Extratos da reunião de 14/10/2018

Mesa diretiva: da esquerda para a direita os Acadêmicos Fátima Mandelli (Secretária),
Sergio Alves Gomes (nosso Orador) e Dinaura G. Pimentel Gomes
(a palestrante do dia)

Leitura do Credo Acadêmico, por
Julio Ernesto Bahr

Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Mattos,
conduziu as apresentações



Um mundo melhor começa comigo!
Pilar Alvares Gonzaga Vieira

Com frequência, ouvimos comentários, nos dias de hoje, no sentido de que grande parte das nações e das pessoas do mundo, encontram-se em um estado de intensa inquietação mental e física em uma intensidade jamais vista durante séculos; nos parece que o mundo encontra-se em um estado mental confuso, e que isto gera infelicidade, misérias e retardamento do progresso, sob todas as suas formas.
De todas as expressões culturais que o homem tem promovido, com certeza a religião e a filosofia são as maiores e as de resultado mais amplo. A religião e a filosofia, a ligação mais íntima do homem com a verdadeira sabedoria, representam o que poderíamos chamar de produtos mais seletos da realização cultural do indivíduo. Nelas encontramos a mais pura expressão do sentimento e a razão com o devido equilíbrio, sentimos a mais plena manifestação das potencialidades do homem. Nesse equilíbrio, temos a clareza da vida dos seres humanos se encaminhando para um fim determinado.
O homem tem dado provas de realizações humanas, de muitas formas. Deveremos, entretanto, compreender que a filosofia e a religião são os meios pelos quais o ser humano pode se transmutar, do ser físico que normalmente é, em ser divino que é potencialmente, ou poderemos dizer, o indivíduo pode se transmutar de homem em deus.
Vivemos numa era de materialismo, porém esta não é uma situação nova. O materialismo já foi a filosofia dominante na sociedade humana.
Os valores mais significativos da vida estão sendo ameaçados de todos os modos possíveis; apesar da ciência e da física terem feito conquistas que influenciaram no desenvolvimento do domínio do meio ambiente, há no momento preponderância da natureza animal se expressando nas atividades humanas em todo o mundo.
Este fato explica, em parte, porque há tanta discórdia e miséria, tantos conflitos ideológicos, grupos doutrinários opostos em pensamento na religião, e facções políticas antagônicas em quase todas as sociedades humanas. O homem vê a civilização ameaçada por forças sobre as quais ele nenhum controle tem, e vive em maior temor do que é coerente com as realizações da civilização da qual faz alarde no momento.
Poucos negam que o mundo necessita de uma reafirmação de valores espirituais que têm sido fomentados e sustentados pelas grandes religiões e sistemas filosóficos que surgiram em vários períodos da história da evolução do homem. Se essa reafirmação dos valores espirituais puder ser combinada com a utilização das descobertas das ciências modernas, o homem então terá dado um grande passo a frente em seu processo evolucionário.
Mais do que qualquer outra coisa, o homem necessita de coordenar todos os recursos da civilização e todas as realizações de seu pensamento.
Necessitamos de harmonia e coordenação entre todas as realizações do homem. O homem precisa de uma filosofia de ciência e de uma ciência de filosofia, uma equilibrando a outra. Assim, a maior contribuição que o homem pode prestar a esta era (esta moderna era a que nos referimos como século XXI) é a coordenação do conhecimento existente, a qual tem que ser concluída pela reafirmação, por parte do homem, de seus verdadeiros valores e de sua verdadeira relação para com o Divino e, pela sua cooperação com as conquistas da ciência.
Pela combinação de todas as forças culturais e científicas do homem e pela associação dessa combinação com seu discernimento espiritual e as potencialidades psíquicas, terá o homem dado um grande passo para a compreensão final de seu destino e de seu devido lugar no universo.
No momento, a inquietação em todo mundo em questões espirituais, políticas e financeiras é, de muitas maneiras perturbadoras, porém, tratam-se de perturbações construtivas, que muito se assemelha a demolição para que se possa erigir uma nova construção. Demolimos velhos conceitos para incrementarmos os novos que nos trarão mais conhecimentos para melhor lidar com a vida e as pessoas.
Isto é verdade quanto ao mundo atual. As nações podem estar brigando umas com as outras, exigindo, isto, aquilo, e outras coisas mais, que, em sua maior parte, não obterão, entretanto, dessa agitação dessa lista e dessa inquietação, muitas coisas mais construtivas nascerão, muitas das quais, talvez não se venham a manifestar nos cem anos seguintes.
Nada há mais retrógrado, mais prejudicial ao progresso do homem, individual e coletivamente, do que uma atitude de absoluta satisfação.
O progresso de uma nação e dos indivíduos que a compõem dependem da busca incessante de conhecimento contínuo para a formação de uma sociedade politizada e consciente de seus deveres e obrigações recíprocas. 


A artista plástica Marlene Pedalini Bórmio abrilhantou o Momento de Arte apresentando três das suas obras, pinturas a óleo sobre telas. Marlene frequenta o atelier de arte de nossa Acadêmica Saide Maruch. Reproduzimos as três obras a apresentadas:





 
O Que Aprendi com a Depressão
Jan Luiz Lluesma Parellada *

A exemplo de tantos dilemas, há duas notícias sobre a depressão, uma boa e outra ruim.
A boa é que a probabilidade de sofrer de depressão é de 30%, em outras palavras, 3 de cada 10 pessoas sofrerão pelo menos uma crise de depressão durante a vida, logo 70% passarão impunes por ela. Não sei quanto a você,  mas considero 70% de chance de não experimentar os terríveis sintomas de uma crise de depressão um número muito bom.
A notícia ruim é que, considerando que cada um dos deprimidos afete seriamente a vida de pelo menos uma pessoa muito próxima, cônjuge,pais e filhos em especial , a equação final resultará em 60% de vidas abaladas pela doença.
A minha experiência pessoal foi marcada por 4 crises da doença que repetiram-se em intervalos regulares de 10 anos, ou seja, uma depressão por década dos 17 aos 52 anos. A pior crise foi a primeira, não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, eu era um jovem saudável, cursando com sucesso o segundo semestre do curso de Agronomia na Universidade Estadual de Londrina, quando um pesadelo inimaginável  bateu na minha porta. A verdade é que ninguém, nem os profissionais de saúde mental da época, conseguiram disgnosticar o episódio depressivo, diferente do que ocorreu em maio de 2014, quando a doença voltou de forma totalmente inesperada porém nítida, aos meus 52 anos de idade, durante uma bela viagem de turismo a Buenos Aires.
Tratando-se de uma doença emocional, me parece óbvio que a depressão não surja do nada, e esconda, “sempre”, algum evento marcante por trás de cada episódio. O grande problema é a frequente dessincronia entre um provável trauma e a ocorrência da crise depressiva. Digo, provável, porque conheço casos, inclusive o meu, onde não é possível identificar nenhum trauma insuperável, alguma tragédia, que pudesse justificar a severidade inacapacitante dos sintomas de um episódio depressivo, os quais, no meu caso, ocorreram em épocas inusitadas da minha vida.  Em 2014, eu tinha um bom casamento, um bom emprego, ótimos filhos, pais e irmãos saudáveis, e nada disso impediu que o “gatilho” da depressão fosse disparado.
Diante de tal paradoxo, adotei  como uma questão fundamental para minha sobrevivência com dignidade, decifrar a doença e desenvolver estratégias para combatê-la . Como elas funcionaram, há cerca de 2 anos encontro-me melhor do que nunca,  resolvi descrever essa experiência na obra “O Que Aprendi com a Depressão” , publicando-a em outubro de 2018. A minha esperança é de que o conteúdo do livro possa ser de grande utilidade, tanto para as vítimas da depressão quanto para aqueles que sofrem ao lado deles.
*Escritor, autor de vários livros
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Um bourbon para Faulkner
Acadêmico Marco Antonio Fabiani

O Acadêmico Marco Antonio Fabiani fez uma breve apresentação anunciando seu novo livro, a ser lançado em Londrina no próximo dia 23 de outubro.
A narrativa do livro se inicia no dia 8 de agosto de 1954, um domingo nublado, quando William Faulkner, um dos maiores escritores norte americanos desembarcou em São Paulo. Um homem baixinho, encrenqueiro e beberrão, que passaria uma semana no Brasil, participando do Congresso Internacional de Escritores. Ou, pelo menos deveria participar. Pisou em solo brasileiro com a incumbência de fazer a aproximação cultural entre as Américas. Tudo certo, se ele não fosse o senhor Faulkner. Se ele, um gênio literário, não tivesse aversão a rapapés e conversas tediosas sobre literatura. 
O escritor não foi ao Congresso. Durante as noites foi ao bar do Esplanada Hotel e travou uma inesperada amizade com o garçom João Clark, ele um descendente de americanos que chegaram ao Brasil logo após a Guerra da Secessão.
Esse é o fio condutor do romance “Um Bourbon para Faulkner.” A história mistura fatos históricos com personagens e situações ficcionais, onde a relação de Clark e Faulkner (Bill, como ele prefere ser chamado) impacta a vida de ambos. Ao mergulhar na memória das famílias, emerge um passado comum, pontuado por guerra, paz e superação.
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XIII Encontro das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná
A Acadêmica Fátima Mandelli trouxe informações sobre o próximo Encontro das Academias do Paraná, que se realizará de 22/11a 24/11 em Maringá, convidando nossos Acadêmicos a participarem - assim como participamos em edições anteriores.
A programação incluirá palestras, oficinas literárias, show com o artista Arnaldo Antunes e a premiação dos concursos literários da cidade, além da eleição da nova diretoria da Associação das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná.
Maiores informações serão enviadas aos nossos Acadêmicos.



Direitos Fundamentais consagrados pela Constituição Federal de 1988 e o retrocesso civilizatório espelhado na recente Reforma Trabalhista 
Acadêmica Dinaura Godinho Pimentel Gomes *

O trabalho é tão antigo quanto o homem. Entretanto, o Direito do Trabalho é uma criação recente, porque, na antiguidade clássica, prevalecia o menosprezo pelo trabalho humano. 
Trata-se de um Direito de conquista, o que vem demonstrado por uma rápida retrospectiva histórica, cumprindo ressaltar, antes de tudo, que o regime escravagista no Brasil foi abolido apenas há 130 anos.
Mesmo nas sociedades ideais dos filósofos, na república platônica e na política aristotélica, o trabalhador, submetido à escravatura, permanecia à margem da vida como objeto de propriedade de alguém e jamais visto e reconhecido como pessoa.       
Na Idade Média, predominou o trabalho agrário, de servidão à gleba. Mantinha-se a subordinação pessoal e total dependência do trabalhador camponês ao senhor feudal, o era transmitido de geração a geração. 
Somente após as Revoluções Liberais dos Estados Unidos, em 1776, e da França, em 1789, decorreu o declínio do absolutismo e deu ensejo à formação do Estado Liberal Primitivo. 
Entretanto, o sistema político e jurídico do Estado Liberal foram organizados apenas em função da salvaguarda dos direitos civis e políticos, voltados à garantia do exercício da liberdade e da igualdade de uma sociedade de proprietários. 
Esse modelo de Estado propiciou a formação do capitalismo industrial, quando se estruturou a relação basilar desse sistema de produção capitalista, a relação de emprego. Deu origem à classe operária e a liberdade econômica sem limites com opressão dos mais fracos. Permitiu-se a fixação de salários ínfimos, jornadas desumanas e condições de higiene degradantes.
A passagem do Estado Liberal para o Estado Social rendeu ensejo à reformulação do papel do Estado, passando a ser necessária sua intervenção nas questões sociais e no modo de produção capitalista.  
Dá-se assim a passagem do Estado Liberal para o Estado Social, mediante a reformulação do papel do Estado, inclusive para salvar o próprio capitalismo. A intervenção do Estado na organização e direção do processo econômico, passa a assegurar a proteção das grandes massas da população, mediante a devida regulamentação do trabalho, garantindo direitos, condições mínimas de trabalho e de vida dos trabalhadores. 
É assim que, em face da formação de uma consciência coletiva, jungida ao sentimento de solidariedade, emerge o Direito do Trabalho. Tem por fim dar equilíbrio à principal relação formada por forças capitalistas, mediante uma legislação predominantemente imperativa, de força cogente e irrenunciável pelas partes.       
O Estado Democrático de Direito, que temos hoje, superou as duas marcas do anterior constitucionalismo. Emergiu do processo de transformação política, econômica, social, cultural e jurídica, a partir dos finais da Segunda Guerra Mundial, principalmente como resposta às atrocidades da Era Hitler, através da instituição de normas  de Direito Internacional de Proteção dos Direitos Humanos, no âmbito global.         
Os valores jurídicos do Estado Democrático de Direito revelam-se em torno da pessoa humana. A dignidade humana vem erigida como a viga mestra dos direitos fundamentais e o trabalho humano passa a ser reconhecido como valor social, tal como estabelecer a Constituição da República Federativa do Brasil, em vigor desde 05 de outubro de 1988, em total sintonia com os Tratados Internacionais dos Direitos Humanos.
Nesse contexto democrático, o trabalho, portanto, assume o caráter de ser o mais relevante meio garantidor de um mínimo de poder social da grande massa da população, que é destituída de riqueza. Assim, não se pode instituir democracia sem um correspondente sistema econômico social que valorize o trabalho humano.
Em sintonia, eis o que estabelece de forma imperativa, o art. 170: “a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da Justiça Social”.
A finalidade do Direito do Trabalho consiste justamente em equilibrar essa relação assimétrica do sistema capitalista de produção desprovida, em sua origem, de igualdade econômica e social, em face do poder diretivo e disciplinar do empregador. Para tanto, concede à parte mais fraca e juridicamente subordinada – o empregado - garantias e vantagens, por meio de normas protetivas e de caráter imperativo, em vista da realização da Justiça. Com isso, esse ramo do Direito democratiza a relação de emprego inspirado no princípio da igualdade jurídica em sentido material. Nesse contexto de plena evolução de reconhecimento e eficácia dos direitos sociais fundamentais -  dentre os quais, os direitos dos trabalhadores -  a recente Reforma Trabalhista introduz, no ordenamento brasileiro, novas regras voltadas, não raro, à satisfação de interesses patronais tendentes à redução de custos e ao consequente aumento de lucros, através da flexibilização de direitos e normas trabalhistas. 
Como se vê, o Direito do Trabalho é, de fato, um direito de conquista. Sua finalidade consiste trazer equilíbrio nessa relação assimétrica do sistema capitalista de produção.  Com isso, esse ramo do Direito democratiza a relação de emprego inspirado no princípio da igualdade jurídica em sentido material. 
Princípios que informam o Direito do Trabalho, seu próprio embasamento, como diretrizes para o legislador e para a interpretação no âmbito jurisdicional pertinente: 
1. Princípio de Proteção;
     1.1 Princípio da norma mais favorável; 
     1.2 Princípio in dubio pro operario; 
     1.3 Princípio da condição ou cláusula mais benéfica;
     2. Princípio da imperatividade das normas trabalhistas;
     3.Princípio da irrenunciabilidade de direitos trabalhistas;
     4. Princípio da inalterabilidade contratual lesiva;
     5. Princípio da irredutibilidade salarial;
     6. Princípio da primazia da realidade sobre a forma;
     7. Princípio da continuidade da relação da emprego.
No seio do Estado Democrático de Direito, constitui impostergável tarefa dos poderes públicos competentes, à luz da Constituição Federal, estabelecer diretrizes para o exercício da atividade econômica tendentes à formalização de uma ordem futura capaz de garantir, eficazmente, o direito à vida com dignidade.  E é por meio do trabalho decente que a maioria das pessoas se torna incluída no âmbito social e econômico, em  condições de  traçar seu próprio destino, no pleno exercício de sua autonomia e cidadania.
Nesse sentido, o Direito do Trabalho vem conceituado como conjunto de princípios, regras, valores e instituições aplicáveis de forma cogente à relação de trabalho. Todavia, a recente Reforma Trabalhista - Lei n.13.467, de 13 de julho de 2017 - ao introduzir modificações e novos artigos à Consolidação das Leis do Trabalho e em leis específicas, rompe com a principiologia humanística e social, objeto de conquista há séculos, no sentido de se manter a centralidade de toda pessoa,  no Ordenamento Jurídico, em prol da defesa da dignidade humana e do acesso ao trabalho decente. 
Como se vive em uma sociedade de trabalho, forçoso é valorizar sobremaneira o trabalho humano, principalmente diante das reformulações introduzidas pela utilização de tecnologias digitais associadas a técnicas de automatização. Nesse contexto, o desenvolvimento econômico e social do país depende basicamente da educação de qualidade, em vista da necessidade de acesso à qualificação da mão de obra. 
Entretanto, a nova lei, em seus artigos inseridos na Consolidação das Leis do Trabalho, ao estimular a terceirização trabalhista – que é uma das formas de flexibilização –  impossibilita a necessária capacitação permanente em favor de todo trabalhador:
Art. 4o-A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. 
§1o  A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços. 
Nesse contexto, causa perplexidade o fato de a nova lei autorizar a toda e qualquer empresa, sem qualquer distinção, a terceirização de suas próprias atividades essenciais, o que poderá conduzir empresários a concentrar as finalidades de seus empreendimentos na obtenção do aumento das margens de lucro. 
Para os trabalhadores, essa estratégia da terceirização igualmente afronta o princípio da dignidade humana, bem como afronta o princípio da progressividade social, pois desconecta o empregado da empresa e o afasta de quem desenvolve a mesma profissão. Um terceirizado pode, assim, diante das flutuantes necessidades do mercado, exercer num curto espaço tarefas que não têm a menor identidade uma com a outra. As Carteiras de Trabalho dos terceirizados são a melhor prova de que eles, sem pouso, saltitam entre construtoras, restaurantes, bancos, condomínios, magazines, supermercados e outros tantos estabelecimentos, como se estivessem a demonstrar, até não mais poder, que a sua instabilidade profissional produz isolamento e enfraquecimento sindical com evidente violação da progressividade social. 
A questão mais estarrecedora diz respeito à rotatividade desmesurada dos trabalhadores a enfraquecer o exercício de sua cidadania. 
Justamente para equilibrar a relação de emprego, o Direito do Trabalho limita os poderes diretivo e disciplinar do empregador em prol da realização do ideal de justiça, justamente para compensar as desigualdades iniciais. 
Nesse cenário, a Reforma Trabalhista de 2017 desnatura o próprio Direito do Trabalho, ao desconsiderar um de seus princípios basilares, o princípio de proteção, que se refere ao critério fundamental que orienta o Direito do Trabalho pois este, ao invés de inspirar-se num propósito de igualdade, responde ao objetivo de estabelecer um amparo preferencial a uma das partes: o trabalhador. Enquanto no direito comum uma constante preocupação parece assegurar a igualdade jurídica entre os contratantes, no Direito do Trabalho a preocupação central parece ser a de proteger uma das partes com o objetivo de, mediante essa proteção, alcançar-se uma igualdade substancial e verdadeira entre as partes.  
Entretanto, a lei de Reforma Trabalhista desconsidera o princípio de proteção e o princípio da igualdade em sentido material. Facilita a celebração de acordos individuais entre patrão e empregado sem a garantia de participação do sindicato da categoria dos trabalhadores, vulnerando os limites traçados pelo art. 7o, incisos VI, XIII e XIV, da Constituição Federal:
Art. 59-A.  Em exceção ao disposto no art. 59 desta Consolidação, é facultado às partes, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer horário de trabalho de doze horas seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação.
Exsurge daí a faculdade de celebração de acordo individual entre as partes, para o cumprimento de uma jornada de doze horas, inclusive ininterruptas, no regime de compensação, apesar do que dispõe a norma estatuída no artigo 7º, inciso XIII, da Constituição da República Federativa do Brasil: “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho [...]”.  
A nova lei permite também a não concessão de efetivo intervalo intrajornada (ao prever a possibilidade de indenização), em total prejuízo à saúde do empregado. Com isso, desrespeita expressamente as normas de saúde e segurança do trabalho. Muitos dos danos à saúde de empregados são causados por força da exorbitante prorrogação da jornada normal de trabalho. Isto faz com que o trabalhador seja colocado em situação de maiores riscos. Mesmo assim, a Lei afronta as normas de proteção do trabalhador no ambiente de trabalho. 
Exsurge do teor dessa regra total desrespeito à norma do art. 7º, inciso XXII, da CRFB, a impor a redução de riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Isso porque a nova lei admite, expressamente e de forma generalizada, exorbitante jornada de 12 horas de trabalho, em regime de compensação, inclusive sem prévia licença por parte das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho. 
Indubitavelmente, a lei em questão subverte o princípio de proteção ao conceder significativa prevalência ao poder diretivo do empregador, no âmbito da assimétrica relação de emprego. É o que também estabelece no art. 484-A, da CLT:
“O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas:  
I - por metade: 
a) o aviso prévio, se indenizado; e 
b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990;  
II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas. 
§ 1o  A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos.  
§ 2o  A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego”.
Diante desses destacados dispositivos legais  – dentre muitos outros, poderá o empregador forçar seu empregado a externar uma inexistente  autonomia de vontade para celebrar cada um desses acordos, mesmo em seu prejuízo, principalmente quando prejudicial à sua saúde, em razão de sua subordinação jurídica. 
No Brasil, são elevados os índices de exclusão social fomentados pelo desemprego e pela deficiente educação, nos mais diversos níveis. Tal situação se agrava pelos efeitos de uma globalização econômica direcionada a conduzir o mercado livremente em escala planetária, além das fronteiras territoriais dos Estados-nação. Favorece a concentração de riquezas, eleva o grau de desigualdade social e a vulnerabilidade de milhões de pessoas desprovidas de poder e riqueza, principalmente diante da escassez de postos de trabalho.
À luz dos direitos humanos e fundamentais, tornou-se imperativo salvaguardar o acesso ao trabalho decente a toda e qualquer pessoa, como um dos necessários meios de se prover o direito à vida com dignidade e garantir o pleno exercício da cidadania. Para tanto, incumbe ao Estado Democrático de Direito, como o principal agente transformador da realidade social, impulsionar o desenvolvimento econômico sempre em vista do fortalecimento dos direitos fundamentais sociais e da promoção do bem de todos. 
Contrapondo-se às finalidades da Ordem Econômica traçadas no art. 170, da Constituição da República Federativa do Brasil, verifica-se que a Reforma Trabalhista introduzida pela nova lei, em muitos aspectos, faz prevalecer o poderio econômico na relação de emprego, afastando a imperatividade de normas de proteção do trabalhador, inspiradas no princípio da igualdade em sentido material, afrontando o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da valorização do trabalho humano - além de normas internacionais de proteção dos direitos humanos. E, nesse cenário, desnatura o próprio Direito do Trabalho.
Resta ao Poder Judiciário Trabalhista desenvolver cada vez mais seu trabalho hermenêutico, para constituir a norma a ser aplicável ao caso concreto em vista da realização da justiça. 
O Juiz, diante do caso concreto e por meio da interpretação e aplicação do direito vigente, vincula-se tão somente à Constituição Federal e às leis que estão em harmonia com esta. Assim, deve negar aplicação às que repute inconstitucionais.  Tudo de modo a propiciar a concretização de direitos humanos e fundamentais, como valores supremos e humanistas da Ordem Jurídica vigente, que não tolera a prática dominante do economicismo.  

* Dinaura Godinho Pimentel Gomes. Pós doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP. Doutora em Direito do Trabalho e Sindical pela Universidade Degli Studi di Roma - LA SAPIENZA, com revalidação do diploma pela Universidade de São Paulo – USP. Pós-Graduada em Economia do Trabalho - Curso de Especialização pela UNICAMP. Magistrada do Trabalho (9ª Região- PR). Membro Titular da Academia Paranaense de Direito do Trabalho. Membro Titular da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.  Professora Universitária



Para finalizar a reunião, o Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da ALCAL, ressaltou alguns pontos dos conteúdos apresentados para introduzir citações à reflexão sobre o valor da singularidade de cada pessoa e o quanto este valor é menosprezado por todas as formas de totalitarismo, de tirania. 
Relembrando as palavras da Presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira, na abertura da reunião, frisou o Orador  que, no momento atual, é preciso perceber a presença da miséria, dos desequilíbrios e dos excessos que se expressam de várias formas, na sociedade contemporânea e lutar, racionalmente, contra tais atitudes destrutivas e tirânicas.  Citando HERÁCLITO (filósofo pré-socrático, natural de Éfeso, Ásia Menor, hoje Turquia, que viveu, por volta de 544 a.C-474 a.C), lembrou que, conforme importante ensinamento deste pensador, “mais do que o incêndio é necessário apagar a híbris” (desmedida, excesso). Lembrou também que, conforme ensinamentos de PLATÃO (diálogo Protágoras), a expressão “nada em excesso” estava gravada no templo de Delfos, como máxima a ser respeitada por todos, como indispensável virtude.  Na sequência, citou trechos da obra “O Valor de Ter Valores” (Petrópolis/RJ: Vozes, 2015) -  do professor e escritor  espanhol  FRANCESC TORRALBA  - referentes ao “valor de ser singular”, lembrando que a singularidade de cada pessoa deve ser respeitada, valorizada e promovida. E isso é o que se propõe fazer uma sociedade autenticamente democrática, por meio do Estado Democrático de Direito, o qual adota como um de seus princípios fundamentais, o respeito e a promoção da dignidade humana, presente em todo ser humano. 
Diz TORRALBA: “A singularidade é um dom, mas também uma conquista. Ao nascermos, ainda não o conquistamos. Vivemos um tempo que foge ao nosso controle, não o dominamos. Não sabemos quantas primaveras viveremos nem quantos natais celebraremos. A incerteza nos acompanha sempre, do nascimento até a morte. Uma natureza singular, única, irreplicável na história nos é concedida. Esse é o valor supremo do nascimento. Em cada nascimento, irrompe na história da humanidade uma personalidade nova, única, que não é mera extensão de seus progenitores nem cópia de seus irmãos. [...] Quando dizemos que todo ser humano é singular, estamos afirmando que ele é único e que ninguém mais poderá substituí-lo na história. [...]A singularidade é o que dignifica o indivíduo, o que o torna extraordinariamente valioso, a tal ponto que podemos denominá-lo, como o faz Max Scheler, valor fundamental. É por ser única que sua existência no mundo é tão valiosa e justamente por isso é preciso velar por sua vida e tratar com cuidado a sua presença. Se fosse a réplica de um modelo, a mecânica reprodução de um protótipo, o plágio de um arquétipo, seu valor seria relativo, mas sua unicidade lhe confere um valor singular.[...] Ser singular é um valor, é a base e o fundamento do diálogo, da essência da comunidade, da riqueza de um povo, de uma nação. Nascemos como seres singulares, mas podemos viver como clones. A singularidade é um dom, mas também um dever, pois só nos tornamos plenamente singulares quando não  negamos o que somos, quando reivindicamos esta singularidade e a expressamos no mundo em que vivemos. O medo de sermos autênticos, de sermos criticados, marginalizados, acaba nos levando a descuidar da própria singularidade. Consequentemente, vestimos uma máscara ao sairmos de casa e fazemos isso com tanta frequência que um dia nem sequer nos lembramos que éramos indivíduos singulares, destinados a sermos únicos neste mundo”.
Após tal citação, o Orador ressaltou que, conforme comprovado pela história, os regimes políticos tirânicos  menosprezam o valor da singularidade em favor da massificação das pessoas e as transformam  em objeto de serventia de seus  próprios tiranos. A respeito do tema “tirania”, lembrou, primeiramente, das leituras já realizadas, na ALCAL pela Acadêmica  Ludmila Kloczak , de trechos da obra “Sobre a Tirania” (São Paulo, Companhia das Letras, 2017), de TIMOTHY SNYDER  (da Universidade de Yale-USA). Em seguida, agregou citações da clássica obra “Discurso da Servidão Voluntária”, do pensador francês ETIENNE DE LA BOÉTIE (século XVI). Para este, “há três tipos de tiranos: uns obtêm o reino por eleição do povo; outros pela força das armas, outros por sucessão de sua raça”.
Do mesmo autor, foram lembrados seus ensinamentos sobre a AMIZADE e a CUMPLICIDADE. Citações que convidam à reflexão sobre o comportamento não apenas sobre o tirano mas também sobre os que se unem para a prática do bem  e, especialmente, sobre aqueles que formam bandos de assaltantes para atacar os cofres públicos e deles se apossarem do dinheiro arrecadado dos contribuintes, valor este que deveria  ser aplicado na realização do “bem comum”, ou “bem de todos”, conforme estabelecido na Constituição do Estado Democrático de Direito (CF, art. 3º, IV). Tais criminosos, ao invés do bem, praticam o mal que atinge toda a sociedade. Diz LA BOÉTIE: “ [...] que o tirano nunca é amado, nem ama: a amizade é um nome sagrado, é uma coisa santa; ela nunca se entrega senão entre pessoas de bem e só se deixa apanhar por mútua estima; se mantém não tanto através de benefícios como através de uma vida boa; o que torna um amigo seguro do outro é conhecimento que tem de sua integridade; as garantias que tem são sua bondade natural, a fé e a constância. Não pode haver amizade onde está a crueldade, onde está a deslealdade, onde está a injustiça; e entre os maus, quando se juntam, há uma conspiração, não uma companhia; eles não se entre-amam, mas se entre-temem; não são amigos, mas cúmplices”. E, mais adiante, o filósofo lança uma inquietante pergunta para nossos dias atuais: “Não é, portanto, uma lástima que, vendo tantos exemplos notórios, vendo o perigo tão presente, ninguém queira aprender à custa de outrem e que tanta gente de tão bom grado se aproxime dos tiranos?”  
Por último, o Orador Sergio Alves Gomes relembrou o importante convite feito por La BOÉTIE a todos os seres humanos:
“Aprendamos pois uma vez, aprendamos a fazer o bem; levantemos os olhos para o céu ou para nossa honra e para o próprio amor da virtude; ou, para falar cientemente, para o amor e honra de deus (sic) todo-poderoso que é testemunha segura de nossos feitos e juiz justo de nossas faltas. De minha parte creio, e não estou enganado, que lá embaixo ele reserva à parte para o tirano e seus cúmplices alguma pena particular – pois nada é mais contrário a deus (sic), de todo liberal e bonachão, que a tirania”.   

Extratos da reunião de 09/setembro/2018

 
Mesa diretiva, composta pela nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira 
ladeada pela Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa, vice presidente 
e pela Acadêmica Ludmila Kloczack, a palestrante do dia.


Na condução da reunião, contamos com a participação do nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Mattos, na foto com o Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo.


O Acadêmico Nelso  Attílio Ubiali procedeu à leitura do Credo Acadêmico.






APATIA
Vivemos em tempos tumultuosos. Temos sempre vivido em tempos agitados. Tempos tumultuosos sempre foram causados pelo homem, e o homem tem sempre permitido, ou apenas ignorado, a sua supremacia. Reclamamos com frequência as condições e forças que têm criado tumultos entre nós; temos protestado, temos pedido, implorado alívio dessa situação. Nossos esforços têm sido ineficazes, porque temos sempre esperado que outros promovam as mudanças desejadas. Porque? Há alguma razão especial para que outros devam ser mais responsáveis por mudanças construtivas do que nós mesmos? Pode ser desagradável aceitarmos a acusação, mas a verdade é que somos culpados de apatia.
Apatia é a ausência de emoção ou indiferença. A palavra deriva da raiz grega que significa falta de interesse. Em muitas partes do mundo, hoje em dia, a apatia está associada com a covardia e tem criado uma atmosfera em que a anarquia e a crueldade desumana podem florescer e se expandir. Em qualquer sociedade avançada em que há leis para proteger os inocentes, seremos culpados de apatia e covardia se formos testemunhas de um fato criminoso ou maléfico e nada fizermos. Somos então destituídos de todo sentimento humano e recusamos nos relacionar com a vítima. Poderíamos protestar, poderíamos pedir ajuda, poderíamos nos associar à vítima em sua defesa, poderíamos sacrificar nossos interesses, mas em nada fazendo, perdemos respeito próprio e a dignidade como ser humano.
As pessoas arbitrárias e cruéis estão conscientes de sua inferioridade e deficiência ou não recorreriam ao crime. São covardes porque atacam somente quando acreditam que seu crime não trará à luz sua culpa. Estão também conscientes de que, em geral, intimidam os apáticos e, portanto, não antecipam interferência. O crime e a injustiça desaparecem na proporção direta da manifestação de coragem, determinação e retidão. Os criminosos são covardes! Assim sendo, a sociedade deve tem uma parte de responsabilidade por todos os crimes e injustiças, devido à sua apatia. 
A sociedade é o leitor e eu, não “eles”, não a polícia, não o governo. Essas condições indesejáveis não se alterarão enquanto esperarmos que outros as alterem. Não podemos fugir afirmando que somos apenas uma pessoa e que nada podemos fazer. Se o nosso vizinho estiver aguardando que alguém mais tome atitude, como aliás, também estamos fazendo, quem tomará a iniciativa?
Diz-se que a pessoas não querem se comprometer. Todavia, todos nós estamos comprometidos, queiramos ou não! Devido a nossa apatia, estamos permitindo que as forças negativas lentamente destruam a nossa avançada civilização, que levou séculos para se desenvolver.
A apatia não se restringe apenas à tolerância com o crime. Ela pode enfraquecer ou destruir outras relações humanas. Basta lembrar o seu significado: Falta de Interesse.
Se ocuparmos posição de responsabilidade e relutarmos em corrigir os erros cometidos por aqueles que estiverem sob nossa direção, seremos culpados de apatia. Se falharmos em reparar injustiças que requeiram atuação de nossa parte, seremos cruéis e culpados de apatia.
Em geral, é desagradável, embaraçoso, fazer ou dizer aquilo que é correto e justo. Isto pode nos tornar impopulares e talvez tenhamos de ficar sozinhos. Todavia, é melhor ficarmos em paz com a nossa consciência, que sempre nos impelirá a enfrentar a verdade, do que ceder, de maneira covarde, às conveniências e pressões do momento. Os grandes líderes e colaboradores para evolução da humanidade têm sempre sido fortes em caráter, não se permitindo jamais renunciar à dedicação e defesa do direito e da justiça para todos.
É nosso primeiro dever determinar para nós mesmos o que é direito e justo, e não acreditar naquilo que outros nos poderiam dizer. Nosso segundo dever é desenvolvermos fortaleza moral, decidindo-nos a defender e proteger tudo que é direito e justo, a qualquer preço para nós próprios, física, mental ou espiritualmente. Se é nossa intenção afirmar que somos esclarecidos e civilizados, então deveremos controlar nossa conduta de maneira esclarecida e civilizada. Deveremos demonstrar nossa dedicação a fraternidade humana com amor e sensibilidade, e não com prostração moral, apatia.  
Pilar Alvares Gonzaga Vieira


Contamos com a participação do Maestro Fernando Mourão, que brindou os presentes com uma breve apresentação de violão clássico: Sonatina Opus 71 no. 3, autoria de Mauro Giuliani.
Tivemos também a apresentação da pianista Elaísa Barbosa, que nos brindou com a Sonata Diapele.


APRESENTAÇÃO DE TROVAS
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo
Com um livro de trovas na mão, o Acadêmico analisou trovas e falou da sua especialidade na área. 
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ESPAÇO DOS VISITANTES
Doação de livro


O escritor Jan Luiz Lluesma Parellada apresentou aos presentes o seu livro "Jogo da Burocracia 2" e procedeu à doação de um exemplar autografado à nossa Academia.

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Trova argentina
O Dr. Luiz Parellada Ruiz, Membro Benemérito, apresentou uma trova de sua autoria, premiada na Argentina.
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A URSAL NA TERRA DO NUNCA

Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

Em 9 de dezembro, de 2001, escrevi um artigo intitulado “Os Companheiros” que foi publicado em alguns blogs. Transcreverei aqui trechos do referido artigo, para que se entenda melhor como a URSAL começou.
“A conhecida frase ‘uma imagem vale mais que mil palavras’, me veio à mente quando vi uma foto na capa do primeiro caderno do jornal O Estado de S. Paulo. Nela estavam Fidel Castro e Lula sentados lado a lado, barbas viradas de perfil uma para outra. O motivo dos dois estarem mais uma vez juntos devia-se a uma reunião do Foro de São Paulo que se realizava em Havana”.
Naquela ocasião Lula discursou e “foi fundo no ataque a criação da Área de Livre Comércio das Américas – ALCA”.  Ele soltou o verbo e copiando Hugo Chávez disse: ‘É um projeto de anexação que os Estados Unidos querem impor. Será o fim da integração latino-americana”.
“Mas, qual seria, me perguntei, essa tal integração no modelo Castro/Chávez/Lula? Quem sabe, indaguei irônica, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina - URSAL?”
Posterior a minha ficção comecei receber alguns e-mails de pessoas assustadas, que citavam a URSAL como algo concreto. Em vão lhes dizia que aquilo não existia como se fosse uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. 
Porém, a URSAL da “Terra do Nunca” havia tomado vida de um modo que não me dei conta até assistir ao debate dos presidenciáveis na Band, realizado em 9 de agosto, portanto, dezessete anos depois de ter escrito aquele artigo.
Como é de praxe, candidatos procuram fulminar uns os outros com perguntas difíceis, afim de sobrepujar o concorrente e conquistar votos. Nesse sentido, o candidato Cabo Daciolo (Patriota), inquiriu de modo enfático ao candidato Ciro Gomes (PDT): “O que pode falar sobre o plano da URSAL? Tem algo a dizer a Nação Brasileira?”. Espantado pela inusitada pergunta Ciro disse que desconhecia tal coisa.
Fiquei bastante surpresa com a menção á URSAL e mais ainda com a repercussão da sigla, que suscitou a curiosidade de jornalistas, de pessoas em geral e percorreu as redes sociais com velocidade impressionante ora como brincadeira e piada ora como algo existente ou simplesmente como projeto de poder da esquerda. Entretanto, em lugar algum se poderá encontrar uma ata ou qualquer documento onde se possa ler URSAL ou sua criação a significar a união de todos os países latino-americanos dotados de um só governo, um só exército e idênticas diretrizes econômicas, políticas e sociais.
A ideia de União de países latino-americanos não é nova. Foi tentada por Simón Bolívar, primeiro com o projeto de uma liga das nações americanas, depois com a Federação Andina composta pela Nova Granada, Venezuela, Equador (unidades que constituíam a Grande Colômbia), Peru e Bolívia. Não deu certo. Desiludido, Bolívar disse em 1830: “A América Latina é para nós ingovernável”.
Inspirado por Bolívar o argentino, Manuel Ugarte, introduziu no começo do século XX o conceito de Pátria Grande, considerada “desejável e necessária”, como forma de dar melhores condições aos países latino-americanos de competir no cenário geopolítico mundial”. O sonho não foi concretizado.
Em 1990 foi criado o Foro de São Paulo, entidade que congrega partidos e movimentos de esquerda. Supõe-se que em 2000 foram eleitos alguns presidentes influenciados pela ideologia do Foro de São Paulo. Cada um dos presidentes, porém, manteve seu contexto nacional e seus governos foram e tem sido um completo desastre político, econômico e social que infelicitou os povos de seus respectivos países como, aliás, sempre acontece com sistemas socialistas
Em 2008, foi criada, pela ideia de Hugo Chávez seguido por Lula, a União das Nações Sul-Americanas – UNASUL, composta por 12 países. A UNASUL está se desintegrando e mantém agora apenas 6 países.
Em 2010 foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELLAC, que até hoje não disse a que veio.
Nenhuma dessas entidades é a URSAL, o que não impede formuladores de teorias conspiratórias de afirmar que ela exista como um complô de dominação esquerdista.
Conforme o capitão Simonini, personagem da notável obra de Umberto Eco, “O Cemitério de Praga”, “sempre conheci pessoas que temiam o complô de algum inimigo oculto”. “Aí está uma fórmula a preencher à vontade: a cada um o seu complô”.
Exímio falsificador de documentos, Simonini escreveu a pedido de um russo os “Protocolos da reunião dos rabinos no cemitério de Praga”. No cemitério inventado rabinos fictícios disseram coisas terríveis e, assim, os “Os Protocolos” serviriam como arma política de antissemitismo. Afinal, como raciocinou Simonini “basta falar uma coisa para fazê-la existir”. Às vezes, na “Terra do Nunca”.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Crônica
NA MINHA ÉPOCA...
Pelo autor, publicitário Victor Gouveia

Tem coisas me incomodam. Uma delas é essa mania das pessoas dizerem “na minha época...” Como assim? Que época? Qual o período da vida que podemos chamar de “minha época”? 
Será aquele em que fatos marcantes carimbaram nossa mente? 
- Na minha época as camisas dos times de futebol não eram um conjunto de marcas, nem cores diferentes a cada jogo, como impõem a ganância dos patrocinadores de material esportivo. Corinthians era preto e branco; Flamengo vermelho e preto. Palmeiras verde. Cada time “defendia suas cores”. Hoje em dia...
Falando em cores, na minha época geladeiras eram brancas e telefones pretos.
- Mas será que essa questão não é puro saudosismo? Será?
- Saudades dos bailes. Cadê os bailes? Onde os homens tiravam as mulheres para dançar? Facilitava o contato e a aproximação das pessoas. Na Casa de Portugal, em São Paulo, dançávamos com lenço na mão e beijar era proibido.
Muitas coisas “caíram de moda” para dar lugar ao virtual sem graça, sem cheiro e com sabor de “tenho que”. No meu tempo o verbo “ter que” era pouco conjugado. Hoje “tenho que” ler e responder e-mails, “tenho que responder um whats,“varrer” o facebook e atualizar o blog antes que me chamem de antiquado. 
Na minha época não tinha tanta modernidade. Parece que as pessoas eram mais felizes quando não existiam os fornos micro-ondas – que não se sabe bem se faz mal – nem os telefones celulares e outras bugigangas.
- Mas você vai concordar que os celulares facilitam muito a nossa vida!
- Também facilitam muito o contato de dentro das prisões.
Meus avós pegavam o leite em garrafas de vidro sem marca alguma, deixadas nas portas de casa. Não se falava em conservantes, acidulantes... Doces não eram industrializados, mas feitos em grandes panelas ou tachos, que as crianças adoravam ajudar.
No meu tempo as famílias sentavam à mesa para fazer as refeições e os alunos respeitavam seus professores. Das lancheiras exalava um cheiro agradável de pão com manteiga e algum doce. Meus pais tinham caderneta na “venda” e pagavam no fim do mês. Hoje também, só que com juros. 
Dinheiro de plástico também é coisa nova....os tais cartões de crédito e débito, sem falar nos bit coins, o dinheiro virtual que já causa tanta polêmica.
- Isso tudo não é da minha época, diz a vovó, sem querer “se atualizar”.
Já pensou que estamos “comprando bens da natureza”? Sim, porque hoje em dia pagamos pela água que bebemos (engarrafadas) e pelo ar (condicionado) que respiramos. 
Também me lembro bem que na minha época (e até hoje) não ouvi uma explicação convincente para a expressão “proteja as placas de sinalização”. Como assim proteja?
Cobrí-la com um guarda-chuva? Ou protegê-la com uma armadura?
Na minha época as crianças brincavam de taco (betis), peões, tampinhas, mana-mula, cordas, bonecas e bolas. “Ora bolas”. Deve haver um “quê” de brasilidade futebolística nessa expressão, para ser incorporada à nossa língua.  
E a “música popular brasileira”? Não entendo esse "popular". Será que existe outro tipo de música tão importante a ponto de precisar essa distinção? A Rádio UEL FM de Londrina resolveu a questão: música do Brasil.
Na minha época não se falava em autoajuda e muito pouco em depressão. Hoje qualquer triz de desequilíbrio é motivo pra terapia. Por que será?
Inventam coisas para “facilitar” a nossa vida, e assim ficarmos com tempo mais livre para fazer outras coisas. E assim a gente “enche” o tempo com uma infinidade de facilidades e bobagens, como a esteira, por exemplo. A gente corre parado, dentro de uma sala com ar ligado e muitas pessoas fazendo a mesma coisa, algumas com fones de ouvido para se isolarem.
Na minha época (não me pergunte qual) farmácias vendiam só remédios e o médico de família raramente pedia exames. 
- Parece que você é contra a evolução, a globalização e as grandes descobertas!
- De forma alguma. É que na minha época (hic) existiam coisas certas e coisas erradas. Por isso tudo era mais simples.
- Mas, peraí!
- Que foi?
 - Acho que descobri: ”na minha época” não é uma medida de tempo, mas um componente emocional, lembranças sempre agradáveis dos anos que ajudaram a moldar nossa identidade. 
- É isso. Deleta tudo que eu escrevi. Ou, como se dizia na minha época: passa a borracha.



CRISE DE REPRESENTAÇÕES E O REGIME DO ATENTADO
Acadêmica Ludmila Kloczak
(RESUMO)

O tema teve como objetivo analisar o mundo em que vivemos na atualidade, a partir de conceitos descritos, elaborados e fundamentados pelo psicanalista brasileiro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Fabio Herrmann. O autor considera o campo do real humano, o mundo humano, como  um conjunto de determinações inconscientes que, através de determinadas regras criam o homem em qualquer condição de existência possível. Enquanto que o processo de individualização e a  constituição de  grupos ou  instituições revelam o desejo que emerge deste real humano como a matriz simbólica que dá forma às emoções e às idéias. O real e o desejo manifestam-se através de dois sistemas de representações: a realidade e a identidade. Em outros termos, somos ao mesmo tempo, a psique e o mundo. Enquanto o mundo refere-se aos sistemas simbólicos que nos precedem e constituem o fundo de nossa vida psíquica, a psique é a maneira pela qual os significados operam numa dada época e cultura. Isto nos leva a indagar pela forma lógico-emocional inconsciente que sustenta um modo de ser que perpassa todo o tecido social, suas instituições e o sujeito singular.
Naturalmente, cada época passa por transformações das relações sociais, políticas, econômicas com o progressivo desmantelamento das organizações sociais existentes e em funcionamento e a sua lenta substituição por novas formas de organização. O que é peculiar da sociedade contemporânea  são os efeitos acentuados de despersonalização, de não reconhecimento do indivíduo nas novas formas sociais que surgem. Vivemos um tempo de profunda e ampla crise de representações. Estas são substituídas pela imagem. A propaganda  promove o desnudamento na criação de imagens como a única forma de eficaz de fornecer a informação. Ela visa criar o espetáculo ao qual o indivíduo deve aderir. A realidade se torna cada vez mais ilusória e a identidade se fragiliza e perde substância social ao atender aos simulacros de realidade. O inconsciente povoado de imagens excessivas sem a concomitante mediação simbólica, leva as representações a se refugiarem na ação, no ato. Daí, a forma lógico-emocional desta época é a lógica do ato-puro em que o pensamento deixa de exercer sua função de motivar e sustentar o ato apoiado no vínculo com as idéias e na capacidade de buscar a confirmação na realidade.  Ao contrário, o ato-puro busca transformar a representação em ato autônomo, desvinculado de suas finalidades realistas e sem impedimentos para proliferar infinitamente até se voltar contra o sujeito da ação. A este fenômeno, Fabio Herrmann conceituou como regime do atentado constituído pela prevalência do ato-puro sobre o pensamento racional. Ao se ver incapaz de conceber seu mundo, o pensamento se funde com o ato e inventa uma forma de operação que é o ato-puro. Atos impensados, cuja finalidade é produzir  grande impacto midiático, efeitos e mais meios para maiores efeitos, numa tentativa de sobreviver à erosão do pensamento.
A palestrante Ludmila Kloczack recebe
Certificado de Participação das mãos 
do  Acadêmico Sergio Alves Gomes
Para ilustrar, temos um episódio recente ocorrido em Los Angeles, nos Estados Unidos: num campeonato de jogos em videogame num ginásio de esportes lotado, um jogador foi derrotado. Ele saiu do recinto, voltou depois de algum tempo com uma arma, atirou nos jogadores e se suicidou. Outro exemplo de insuperável efeito midiático foi o ataque ao WTC, em Nova York. Entre nós, o atentado ao candidato à presidência da República em 06/09/18 é um grave exemplo desta época.
Frente à fragilidade das representações na era da imagem, à dificuldade de criar representações mentais, a solução é preencher o vácuo com atos-representações, e assim dar consistência e permanência ao regime do atentado.



Acadêmico Sergio Alves Gomes

O Acadêmico Sergio Alves Gomes, Orador da Academia, ao fazer uso da palavra, realizou um breve apanhado dos vários momentos em que se desdobrou a reunião do dia (reflexões sobre a APATIA  e falta de comprometimento para com o que vem ocorrendo na nossa sociedade, em termos de violência e comportamentos contrários à ética; transformação da política em campo de morte (barbárie); crise de representação e atentado; momento de arte musical e também da crônica) para, ao final, propor questões reflexivas sobre  “O que é viver?”, “O que é conviver”?  “O que significa participar da “Sinfonia da Vida”? (título de obra que apresenta uma coletânea de Poemas  de Helena Kolody, organizada por Tereza Hatue de Rezende. Curitiba, Pólo Editorial do Paraná, 1997). Da referida obra, o Orador leu quatro poemas: Dom (1986), Sem Aviso (1988), Jovem (1985) e Outra Dimensão (1985). Seguem as letras dos referidos poemas, com o convite  para que não apenas fiquemos com sua beleza poética (que já configura uma  enorme dádiva  da renomada poetisa a seus leitores), mas que façamos deles momentos de reflexão e de verdadeiro voo do pensamento, estimulado por e na companhia de Helena Kolody (1912-2004).

DOM
“Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la”.

SEM AVISO
Sem aviso,
o vento vira
uma página da vida.

JOVEM
Suporta o peso do mundo,
E resiste.
Protesta na praça.
Contesta.
Explode em aplausos.
Escreve recados
nos muros do tempo.
E assina.
Compete
no jogo incerto da vida.
Existe.

OUTRA DIMENSÃO
Quem pintará
a voz e a canção?
Quem prenderá
no cárcere do verso
a miragem e o sonho,
o vôo e o pensamento?

Edital de interesse da comunidade londrinense

O edital aqui mencionado se referia ao 
preenchimento de cadeiras vagas em 
nossa Academia.
O prazo para as candidaturas 
encerrou-se em 31/08/2018.
Em breve, novo edital será publicado.

Extratos da nossa reunião de 12/08/2018

Mesa diretiva, composta pela presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, ladeada pela palestrante do dia, Profa. Flora Neves e pelo Acadêmico Miguel Luiz Contani

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias

A leitura do nosso Credo Acadêmico, pela Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina


Adaptabilidade
Adaptabilidade é a qualidade de adaptar-se, não somente às condições do meio ambiente, mas principalmente às próprias condições internas e a fazer delas um ponto de apoio para um progresso cada vez maior.
Onde existe adaptabilidade não existe inveja. Porque, sendo o reconhecimento das próprias condições internas e a adaptação dessas condições ao meio, será também o aproveitamento dos próprios valores. E, quem se preocupa sinceramente em realizar algo de bom em si mesmo, não terá tempo de invejar os valores alheios. Pelo contrário, esses valores só servirão de estímulo para o melhoramento de nosso próprio trabalho interno e externo. Adaptar-se é uma qualidade simples, como são simples todos os valores de Deus. Ela nos leva a executarmos o nosso trabalho no mundo, com as armas que possuímos, sem necessitarmos dos meios de outros e a agirmos por nossos próprios meios, sendo isso o que dá valor ao nosso próprio progresso.
Na vida prática, temos oportunidade de empregar a adaptabilidade todos os dias, em qualquer momento, a cada instante em todas as circunstâncias. Ilustramos com um exemplo: uma pessoa aprende alfaiataria com um professor habilidoso. Lógico que só a prática, o exercitar-se o levará ao desenvolvimento do mesmo professor. Porém essa pessoa deverá considerar que terá de contar com seus próprios recursos e não com os do mestre. Essa pessoa possui outras condições internas, outro caráter, outro tipo de vida. Um modo diferente de encarar as coisas. 
Pode não ser tão caprichosa, nem tão paciente, mas em comparação pode possuir maior criatividade, maior senso de adaptação, observação mais aguda dos detalhes, e talvez até maior perseverança. Que deverá fazer então, se mesmo tendo tentado, percebeu que jamais será um profissional, com as qualidades de desembaraço do mestre?
Deverá adaptar-se às próprias condições, aproveitando os próprios valores, para tornar-se então uma pessoa com facilidade de fazer arranjos e adaptações superando até mesmo o seu mestre, por possuir outras qualidades, outros dons divinos.
É assim a adaptabilidade em todos os setores: leva o indivíduo a procurar a si mesmo, em seu foro íntimo, o que realmente possui em força, coragem e imaginação para empregar em esforço no mesmo caminho em que outras pessoas talvez realizem progressos com uma habilidade natural.
Cada um de nós tem suas tendências próprias, suas qualidades pessoais, suas facilidades para isso ou para aquilo.
Vamos procurar adaptar o nosso trabalho, seja qual for a essas facilidades.
Não necessitamos imitar o trabalho alheio. Buscaremos sim as oportunidades.
Usemos a nossa própria imaginação que é uma qualidade especial no caminho da auto-realização e que favorece os meios para o desenvolvimento das nossas próprias virtudes e consequente amadurecimento de nossas habilidades pessoais.
Deus dotou a cada um de seus filhos com dons especiais, para que juntos expressamos esses dons a serviços da humanidade conscientemente e com sabedoria, procurando brilhar ao máximo, cada um a seu jeito, exatamente no lugar em que fomos colocados para a batalha da vida.
A mensagem desta reflexão é a de que tenhamos tolerância e profunda humildade com as diferenças e individualidades de cada ser humano.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
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Clube do Choro de Londrina
A Academia de Letras teve o prazer de receber e assistir à apresentação do pessoal do Clube do Choro de Londrina, que foi criado em meados da década de 60 tocando serestas, polca, maxixes, choros e gêneros tipicamente brasileiros. O grupo nunca se dissolveu, mesmo com as fortes investidas da corrente massificante da música promovida pelas mídias.
Com o passar dos anos o grupo perdeu antigos membros e ganhou novos músicos, adeptos e apreciadores do Choro. A formação atual conta com instrumentos típicos do gênero: flauta transversal, bandolim, cavaquinho, violão e pandeiro. No repertório, mesclam composições dos atuais e antigos membros do grupo, bem como de grandes nomes do Choro: Pixinguinha, Jacob e Nazareth.
Para quem gosta do Choro, basta acompanhar a programação das suas apresentações pelo Facebook e pela mídia.

Apresentação na nossa Academia.
Assista em tela grande! Ligue o som!
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Aluno vencedor em concurso de redação
A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina convidou o aluno Alan Vilas Boas de Lima, do Colégio Interativa de Londrina, vencedor do Concurso "Língua Portuguesa - Grande Língua de Comunicação Internacional", com redação de carta abordando o tema.
Alan veio acompanhado do Sr. Valter Orsi, representando a mantenedora do Colégio Interativa, da Sra.Ednar Nogueira, Presidente do Elos Clube e do Prof. Antonio Lemes Guerra Junior, do Colégio Interativa, responsável pela disciplina de Língua Portuguesa no Ensino Médio do Colégio.

Prof.Antonio Lemes Guerra Junior apresentando o aluno Alan
Vilas Boas de Lima, do Colégio Interativa. Ao seu lado
o Sr. Valter Orsi e à direita a Sra. Ednar Nogueira

O aluno Alan Vilas Boas de Melo, do Colégio Interativa de Londrina, 
lendo sua carta vencedora do concurso

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A Trova em Destaque
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo
Trovador, membro da U.B.T (União Brasileira de Trovadores). nosso Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo já abocanhou diversos prêmios em concursos de trovas. Autor do livro "Trovas em vários gêneros", tem realizado palestras e oficinas literárias de trovas.
Nesta reunião, o Acadêmico apresentou algumas trovas da sua criação e de terceiros.
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Literatura e Publicidade: primos entre si
Acadêmico Julio Ernesto Bahr
É muito raro se falar em publicidade numa Academia de Letras, talvez porque a Academia esteja intrinsecamente ligada à literatura, à música e às artes.
A publicidade faz parte de um campo de ação intelectual onde literatura, música e artes se encontram e ocupam um amplo espaço. A publicidade representa cem vezes mais em volume de dinheiro investido do que a literatura.
Índices de 2016 mostram que o volume financeiro do mercado editorial brasileiro de livros atingiu R$ 1,384 bilhão e os investimentos em publicidade somaram R$ 129,9 bilhões. Textos publicitários escritos ou narrados e divulgados pelas várias formas de mídia abrangem muito mais público do que a literatura.
A história da Propaganda Brasileira começou em meados de 1800 com Tiradentes, com a primeira campanha política, a campanha para a Independência.
Poetas como Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Ari Barroso, Casimiro de Abreu e Fernando Pessoa foram alguns dos escritores que participaram da criação dos textos publicitários. Guilherme de Almeida criou o slogan para a empresa La Fonte ("A fechadura que fecha e dura").
O Século XX revelou poetas e prosadores produzindo sonetos, trovas, paródias e narrativas breves em anúncios, iniciando uma tradição que atravessou décadas e continua viva hoje, com escritores atuando profissionalmente em agências de publicidade como redatores e diretores de criação, ou ainda sendo convidados a redigir textos para campanhas publicitárias.
É do poeta Manuel Bandeira um dos raros anúncios que mostra o vocabulário informal para a época:

Meu Deus, que mulher durinha!
Foi um buraco na minha vida,
Mas eu mato ela na cabeça,
Vou mandar-lhe uma caixinha de Minorativas
Pastilhas Purgativas
É impossível que não faça efeito!

Uma sextilha criada nos anos 1920 foi exposta por décadas em bondes e ônibus. Até recentemente se discutia quem teria sido seu autor, se Martins Fontes, Emilío de Menezes ou Bastos Tigre:

Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro,
Que o senhor tem a seu lado.
E, no entanto, acredite,
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosotado

Mas o mais importante “escritor-redator" publicitário dos anos 1920 talvez tenha sido Monteiro Lobato com a peça publicitária que ficou popularmente conhecida como ‘Almanaque Fontoura’, contendo noções de higiene e saneamento, historinhas e atividades recreativas para crianças e publicidade a favor do medicamento. O almanaque alcançou a marca dos 100 milhões de exemplares distribuídos, tornando-se assim provavelmente a peça publicitária de maior sucesso no Brasil.
O exercício da propaganda é o campo dos chamados criativos. Exige ideias, inovações e arte. Aproveita-se de todos os avanços tecnológicos que vêm surgindo ao longo das décadas. Foi responsável por impulsionar a televisão, desde a primeira transmissão em preto-e-branco (PRF3 TV Tupi Difusora) implantada por Assis Chateaubriand em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi. Chateaubriand ajudou a criar também a Escola de Propaganda de São Paulo, a primeira do gênero na América Latina, que se transformou posteriormente na hoje conhecida ESPM.
Vários escritores-publicitários somaram criatividade e qualidade aos textos publicitários, como Renato Castelo Branco, autor de 22 livros e que chegou a presidente da J. Walter Thompson nos Estados Unidos; Ricardo Ramos (filho de Graciliano Ramos) e Geraldo Santos.
O escritor João Antônio (16 livros escritos) sobreviveu um período de tempo como jornalista e também como redator publicitário. Foi um dos grandes nomes da antiga revista Realidade, da Editora Abril, sob a direção de Roberto Freire. Passou uma temporada em Londrina em 1975 e fez escola. 
Jornalistas, publicitários e escritores impulsionaram a criação de novas revistas, dirigidas para públicos-alvo específicos. O sexo e o conceito de liberdade sexual deixaram de ser tabu a partir do jornal Pasquim para serem descritos e exibidos com todas as letras, tanto na mídia impressa, quanto nas novelas da televisão. Foi também o Pasquim com escritores como Millor Fernandes, Paulo Francis, Ivan Lessa, Sergio Porto e Fausto Wolff, que inovou na linguagem, com um humor aguçado e debochado, trazendo descontração nos textos. Esta forma de escrever foi transposta para a publicidade, como na campanha com os comerciais do garoto Bom Bril.
A participação dos homens das letras no fascinante campo da publicidade nos induz a concluir que se estes dois ramos de escrita e de arte não são irmãos siameses, certamente são primos entre si.
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Telejornalismo: Informação ou Espetáculo?
Profa. Flora Neves *
A Televisão começou no Brasil na década de 1950 com o pioneirismo de Assis Chateaubriand, megaempresário da época, e tornou-se um fenômeno cuja influência alterou a própria urbanização do país. Estava em curso, e se intensificava, o êxodo do campo para as cidades, tidas como locais de maiores perspectivas e modernização mais acelerada. A era do rádio entrava em declínio, e a combinação de som e imagem proporcionada pelos aparelhos de TV fascinava a população. A influência permanece e se amplia nos dias de hoje, chegando mesmo a se verificar que ela não falta em nenhuma casa, e até sem exagero, uma família pode não dispor de uma geladeira, mas não deixa de adquirir um televisor. 
Embora, atualmente, haja uma multiplicidade de opções entre canais de TV a cabo e canais da TV aberta, esta última ainda é dominante no cotidiano das famílias. Essas emissoras de TV aberta são concessões, e por esse motivo, ligam-se ao ambiente político do Congresso Nacional, de onde partem as análises e os acordos que as concretizam. O Brasil tem redes nacionais e concessões regionais com acesso à mesma programação. Cabe destacar que o telejornalismo e a dramaturgia são duas modalidades dessa programação que têm o mais direto potencial de unir a população em termos de sentimento e pensamento. Ocorre, por outro lado, a chamada convergência midiática, em que as pessoas agora também podem assistir a telejornais e peças de dramaturgia por meio de aplicativos baixados em smartphones, como, por exemplo, o Youtube e uma grande variedade de outros canais, acessados via internet. Ou seja, pode-se assistir televisão de um aparelho de bolso.
Um ponto que não pode escapar é o fato de que o telejornalismo foi adquirindo traços da dramaturgia que preenchem a notícia com elementos de emoção, suspense e até mesmo de aventura. Nesse aspecto reside todo um cuidado a tomar, porque a chamada espetacularização da notícia tem origem em roteiros estabelecidos por uma autoria, do mesmo modo que uma novela ou filme. Uma notícia recebida nesse formato pode provir de uma única pessoa ou de um grupo muito pequeno. Há também um agendamento em que, numa determinada temporada, cenários, ambientes, falas de entrevistados, flagrantes retirados de um episódio, edições de matéria, são organizados para promover um dado resultado emocional no espectador e, principalmente, mantê-lo fiel na audiência, sempre esperando o desfecho no dia seguinte como nos capítulos de uma série televisiva. 
Esse é um fenômeno resultante, no caso da emissora de TV aberta, dentre outros, do fato de ela ser uma concessão e necessitar das inserções comerciais responsáveis por seu faturamento. Na época de eleições que atravessamos hoje, muito maior atenção deve ser prestada, principalmente quando repórteres e cinegrafistas se envolvem diretamente com os eleitores nas diferentes regiões, como se presenciou nos últimos pleitos. Por serem manifestações individualizadas, na maior parte das vezes fora de contexto, e mesmo editadas para irem ao ar, torna-se crucial resgatar-se dos sentimentos e emoções que aquela situação particular confere à percepção sobre o candidato sendo mencionado. 
* Jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina, 
mestre e doutora em comunicação pela USP, atuou como produtora, 
repórter, editora e apresentadora de televisão. 
Docente do departamento de comunicação da UEL 
e do Programa de mestrado em comunicação da mesma instituição. 
Autora do livro: "Telejornalismo e Poder nas eleições".

O Acadêmico Miguel Luiz Contani entregando o Certificado de Participação 
à palestrante Profa. Flora Neves
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Ao final da  reunião, momento de confraternização entre Acadêmicos 
e convidados, erguendo um brinde pelo Dia dos Pais