Extratos da reunião de 11/08/2019

Mesa diretiva, com o palestrante Acadêmico Paulo Briguet, a presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira e a Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa

Nosso Mestre de Cerimônias Jonas Rodrigues de Matos 
conduziu a reunião
O Acadêmico Paulo Briguet foi convidado a ler o nosso Credo Acadêmico


Nossa convidada para o Momento de Arte foi a artista plástica Pillar Cristina Cremonezi Santana, da vizinha cidade de Cambé. Trouxe para exibição duas telas grandes e contou sobre sua trajetória artística: ela pinta desde criança. Sua preferência é o expressionismo, utilizando técnicas de óleo, pastel e grafite, mas diversifica sua produção, criando inclusive caricaturas e produzindo artesanato. Já exportou para a Europa e divide seu tempo dando aulas de pintura. 


Pilar Alvares Gonzaga Vieira
Em homenagem a todos os pais, no dia que lhes é consagrado, segundo domingo do mês de agosto, farei da poesia que nosso Confrade, FAHED DAHER, fez para mim quando assumi a Governadoria do Distrito 4.710 de Rotary Internacional.
FAHED DAHER encontra-se afastado de nosso convívio, por motivo de saúde.


REALIZEMOS O SONHO
Fahed Daher

Moisés, do alto do monte nos diria:
Águia arrojada, o sonho é o pensamento
ultrapassando o céu, o firmamento,
para alcançar o sol do eterno dia.

Ser visionário é um grau de semideus,
Capaz de vislumbrar grandes tarefas
No bem da humanidade.
Não se limita esforço só aos seus,
Mas tem o dom sublime dos profetas,
Ao som da eternidade.

O sonho há de ser grande e magistral
E que distinga a gente do animal,
Na luta com vigor,
A projetar a vida pelo espaço
Sem medir a distancia ou o cansaço
Coberto pelo amor.

A nós nos cabe mergulhar na vida
Buscando uma tarefa, a mais renhida,
Sabendo do impossível,
Para transformar o mundo criticado
No mundo mais sublime, mais sagrado
Herói bravo e invencível.

O sonho é a qualidade mais humana, 
Lutando, a gente sempre mais se irmana
Pra tê-lo realizado.
Ao fim de uma tarefa completada
Nós seguiremos numa nova estrada
Buscando um novo fado.

Realizemos os sonhos de todos os pais, de que seus filhos tenham chances de um futuro promissor; de que todas as crianças a saúde, através da melhoria do ambiente em que vivem e do acesso a atendimento médico e de alimentação adequada ao seu desenvolvimento.
Realizemos os sonhos de todos os pais, tendo a certeza de que mais crianças estão indo à escola, pois é somente através da educação que o ciclo nocivo da pobreza pode ser interrompido.
Que os sonhos de cada pai, em relação a seus filhos sejam realizados; de infância risonhas e seguras, que se transformarão em vidas adultas coroadas de sucesso e conquistas.
Feliz Dia dos Pais a todos e que seus sonhos se tornem realidade, são os desejos de todos os Acadêmicos da Academia de Letras, Ciência e Artes de Londrina.
Contamos com a participação do aluno Guilherme Gomes da Escola Estadual São José – Ensino de Tempo Integral – Cambé PR, que faz parte do grupo "Pequenos Poetas". Ele declamou poesia de autoria da nossa Acadêmica Fátima Mandelli, em homenagem ao Dia dos Pais:

"Pai"
Sentimento guardado, por muitos manifestado
Palavra sonora, suave pandora 
Pai, parte de nós, jamais algoz.

Caminhos tortuosos motor
Estradas largas sinuosas, vigor
Minas, morros bucólicos, saudades.

Partidas, despedidas, celeiro
Portas abertas, idas e vindas, tentativas
Confiança serena, abraço apertado
Histórias contadas.

Infância, unidade, saudade
Viagens festivas
Trabalho, ilusões vividas.

Vida marcada, netos, bisnetos
Superação do alcoolismo
Presença constante
Laços de amor, perdão
Sábias provações

Tecendo o bem, o mal vai para além
União, mocidade
Juventude acumulada.

Os tempos passaram, os pássaros voaram
Em outros ninhos retornaram
Pousaram, mas sempre abastecendo de carinho.

Lembranças, heranças, esperança
Agradeço ao provedor eterno,
Exemplo do Belo,
Pai dos pais.

Misericordioso, bondoso, pai do bem
Que nos deu o nosso pai também
Obrigado, amém! 
____________________________

Dona Adelaide
(Crônica)
Victor Bernardo De Pompei Gouvêa *

Ela desceu do céu para uma visitinha aqui na Terra. 
Veio sem avisar, mas como cheguei numa idade em que nada mais é surpresa, achei legal.
Ainda mais a Dona Adelaide, por quem sempre tive muito carinho, mas pouca convivência, já que ele ficava “tricotando” com minha mãe Maria, lembrando da São Paulo antiga, restaurante Fasano e a padaria São Domingos, lá no Bixiga.
Então, caminhando distraído pela Avenida Paulista, eis que surge ao meu lado a dona Adelaide
- Olá Victor, lembra de mim?
- Claro dona Adelaide! O que a traz por aqui? Respondi sem demonstrar surpresa.
- Queria saber como andavam as coisas por essas bandas. Ah! O Club Homs, passei bons momentos aqui. Mas mudou muito, todos esses prédios em lugar dos casarões.
- Verdade, algumas coisas mudaram, depois de tantos anos...Vê aquela moto, por 
exemplo, está entregando galões de água, coisa que não tinha no seu tempo!
- Mas água é um bem da natureza – disse indignada dona Adelaide. Não fabricam mais o filtro de barro São João? Não me diga que estão vendendo água?! Então pagamos pela água que bebemos? Deus do meu céu!
- Isso mesmo.
Passando em frente à galeria do Conjunto Nacional, na esquina com a famosa rua Augusta, ela sentiu aquele friozinho do ar condicionado.
- Puxa, esfriou de repente!
- É o ar condicionado, dona Adelaide.
- Ar o quê?
- Condicionado. São aparelhos elétricos que esfriam o ar em ambientes muito quentes.
- Não me diga! E os ventiladores Walita, não existem mais? Quer dizer que vocês também  estão pagando pelo ar que respiram? Não acredito! As coisas mudaram muito.
- A senhora não viu nada. No seu tempo já existia televisão, certo? Pois hoje a gente paga para assistir programas um pouco melhores. E a grande mudança são os computadores!!!
- Nem quero saber de computadores, me explica só o que é essa coisinha que você tem na mão e eu já vou subir lá pro meu cantinho.
- Isso é um telefone celular, dona Adelaide. Quase todas as pessoas possuem o seu.
- Como assim, pra quê?
- Pra facilitar a vida. A gente fala, envia mensagens, pesquisa na Inter...ops! 
- Mas tão pequenininho, faz tudo isso? 
- A senhora nem imagina o que ele faz.
- Mas isso não custa nada, custa?
- Custa sim.
- Então vocês também pagam pelas palavras que usam? Isso é o fim do mundo!
- Pode ser mesmo- respondi.
Mal sabe ela que estão querendo cobrar pelos nossos pensamentos no facebook (“no que 
você está pensando?”)
- Alí, alí – falou empolgada dona Adelaide - a igreja de São Luís, meu neto estudou no Colégio São Luís. Vamos entrar. Vou rezar um pouco pra esse mundo tão mudado.
- Verdade, dona Adelaide. As igrejas são das poucas coisas que permanecem como eram, a não ser pelo fato dos padres dizerem a missa voltados para os fiéis e não de costas, como no seu tempo.
- Isso eu gostei de saber, pois achava um desrespeito dar as costas e falar em latim, uma língua que quase ninguém entende. Se bem que eu gostava de ouvir aquele “Dominus Vobiscum. Et cum spiritu tuo”.
-E o “Surssum Corda. Habemos ad dominum?” – respondi com um largo sorriso.
- Foi muito bom, Victor. Vou voltar pro meu céu. Talvez eu desça de novo pra rever as coisas de antigamente, dos tempos “que  Berta fiava”.
- Como é?! 
- Nada, nada, não é do seu tempo. 
* Publicitário, paulistano radicado em Londrina, 
especializado em redação, autor do livro "Palavras Poderosas", 
uma ferramenta para novos redatores e criativos publicitários


"30 Anos este Muro"
Acadêmico Paulo Briguet

O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse os vales escuros, nada temerei, pois estais comigo.”
Hoje vamos falar de um dos vales escuros na história contemporânea, um vale escuro que ficou conhecido como Muro de Berlim, ou Muro da Vergonha, construído em 1961 para separar a capital alemã em dois setores, o oriental e o ocidental. 

Eu sou um escritor, um simples cronista. Não um sociólogo, nem um cientista político, muito menos um economista. Não esperem de mim, portanto, uma análise objetiva daquele acontecimento histórico verificado no dia 9 de novembro de 1989.
O professor Olavo de Carvalho identificou quatro níveis de discurso na obra de Aristóteles: são eles o discurso poético (ou imaginativo), o discurso retórico, o discurso dialético e o discurso lógico. Para falar do Muro de Berlim, eu adotarei o caminho da imaginação literária, que tem o poder de atingir o coração humano.
Para falar de 1989, eu usarei três fontes: um romance e um filme. Minha terceira fonte será a experiência pessoal.
Há 30 anos, eu era um estudante do primeiro ano de jornalismo na UEL e um militante esquerdista. Usava uma estrelinha no peito e fazia campanha para o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, candidato presidencial pelo Partido dos Trabalhadores. Lembro como se fosse hoje do discurso de Lula no coreto da Avenida Paraná, em novembro de 1989, poucos dias antes da queda do Muro de Berlim. (O coreto da Avenida Paraná, a exemplo do Muro de Berlim, foi derrubado. Hoje ali existe um chafariz.)
Mas o Lula, naquele dia, falava em “socialismo democrático”. Era o que ele iria implantar no Brasil, caso vencesse a eleição. Demoraria algum tempo para eu descobrir que a expressão “socialismo democrático” é uma contradição em termos, mas ou menos como trevas luminosas ou círculo quadrado. Mas eu sempre fui muito piadista. E sinto que comecei a desconfiar que essa história de socialismo não dava certo ao ouvir as piadas que vinham do Leste Europeu.
Uma delas era sobre o todo-poderoso Erich Honecker, ditador da Alemanha Oriental:
De manhã, Honecker abria a janela do seu gabinete e dizia:
— Bom dia, camarada Sol!
O Sol respondia:
— Bom dia, camarada Honecker!
À tarde, Honecker dizia:
— Boa tarde, camarada Sol!
E o Sol respondia:
— Boa tarde, camarada Honecker!
À noite, Honecker dizia:
— Boa noite, camarada Sol!
Silêncio. Honecker repetia:
— Boa noite, camarada Sol!
Nada. Honecker, já furioso, gritava:
— BOA NOITE, camarada Sol!
Então o Sol finalmente respondia:
— Não me enche o saco que agora eu tô no Ocidente.
Naquele ano, porém, outros acontecimentos nada engraçados acenderiam a luz amarela em minhas ideias vermelhas. Em junho de 1989, aconteceu o massacre dos estudantes chineses na Praça da Paz Celestial. E no Natal daquele ano, o ditador Nicolae Ceausescu seria fuzilado na Romênia. Morreu cantando o hino da Internacional Socialista.
Mas vejam que curioso: naquele mesmo instante em que eu ouvia admirado as palavras de Lula no coreto da Avenida Paraná, um jovem brasileiro, cearense, militante de esquerda, bolsista do governo alemão oriental, estudante de filosofia em Leipzig, testemunhava os últimos dias do regime comunista. O brasileiro Karleno Márcio Bocarro assistiu à queda do Muro ao vivo.

Anos depois, de volta ao Brasil, Karleno Márcio — cujo nome é uma homenagem a Karl Marx — escreveu o romance “As almas que se quebram no chão”. O título “As almas que se quebram no chão” é a citação de um poema de Karl Marx, e descreve o que acontece na vida de um grupo de estudantes brasileiros que viram a queda do Muro.
Esses jovens — que tinham bolsas de estudo do governo comunista — ficam absolutamente perdidos. Dois deles resolvem ocupar o subterrâneo de um prédio abandonado da ex-Alemanha Oriental e abrir um bar que vende apenas dois produtos: caipirinha e cocaína. O bar se chama Fawela — e existiu de verdade! O clima do romance lembra muito as obras de Dostoievski, especialmente Memórias do Subsolo e Os Demônios, com as longas discussões entre os personagens e o clima sombrio que a todos envolve. O personagem Bocas — dono do bar e vilão de história — é uma impressionante representação do mal na literatura brasileira. Esse personagem, brasileiro, estudou na Rússia comunista. Quando penso em Bocas, eu me lembro de Nossa Senhora dizendo aos pastorzinhos em Fátima: “Os erros da Rússia se espalharão pelo mundo”. Notem que ela não usa o termo comunismo, mas diz “os erros da Rússia”. Nunca é demais lembrar que o sr. Vladimir Putin era agente da KGB na Alemanha Oriental.
Uma das cenas marcantes do livro é baseada em um fato real. Aquele mesmo senhor que discursava no coreto da Avenida Paraná em 1989 esteve na antiga Alemanha Oriental meses depois da queda do Muro e lá se encontrou com militantes esquerdistas e ex-apoiadores do regime derrubado. 
Em resumo, o que Lula disse para aqueles militantes? “Nós precisamos recuperar na América Latina aquilo que nós perdemos aqui”. Logo depois dessa viagem, Lula e Fidel Castro criaram o Foro de S. Paulo, que reuniu cerca de 200 partidos e movimentos de esquerda latino-americana e que tinha por principal objetivo criar a Pátria Grande socialista na América Latina. Eu não preciso me estender muito sobre os resultados dessa política... Todos nós sabemos o que aconteceu nos anos seguintes.
(Aqui eu abro parêntese para uma pequena análise. A queda do Muro de Berlim não é o fim da história, mas apenas um capítulo do enorme conflito civilizacional em que estamos mergulhados. Foi um momento de readequação das três forças que lutam para instaurar um governo mundial: o globalismo americano e europeu; o chamado bloco russo-chinês (comunista); e o califado islâmico. Mas isso é assunto para outra palestra e outro palestrante. Vamos voltar à crônica dos tempos.)
O Muro de Berlim é muito mais do que uma construção de pedra. A sua função básica não era apenas separar os homens, mas sobretudo ocultar a verdade. Estou falando do muro da mentira, o muro da ideologia que oculta a realidade. E a verdade é que o regime socialista foi, até hoje, o maior genocídio da história. Se a tragédia do comunismo russo foi retratada nos livros de Alexandr Soljenítsin, especialmente “Arquipélago Gulag”, o filme alemão “A Vida dos Outros”, de 2007, é um comovente retrato do episódio que estamos discutindo aqui.
Não há dúvida de que a economia de mercado é a única forma aceitável de organização econômica. O exemplo da Alemanha é claríssimo nesse sentido. Mas eu não estou entre aqueles que consideram a falta de eficiência econômica como o maior problema do socialismo. Muito mais grave é a supressão da liberdade, o aniquilamento do indivíduo. E isso o filme “A Vida dos Outros” mostra de maneira brilhante.
Muito mais danoso que o muro de pedra, era um muro chamado Stasi — a polícia secreta da Alemanha Oriental. O lema da Stasi era “Schild und Schwert der Partei” (“Escudo e espada do Partido”). A Stasi não conhecia limites. Em 1989, quando caiu o Muro de Berlim, a polícia secreta tinha a seu serviço 91.015 agentes especiais. Como a população da Alemanha Oriental era de 16 milhões, isso significava um espião da Stasi para cada 175 habitantes. Isso sem contar os Inoffiziellen Mitarbeitern (colaboradores informais), que em 1989 eram 173.081. Os “hackers” comunistas da época utilizavam todos os meios possíveis para espionar os cidadãos: escutas telefônicas, violação de correspondências, instalação de câmeras e gravadores nas residências, cooptação de familiares e amigos das vítimas. Para a Stasi, inexistia a vida privada. Tudo era interesse do Partido. Vocês já viram isso em algum lugar?
Nas primeiras cenas de “A Vida dos Outros”, vemos um agente da Stasi dando uma aula sobre o interrogatório dos inimigos. Um dos métodos de tortura da Stasi consistia em deixar o acusado sem dormir, até que ele confessasse alguma coisa. Mas o método mais largamente utilizado pela Stasi chamava-se Zersetzung, que significa decomposição. Em outras palavras, a Stasi agia para destruir psicologicamente os possíveis adversários do regime. De posse das informações coletadas por espionagem, a polícia secreta montava um perfil político e psicológico do cidadão considerado inimigo e para atacá-lo usava seus pontos fracos — como por exemplo alcoolismo, traição conjugal, interesse por pornografia, dependências em geral. As práticas incluíam disseminação de boatos, sabotagem de carros, danos materiais, envenenamento de alimentos, tratamento médico inadequado proposital, denúncias anônimas, cartas anônimas, escutas telefônicas, telefonemas misteriosos, fotos comprometedoras (muitas vezes falsificadas). Com tudo isso a Stasi desestruturava amizades, namoros, casamentos e até o relacionamento entre pais e filhos. Pior é que vítimas em geral não sabiam que a Stasi era responsável por tudo isso. O objetivo era esgotar, desestruturar psicologicamente as pessoas para que ninguém tivesse força para contestar o regime. Esse terror psicológico transformava a vida das pessoas em um inferno. O filme “A Vida dos Outros” conta apenas um desses casos. E toca numa questão importante: os métodos da Stasi levaram a um aumento assustador do número de suicídios na Alemanha Oriental. Em 1977, a República Democrática de Alemanha se tornou o país com o maior índice de suicídios na Europa, superando a Hungria (também um regime comunista).
No entanto, mesmo em um panorama tão sombrio e desolador, há lugar para a esperança. O personagem mais surpreendente em “A Vida dos Outros” é o capitão Gerd Wiesler, oficial da Stasi. Ao ser designado para espionar um casal de artistas de teatro, o capitão Wiesler consegue enxergar o absurdo do sistema para o qual trabalhava. Toma-se de compaixão pelas vítimas inocentes e decide arriscar a carreira e a própria vida para ajudá-las. É como se o capitão da Stasi derrubasse o muro que o separava do mundo real e da condição humana. “A Vida dos Outros” demonstra que a coragem de um homem bom pode alterar o curso da história. Curiosamente, o ator Ulrich Mühe, que interpretou o capitão Wiesler, teve um papel relevante na derrubada do muro. Depois de ter trabalhado na juventude como operário na construção do muro e guarda de fronteira, ele se revoltou contra o sistema comunista e fez um discurso histórico em defesa da liberdade na Alexanderplatz, em Berlim, em 4 de novembro de 1989, cinco dias antes da queda do Muro. Mühe, um dos grandes atores do teatro alemão moderno, faleceu precocemente em 2007, pouco depois que “A Vida dos Outros” recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
O Muro de Berlim caiu, mas o muro das sombras continua em pé. Aquele garoto que há 30 anos fazia campanha para Lula levaria muito tempo até derrubar o muro de autoengano e ilusões ideológicas que hoje toma conta de grande parte do nosso sistema educacional e midiático. Derrubar esse muro das sombras é uma tarefa que só pode ser feita individualmente, no silêncio da alma de cada um. A crise civilizacional em que estamos mergulhados exige essa tomada de consciência individual, esse abrir de olhos, essa coragem moral para que o Muro da desinformação, do crime e da inversão moral não nos separe da realidade em nosso país e nosso mundo. Temos que lutar contra o muro de mentiras para que as nossas almas não se quebrem no chão.
“Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse os vales escuros, nada temerei, pois estais comigo.”

Acadêmico Sergio Alves Gomes

Para finalizar a pauta da Reunião, o Acadêmico SERGIO ALVES GOMES, na qualidade de Orador da Academia, fez uso da palavra, como já de praxe, para destacar  ideias inspiradas em algum(ns) dos temas apresentados na reunião. 
O Orador começou por lembrar que a data de 11 de agosto – a qual,  no corrente ano,  coincide, no Brasil, com o “dia dos pais” -  é também data de comemoração da fundação dos primeiros cursos jurídicos no País, ocorrida em 11 de agosto de 1827. Naquele dia, D. Pedro I  sancionou, após votada pela Assembleia Geral, a “Carta de lei” que instituiu “dois Cursos de ciências jurídicas e sociais, um na cidade de S. Paulo e outro na de Olinda” (art.1º da referida Carta de lei). Ao relembrar tal evento, o Orador destacou que os professores de tais cursos recebiam os mesmos vencimentos e gozavam “das mesmas honras” atribuídos aos desembargadores de então (art. 3º), denotando com isso a valorização do magistério jurídico pelo governo imperial então vigente. A mesma Carta estabelecia a exigência de compatibilidade dos ensinamentos  a serem ministrados em tais cursos “com o sistema jurado pela nação” (art. 7º) (Cf. VENÂNCIO FILHO, Alberto. Das Arcadas ao Bacharelismo. São Paulo: Perspectiva e Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, 1977, p. 28 e seguintes). Percebe-se aí, ressaltou o Orador, a busca de coerência entre o contido na Constituição (Lei Fundamental do país) e o ensino jurídico. É o que se espera também hoje, no Brasil, frisou GOMES, dando como exemplo os dispositivos contidos nos artigos 2º e 3º do estatuto da Universidade Estadual de Londrina que estão em total consonância com princípios constitucionais do Estado Democrático de Direito. Dentre tais dispositivos se inserem, dentre outros, por exemplo, “ o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;  valorizar o ser humano, a vida, a cultura e o saber; promover o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, social, artístico e cultural da sociedade; conservar e difundir os valores éticos e de liberdade, igualdade e democracia”.  Refletir sobre tais princípios, ressaltou o Orador, é fundamental para se compreender o papel social  da Universidade e o quanto deve ser valorizada por isso, a fim de cumprir o seu relevante múnus na construção e desenvolvimento do País, visando a promoção do “bem de todos” (Constituição Federal, art. 3º, IV).
Na sequência, o Orador inspirado no tema da palestra “30 Anos da Queda do Muro de Berlim”, apresentada com excelente competência didática pelo Acadêmico PAULO BRIGUET, lembrou e frisou que muitos muros não físicos  persistem no relacionamento humano a impedir o diálogo e a convivência fraterna. São os muros do preconceito, da ganância de poder e do desejo de dominação, da desconsideração do outro como “pessoa”. Em razão deles, vê-se um mundo com muitas formas de desequilíbrio, de miséria, de desespero que afetam milhões de pessoas, apesar de ser um mundo com o mais avançado nível tecnológico e científico nunca antes alcançado pelo homem.  Por isso, lembrou o Orador, vê-se um mundo doente em muitos aspectos e que precisa de cura, razão pela qual citou vários trechos da obra “ A cura do mundo”, de FRÉDÉRIC LENOIR, filósofo e pesquisador associado da “École des Hautes Études en Sciences Sociales” de Paris (Cf. Lenoir, Fréderic. A Cura do mundo. São Paulo: Loyola, 2014). Para LENOIR, há necessidade de se buscar um reequilíbrio no interior do indivíduo, pois “pode-se constatar que o ser humano, particularmente o homem ocidental, criou toda uma série de desequilíbrios que são [...] chaves essenciais para compreender a maior parte dos problemas com os quais nos defrontamos hoje em dia[...]: excessiva disparidade de renda, excesso de materialismo, excesso de liberdade sem comunhão nem responsabilidades ou, inversamente, excesso de laços comunitários sufocantes para o indivíduo.”  E acrescenta o pensador nascido em Madagáscar: “ Há vários séculos privilegiamos a exterioridade em relação à interioridade. O ocidental moderno tornou-se um puro  extravertido, no sentido em que ele se preocupa muito mais com as coisas exteriores, materiais, que com seu próprio universo interior. A transformação do mundo tornou-se seu principal objetivo. Ele se projetou inteiramente para fora de si mesmo para conquistar a matéria e para modelá-la segundo sua vontade. Em sua vida pessoal, ele privilegia também o que tem relação com o exterior: o aumento de seu conforto material, seu sucesso no âmbito da sociedade, sua aparência física. Não suportando mais ficar a sós consigo mesmo, o homem moderno é um angustiado que foge perpetuamente no agito, na relação, na distração. Incapaz de viver serenamente no instante presente, ele se projeta perpetuamente no futuro (que ao mesmo tempo o angustia) e torna-se escravo dos novos meios de comunicação, que o extraem de si mesmo permanentemente.” Mais adiante, LENOIR acentua: “Para desenvolver-se, o ser humano precisa tanto da interioridade como da exterioridade, tanto de meditação quanto de ação, tanto de conhecer a si mesmo como de ir ao encontro dos outros. Além disso, quanto mais sua ação for importante, quanto maior for a sua projeção no mundo, quanto mais o corpo e a matéria ocuparem um lugar determinante em sua vida, mais ele precisará se recentrar, ir  rumo à interioridade, para realmente assumir seu peso e dominar suas consequências”.
Na sequência, lembrou o Orador que, além da questão alusiva à exterioridade e interioridade, LENOIR destaca a supervalorização do hemisfério esquerdo do cérebro e o menosprezo para com o hemisfério direito, como causa de sérios desequilíbrios. Diz ele: “A dimensão lógica e racional, a do hemisfério esquerdo, desenvolveu-se pois amplamente em detrimento da dimensão intuitiva, emocional e sensitiva do hemisfério direito. [...] Ao longo dos milênios, particularmente nos últimos cinco séculos no Ocidente, esse desequilíbrio acentuou-se constantemente. A dimensão lógica, racional, verbal tem muito mais peso atualmente que a dimensão intuitiva, emocional e relacional. As qualidades do cérebro direito foram até mesmo desconsideradas como limitações – hoje em dia elas seriam consideradas freios à competitividade. Os sonhadores, os emotivos, os intuitivos, os  místicos foram vistos como personagens atípicos, relegados às margens dessas sociedades cuja aceleração eles não conseguiam, ou não queriam seguir. Agora é preciso ser reativo, metódico, racional, eficiente, duro. Esse desequilíbrio interno ao nosso cérebro não deixa de ter consequências: muitas vezes perdemos nossas capacidades intuitivas, tão preciosas; desqualificamos as emoções, seja reprimindo-as sob a crítica do mental, seja, inversamente, dando-lhes livre curso de modo anárquico; somos habitados pela fantasia de poder controlar totalmente nossa existência pela razão; intelectualizamos e codificamos o sagrado em vez de aprender a senti-lo etc. Como demonstrou Jean-Pierre Changeux, ao reorganizar nossa vida, ao organizar nosso mundo, imprimimos a marca de nosso novo ambiente em nosso cérebro. Se procurarmos desenvolver as qualidades de nosso cérebro direito, poderemos ver o surgimento de potencialidades ocultas por séculos de rejeição – que não as aniquilaram, mas apenas as deixaram em estado dormente. Cabe a nós, portanto, por meio de uma atenção e de uma mudança de atitude, proceder a um reequilíbrio entre nossos hemisférios cerebrais.”
Ao concluir a obra em apreço, FRÉDÉRIC LENOIR alerta: “A cura do mundo é um objetivo que nunca será definitivamente atingido, pois os egoísmos, os medos e os conflitos de interesses existirão sempre. Mas é um processo no qual é preciso engajar-se para inverter o declive atual que nos conduz ao desastre. Um caminho longo e exigente, mas realista. Basta saber, querer isso e colocar-se a caminho, cada pessoa em seu nível. Este é o objetivo deste livro: mostrar que existe a possibilidade de um outro estado do mundo, que as lógicas mortíferas ainda dominantes não são inevitáveis, que um caminho de cura é possível”. 
Por último - diante da temática alusiva ao “muro de Berlim” que remete para tantos outros “muros” que dividem e separam pessoas no mundo atual (muros, fronteiras, cercas), impedindo uma convivência solidária e fraterna, bem ao contrário do que consta da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10.12.1948,  (Art I: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade)  -  O orador SERGIO ALVES GOMES  leu o poema “A ponte e a Cerca”, de autoria de MARILENE MEES PRETTI (integralmente disponível para leitura na Internet), do qual fazem parte os seguintes trechos:

   A Ponte e a Cerca

“Na vida...
Podemos escolher entre ser ponte...
Que une uma margem à outra de um rio.
Ou ser uma cerca...
Que separa um território de outro.
[...]

Se formos cerca...
Estaremos dividindo... Marcando espaço...
Quando poderíamos formar elos...
Entre mundos em duelos.

Como ponte...
Podemos aumentar amizades...
Fazer elos de ligações entre comunidades...
Amar com mais intensidade...
Juntar forças entre dois extremos em inimizades.

Como cerca...
Aumentamos divisões...Isolamentos...
Deixamos a vida mais solitária...
Esquecemos de ser humanitários...
Quando poderíamos nos unir a quem necessita...
De alguém mais solidário.

Sejamos nesta vida rápida e passageira...
Ponte que une... Mensageira...
Elo de ligação...Entre nações estrangeiras...
Ponto de união...
Simples...como flor de laranjeira...
Lançando perfume com notas sublimes...
A solitários e sofridos corações...
Que tanto o mundo reprime.
[...]

É jubiloso se sentir ponte...
Ser para nossos semelhantes, verdadeira fonte...
De amizade...União...
Alguém que na hora necessária conosco conte...
Para que possamos sentir saudável o coração.
A Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa 
entrega o Certificado de Participação 
ao palestrante Paulo Briguet

Extratos da reunião de 14/07/2019

Mesa diretiva, com a presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, o palestrante 
Prof. Antonio Lucio Barizon Filho e o Acadêmico Miguel Contani

O Acadêmico Miguel Contani comandou o protocolo

Nossa Acadêmica Rosa Maria Bomfim leu o Credo Acadêmico

PAZ
A paz, não é necessariamente silêncio, mas um estado de existência, animado pela consciência da mais importante, que eu existo. A Paz, a semelhança do amor, é uma energia silenciosa na base das inúmeras manifestações que percebemos ao nosso redor. Essa paz que inunda todo nosso ser, tem a condição mágica de se expandir além do nosso campo magnético, nos tornando seres livres, leves e soltos espargindo amor universal para todas as criaturas que estejam ao nosso alcance.
A natureza expressa paz em suas florestas, nos galhos das árvores que se lançam um para os outros, formando desta forma, a Catedral da natureza. As árvores sussurrando um coro harmônico, tocam a essência do homem e fazem com que ele duvide do domínio sobre o seu mundo.
O riacho murmurante, ondulante entre as pedras emitindo sons divinos, lembra ao homem os mais preciosos momentos de felicidade de um instante qualquer. Ele traz à nossa mente a recordação de tempos idos, das caminhadas, ainda a serem empreendidas, e dos distantes lugares que desejamos ainda visitar.
As nuvens que dançam no azul do firmamento levadas pelas brisas tépidas do verão, a reação rítmica das ervas nos prados, nos faz voltar ao tempo dos sonhos da juventude e levam as pessoas a uma decisão: jamais deixar de tentar que seus sonhos se tornem realidade. Sonhar com um mundo melhor, mais amoroso, onde todas as criaturas de Deus tenham oportunidade de viver com respeito, com dignidade e qualidade de vida.
Quando observamos uma criança adormecida, a sensação de contentamento expressa em suas feições, traz a nossa mente o milagre da vida. Então, nos perguntamos: “O que há mais além do mistério da vida?”
Todos os dias, a vida adquire um novo significado à medida que os homens e mulheres se tornam mais observadores dos acontecimentos na aventura cotidiana da existência. A percepção acentuada das alegrias e tristezas de seus amigos, seus familiares e com as pessoas a seu redor, e o homem compreende que realmente se preocupa com o que acontece com seus semelhantes. Apercebe-se que a passagem da observação para o envolvimento, é uma progressão natural, e que a reação de um para com outro tornou-se ativa.
Uma vez que o homem expandiu sua essência, já sentiu a harmonia com a vida.
A paz é a energia que transmuta o conhecimento em sabedoria e estimula as aplicações que transformarão o pensamento em ação.
O homem pode desfrutar de paz, pois tem agora, conhecimento suficiente para poder corrigir muitas situações, que não são satisfatórias, porém, isso ele não faz. Está mais interessado em outras questões. Há tanto a ser alcançado pelas conquistas econômicas, que algumas vezes somos levados a pensar, se algumas tentativas (por vezes fracas), que as nações fazem para estabelecer a Paz podem, ou não, servir apenas para ocultar sua preparação para conquista que propícia sempre riqueza para poucos.
As guerras, desde que continuem a ser lucrativas, serão exageradas na medida de sua importância.
O homem pode gozar de paz, quando aceita o princípio de que a paz é uma força permanente no interior do indivíduo, e que pode ser ampliada para abranger as relações entre os indivíduos; porém até que o homem dê realmente suficiente valor a esse princípio ao ponto de aplicá-lo e vivê-lo, não haverá mudança fundamental.
Preocupamo-nos principalmente com as pressões que sentimos em determinados momentos. Nesta era complexa e tecnológica, sentimos as pressões ambientes e estamos conscientes dos problemas sem soluções e das tensões que provocam. Os homens, todavia, tem frequentemente estado em condições semelhantes.
Quase todas as épocas têm tido suas desvantagens particulares, suas tensões, seus mal-entendidos e seus problemas.
Paz é a energia que transmuta o conhecimento em sabedoria e estimula as aplicações que transformarão o pensamento em ação.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira

Marcia Chenço apresentou quatro canções líricas acompanhada pela pianista Valéria Brum e sob direção do maestro Fernando Mourão, extasiando os presentes com sua linda apresentação.
Ouça uma das canções apresentadas, clicando no link abaixo: 
https://www.facebook.com/fatimamandelli.mandelli/videos/1779959205483064/

"Aspectos gerais da medicina moderna"
Acadêmico José Luiz de Oliveira Camargo

(Nosso Acadêmico, médico, devido aos seus afazeres profissionais, ainda não teve a oportunidade de nos enviar o resumo da sua apresentação. Quando o recebermos, será inserido neste espaço).

Infografia Ilustrativa no jornalismo
Prof. Antonio Lucio Barizon Filho *

O termo infográfico provém da expressão em inglês information graphics, e é uma forma abreviada para dizer “informação gráfica”.  No jornalismo, seja na forma impressa ou digital, o emprego de infográficos é constante, sempre com o objetivo de tornar mais clara a informação e facilitar a visualização e a memorização. Eles contribuem para dar realce ao conteúdo das notícias, e para ajudar o leitor no momento de obter uma síntese do que foi narrado e dos ângulos pelos quais a notícia deve ser interpretada. 
Atualmente, com o avanço das tecnologias digitais, a infografia torna-se muito difundida e adquire ampla popularidade. Na atualidade, o veloz avanço das tecnologias modificou a maneira como as pessoas obtêm informação e organizam o conhecimento. Há também uma difundida atitude de compartilhamento, o que amplia as possibilidades de acesso e aprendizagem em meio a uma profusão incessante de dados, por seu turno exigindo adaptações e novos métodos para tornar mais eficiente a comunicação. A visualização de informações aliada ao texto cumpre essa importante finalidade e produz notáveis ganhos de compreensão, diante dos variados graus de complexidade de um fenômeno. 
A informação passa a ser apresentada de forma mais ilustrativa, como a proporcionada pela fotografia, por exemplo. Ocorre uma determinação diferenciada no uso de elementos como a distribuição das cores, o modo como os gráficos são construídos, a organização de diagramas para mostrar percursos de um fato ou de uma tendência. Também são considerados infográficos as animações e os vídeos, tão presentes no cotidiano das pessoas e das telas dos aparelhos, sobretudo os que são transportados diariamente, no bolso da vestimenta de cada um.
A infografia promove a transposição de um tipo de linguagem para outro. Ou seja, em princípio, de uma linguagem verbal para uma linguagem visual, ou de um gráfico mais técnico para um gráfico mais artístico para veicular uma informação apresentada por técnicos para um público leigo. Um construtor de infográficos realiza uma combinação entre linguagens e cabe-lhe a criatividade de promover o acréscimo de competência interpretativa por parte do leitor. O processo de criação de um infográfico é, na realidade uma operação de tradução: a informação aparece em uma linguagem e vai ser transmitida em outra. No caso da infografia ilustrativa, ocorre o predomínio da linguagem pictórica. 
A infografia ilustrativa tem a imagem como informação mais importante. Cabe ressaltar, no entanto, que não deve ser excluída a possibilidade de incorporar apontamentos como os organizados em outros tipos de infográficos que adotam a linguagem esquemática. No caso da ilustrativa, essa contribuição é convertida para ser expressa em alguma forma de imagem. Deve ser desfeito o equívoco de pensar que o emprego da imagem tem a exclusiva finalidade de capturar a atenção do leitor e promover seu deslumbramento. O que se busca, por meio de um infográfico, é apresentar a informação com uma linguagem eficiente e elucidativa. Por esse motivo, a construção da mensagem, nessas condições, requer cuidados especiais. 
A transposição de linguagens é um processo de tradução em que o significado de uma forma é transportado para um outro contexto, e irá assumir as formas contidas nesse novo destino. Ocorre uma relação diretamente proporcional, em que uma tradução visual confere a uma comunicação uma eficácia maior, quanto mais criteriosa tenha sido a escolha de linguagem realizada. Os profissionais que se dedicam a este campo estão sempre em busca de ampliar conhecimentos sobre recursos de criação, com a finalidade de aperfeiçoar o próprio repertório e produzir materiais aptos a elevar o efeito produzido pela informação na comunicação e eliminar ruídos. 
Um infográfico contém elementos de design, ilustração e informação. A combinação entre imagem e texto torna uma página mais rica de conteúdo, ao mesmo tempo que intensifica a concentração e a atenção, e desse modo promove uma leitura mais compromissada e de resultados mais satisfatórios. Aos criadores de infografias cabe a decisão de colocar o elemento certo no lugar correto. Cabe-lhes também a responsabilidade de realizar seu trabalho de modo sempre consciente, no momento de combinar imagem, palavras, números e arte – elementos que serão transportados para um universo de imagem, layout, composição, cor e tipografia. 
Um exemplo da discussão aqui apresentada é a “vista explodida”, modalidade em que um objeto é mostrado numa imagem em que os componentes são desanexados e colocados próximos do local de onde foram tirados. O raciocínio do leitor é imaginar a montagem e entender a conexão e a função de cada parte no todo. 

Fonte: O Estado de S. Paulo
Disponível em: https://www.estadao.com.br/infograficos/ciencia,por-dentro-do-alpha-crucis,952766
Acessado em: janeiro de 2019

A infografia, em seu emprego jornalístico, exerce um importante papel de mediadora entre leitor e mensagem, e seu poder está relacionado à função que a imagem exerce na cultura visual. Sua utilização crescente, entretanto, não fica restrita à área jornalística e editorial, sendo cada vez mais recorrente em outras áreas, principalmente em marketing e publicidade. A construção e a apresentação do infográfico se alteram para adaptá-lo aos objetivos da área em que é utilizado.
* Graduado em Desenho Industrial pela Universidade Estadual de Londrina; especialista em Administração de Marketing e Propaganda pela mesma universidade. Atua como designer na área de construção de marca, web design, impressos e infografia. Docente na Universidade Norte do Paraná - UNOPAR no curso de Desenho Industrial. 

Extratos da reunião de 09/06/2019

O Acadêmico Edilson Elias leu nosso Credo Acadêmico

Mesa diretiva, composta pela Presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, ao centro, ladeada pelo palestrante Dr. João Batista Lima Filho e pelo Acadêmico Orador Sergio Alves Gomes

Os homens e mulheres reflexivos sabem que o medo e a superstição sujeitam muitas pessoas ao que se poderia chamar de estado de escravidão mental. Por que, em um tipo de civilização, de outras maneiras progressistas, pode a superstição exercer tal influência e poder sobre as pessoas? Quase toda pessoa a quem nos dirigíssemos, hoje em dia, com uma pergunta categórica, negaria que é influenciada pela superstição. Afirmaria que seus pensamentos e ações se fundamentam, principalmente, na razão.
A despeito de ser a razão considerada como guia ideal e aplicação vantajosa de nossas próprias faculdades mentais, nós, mais do que percebemos, recorremos a concepções e ideias errôneas que não têm base em fatos.
O estudo das leis e princípios universais, assim como o desejo sincero, altruísta, de auto aperfeiçoamento e desenvolvimento, torna o indivíduo mais confiante no efeito de seus próprios pensamentos e nas filosofias constitutivas que nos foram transmitidas através dos tempos. A análise racional liberta a humanidade da escravização das ideias e dos pensamentos. O raciocínio é um dos grandes inimigos da superstição e das falsas ideias.
Um ponto de vista filosófico surge com o exame das ideias e a rejeição dos pensamentos baseados no raciocínio falso. Se analisarmos os raciocínios falsos, chegaremos a conclusão de que nada mais são do que falhas na maneira de pensar do homem, geralmente pelo fato de ser ele excessivamente crédulo ou excessivamente preguiçoso para pensar ou recorrer a outras fontes para obter a solução correta. 
Emocionalmente, todos nós somos em uma ou outra ocasião, afetados por problemas que nos causam preocupação. É perfeitamente natural que, de tempos a tempos, esse assunto venha a nossa mente exigindo consideração séria e conselhos confortadores para que, melhor possamos enfrentá-los. Ao mesmo tempo, deveremos compreender que não há solução específica e imediata para cada problema isolado e pessoal. Quando nos interessamos por problemas básicos emocionais, nenhuma resposta às perguntas que eles suscitam jamais será perfeitamente satisfatória, até que ela provenha do interior do próprio indivíduo.
Jamais deveremos perder de vista o fato de que enquanto vivermos como seres humanos haverá sempre problemas. É também natural, que cada pessoa se esforce para solucioná-los. Indo um pouco mais além, diremos que o homem tem possibilidades naturais para enfrentar esses problemas, pelo menos em determinado grau, no decorrer de sua existência normal.
O medo é a causa mais séria de nossas preocupações.
A preocupação é uma pequena corrente de medo que flui através da mente. Se não houver medo, não haverá preocupação. Se essa corrente que traz a preocupação, ou a constante reiteração dos problemas que perpassam pela mente, vez após vez, continuar sem qualquer descanso, estaremos agindo da mesma forma que quando criamos um hábito, isto é, criando na mente uma impressão que tornará permanente. 
Em outras palavras, essa pequena corrente de medo, que foi o início da preocupação, tornar-se-á mais volumosa. Criará na mente um canal através do qual passarão os nossos pensamentos, e no qual mais e mais pensamentos encontrarão abrigo. A pessoa que é cronicamente preocupada, inconscientemente relacionará todas as experiências, todas as atividades com as suas preocupações.
A verdade é que a preocupação se baseia no medo, e se desejarmos eliminar essa corrente de preocupações, necessário será eliminar o medo, porque afinal de contas, ter medo das consequências é também um processo de mistura ou agravamento dos problemas já existentes.
Eliminar o medo é contrariar um dos instintos humanos básicos. Toda vida animal é dotada do instinto de medo estreitamente ligado ao seu sistema glandular e fisiológico, para que possa proteger-se nas ocasiões de perigo. Portanto, o medo é, de certo modo, parte do mecanismo de auto conservação. 
Quando o medo é racionalmente explicado, ou quando a causa do medo é tornada clara, seu efeito sobre nós é diminuído.
Há o medo que nos protege através de nossos instintos de preservação, e o medo que nos apavora, tirando-nos o ânimo e a alegria de viver.
O medo, ao qual nos referimos até o momento, é o resultante de uma soma de preocupações, nem todas com fundamento real, e que se não for tratado como doença, poderá levar o indivíduo a incapacidade de viver, sem coragem de lutar por seus ideais, não acreditando em mais nada, o que poderá levá-los a uma situação trágica de não mais desejar viver. 
É o medo que deixa a pessoa congelada, sem ação, sem atitudes, sem caminhos.

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14o. ENCONTRO DAS ACADEMIAS DO PARANÁ

Após sua reflexão, a presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira solicitou ao Acadêmico Julio Ernesto Bahr que falasse brevemente sobre as providências já tomadas e a tomar referentes ao XIV Encontro das Academias de Letras, Ciências e Artes do Estado do Paraná, evento que neste ano será organizado pela nossa Academia. O Encontro será realizado nos dias 15/16/17 de novembro aqui em Londrina.


PIANO A QUATRO MÃOS
Nossa Academia teve o prazer de contar com uma audição de piano a quatro mãos, com o Prof. Thiago M. Nunes e seu aluno, o jovem Rafael Matter. Fomos brindados com uma bela música de Schubert e "Trenzinho", que foi acompanhada de guizos e sinos, imitando a viagem de um trem e sua chegada à estação. 
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ESCULTURAS EM PAPEL
Nossa Academia convidou o artista plástico Claudecir Zanon, que produz sua arte inteiramente com papel/jornal, alcançando resultados absolutamente fantásticos. 
Claudecir, agricultor de Sertanópolis, PR, trouxe algumas das suas obras, das quais selecionamos as duas abaixo, que demonstram sua incrível criatividade.


"A QUEM INTERESSA CONHECER PORTUGAL, SUA VERDADE, SUA HISTÓRIA?"
Acadêmico José Ruivo da Silva, com leitura pela Acadêmica Ludmila Kloczak
Hoje aqui trago alguns factos respingados do Jornal Semanário Português “O Diabo”. Nele, em sua quase totalidade, se encontram artigos que realmente expõem a Verdade Nacional.
Algumas imprecisões nele contidas se devem mais à ignorância de pormenores do que a uma má-fé dos articulistas.
Primeiro artigo – Jornal 22.01.2019.
O autor, Prof. Pedro Soares Martinez, assim se inicia:
Rapidamente me cansei das loas à “Magna Carta” e a Revolução Francesa”.
Porque sabia que, em Portugal, mais cedo e com muito melhor expressão, tínhamos confiado na liberdade como principio fulcral da nossa identidade.
... E, em continuidade desta nova Ordem, dita liberal, (cantada desde o golpe militar do Porto em 1820) assistiu-se à trágica substituição dos frades pelos barões, como diria Almeida Garret, que impôs que as tradições portuguesas de amor e respeito pela liberdade, fossem esquecidas e até negadas. Juntamente com a nossa História, com a nossa religião e com a nossa identidade.
Tudo quanto havia de bom em Portugal fora recebido, graciosamente dos outros, dos estrangeiros, seres de extrema bondade e impressionante desinteresse, que tudo nos davam graciosamente a troco de uma insignificância – inteira concordância e alguma submissão.
Continua o Prof. Martinez: 
O povo português nunca se conformou com este absorvente domínio e, com a possível discrição, que é sua própria, lutou contra o despotismo dos pretensos iluminados. Para isso, para que não se perdesse por completo o sentido nacional, muito contribuíram as mulheres portuguesas, a todos os níveis sociais. Ainda sabiam educar os filhos, mesmo através de múltiplas adversidades.
Como nota talvez demonstrativa deste facto: sou o mais velho de quatro irmãos e lembro-me muito bem de ter ouvido minha mãe cantar, como canção de ninar para adormecer meus irmãos mais novos, o Hino Nacional Português: “Heróis do mar...” creio nisto estar o nascimento de meu orgulho de ser português. 
Em um outro parágrafo, mais adiante, escreve o Prof. Martinez:
A verdade sobre o passado português impõe-se a monárquicos e a republicanos, a hesitantes e mesmo a inconstantes, desde que a inconstância lhes não perturba um mínimo de decoro e respeito à Verdade. E desde que aprendem a ler; o que embora pareça estranho, está sendo raro. (Analfabetos funcionais lá, como cá).
Duvidoso é que um princípio geral de respeito à liberdade nos tenha vindo dos Romanos, ou talvez das instituições Visigóticas o que é certo é que um princípio geral de respeito pela liberdade pessoal foi consagrada numa lei de D.Afonso II, (o terceiro rei de Portugal) a qual, nas “Ordenações Afonsinas” receberam nos seguintes termos:
“Que o homem livre, livremente possa fazer de sy o que lhe aprouver, escolhendo o seu trabalho, o seu amo, a sua morada, e as suas companhias”. (Ordenações Afonsinas, I.IV.XXV).
Maior relevo foi dado pela antiga legislação portuguesa à liberdade de casar:
“Porque os matrimônios devem ser livres, por Vontade Verdadeira, segundo manda a Santa Igreja”. (Ordenações Afonsinas L.X)
Ainda o Prof. Soares Martinez:
O mesmo respeito à Liberdade ditava as numerosas regras de proteção às comunidades hebraicas e islâmica, contidas nas Ordenações Afonsinas. Em sequência da Legislação do Reino de Leão, as Leis portuguesas não só concederam a todos, judeus e mouros, liberdade de culto, como reconheceram os respectivos direitos próprios e as respectivas magistraturas. De tal modo que, relativamente as questões suscitadas entre os membros da comunidade hebraica ou comunidade islâmica, eram a Torah judaica ou o Alcorão, os textos legais aplicáveis pelos rabinos ou pelos alcaides islâmicos, que acumulavam, com os encargos do culto religioso, as funções judiciais, tanto civis como criminais. Das sentenças desses juízes, se podia recorrer, por apelação ou por agravo, para juízes cristãos ou para o Rei, mas os respectivos processos seriam desembargados pelos direitos dos judeus ou mouros.
Em nota:
As Ordenações Afonsinas foram uma compilação das Leis anteriores que o Rei D. Afonso V – mandou reunir e codificar, e que se juntaram às Leis próprias. Lembro que as leis sobre a Liberdade vinham de D. Afonso II (1212 a 1230). A Magna Carta foi entregue em 1215 e apenas diziam respeito aos barões e aos burgueses. O povo continuava escravo ou servo. E as primeiras Cartas de Foral (¹) foram dadas em 1170, por D. Afonso Henriques às Comunidades Islâmicas de Lisboa, Almada, Palmela e Alcacer do Sal. Aí lhes eram oficialmente reconhecidos os direitos à convivência pacífica com os cristãos e judeus, a viverem de acordo com as suas próprias leis e costumes e a continuarem na posse de seus bens. Era-lhes também reconhecido o direito de elegerem alcaides próprios, com jurisdição nos campos administrativos e judicial, e com o apoio de outros funcionários também próprios, nomeadamente tabeliães e escrivães. (História Religiosa de Portugal – vol. I – pg.106).
Diz ainda o Prof. Martinez:
Era proibido obrigar alguém, contra sua vontade a receber o batismo. Proibia-se também a violação dos cemitérios de judeus ou Mouros, ou qualquer perturbação de suas festas. Estava vedado aos juízes e outras autoridades para comparecer em tribunal nos dias de Sábado ou Páscoas judaicas. Mesmo depois da expulsão dos judeus e mouros do continente, nos Territórios Ultramarinos de Portugal, judeus e mouros lá terão conservados os seus cultos, continuando a observar de facto e de direito, as regras de proteção constantes das Ordenações Afonsinas.
Em nota:
Lembro-me de que, durante a guerra do Ultramar, em que numerosos islamitas integraram as forças militares portuguesas, terem vindo visitar Portugal seis dirigentes islamitas. Visitaram Fátima e, na explanada, colocando seus tapetes de oração, de joelhos oraram em veneração a Fátima, a filha de Maomé, que dera o nome à facção Fatimida.
O respeito da liberdade e dos sentimentos de todos não respeitavam apenas judeus e mouros, pois abrangia mesmo os escravos negros, que os portugueses conheceram pela primeira vez, quando  já  no Século XV, desembarcaram em Lagos, os que tinham sido oferecidos por chefes indígenas aos capitães das naus. E, embora a legislação impusesse aos senhores de escravos que os batizassem, essa obrigação cessava, se os escravos não quisessem ser batizados.
Destes preceitos se conclui que o antigo direito português respeitava a personalidade moral  dos escravos; donde, querer que fosse batizado; mas também a sua vontade, admitindo-se que não quisesse ser batizado.
(¹) Carta Foral 
Documento emanado pelo Monarca, pelo qual se constituía o Conselho, se regulava a sua administração e se indicavam seus limites e privilégios. Na Idade Média, concedia aos moradores de uma dada região autonomia municipal, e regulamentava  a forma de administração.
Continua o Prof. Martinez:
Estes preceitos, só por si, imporiam que se estudasse em termos adequados, o que foi a escravatura em Portugal. A escravidão de negros foi, por assim dizer, imposta aos portugueses nas suas relações comerciais, com os povos tribais, uma vez que o escravo era a moeda de troca nas operações de compra e venda.
Ainda o respeito à dignidade familiar: as leis emanadas de D. João III, proibiam a venda de um escravo casado, separado de sua família. Com o escravo pai de família teriam de ser comprados juntamente a mulher e os filhos. A transação englobava obrigatoriamente toda a família. 
Não assim no Romance “A Cabana do Pai Tomaz”.
Não recordo aonde li os pormenores; mas o inicio do transporte de escravos negros para as Américas se deu em Espanha. Eram eles trazidos para Sevilha e dali levados para a Nova Espanha (Cuba). Este comércio era monopólio de um inglez que pagava uma moeda de ouro por cada escravo que traficava, à Rainha de Espanha. (Izabel Católica). Terminado o prazo do primeiro contrato, um segundo inglez, obteve o mesmo monopólio.
Ainda seguindo o Prof. Martinez:
O mesmo respeito à liberdade se reflectia na legislação penal portuguesa, pois de harmonia com o regime de Degredo, as penas eram geralmente cumpridas em julgados hábeis.  E assim eram muitos os que se regeneraram, o que normalmente se não consegue através do regime penitenciário actual.
Na Austrália, aonde vivi por quási dois anos, me disseram que a que a última leva de condenados a trabalhos forçados, ali chegou, creio que em 1906, tendo sido leiloados como escravos para servir os seus donos durante os anos de duração das penas
“Aqui temos um excelente sapateiro...”
“Quem dá mais...”
Mas os anglo-saxões americanos (panfleto “O Destino Manifesto”) e os ingleses (Magna Carta) os suecos, os franceses, os russos, os alemães, pretendem ensinar-nos o que é liberdade, e como é vivida no dia a dia...
Vale a pena registrar o fecho do artigo do Prof. Martinez:
O respeito à liberdade não nasceu entre nós, em 1820. Mas compreende-se que a repugnância pelo absolutismo Josefino, ou Pombalino, despertasse um novo culto pela liberdade prometida pelo vintismo. Os homens desenquadrados costumam ser lentos na compreensão de que as promessas de liberdade os podem encaminhar para as veredas sombrias das mais implacáveis servidões.
Até aqui os comentários ao artigo do Prof. Pedro Soares Martinez. E me parece que o escrito é um marco fundamental na comemoração do Dia de Portugal.
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"ASPECTOS GERAIS DA MEDICINA MODERNA"
Acadêmico José Luiz de Oliveira Camargo
Nosso Acadêmico, médico, fez uma breve exposição sobre o tema acima. Devido aos seus compromissos profissionais, não houve ainda a possibilidade de nos enviar seu tema por escrito. Assim que o recebermos, será inserido no site.


"GERONTOLESCENTE, O ADOLESCENTE DA MATURIDADE"
Dr. João Batista Lima Filho *



O ilustre palestrante apresentou um tema voltado para a terceira idade, demonstrando um gradual aumento da expectativa de vida, com várias fotos, infográficos e gráficos. Assim que recebermos seu texto, o mesmo será inserido no site.


O Dr. João Batista Lima Filho recebendo das mãos da presidente
Pilar Alvares Gonzaga Vieira uma das esculturas do artista
Claudecir Zanon e seu Certificado de Participação
Com a escultura e o seu Certificado de Participação
Acadêmico Sergio Alves Gomes
Para finalizar a pauta da Reunião, o Acadêmico, na qualidade de Orador da Academia, fez uso da palavra, para destacar algumas ideias inspiradas nas várias apresentações que o antecederam (Palavra da Presidente, Momento de Arte, Destaques Acadêmicos e Palestra). De início, a partir das reflexões expostas na abertura da reunião, pela Presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira, o Orador frisou que, realmente, vive-se hoje muitas modalidades de medo, ao ponto de se caracterizar a sociedade também como uma “sociedade do medo”, na qual se manifestam,  exemplificativamente, várias modalidades de medo: medo da vida, medo da morte, medo do outro (xenofobia), inclusive há muitos governos que adotam o “discurso do medo”, acenando à população com desgraças, tragédias possíveis, catástrofes (principalmente financeiras), caso não haja adesão desta a seus planos estratégicos que visam, em verdade,  a permanência no poder. Há os que apostam na irracionalidade e não no conhecimento científico. Simpatizam-se mais com atitudes bélicas e armas do que com o empenho em prol da educação e do verdadeiro desenvolvimento integral das pessoas. 
Em seguida, o Orador apontou como a verdade e a beleza são fundamentais na vida humana e se manifestaram na reunião de hoje mediante a Música (com destaque para Schubert), as Artes Plásticas (representadas pela obra  do artista plástico Claudecir Zanon) e o conhecimento científico (histórico, na palestra do Acadêmico José Ruivo da Silva, sobre a História de Portugal; e o saber oriundo das ciências médicas, exposto pelo Acadêmico, médico e Professor José Luiz Camargo - ao falar sobre “aspectos gerais da medicina moderna” – bem como pelo palestrante convidado, o  ilustre médico  João Batista Lima Filho, com sua magnífica palestra sobre “Gerontolescente, o adolescente da maturidade”.
Tais apresentações estão vinculadas, de alguma forma, a dois elementos fundamentais no desenvolvimento da cultura humana: O livro e a leitura. Nenhuma área científica, filosófica, artística ou religiosa se desenvolve sem a capacidade de leitura (visando a interpretação de fenômenos naturais e humanos) e sem a presença dos livros. Por isso, o Orador iniciou a reflexão (apesar da brevidade do tempo, ao final de longa mas profícua reunião dominical) sobre o significado e importância dos livros e da leitura, infelizmente pouco apreciados por muita gente, nesses “tempos líquidos”, de pressa e superficialidade. 
Para destacar a importância da leitura, citou trechos de artigo de autoria de MARCOS DA  VEIGA PEREIRA (Presidente do SNEL-Sindicato Nacional dos Editores de Livros e da Comissão da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro), publicado na Folha de São Paulo (Tendências/Debates), em 06 de junho de 2019. O título do artigo sintetiza a ideia central da reflexão do autor: “Leitura como ato de resistência: Antídoto para a distopia que desponta como ameaça”.
Pereira pergunta: “Que nação estamos construindo ao deixar em segundo plano o debate sobre educação e cultura para colocar no centro das atenções a ampliação do direito ao porte de armas? Para qual horizonte olhamos ao abrir clubes de tiro a jovens enquanto cortamos investimentos em educação, em pesquisa e em cultura? Será um imenso desperdício deixar que a discussão sobre as prioridades nacionais seja balizada pelo viés ideológico. Não se trata de ser de esquerda ou de direita. Este campo é minado, e nele ninguém vence guerra alguma – pelo menos não a batalha que precisamos ganhar para que o Brasil entre no time das nações com esperança e futuro. [...] A melhor forma de resistir, hoje, é por meio da leitura. Simplesmente ler. Vamos ouvir o recado revolucionário da jovem paquistanesa e esparramar livros como obstáculos aos caminhos do fundamentalismo e das tiranias. Vamos tirar a poeira das nossas bibliotecas, revisitar os clássicos, separar os livros para doar, frequentar livrarias, baixar aplicativos de leitura, dar livros de presente, ler histórias para nossas crianças. São pequenas e cotidianas ações, mas imbuídas do imenso propósito de não aceitar o atraso. Para cada ataque à educação, é preciso dobrar a aposta em livros. E continua o articulista citado pelo Orador: “A leitura pode ser o antídoto para a distopia que desponta como ameaça no horizonte da sociedade brasileira. [...] Sabemos que abrir um livro hoje, muitas vezes, parece mais difícil do que era para os nossos pais. Nossos cérebros se viciaram em estímulos eletrônicos, fracionados e efêmeros. A modernidade, que trouxe tantas conquistas e opções, nos afastou dos livros e do imperecível. Mas é preciso resistir. É preciso ler”. 
Na sequência, o Orador introduziu a obra “ELOGIO DA LEITURA”, de Gabriel Perissé (Barueri/SP. Manole: 2005) e dela citou os seguintes trechos: “Ler é fogo! E os que gostam de ler são incendiários, querem queimar sua inconsciência e a dos outros com teorias e poesia (p.1). [...] Os livros queimam por dentro. Mas os livros não são um fim em si mesmos. Lemos os livros para aprender a ler o mundo. A leitura não é linear nem se restringe à leitura de livros, revistas, folhetos, papéis novos ou mofados, em atmosfera rarefeita. É justamente o oposto. A leitura é louca pela vida, é louca como a própria vida. Com os livros, aprendemos a ler a vida” (p.2)
Ainda da mesma obra de Perissé, o Orador destacou um poema de Ricardo de Azevedo, nela assim transcrito:
“AULA de leitura
A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser pare pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar, 
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa, 
se trabalha ou se é  à- toa;
na cara do lutador, 
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pelo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
e também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar. 
Em seguida, o Acadêmico Orador citou várias frases de literatos e pensadores, envolvendo o tema “Livros”, extraídas da obra “A Paixão Pelos Livros”, organizada por Julio Silveira e Martha Ribas. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. 
Eis algumas de tais frases e seus autores: “Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca” (Jorge Luis Borges);  “Alguns livros devem ser provados, outros engolidos e muito poucos devem ser mastigados e digeridos” (Francis Bacon); “Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come” (Victor Hugo); “Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma” (Franz Kafka); “Um quarto sem livros é como um corpo sem alma” (Cícero); “Uma casa sem livros é como um quarto sem janelas” (Heinrich Mann).
Para demonstrar como os livros e a sua  leitura causam medo às tendências totalitárias e autoritárias, por representarem conhecimento, cultura, ideias, valores vinculados à expansão dos horizontes da compreensão (que dificultam o domínio mediante um pensamento único, uma ideologia ou um único partido político), o Orador lembrou célebre frase do poeta judeu alemão Heinrich Heine (1797-1856), que profetizou o que viria acontecer durante o domínio nazista, mais de um século após sua previsão confirmada pela queima  de livros, já no início da ascensão de Hitler ao poder (1933). É lapidar a frase de Heine, aproveitada em memorial que se encontra na Praça Bebel (“Bebelplatz), em Berlim, em frente a Universidade Humboldt, pois foi nesta praça que ocorreu, em 1933, a histórica queima de livros, pelos nazistas. Disse Heine: 
“ONDE QUEIMAM LIVROS, ACABAM QUEIMANDO HOMENS” (Heinrich Heine, obra “Almansor”, 1821).
E o que aconteceu nos campos de concentração, pouco mais de cem anos após a célebre frase?  Basta ler o que nos conta a recente História. Milhões de seres humanos foram transformados em fumaça, nos crematórios do totalitarismo. Livros e leitura são indispensáveis também para o conhecimento aprofundado dos horrores que não devem ser esquecidos para jamais se repetirem.  
Portanto, diante disso não há como negar razão a Marcos da Veiga Pereira, quando apregoa enfaticamente a “Leitura como ato de resistência”. Resistência a toda e qualquer ideologia totalitária e autoritária (seja de direita ou de esquerda). Resistência à mentira, às “fake news”, à ignorância. Mas leitura livre e tranquila só se desenvolve no espaço democrático. E também os livros só aí, na Democracia, estão livres da fogueira, como quer nossa vigente Constituição Federal da República, de 1988 que vem sendo, frequentemente, desconsiderada. Isso sim, é de dar medo.  
Ao final, o Acadêmico Sergio Alves Gomes agradeceu a todos os presentes pela atenção à “PALAVRA DO ORADOR”.