram incluídos no Hall da fama de grupos vocais, no Hall da Fama do Rock and Roll, no Hall da Fama dos Compositores e ganharam dez prêmios Grammy.
Os Bee Gees são considerados por grande parte da crítica musical, a segunda maior banda da história pelo conjunto de sua obra (composições, produções e gravações), atrás apenas dos Beatles. Lançada em 1968, a canção “I Started a Joke” é uma das músicas mais famosas dos BEE GEES.


HOW CAN YOU MEND A BROKEN HEART?
por Barry e Robin Gibb dos Bee Gees

"How Can You Mend a Broken Heart" é uma canção de 1971 Foi a primeira música da banda a alcançar o primeiro lugar nas paradas norte-americanas.


IF 
por Bread

Bread foi uma banda norte-americana de rock, formada em 1968, a partir do encontro entre David Gates e Jimmy Griffin, Acrescidos da presença de Robb Royer, em Los Angeles, na Califórnia, tendo sido bastante popular no início da década de 1970.  Escrita por David Gates in 1971. Esta canção foi gravada inclusive por FRANK SINATRA.


SKYLINE PIGEON
por Elton John

Elton John é um pianista, cantor, compositor e produtor. Possui 35 discos de ouro e 25 discos de platina, já vendeu mais de 450 milhões de discos em todo o mundo, e detém o recorde de o single mais vendido de todos os tempos, sempre apontado como um dos maiores hit makers do século XX. Ao longo de quase cinco décadas, desde 1969, Elton fez mais de 3 500 concertos ao redor do mundo.
Em 1997, a Rainha Elizabeth II o nomeou Cavaleiro do Império Britânico, recebendo o título de Sir, depois do artista ter homenageado a recém falecida princesa Diana em seu funeral, com a música Candle in the Wind. 
Skyline Pigeon é um single do cantor britânico Elton John, oitava faixa de seu primeiro álbum, "Empty Sky". Foi uma das primeiros canções de Elton John a se tornar popular. No Brasil, foi popularizado através da televisão. Em 17 de janeiro de 2009, em um de seus shows em São Paulo, Elton John voltou ao palco para o bis, esperava-se que fosse cantar Your Song. No entanto, surpreendeu a todos subindo ao palco sozinho e tocando Skyline Pigeon. Diz-se que as quase 30 mil pessoas presentes cantaram em coro a música, do começo ao fim.


Vídeo da canção Sukiyaky. Clique para assistir em tela inteira


SUKIYAKY
por Kyu Sakamoto

A canção, uma composição de Rokusuke Ei e arranjo de Hachidai Nakamura, era interpretada por Kyu Sakamoto. E ela não só fez um enorme sucesso no Japão, quando foi lançada em 1961, como também conquistou inúmeros fãs ao redor do globo.
O fato curioso é que ela ficou conhecida pelo  nome Sukiyaki, porque quando uma versão instrumental  foi lançada na Inglaterra em 1963, a gravadora achou que ficaria complicado divulgar com o nome japonês "Ue o Muite Arukoo" . O nome Sukiyaki era sonoro, fácil de lembrar e remetia a origem japonesa da música. Por incrível que pareça a iniciativa deu tão certo que o nome teve que ser adotado quando o álbum de Kyu Sakamoto foi lançado nos Estados Unidos.
Sukiyaki permaneceu durante algumas semanas no topo das paradas americanas e o álbum vendeu mais de 13 milhões no mundo inteiro. Nenhuma outra música japonesa fez tanto sucesso ou gerou tantas versões quanto Sukiyaki. 
Kyu Sakamoto faleceu aos 43 anos em 1985 no maior acidente aéreo da história do Japão. Foi uma das 520 vítimas do vôo 123 da Japan Airlines, quando voava de Tóquio a Osaka.
A letra (em japonês) corresponde, em português, segundo tradução encontrada pelo Acadêmico: 

Olhando para o céu
Para não derramar lágrimas
Lembro, em um dia de primavera
A noite sozinho

Olhando para o céu
Contando as estrelas brilhantes
Me lembro um dia de primavera
A noite sozinho

A felicidade está em cima das nuvens
A felicidade está em cima do céu

Olhando para o céu
Para não derramar lágrimas
Chorando, caminho
A noite sozinho

Lembro, em um dia de outono
A noite sozinho
A tristeza fica na sombra das estrelas
A tristeza fica na sombra da lua
Olhando para o céu
Para não derramar lágrimas
Chorando, caminho
A noite sozinho
A noite sozinho


Canções Francesas 

F... COMME FEMME
de Salvatore Adamo

Salvatore Adamo nasceu em 1 de Novembro de 1943 em Comiso, na Sicília (Itália), mas cresce na Bélgica. Coração cantor,  foi observado, em 1960, ao vencer um concurso organizado pela Rádio Luxemburgo. Adamo começou uma longa carreira que marcam a canção francesa dos anos sessenta e setenta.
"F... comme femme" foi seu maior sucesso no Brasil entre 1969 e 1970, sendo tema da telenovela Beto Rockfeller.


JOSEPH
de Georges Moustaky

Georges Moustaki , nascido Giuseppe Mustacchi, foi um compositor e cantor francês.
Nascido no Egito, de pais judeus gregos originários de Corfu, cresceu em um ambiente multicultural (judeu, grego, italiano, árabe, francês) e cedo se apaixonou pela literatura e pela canção francesas - particularmente por Édith Piaf, que encontrou em 1958, Para ela escreverá uma das suas canções mais conhecidas - Milord - e com ela viverá um rápido e intenso romance.


ALINE
De Chistophe

Christophe, nome artístico de Daniel Bevilacqua foi um cantor e compositor francês. Seu primeiro sucesso foi "Aline" de 1965, que ele canta em francês e italiano. Christophe tinha problemas com o alcoolismo e dependência química, além de sofrer  de depressão, o que interferiu diversas vezes na carreira do cantor. 


MOULIN ROUGE
Música de George Auric, letra de Jacques Larue

Moulin Rouge (que em português significa Moinho Vermelho) é um cabaré tradicional, construído no ano de 1889, situado na zona de Pigalle no Boulevard de Clichy, ao pé de Montmartre, em Paris, França. É famoso pela inclusão no terraço do seu edifício de um grande moinho vermelho. O Moulin Rouge é um símbolo emblemático da noite parisiense, e tem uma rica história ligada à boémia da cidade.
Há mais de cem anos que o Moulin Rouge é lugar de "visita obrigatória" para muitos turistas. O Moulin Rouge continua a oferecer na atualidade uma grande variedade de espetáculos para todos aqueles que querem evocar o ambiente boêmio da Belle Époque e que ainda está presente no interior da sala de espetáculos. A sala, as bailarinas e os seus frequentadores constituem um dos temas preferidos na obra do pintor Henri de Toulouse-Lautrec. . 


LA VIE EN ROSE
Edith Piaf e Louiguy

La vie en rose ("A Vida em Cor-de-Rosa") virou a canção assinatura de Piaf após ter sido lançada em 1946 e fazer um estrondoso sucesso em todo o mundo. A letra foi escrita por Piaf e a melodia por seu parceiro Louis Gugliemi (Louiguy). Sua versão single em discos já vendeu milhões de cópias por todo o mundo. Hoje tornada clássica, La vie en rose já foi gravada por dezenas de cantores. Em 1998, a canção deu título ao documentário feito sobre a vida de Édith Piaf e entrou para o Hall da Fama do Prêmio Grammy.
Segundo a pesquisa da BBC:Le plus grand français  ,Édith Piaf foi considerada a 10ª maior francesa de todos os tempos.


SOUS LE CIEL DE PARIS
J. Dréjac e H. Giraud

“Sous le ciel de Paris” é a canção do filme de mesmo título, lançada em 1951, inicialmente interpretada  por Jean Bretonnière, mas seria Édith Piaf que a consagraria em 1954
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Apresentações breves


Ao final da reunião, o Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo apresentou três Trovas de sua autoria e a Acadêmica Fátima Mandelli nos brindou com uma poesia sobre o Dia das Mães, de autoria da madre Tereza de Calcutá.

Aviso aos nossos Acadêmicos

COMUNICADO IMPORTANTE

Conforme correspondência já enviada por e-mail aos Acadêmicos em 20/04 último, a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina comunica ao seu quadro de Acadêmicos titulares, que atendendo ao contido no artigo 10 de seus Estatutos Sociais e artigo 21 do Regimento Interno, fará realizar uma Assembleia Geral Ordinária para a eleição da diretoria que assumirá a entidade no biênio 2016/2017, procedendo-se conforme as prescrições dos artigos 23 e 24 dos referidos Estatutos. 
Para tanto, solicita às Senhoras e Senhores Acadêmicos interessados em apresentar uma chapa, que providenciem as suas inscrições até o dia 30 de abril, mediante confirmação escrita enviada ao Diretor de Divulgação, por e-mail ou outra forma. 
Londrina, 20 de abril de 2016.

Extratos da nossa reunião de 10/04/2016

Homenagens ao Prof. Leonardo Prota 
(in memoriam)


A primeira parte da reunião deste dia 10 de abril foi dedicada a uma sucessão de homenagens ao Prof. Leonardo Prota, Presidente da nossa Academia, falecido no dia 19 de março. Vários Acadêmicos ocuparam a tribuna e contaram fatos da vida e obra deste grande homem, de múltiplas facetas - filósofo, professor, padre, educador, realizador e, principalmente, um grande amigo. Uma perda irreparável para nossa Academia, para o saber e para os amigos.
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Na homenagem póstuma prestada ao  seu ex-presidente Leonardo Prota (falecido em 19/03/16), o Acadêmico Professor Dr. SERGIO ALVES GOMES apresentou uma série de destaques relacionados com a biografia do homenageado:

Da obra “Racionalidade, Modernidade e Universidade: Festschrift em homenagem a Leonardo Prota”, organizada por GILVAN LUIZ HANSEN e ELVE MIGUEL CENCI, com prefácio de Aquiles Côrtes Guimarães, CEFIL: Ed.UEL, 2000, destacou trechos do capítulo final “Leonardo Prota: biobibliografia”, de autoria de GILVAN LUIZ HANSEN.  
No referido texto, HANSEN escreve: “ Quando o pequeno Leonardo Prota nasceu, aos 18 de julho de 1930, seus pais mal podiam imaginar que aquele “bambino”, gerado no contexto de uma Europa destruída e repleta de conflitos herdados da Primeira Grande Guerra, pudesse “voar” tão alto e para tão longe.  Após uma infância marcada de boas lembranças familiares e outras lembranças nem tão boas advindas do ambiente que culminou com a Segunda Guerra Mundial, Leonardo ingressou no Seminário dos Padres Oblatos de São José, anos mais tarde, tornou-se sacerdote. Foi então que aos 26 anos, sua vida começou a mudar: aceitando o desígnio de seus superiores da Congregação, Leonardo foi trabalhar como missionário junto às povoações indígenas do México. Seu trabalho em solo mexicano lhe valeu convite para lá permanecer, na qualidade de professor, dado o trabalho desenvolvido na Escola de Artes e Ofícios por ele fundada, e para ingressar na carreira política.  Firme em seu propósito de sacerdote, contudo, Leonardo declinou de tal convite e, novamente sob determinação de sua Congregação, foi complementar sua formação na área humanista nos Estados Unidos onde, dentre outras atividades, cursou Mestrado em Educação na “City University of Los Angeles”. Nesse momento é que surgiu o Brasil na caminhada do jovem humanista Leonardo. Enviado para trabalhar na área de educação junto às Escolas administradas pela sua Congregação no Brasil, Leonardo aqui chegou em 1963, radicando-se no norte do Paraná. A identificação com o Brasil e a ânsia de colaborar na solução dos problemas sociais e educacionais deste país fizeram com que Leonardo optasse por naturalizar-se brasileiro, ainda na década de 70.”
Gilvan Hensen  continua sua narrativa  sobre a vida de Prota, mencionando que em tal trajetória, o biografado  “destacou-se como educador, organizando colégios no norte do Paraná e, posteriormente, uma das primeiras escolas brasileiras na área de informática (Faculdades Associadas de São Paulo)”. Ademais, fez  “seu doutorado em Filosofia no Rio de Janeiro, na Universidade Gama Filho (1981)” e, em 1982 foi contratado pela Universidade Estadual de Londrina, onde teve profícua atuação, especialmente para a “implantação do curso de Graduação em Filosofia”, em meados da década de 90, bem como “na criação de novos Cursos de Especialização (Bioética; Filosofia Política) e na estruturação de um projeto de Mestrado em Filosofia[...]. 
Hansen também acentua que “além da atuação na UEL, Leonardo Prota desenvolveu [...] várias atividades voltadas para a educação, para a  formação humanista e para a discussão das questões brasileiras: é um dos fundadores do Instituto de Humanidades [...]. Criou, ao final da década de 80, o Centro de Estudos Filosóficos de Londrina (CEFIL) [...]. 
 Na sequência, HANSEN arrola ampla bibliografia de autoria de Leonardo Prota, para, ao final concluir: “Em face de toda essa trajetória já vivida, Leonardo Prota foi imortalizado como um expoente da cultura brasileira, tendo um verbete com seu nome incluído no Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros (Brasília:Senado Federal, 1999, p. 388-389. Coleção Biblioteca Básica Brasileira). Pertence à Academia Brasileira de Filosofia, ocupando a cadeira nº 26, cujo patrono é Amoroso Costa e à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. É por esse percurso, que ainda está longe de se encerrar, que podemos ter esperança no sentido de aguardar novas e importantes realizações desse filósofo, humanista e cidadão do mundo Leonardo Prota, um ser humano notável que “voou” para bem longe de sua amada Itália e nos brindou com trabalho competente, amizade incondicionada e fé inabalável na espécie humana, requisitos raros de serem encontrados, mas tão necessários para a construção de um mundo melhor para todos”.
Prosseguindo com os destaques bibliográficos  alusivos ao homenageado, o Acadêmico SERGIO ALVES GOMES:
a) mencionou trecho de artigo de JORGE JAIME, fundador da Academia Brasileira de Filosofia (RJ), intitulado: “ Leonardo Prota e sua Obra”, publicado nos Anais do 7º Encontro Nacional de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (realizado em Londrina, no período de 13 a 15 de setembro de 2001), Ed. CEFIL, 2003. No referido artigo, seu autor assevera que “a formação primordial de Leonardo Prota foi, indiscutivelmente, moldada nos fundamentos pedagógicos de Dom Bosco, secundada pelo reformador John Dewey. Foi a época das grandes iniciativas educacionais que resultou, no Brasil, no empenho de Anísio Teixeira, fazendo inovações proveitosas com inúmeras reformas educacionais”; 
b) destacou a importância da tese de doutorado de Leonardo Prota, intitulada “Um Novo Modelo de Universidade”, publicada pela Editora Convívio, de São Paulo (1987). Nela, Leonardo Prota analisa amplamente a experiência universitária brasileira e os principais  “Modelos de Universidade” da Europa e Estados Unidos da América, fazendo ao final uma avaliação crítica de tais modelos.
c) focou a preocupação de Prota com a temática por ele desenvolvida em obra específica sobre “As Filosofias Nacionais e a Questão da Universalidade da Filosofia” (Londrina. Ed. UEL, 2000). Na apresentação da obra, Leonardo  Prota esclarece seus leitores sobre o Leitmotiv de seu texto, dizendo: “Ao longo de todos esses anos amadureceu em nosso espírito uma convicção inquietante: examinando o tema com isenção e sem envolvimento emocional, verifica-se que, contemporaneamente, somente existem filosofias nacionais. Tive, portanto, que tentar resolver este problema: em que consiste a universalidade da filosofia?  Na obra que ora entrego ao público, espero haver conseguido transmitir toda a riqueza do esforço empreendido no sentido de compreender em que consistiriam precisamente as principais filosofias nacionais. E também que haja conseguido responder àquela pergunta no tocante à universalidade do saber filosófico.”
GOMES frisou ter sido agraciado com a oportunidade de ser aluno de Leonardo Prota no Curso de Mestrado em Direito, na UEL e, posteriormente, tê-lo como Membro da Banca Examinadora da monografia do Curso de  Especialização em Filosofia Política e Jurídica (UEL,1999) e da Banca Examinadora do Doutorado em “Direito: Filosofia do Direito e do Estado”, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). Destacou que as eternas lições de vida e sabedoria de  Leonardo Prota permanecerão sempre presentes nos corações e mentes de quem teve a fortuna de conviver com o querido e saudoso mestre. GOMES mencionou ainda que em seu último encontro com Prota - estando este já hospitalizado – percebeu claramente o quanto o olhar e perspectivas do humanista estavam muito além daquele reduzido ambiente, especialmente quando, ao despedirem-se, Prota repetiu a parêmia  com a  qual sempre animava as pessoas, dizendo-a  em sua língua materna, a mesma de Dante Alighieri: “La vita è bella!!! ”.    
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Leonardo Prota

Pelo Acadêmico Ricardo Vélez Rodríguez

A Acadêmica Ludmila Kloczak procedeu à
leitura do texto

Se há um termo para resumir a vida de Leonardo Prota é o de Educador. Um Educador de tempo integral, que alicerçou a sua vocação na mais larga missão de evangelizador, tendo como fulcro a ideia da dignidade de todos os seres humanos. O texto com que o historiador Jorge Jaime, fundador da Academia Brasileira de Filosofia (da qual Leonardo Prota foi também sócio fundador) e que forma parte do Projeto Ensaio Hispânico, da Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, destaca em detalhe o caminho percorrido por Leonardo nessa sua bela carreira de educador, no México e no Brasil [cf. http://www.ensayistas.org/filosofos/brasil/prota/prota1.htm ]. Poucas coisas eu teria a adicionar à completa exposição do já falecido Jorge Jaime sobre a vida intelectual e pedagógica do Leonardo. Por esse motivo, gostaria, nestas linhas, de tecer um comentário mais pessoal acerca do Amigo que partiu.
Conheci Leonardo Prota em Londrina, em 1982, quando tive oportunidade de encontrá-lo na UEL. Nessa ocasião, eu me desempenhava como Diretor pro tempore do Centro de Ciências Humanas dessa Universidade, na qual tinha ingressado por concurso no Departamento de Filosofia no início do ano anterior. O então Reitor da UEL, o saudoso amigo José Carlos Pinotti, tinha me pedido que falasse com Leonardo para ver a possibilidade de ele se vincular à UEL. O encontro foi rápido. Descobri, em Leonardo, uma pessoa com formação humanística ampla, tendo cursado estudos de Filosofia, Educação e Teologia, uma tríade pouco comum no nosso meio. Considerei que a sua participação no Departamento de Filosofia, como docente, enriqueceria muito a ação educacional desenvolvida pelo Centro de Ciências Humanas. 
Apresentei o nome do Leonardo ao colegiado do Centro, bem como aos professores do Departamento de Filosofia, e foi rapidamente aprovada a sua vinculação. Um dado curioso gostaria de lembrar: alguns colegas deste Departamento, após a contratação do Leonardo, vieram me questionar acerca da sua vinculação à Universidade, me dizendo que ele era uma pessoa de esquerda, pois figurava entre os fundadores do recentemente criado Partido dos Trabalhadores. Respondi aos meus colegas que essa consideração não tinha, para mim, nenhuma relevância, levando em consideração o currículo acadêmico do Leonardo, bem como a aprovação para a sua vinculação à UEL, que tinha sido dada pelos colegiados do Centro de Ciências Humanas e do próprio Departamento de Filosofia. 
Se havia reservas ideológicas de parte de alguns dos meus colegas de Departamento, elas logo desapareceram, após Leonardo se integrar à equipe docente. A sua indiscutível preparação, a capacidade que tinha para se comunicar com os alunos e os colegas, a sua tolerância para com todas as pessoas, independentemente de ideologia ou religião, a sua dedicação aos discípulos, o seu brilhantismo como expositor, a sua cordialidade e modéstia, desfizeram rapidamente as nuvens dos empecilhos ideológicos que, aliás, jamais estiveram presentes nas atitudes do meu Amigo. Anos depois, quando constatou que o Partido que ajudara a fundar tinha se desviado dos ideais primigênios, distanciou-se dele, como fizeram outras tantas figuras intelectuais que não aceitaram os desvios no terreno da ética pública.
Uma vez vinculado o professor Leonardo ao Departamento de Filosofia, considerei, pela experiência que ele tinha como coordenador de atividades de pós-Graduação em outras instituições (dentre as quais a FASP, em São Paulo), que ele poderia me substituir como coordenador do Curso de Pós-graduação em História do Pensamento Político Brasileiro, que eu tinha criado na UEL em 1981. Apresentei o seu nome ao colegiado de Curso e Leonardo foi aprovado como coordenador do mesmo. Eu já tinha tomado a decisão de aceitar o convite formulado pelos professores Antônio Paim e Eduardo Abranches de Soveral, então coordenadores do Curso de Mestrado e Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, para me integrar ao corpo docente desse programa. Em Janeiro de 1983 me desvinculei da UEL e parti para o Rio, a fim de assumir as minhas aulas no mencionado Curso. 
Pouco tempo depois, no final de 1983, foi lançado novo edital para preencher as cinco vagas anuais que a Gama Filho abria no seu curso de Doutorado em Pensamento Luso-brasileiro. Leonardo Prota apresentou a sua candidatura com um projeto de pesquisa ligado à discussão dos pressupostos filosóficos presentes no modelo da Universidade brasileira. O meu Amigo foi selecionado pela Comissão da Pós-graduação da Universidade Gama Filho e iniciou, no começo de 1984, os seus estudos para o Doutorado, que terminou com brilhantismo, no final de 1986, com a sua tese sobre o modelo único de Universidade que terminou vingando no Brasil, analisado criticamente nos seus fundamentos filosóficos, ainda situados no contexto do cientificismo pombalino. 
Ao ensejo das aulas no Curso de Pós-graduação, Leonardo Prota fez logo amizade com Antônio Paim, que foi o seu orientador. Impressionou-me vivamente a claridade com que Leonardo analisava a situação da Universidade brasileira, que no seu entender estava presa a um modelo que a empobrecia enormemente, porquanto fechada no estreito conceito de preparar técnicos a serviço do Estado, deixando de lado a formação humanística que, aliás, tinha também desaparecido do ensino de segundo grau. A sua proposta endereçava-se a retomar a tradição humanística da Universidade brasileira, mediante a sua estruturação polimórfica, atendendo às necessidades regionais. Uma proposta ousada que entrava em atrito com o modelo tecnocrático e estatizante em vigor. Admirava no meu amigo a claridade e a profundidade conceitual com que desenvolvia o seu projeto de pesquisa. A sua tese de doutorado logo foi publicada em livro, em 1987, pela Editora Convívio de São Paulo, com o seguinte título: Um novo modelo de Universidade.
No decorrer do ano 1986, Leonardo propôs ao Prof. Paim e a mim, a criação do Instituto de Humanidades, que teria como finalidade preencher o vácuo de formação humanística nas Universidades brasileiras, mediante o oferecimento de Cursos Livres nessa área, adotando a modalidade de ensino à distância utilizada na Open University inglesa. Rapidamente foram elaborados os estatutos do Instituto, e começamos os trabalhos de preparação do material instrucional, nas áreas de: Introdução à História da Cultura Ocidental, Política, Religião, Filosofia e Ética. O trabalho foi intenso ao longo da restante parte da década de 80. Três educadores vincularam-se ao Instituto como membros do Conselho Acadêmico: Maria Clutilde de Abre (do Rio de Janeiro), Maria Christina de Oliveira Espínola (de Londrina) e Arsênio Eduardo Corrêa (de São Paulo). O próprio Leonardo Prota encarregou-se de publicar todos esses materiais, tendo criado, para tal finalidade, a Editora Humanidades, em Londrina. Ele já tinha assumido, na UEL, a coordenação da Editora, que foi por ele dinamizada até colocá-la entre as principais editoras universitárias do Brasil.  
Com a finalidade de estimular o estudo das ideias filosóficas, Leonardo criou o Centro de Estudos Filosóficos de Londrina (CEFIL), a partir do qual desenvolveu uma dupla tarefa: organizar, a cada dois anos, os Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (tendo ocorrido o 1º encontro em 1989) e estimular o estudo das Humanidades no meio acadêmico do Paraná. Uma realização de vulto foi o convênio efetivado entre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Campo Mourão e o Instituto de Humanidades, a fim de oferecer, aos funcionários municipais e à comunidade acadêmica local, em nível de Pós-graduação lato sensu, o Curso de Humanidades. O mencionado programa foi desenvolvido ao longo de uma década, sendo palpáveis os resultados que a formação humanística trouxe para o Município de Campo Mourão. A qualidade de vida melhorou sensivelmente, com a adoção de regras de trânsito civilizadas em que o pedestre era respeitado e de gestão humana do espaço público. 
Na editora por ele criada, o professor Leonardo publicou os anais dos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira, que se realizaram ao longo de duas décadas, em Londrina, com apoio da UEL. Como fruto das suas pesquisas no terreno das Filosofias Nacionais (ponto que passou a ser estudado nos Encontros de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira), Leonardo publicou a sua obra: As filosofias nacionais e a questão da universalidade da Filosofia (Londrina: UEL, 2000).
O Acadêmico Prof. Ricardo Vélez
Rodríguez, autor do texto
Leonardo Prota soube vincular a sua vocação docente à missão evangelizadora que tinha assumido quando foi ordenado sacerdote da Congregação de São José. Embora desligado da atividade pastoral havia já muitos anos, o meu amigo continuou a sua infatigável tarefa de educador, sem abandonar o espírito evangelizador que sempre o animou. A sua esposa Lesy pode testemunhar acerca da entrega desinteressada de Leonardo às atividades educativas e culturais, das quais foi coroamento a sua eleição como presidente da Academia de Letras de Londrina. 
Com aquela atitude meiga e discreta que o caracterizava, vi-o pela última vez, já na UTI do Hospital do Coração, semanas antes de falecer. Despediu-se de mim com um abraço trêmulo e com aquele sorriso inconfundível, que imprimia alegria e calor humano. Partiu na manhã do dia 19 de Março, festa de São José, o padroeiro da Congregação à qual tinha servido durante décadas e que o trouxe para o Brasil. A memória do nosso Amigo e Presidente ficará viva, para sempre, nos nossos corações!
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Lembranças...

Pelo Acadêmico Dr. José Ruivo


"A Memória é a vivência dos velhos".
Esta foi a abertura da bela fala do Acadêmico José Ruivo na sua homenagem ao Prof. Leonardo Prota.
Citou o poema  "Ode a um amigo morto" do livro "Cabo da Boa Esperança" e teceu várias considerações 
sob o ponto de vista cristão, Relembrou Manuel Maria Barbosa du Bocage, que morreu ainda jovem e contemplou a Humanidade com os Sonetos CCCLXXIII (sentimentos de contrição e arrependimento da vida passada) e CCCLXXVI (ditado entre as agonias do seu trânsito final). Prosseguiu citando seus "longevos 86 anos", que resultam nos "espaços em aberto, deixados vagos pela ausência daqueles a que nos ligavam os sagrados laços de família, ou os preciosos afetos de uma amizade sincera e duradoura". 
Citou trechos da Encíclica "Verbum Domini" do Papa Bento XVI, do Livro de Confissões de Santo Agostinho e de escritos de Luís de Camões.
Relembrou ainda que ao final das reuniões o Prof. Leonardo Prota dele se despedia com um fraternal "arrivederci", repondendo -lhe "presto ritorno".
"Agora não poderei dizer mais 'presto ritorno'; porque não será ele que voltará para nós; mas sim nós que, um dia, o iremos encontrar na alegria e no seio da Casa do Pai, aonde ele já se encontra, no esplendor da Glória. Assim nós o consigamos merecer...
Ao final, declamou o verso "Saudade!":
Disse o poeta:
"Esta palavra saudade!
Aquele que a inventou
A primeira vez que a disse,
Com certeza que chorou!"
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Enaltecendo o Prof. Leonardo Prota
Pelo Acadêmico Dr. José Eduardo de Siqueira


O Dr. José Eduardo de Siqueira, médico cardiologista, escritor e professor de Bioética na UEL, usou da palavra para enaltecer a figura do Prof. Leonardo Prota, pela sua enorme bagagem cultural, o talento e a cordialidade na convivência entre ambos nas lides acadêmicas, nas áreas de Educação e Bioética.
Referiu-se ao trabalho conjunto em publicações como: Ética, Ciência e Responsabilidade (Editora Loyola).
Salientou também o trabalho desenvolvido por ambos junto ao Conselho Editorial da Editora UEL, da qual o Prof. Prota era presidente.

Discorreu sobre sua seriedade, dinamismo e capacidade ao possibilitar a publicação de importantes obras, notadamente nas áreas de Filosofia e Bioética. E ilustrou sua fala apresentando diversos livros.
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La vita è bella
Pelo Acadêmico Julio Bahr

Nosso amigo, professor, filósofo e presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina foi-se embora. Um homem sempre bem humorado, educado com todas as pessoas, galanteador com as mulheres, para as quais habitualmente reservava um rasgado elogio, amante de um bom vinho italiano, o Prof. Leonardo Prota nos deixou neste sábado dia 19 de março.
Tive o privilégio de desfrutar de sua amizade nos últimos dois anos e meio, quando fui convidado para fazer parte da nova diretoria da Academia, que acabara de sofrer um duro golpe com a perda do então presidente e fundador, Dr. João Soares Caldas. 
O professor usava um jargão que marcou a vida dos seus amigos: para ele “la vita è bella” sob todas as circunstâncias. Com esse jargão, nosso grupo da diretoria brindava a cada reunião, a cada encontro festivo, sempre com um bom vinho, fosse italiano ou não. 
Prof. Prota e eu nos comunicávamos quase que diariamente – havia assuntos a serem analisados e resolvidos. Creio que fui uma espécie de “alter ego” para ele nesse período, pois nos entendíamos perfeitamente. Talvez o fato de ele ter convivido longamente com a vida acadêmica, de onde conhecia seus melhores amigos, e eu ter surgido da vida publicitária, um mundo absolutamente conflitante com o rigor das universidades, tenha moldado nosso perfeito entendimento.
No dia 2 de janeiro recebo dele um telefonema: estava nos convidando, a mim e à minha companheira Tânia para almoçarmos no restaurante Barolo (aqui em Londrina) que, descobri mais tarde, ser o seu predileto. Claro que o almoço foi acompanhado por um uma boa conversa e um excelente vinho italiano...
As mulheres têm uma percepção muito mais aguçada do que nós, homens: Tânia pressentiu que ele na verdade preparara uma despedida, pois Leonardo Prota já estava muito doente – ele internou-se no hospital dois dias depois, permaneceu poucos dias no quarto, onde ainda o visitei e em seguida foi removido para a UTI, onde faleceu.
Ficamos muito comovidos com a deferência do professor, que nos elegera para partilhar do seu último compromisso social.
Com ele, aprendemos muito, assim como seus incontáveis alunos espalhados por várias cidades brasileiras. Sua mente era brilhante, seus conceitos muito bem colocados, suas palestras na nossa Academia, profundas e muitas vezes contundentes. Deixa muitas saudades e um vácuo impossível de ser preenchido.
Seja de qual lugar ele estiver agora, com certeza nos soprará nos ouvidos muitas e muitas vezes: “la vita è bella”, “la vita è bella”, “la vita è bella”...
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Destaques Acadêmicos:

Declamação pela Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina 


BRASIL

Nesta hora de sol puro
Palmas paradas
Pedras polidas
Claridades
Faíscas
Cintilações

Eu ouço o canto enorme do Brasil!

Eu ouço o tropel dos cavalos de Iguaçu correndo na ponta
    das rochas nuas, empinando-se no ar molhado, batendo
    com as patas de água na manhã de bolhas e pingos verdes;

Eu ouço a tua grave melodia, a tua bárbara e grave melodia,
    Amazonas, melodia da tua onda lenta de óleo espesso que
    se avoluma e se avoluma, lambe o barro das barrancas, morde
    raízes, puxa ilhas e empurra o oceano mole como um touro
    picado de farpas, varas, galhos e folhagens;

Eu ouço a terra que estala no ventre quente do Nordeste,
    a terra que ferve na planta do pé de bronze do cangaceiro,
    a terra que se esboroa e rola em surdas bolas pelas
    estradas de Juazeiro, e quebra-se em crostas secas,
    esturricadas no Crato chato;

Eu ouço o chiar das caatingas — trilos, pios, pipios, trinos,
    assobios, zumbidos, bicos que picam, bordões que ressoam
    retesos, tímpanos que vibram, límpidos papos que estufam,
    asas que zinem, rezinem, cris-cris, cicios, cismas, cismas
    longas, langues — caatingas debaixo do céu!

Eu ouço os arroios que riem, pulando na garupa dos dourados
    gulosos, mexendo com os bagres no limo da luras e das locas;

Eu ouço as moendas espremendo canas, o gluglu do mel
    escorrendo nas tachas, o tinir da tigelinhas nas serigueiras;
E machados que disparam caminhos,
E serras que toram troncos,
E matilhas de “Corta Vento”, “Rompe-Ferro”, “Faíscas”
    e “Tubarões” acuando suçuaranas e maçarocas,
E mangues borbulhando na luz,
E caititus tatalando as queixadas para os jacarés que
    dormem no tejuco morno dos igapós...
Eu ouço todo o Brasil cantando, zumbindo, gritando, vociferando!
Redes que balançam,
Sereias que apitam,
Usinas que rangem, martelam, arfam, estridulam, ululam e roncam,
Tubos que explodem,
Guindastes que giram,
Rodas que batem,
Trilhos que trepidam.
Rumor de coxilhas e planaltos, campainhas, relinchos
    aboiados e mugidos,
Repiques de sinos, estouros de foguetes, Ouro Preto,
    Bahia, Congonhas, Sabará,
Vaias de Bolsas empinando números como papagaios,
Tumulto de ruas que saracoteiam sob arranha-céus,
Vozes de todas as raças que a maresia dos portos joga no sertão!

Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.

Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...
A conversa dos fazendeiros nos cafezais,
A conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
A conversa dos operários nos fornos de aço,
A conversa dos garimpeiros, peneirando as bateias,
A conversa dos coronéis nas varandas das roças...
Mas o que eu ouço, antes de tudo, nesta hora de sol puro
Palmas paradas
Pedras polidas
Claridades
Brilhos
Faíscas
Cintilações
É o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus berços,
    onde dorme, com a boca escorrendo leite,
    moreno, confiante, o homem de amanhã!


(Do Livro “Toda a América” – 1925) - Ronald de Carvalho
(Rio de Janeiro – 1893 – 1935)
Advogado, poeta, escritor, político, diplomata em vários países, grande expoente do Modernismo.

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Palestra:
Os Cavaleiros Templários 
A história, o legado e sua importância nos dias de hoje

Por Glauco Borba *

Dr. Glauco Borba
Foi uma ordem monástica com amparo e disciplina militar na idade média. Formada inicialmente com 9 cavaleiros na França, com intuito de proteção armada aos fiéis que se dirigiam em peregrinações para a Terra Santa (Jerusalém), a Ordem cresceu após um período de 10 anos, vindo a se tornar a maior organização de combate da história com participações na maioria das Cruzadas. Formada por monges guerreiros, a organização cresceu em termos de estrutura física tornando-se a primeira multinacional do planeta. Trouxeram desenvolvimento para Europa, através das ciências agrárias com suas centenas de fazendas altamente produtivas, foram também exímios construtores de castelos, pontes e igrejas. Formaram educadores e estudiosos e fundaram diversas escolas e centros de treinamentos e alfabetização.  
Trabalharam com fortunas de reis e famílias nobres num sistema de muita confiança e segurança para seus depositários e desta maneira deram início ao sistema bancário similar nos dias de hoje.
A Ordem durou por 200 anos; posteriormente a este período,
por causa de perseguições de nobres falidos europeus que desejavam suas riquezas e com a derrota militar no Oriente,
dissolveram-se, levando porém todo seu conhecimento e bens para outros países do continente onde continuaram supostamente com outros nomes o trabalho de desenvolvimento e prosperidade aos países que os receberam.

Os Templários foram os primeiros, senão os únicos, a perceber que havia um "chão" comum entre os judeus, cristãos e muçulmanos e tiveram um papel importante na criação de respeito pela cultura e espiritualidade dos povos que habitavam o Oriente.

*O palestrante é Cirurgião Dentista, reside e trabalha em Londrina com clínica própria. Graduado pela Faculdade de Odontologia de Marília-SP, com Aperfeiçoamento em Prótese, Pós Graduação em Marketing de Serviços FGV-Rio, Curso de Oratória - certificado pelo Instituto Dale Carnegie - USA.
O palestrante Dr. Glauco Borba
recebendo seu Cerificado de Participação
das mãos do Acadêmico Julio Bahr 












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Livro em Homenagem ao
Prof. Leonardo Prota
Ao final da reunião, foram distribuídos exemplares do livro especialmente confeccionado para homenagear vida e obra do Prof. Leonardo Prota, com textos, fotos, cartas, comentários e um número expressivo de e-mails recebidos por ocasião do seu falecimento. 
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A mesa diretora que conduziu a reunião: ao centro, Presidente em Exercício, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, ladeada pelo Acadêmico Professor Dr. Sergio Alves Gomes à esquerda. Completou a mesa o palestrante Dr. Glauco Borba, à direita