Extratos da reunião de 12/07/2015

PALAVRA DO  PRESIDENTE

O Presidente da Academia Prof. Leonardo Prota em seu pronunciamento,
 ao lado da Vice-Presidente, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina

“Democracia: Construção da Representação” 

Em várias ocasiões tivemos a oportunidade de tratar do tema da Democracia, no Brasil. Temos presente, no momento, nossa reflexão por ocasião da celebração do Dia Internacional da Democracia, quando um grupo de cientistas políticos avaliou  situações variadas do momento vivenciado no mundo a esse respeito. Entre eles, evidenciamos o pensamento de José Álvaro Moises, professor da USP e diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas.
Com relação ao Brasil, assim ele se expressou em 18/09/11 (O Estado de São Paulo): “O Brasil é um país democrático, não há dúvida. Mas penso que a qualidade de sua democracia está em questão, sim. A hipertrofia do Executivo, herdada do período autoritário, limita a autonomia e a independência do Legislativo, comprometendo a representação da sociedade e o poder efetivo dos eleitores. O sistema partidário brasileiro é fragmentado e relativamente instável, com quase trinta partidos nominais e perto de dez efetivos. A corrupção é endêmica, frauda a igualdade da competição eleitoral e desvia para fins privados recursos que deveriam ser investidos  em políticas públicas. O chamado presidencialismo de coalizão, se por um lado garante a governabilidade, por outro estimula a irresponsabilidade com a probidade no uso de recursos públicos. Os escândalos nos Ministérios dos Transportes, da Agricultura, do Turismo e do Trabalho atestam isso”.
Hoje, o panorama político teve uma queda vertiginosa; chegamos ao fundo do poço. O conceito de democracia mudou o seu curso de tentativas de aperfeiçoamento enveredando por trilhas de construção de uma visão completamente contrária ao que sugere o conceito originário de democracia.
Uma visão dessa nova concepção nos é oferecida pelo Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto; ele afirma que “Democracia é um regime que consiste no exercício solitário de pensar o que é bom para as pessoas”.  Na visão dele, portanto, as redes sociais “atrapalham o curso da democracia”; assim como a oposição, a imprensa livre, a Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal, o processo de desvendar o esquema de corrupção... Enfim, a democracia seria de uns poucos que acreditam ter o poder de pensar e agir em nome de todos. (Cfr. A Gazeta do Povo. 24/06/2015).
Por outro lado, qual seria o conceito genuíno de Democracia? É o resultado de um longo processo pelo qual os países europeus passaram da monarquia absoluta para um sistema constitucional, que iniciou na Inglaterra no século XVII para que o monarca admitisse o funcionamento do Parlamento, isto é, admitisse que para fazer determinadas coisas (por exemplo, aumentar impostos, declarar guerras etc.) teria que consultar os representantes de determinados grupos sociais. No século XVIII, afinal, esse sistema estava consolidado.
O século XIX caracteriza-se pela tentativa de disseminar aquele regime na Europa. Os Estados Unidos já nascem, em fins do século anterior, dispondo de Parlamento e Constituição. Mas o avanço na Europa foi muito lento. A plena democratização do sistema representativo ocorreria somente após a Segunda Guerra Mundial.  
Em síntese, as instituições do sistema representativo formaram-se como desdobramento do Estado moderno; as tradições nacionais fizeram-nas adquirir feição singular neste ou naquele país. Contudo, o conjunto de atribuições que desempenham são uniformes e permitem caracterizar o que se convencionou denominar” Estado Liberal de Direito”, que repousa na separação e harmonia entre os  Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
A principal instituição do sistema representativo é o Congresso Nacional, que se compõe  da Câmara dos Deputados e do Senado. A Câmara tem a representação popular e o Senado a representação dos estados.
O número total dos deputados é proporcional à população. Para a sua escolha há dois sistemas básicos chamados, respectivamente, de proporcional e distrital.
No sistema proporcional, cada partido elege número de deputados correspondente à sua votação. Esse processo introduz muitas distorções desde que uma figura popular pode receber número suficiente de votos para eleger outros deputados, às vezes desconhecidos dos eleitores. Além disso, como a base eleitoral é o estado, o representante eleito não se liga diretamente a determinada parcela da sociedade e de modo geral, não se sente obrigado a prestar-lhe contas. E as campanhas eleitorais são muito dispendiosas.
No sistema distrital, o representante é eleito numa circunscrição limitada. No caso brasileiro, corresponderia aproximadamente a 300 mil habitantes e 150 mil eleitores. O deputado seria obrigado a prestar contas aos seus eleitores e os custos das campanhas eleitorais cairiam muito.
Embora não se disponha dessa experiência no Brasil, a julgar pelo que se verifica nos países que o adotam, o voto distrital reduz drasticamente o número de partidos políticos. O sistema proporcional, por sua vez, assegura maior diversidade.
A Constituição Brasileira adota o sistema proporcional, mas há uma grande corrente favorável ao voto distrital; ambos, porém, atendem aos objetivos de alcançar a estabilidade política.
Do que precede verifica-se que efetivamente a democracia não cai do céu nem é dada a todos. Sua consolidação requer o concurso de um grande número de pessoas e não apenas da classe política. Por isso todos os cidadãos precisam ter presente essa situação e saber como contribuir para “construir a representação”.
“Construir a Representação” é o real significado da “Democracia Representativa”. Para tanto, a primeira condição é abandonar a ideia de que o Estado resolve tudo. A crença no Estado como elemento capaz de solucionar os nossos problemas é, presentemente, o maior obstáculo na tentativa de consolidar as instituições do sistema representativo. Devemos nos convencer de que o Estado constitui um problema e não a solução.
Vale a pena fazer referência à excelente exposição que o Acadêmico Dr. Sergio Alves Gomes desenvolve em sua obra “Hermenêutica Constitucional – Um Contributo à Construção do Estado Democrático de Direito”, a respeito da caracterização da Democracia como “participativa”. (Curitiba/ Juruá Editora, 2008).
Aceitando, portanto, que o sistema democrático-representativo é a única alternativa disponível, a tarefa primordial consiste em construir a representação. Essa depende,  em certa medida, do sistema eleitoral. Deve-se construir uma forma de relacionamento permanente com o representante.
É intolerável continuar aceitando passivamente a atuação de um partido político distanciado da representação dos reais interesses da sociedade, bem como de um Deputado que não representa seus eleitores, considerando que a função de um partido político é de “afunilamento” de interesses de um grupo social a serem apresentados e defendidos na Câmara dos Deputados. Da mesma forma, é intolerável continuar dando respaldo às chamadas “coligações eleitorais”, que tem por objetivo receber os generosos recursos do Fundo Partidário, bem como ter acesso gratuito ao rádio e à televisão.
Esse esquema possibilita que o eleitor deposite seu voto no candidato A e acabe elegendo o candidato B. É imprescindível, portanto, evitarmos votar em partido e candidato que não nos representam. É uma tarefa difícil, visto que a maioria dos chamados “Partidos” não apresentam garantia de “representação”; bem como muitos “Deputados” dedicam todo seu tempo a algo bem longe do interesse dos seus eleitores.
A convicção de que o sistema democrático-representativo deve merecer a nossa preferência constitui a mola propulsora para construir adequado relacionamento com a representação política.
É tarefa difícil; contudo, muitas nações conseguiram realizar esse ideal e nós também podemos lográ-lo.

Prof. Leonardo Prota
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Declamação da poetisa e Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina


"Sinto Vergonha de Mim"
de Cleide Canton


 Sinto vergonha de mim por ter sido educadora de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra. Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo. Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro! Poema escrito em 03/09/2006 ---------------------------------------- "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

Rui Barbosa, (parte de discurso no Senado, em 1914)
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MOMENTO DE ARTE


Convidamos o artista plástico Carlos Ruiz para apresentar algumas das suas pinturas, As telas impressionaram os presentes, pelos seus traços firmes e marcantes, onde a qualidade do desenho, a perspectiva, as cores e o equilíbrio se destacavam. Além de telas grandes, o artista trouxe também quadros menores, pois se dedica atualmente a pintar paisagens, segundo ele, aproveitando certos momentos do dia em que a iluminação favorece e destaca as cores. 
Carlos Ruiz trabalha como Terceiro Sargento, é Bombeiro Militar e autodidata - para ele a pintura é fundamental na sua vida, tendo feito seus primeiros experimentos ainda menino.
Nossas Acadêmicas Saide Maruch e Fátima Mandelli exibindo algumas
das obras do pintor Carlos Ruiz

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PALESTRA
"PARIS DAS LUZES SEGUNDO O MAPA DE ÉTIENNE TURGOT (1739)"
Pelo Acadêmico e Professor Ricardo Vélez Rodriguez *


O Acadêmico e Professor Ricardo Vélez Rodriguez apresentou a palestra "Paris das Luzes Segundo o Mapa de Étienne Turgot (1739) com o brilhantismo que lhe é característico, suscitando enorme interesse dos presentes.
Para tomar conhecimento do trabalho completo do palestrante, acesse o link:
O Pont-Neuf (que une a Île de la Cité às duas
margens do Sena) segundo o Plano Turgot-Bretez.
 É característica deste a perspectiva “a vôo de pássaro”,
que produz, no leitor, a sensação de estar
 voando sobre a cidade.

Les Les Halles et le Pilori segundo o Plano Turgot-Bretez.
   * Ricardo Vélez Rodriguez coordenou um dos primeiros centros de pós-graduação dedicados exclusivamente ao pensamento brasileiro, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Autor de obras sobre o patrimonialismo e o Castilhismo, especializou-se em identificar as raízes históricas e culturais das mazelas que assolam a política brasileira.

Extratos da reunião de 14/06/2015

PALAVRA DO PRESIDENTE

O Amor que permanece para sempre
    

     O Dia dos Namorados, recentemente celebrado, sugere-nos uma reflexão sobre o Amor.
    “Será que o nosso amor permanecerá para sempre?”  Essa é a esperança de todo casal de noivos que, com os olhos brilhantes, ao dar-se as mãos, pronuncia, com entusiasmo e sentimento “Eu prometo”.
    É realmente possível casar e então perceber que aquele sentimento intenso de amor fica cada vez melhor? A resposta é sim!
    O primeiro passo para adquirir essa profunda satisfação de um amor a dois que permaneça para toda a vida é aprender a amar a própria vida, em todos os seus aspectos, bons e maus, ásperos e prazerosos. Apaixonar-se pela vida é o grande segredo da vivência de um amor que não morre. A vida é bela!
    O amor pela vida inclui um projeto de vida: a aspiração à sua  realização pessoal. De fato, não nasce já definido, mas constrói-se ao longo de sua existência; e essa construção é fruto de decisões. O ser humano escolhe livremente o caminho de dar sentido à sua própria existência.
      Por outro lado, na vivência do amor a dois, a pessoa que convive a seu lado é igualmente livre de dar sentido à sua vida. O projeto de vida individual, portanto, deverá levar em conta uma certa convergência de aspirações, respeitando a liberdade de cada um. A plena celebração do amor e da caminhada da vida do casal exige uma contínua vigilância para o conhecimento, sempre mais aprimorado, de si mesmo e do outro.
      Daí a necessidade do diálogo; um diálogo baseado na verdade e na sinceridade; a necessidade de sensibilidade; sensibilidade que é própria de um ser humano sumamente altruísta; a necessidade de manifestar, reciprocamente, pensamentos e sentimentos; a necessidade de reconhecer erros, quando houver, e de exteriorizar afeto, quando precisar. Esses momentos são preciosos para o mutuo conhecimento, visto que, individualmente, cada um tem sua peculiar personalidade.
     Falamos em decisões livres, em liberdade.
     Mas, afinal, em que consiste a liberdade? De acordo com Kant, o ser humano livre é aquele que não cede às suas inclinações e escolhe a lei moral. Ceder às próprias inclinações é escravizar-se. Quanto à lei moral, seu núcleo é constituído pelo ideal de pessoa, que  compreende as ideias de perfeição, responsabilidade, amor do próximo e liberdade.
    Esse ideal de pessoa, ou de pessoa ideal, é inserido, naturalmente, no ser humano, como algo divino, a que nos referimos, em nossas decisões - esclarece Kant - como protótipo que nunca será alcançado, mas sempre permanece como inspirador de realizações, como meta de contínuo aperfeiçoamento humano, quando aceito em decisões livres.
     Em termos de amor pela vida, na vivência de amor a dois, esse ideal está continuamente presente  nas decisões que frequentemente exigem resposta: decisões para o amor resultam em aprimoramento da personalidade; decisões para o egoísmo resultam em perda de oportunidade do aprimoramento desejado.
    O aprimoramento desejado leva o casal a uma etapa inesquecível do amor à vida, quando pode constatar  que o importante é ter vida nos anos de idade e não idade nos anos de vida. É um conforto envelhecer juntos, na plenitude de uma vida de amor.
    Em síntese: é possível para um casal vivenciar um sentimento de amor intenso que dure para sempre, quando hoje as estatísticas apontam, em muitos casos, em curta duração?
      Sim, é possível, desde que: 1 - Cada um aprenda a amar a própria vida em todos os aspectos, bons e maus; 2 - O amor pela vida inclui um projeto de vida: a aspiração à sua realização pessoal; 3 - O projeto de vida leve em conta uma certa convergência de aspirações, respeitando a liberdade de cada um; 4 - Para tanto, a necessidade de diálogo baseado na verdade e na sinceridade; 5 - O mútuo conhecimento leva ao respeito e ao reconhecimento da peculiar personalidade de cada um e, portanto, das decisões tomadas em liberdade.
      Realmente, o amor pode ser eterno; se por acaso acaba, não era amor.
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POESIAS
Nossa consagrada declamadora, Acadêmica e poetisa Leonilda Yvonneti Spina, apresentou três obras de sua autoria: "Que Mistério é Esse?", "Teu Abraço" e "Vem..."




QUE MISTÉRIO É ESSE?

- Que mistério é esse,
que a outro ser nos impele,
nos faz identificar
com seu jeito, o cheiro, a pele?

- Que mistério é esse,
que ao vê-lo, um doce arrepio
nos percorre as entranhas
e um súbito calor nos invade e aquece
com força e emoção tamanhas?

- Que mistério é esse,
que nos faz adivinhar carícias,
um delirar de amor sem fim?

- Que mistério é esse,
que acontece, quando
a um mero olhar, num segundo,
sabemos distinguir nosso par,
entre tantas pessoas do mundo?

- Que mistério é esse, enfim,
que o aproxima de mim?

Você surge em meu áspero caminho...
Transforma em flor afiado espinho.
E, de mansinho, entra em minha vida,
que então se torna alegre e florida!

Breves momentos de ternura...
É melhor tê-los,
que nesta vida breve
nunca vivê-los!

Não importa se ela perpassa
apenas num olhar,
passeia entre as palavras
e o coração vem alegrar...

Esses instantes de ternura,
rarefeitos no tempo e espaço,
tornam-se extremamente belos
ao calor de um abraço!


TEU ABRAÇO

Quando se abre teu largo sorriso
assim de repente, num doce improviso,
ouço trinar de aves, planger de sinos,
sussurrar de brisa, sopros divinos...

Quando se abre teu largo sorriso
e todo teu ser se inunda de luz,
fulguram auroras, murmuram cascatas,
teu rosto cativa, encanta, seduz!

Há uma meiguice estampada no olhar,
um carinho que reconforta e aquece...
- A paz que a alma sedenta vem buscar
nesta vida de anseios e dura messe.

E é na prece que consigo me aquietar,
rogando prudência em tudo o que digo e faço,
pois tenho medo de, sem querer, revelar
que adoro sentir o calor de teu abraço!


VEM...

Vem...
Mas não tragas o pó de outras andanças.
Não me despertes mortas esperanças.
Vem desarmado, solto, livre
como pássaro - romântico trovador.
Vem trazer-me tua voz, teu canto, teu calor.

Vem fatigado, descansar em novos prados.
Vem faminto, desprotegido, em busca de afeto.
Mas traze em tua mochila punhados de sonhos,
nos lábios o mel que me adoçará o riso,
nos braços a quentura de muitos sóis,
nos olhos a chama de mil velas.

Vem...
E me olha, me toca, me abraça.
Ansioso me enlaça, faze-me estremecer!

Vem...
E te entrega por inteiro, no fluir das horas.
Não te inquietes, não te preocupes em ir embora.
Vive o agora, o momento que breve passa!...

Ou então... Não venhas!
Que não te quero parte, metade.
Não te quero migalha... 

Quero um amor - de verdade!
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Informática, tecnologia e conhecimentos: 
o mundo passando a jato via internet. 


O Acadêmico, publicitário e blogueiro Julio Ernesto Bahr fez uma breve análise do caminho trilhado pela informática, desde a criação, em 1946, do ENIAC, o primeiro grande computador pesando 30 toneladas e consumindo 200.000 watts de energia e do Altair 8800 criado em 1975, considerado por muitos o pioneiro na era dos computadores pessoais, passando pela sequência das descobertas ocorridas no curso dos anos e que estão ligadas à informática.
Citou a necessidade do armazenamento de dados, desde os extintos disquetes criados nos anos 70, até os últimos Zip Disk, e na sequência os CDs e DVDs que passaram a integrar os computadores; do armazenamento de dados e da eterna busca da miniaturização, como os cartões de memória, o pen-drive, o HD externo e a disponibilização das chamadas “nuvens”, ou provedores com enorme capacidade de armazenamento.
Lembrou que a internet ou World Wide Web, que pode ser
ENIAC, o primeiro computador: 30 toneladas
de peso e consumo de 200.000 W
traduzida por ‘Rede Mundial’ e nos proporciona um sistema de documentos em hipermídia interligados, está completando 20 anos, abrindo espaços para a maior diversificação de produção intelectual, gráfica e artística em todos os quadrantes da Terra de que se tem notícia na História. 

O palestrante citou a grande dúvida, que tem muito a ver com a nossa Academia: para onde caminham as informações? Um mundo que nos desafia a uma breve análise da comunicação – que nada mais é do que a informação sob várias formas de expressão. Os jornais e revistas impressos em papel viram seus índices de leitura despencar. Citou o editor do jornal norte-americano The New York Times, Arthur Sulzberger, Jr., que admitiu durante palestra em um congresso de mídia em Londres que seu jornal deixaria de ser impresso em papel "em algum momento". 
Mencionou os canais de discussão abertos pelos portais, com espaços cada vez maiores para comentários sobre as matérias, inclusive com a participação de semianalfabetos.
Lembrou que com o advento da internet, em meados da década de 1990 surgiram os sites empresariais e blogs individuais, que foram se diversificando e multiplicando por milhares e depois milhões e a contratação pelos  jornais, revistas e outras mídias que mantém sites na rede mundial de profissionais conhecidos pelo público para colaborar com conteúdo.
Mencionou Gordon Smith, presidente da National Association of Broadcasters, que em recente congresso falou do enorme crescimento de websites no mundo: hoje já são mais de 1 bilhão em contrapartida a cinco anos atrás, quando havia em torno de 200 milhões. As pessoas assistem a centenas de milhares de horas de vídeo no Youtube e publicam mais de meio bilhão de Tweets (mensagens) diariamente.  
Citou ainda os seguidores tão aficionados às redes sociais que deixam de ler e acessar qualquer outro canal de informação, atendo-se apenas ao que leem e aos vídeos que assistem nas postagens dos chamados “amigos de Face”. Essa multiplicidade de informações nem sempre verídicas acaba por causar uma distorção no entendimento, na compreensão, na educação e até na linguagem deste tipo de internauta. 
Lembrou a figura do viciado em celular, com o qual esbarramos a cada momento – é fácil de identificá-lo, sentado em bares, restaurantes, bancos de praça, ônibus e até caminhando na rua, sempre teclando no seu celular. Deste vício surgiu a expressão Nomofobia, termo muito recente e que significa uma fobia ou sensação de angústia que aparece quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incontatável sem seu aparelho de celular. Hoje existem no Brasil cerca de 30% mais celulares do que o número de habitantes. Finalizou afirmando que não existem gurus nem profetas que possam imaginar como será o mundo da informática dentro de cinco anos. 
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Momento de Arte
Narciso Coppo Filho



O artista e professor Narciso Coppo Filho, convidado para a apresentação no Momento de Arte da Academia, trouxe várias das suas obras e relatou sobre suas experiências com a pintura, desde os estudos das obras de Van Gogh e outros impressionistas, seus trabalhos com esculturas, até as telas que pinta atualmente abordando o tema mar – praias, navios, água. Uma das telas foi preparada com materiais agregados às tintas a óleo, como cascas de árvores, areia e outros elementos. O artista também produz estamparias a serem utilizadas em fashion
design. 
Adota óleo sobre tela e, em suas esculturas, trabalha com sucata. Algumas das telas apresentadas são uma releitura de obras impressionistas. O resultado das suas obras foi bastante elogiado pelos presentes.
    
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Palestra
“Signos, símbolos e representações na literatura de cordel”

Alcides Victor de Carvalho *

O Acadêmico e Professor Alcides Victor de Carvalho nos brindou com a apresentação de palestra focando a literatura de cordel: com projeção de várias imagens, explicou o significado de signos, símbolos e representações na literatura de cordel, criada por pessoas pouco alfabetizadas, mas que obedecem rigidamente à metrificação poética, contando histórias, lendas e mitos.
Explicou aos presentes o porquê do formato praticamente padronizado – os poetas aproveitavam papel de embrulho de pães para executar suas rústicas impressões.
Mostrou-nos vários exemplos de capas dos livretes, criados em xilogravura – os autores se utilizam de instrumentos rústicos para esculpir a madeira – e as irregularidades da tipologia na impressão dos versos, pois são aproveitados tipos de fontes diferentes, obtidos de sobras de velhas tipografias. Falou-nos sobre a origem do nome cordel, quando os livretes eram vendidos em cordas de varais, presos com pregadores de roupa. 
Segundo o professor, a literatura de cordel é provavelmente mais numerosa e mais vendida do que os livros das editoras, pois são tiragens de milhares de exemplares, frutos de uma produção intensa por vários e vários cordelistas.
O palestrante mostrou a imagem de um texto original escrito por Patativa do Assaré no hospital, dias antes de frustrada viagem para a França, a convite, para falar da sua obra. Patativa do Assaré era o nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva e nasceu na cidade de Assaré (Ceará), um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador e poeta, além de produzir literatura de cordel.
Para surpresa dos presentes, o Prof. Alcides relatou que o segundo maior acervo de literatura de cordel no mundo está aqui na cidade de Londrina, na Biblioteca da UEL – Universidade Estadual de Londrina, acervo para o qual colaborou com milhares de obras recolhidas em suas viagens pelo Nordeste, para o trabalho de sua tese de doutorado na França. Pouco conhecidos, o Paraná conta também com autores de literatura de cordel. E mais surpreendente ainda foi a revelação de que o maior acervo de literatura de cordel no mundo se encontra no Japão e o terceiro na Universidade de Poitiers, França.

*Atua no Magistério, é Mestre em Literatura Popular, pela Sorbonne, foi Secretário Municipal da Cultura de Londrina, Diretor da Casa da Cultura da UEL e Assessor Cultural da Unesco, entre outros cargos.

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Nosso Acadêmico Trovador premiado!

O Acadêmico e Trovador, Maurício Fernandes Leonardo, declamou Trovas de sua autoria, classificadas em recentes concursos nacionais de Trovas, promovidos pela UBT - União Brasileira de Trovadores, apresentando o troféu e certificados que lhe foram concedidos.


Extratos da reunião de 10/05/2015

PALAVRA DO PRESIDENTE

Em nossa reflexão sobre a Família, na reunião anterior, ao abordarmos o tópico “Dimensões constitutivas da pessoa” tratamos do primeiro aspecto: A cidadania.
Resta-nos, agora, tratar do segundo aspecto : “A solidariedade”.
A solidariedade pode ser entendida a partir da “Descoberta do outro”. Essa descoberta acontece mediante o processo de experiência religiosa.
Entre os estudiosos do fenômeno religioso, na modernidade, devemos evidenciar três autores: William James (1842-1910), que em seu livro “As variedades da experiência religiosa” analisa a vida religiosa sob a ótica do pragmatismo; Rudolf Otto (1869-1937), que em “A ideia do sagrado” traça uma caracterização transcendental da vivência religiosa; e Mircea Eliade (1907-1986), que em “O sagrado e o profano” estuda o fenômeno religioso usando o método fenomenológico.
Na presente reflexão, vamos ter como referencia o texto de Rudolf Otto: A ideia do sagrado.
Rudolf Otto foi professor em diversas universidades alemãs, tendo chegado a titular de teologia em Breslau, transferindo-se em seguida para Marburgo, onde se aposentou em 1929. 
Em sua analise, Rudolf Otto inspira-se em Kant. Para Kant, como para o neokantismo, o que sustenta o conhecimento cientifico e lhe assegura validade universal são determinados conceitos (categorias) que não provém da experiência. São chamados a priori. Para Rudolf Otto, o conceito fundamental de que procede a vivência religiosa é o de numinoso.
 O termo provem da palavra latina numen, que significa divindade. O sufixo oso corresponde a cheio de, (medroso=cheio de medo; numinoso = cheio de divindade).
Rudolf Otto quer aprender o racional e o irracional na ideia de Deus; para tanto procede a analises histórica, psicológica e semântica do conceito de numinoso. Tratando-se de um a priori ( ou seja, que não provém da experiência ) não pode ser definido, mas pode ser descrito. Pela força de reflexão da razão podemos identificar o numinoso como um conhecimento puro, ou seja, que confere objetividade, e a priori, ou seja, que brota do fundo da alma e que é, portanto, irredutível à experiência.
Objetivamente,  O que é e como é,  tal como o sinto fora de mim, isso que chamamos de numinoso?
O primeiro sentimento que acompanha ao numen é expresso pelo adjetivo tremendum. Temor não é o mesmo que medo. O sentimento do tremendo provém do desconhecido, do misterioso, do absolutamente outro; enquanto que para o medo podemos identificar causas naturais.
O segundo sentimento que acompanha ao numen é expresso pelo substantivo majestas, majestade. O numinoso apresenta-se na experiência mística (que constitui o cerne e a forma mais elevada da experiência religiosa) fundamentalmente como majestade tremenda. O conceito de majestade indica poder, potência, onipotência. A esse elemento de majestade, de onipotência, responde como o seu correlato no sujeito, como a sua sombra e reflexo subjetivo, aquele sentimento de criatura que surge do contraste com essa potência superior, como sentimento da própria submissão, da anulação, do aniquilamento, do ser terra, pó, cinza, a matéria prima numinosa para o sentimento da humildade religiosa.
O terceiro sentimento que acompanha ao numen é expresso pelo substantivo energia. Essa qualidade do numen percebe-se como “orgé” ou ira e é traduzida mediante expressões como vida, paixão, essência afetiva, vontade, força, movimento, agitação, impulso. Subjaz tal sentimento à expressão mística do amor divino que consome. “O amor – frisa um místico citado por Rudolfo Otto – não é mais do que ira extinta”.
Em relação aos três sentimentos despertados pelo numen, os gregos criaram a palavra eusébeia, que significa “a relação de emoção e de servidão face ao divino”.
Após caracterizar os sentimentos que acompanham ao numinoso, Rudolf Otto evidencia o que denomina de aspecto fascinante. Ele observa: o fato mais marcante, da história da religião, é o contraste que se estabelece, na vivência do numinoso, entre os sentimentos de terror e de atração. Ao longo de todas as épocas, a humanidade vivenciou o mysterium tremendum, suspensa entre os sentimentos contraditórios do retraimento perante o divino e de atração fascinante perante uma realidade plena, majestática, maravilhosa; entre os sentimentos de pavor diante da majestosidade do divino e de fascínio que esse divino inspira. Essa dimensão vertical da vivência religiosa é constituída de uma relação de temor da criatura diante do criador e, ao mesmo tempo, de amor pela bondade que inspira a figura de Deus Pai. Permitam-me de lembrar como eu vi meu pai ao longo da minha existência: a imagem de Deus, severo e bondoso. Uma bondade cativante e uma justa severidade. Essa imagem é que inspira o divino, de bondade e severidade.
Desse aspecto de fascínio, atração, surge o sentido horizontal da vivência religiosa, o amor e a solidariedade. É a descoberta do outro que completa a descoberta do eu; Quanto mais o meu eu se aproxima do outro, tanto mais se distancia do egoísmo, que é a frustração do eu e mais perto dá-se o encontro do meu verdadeiro eu, plenamente realizado.
Essa vivência deve ser facilitada pela educação religiosa, de que se incumbe a igreja.
Facilitar significa apresentar modelos inspiradores, pela palavra e pelo exemplo e não imposição, visto que a crença religiosa deve ser aceita por decisão voluntária. A imposição é uma violência.
Aqui, também, deve-se pensar na estreita colaboração entre família e igreja.
 A vida sem a dimensão religiosa perde sentido.


Prof. Leonardo Prota

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Mães de Todo Jeito e Feitio


Pela Acadêmica, Socióloga e 
Profa. Maria Lucia Victor Barbosa

A Acadêmica apresentou palestra homenageando o Dia das Mães, abordando a maternidade, que pode ser definida como o amor mais puro, o laço mais profundo, a doação mais perfeita, a integração mais divina representada por mãe e filho, não importando a cor, a cultura, a classe social. Em todas as sociedades, em todos os tempos, a figura materna é uma das mais respeitadas. 
Citou a palestrante os antigos, que viam seu mundo dividido entre duas metades: a masculina e a feminina. Falou dos cultos a deusas, especialmente Ísis e Osíris, que os egípcios antigos buscavam para sua segurança e para auxiliá-los na morte.
Citou também Zeus e Deméter da Grécia Antiga, pais de Perséfone, que foi raptada por Hades para ser sua esposa, permanecendo com ele por quatro meses e o resto do ano com a mãe, simbolizando o retorno da primavera. E no hinduísmo, onde a deusa-mãe se manifesta tanto como consorte das principais divindades masculinas hindus quanto de forma genérica que encerra milhares de deusas locais ou devis. No cristianismo falou da figura não de uma deusa, mas de uma Mãe de Deus, que porta várias denominações, mas é apenas uma.
Mencionou as mães de todos os jeitos e feitios: as que não podendo gerar um filho de sua carne geram um filho do seu coração, as mães adotivas. A tia que é mãe. A irmã que é mãe. A mãe que é pai e até o pai que é mãe. Falou da mãe desnaturada que mata, abandona o filho ou o trata de forma indiferente. Lembrou das conquistas das mulheres no lado profissional, da necessidade das mães modernas de repensar um meio de progredir como seres humanos e aproveitar espaços para conviverem o máximo com seus filhos.
Lembrou as constantes separações de casais e suas consequências nos relacionamentos entre pais, filhos e irmãos. Das avós, chamadas de mães com açúcar, duplamente mães, duplamente privilegiadas e homenageou as mães que perderam seus filhos ou cujos filhos nasceram com problemas de saúde. E terminou a apresentação com uma poesia de Khalil Gibran sobre filhos:

Seus filhos não são teus filhos, 
São filhos e filhas da Vida por si mesma. 
Eles vêm através de ti, mas não de ti, 
E embora estejam contigo não te pertencem. 

Poderás dar-lhes teu amor, mas não teus pensamentos, 
Pois eles têm seus próprios pensamentos. 
Poderás acolher seus corpos, mas não suas almas, 
Pois suas almas habitam a mansão do amanhã 
Que não podes visitar nem mesmo em sonhos. 
Poderás ser como eles, mas não tentes
Torná-los semelhantes a ti, 
Pois a vida não para nem se atrasa com o dia passado. 

Tu és o arco pelo qual teus filhos, como flechas 
Vivas são projetados.
O arqueiro vê o alvo no caminho do infinito e Ele
Te dá força para que suas flechas voem céleres
Para longe. 
Que a tua firmeza pela mão do arqueiro seja para a 
Alegria: 
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama
também o arco que permanece estável.

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"Mãe"


Poesia de Mario Quintana, apresentada pela 
Acadêmica e Profa. Aparecida de Fátima Pedrosa Mandelli

MÃE...
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena - confessam mesmo os ateus -
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

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O novo Leviathã Norte-Americano e as falcatruas do ex-primeiro-ministro de Portugal


Pelo Acadêmico e Médico Dr. José Ruivo 


Em breve intervenção, o Acadêmico discorreu sobre o chamado novo Leviathã norte-americano, que sepultou mais de 2.500 anos de civilização ocidental por defender a tese de que não é por ter mais poder que se pode fazer aquilo que mais convier aos próprios interesses, que não é por ser mais forte que se é mais justo. Mencionou também que o novo Leviathã será formado por meio de um pacto social e imposto pelo poder de armas a todos os países que não forem do interesse dos EE.UU. 
Discorreu ainda sobre o desvio de 62 bilhões de euros por parte do ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates, valor desaparecido dos fundos da União Europeia. Lembrou que Sócrates é grande amigo do ex-presidente Lula, autor do prefácio do seu livro "A Confiança no Mundo".
Como fundamentação, colocou dois textos à disposição dos presentes.

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A arte e o olhar: o universo dos sentidos na obra de Vik Muniz


Profa. Dra. Thais Jerônimo Duarte
Doutora em Estudos da Linguagem pela UEL, graduada em Comunicação Social e Especialista em planejamento e gerenciamento estratégico


O presente ensaio propõe uma análise acerca da obra de Vik Muniz (1961-atual), artista plástico brasileiro que obteve em terras estrangeiras o reconhecimento por seu trabalho inovador. A produção de Vik Muniz evoca o experimental. São fragmentos, codependentes, que apontam para a complexidade de uma estrutura maior, indicando uma obra aberta, onde a direção está ligada a questões que emergem durante o próprio processo de construção. No trabalho do artista, uma obra leva à outra, de forma até instintiva. Durante a criação das obras ocorre uma retroalimentação, de modo que mutações estruturais podem ser observadas, a começar pela evolução técnica.
Ao apropriar-se, ludicamente, de ícones, traduzindo-os por meio de materiais inusitados, as imagens de Vik desafiam o olhar. Por meio de experimentações, o artista cria e recria obras de arte que, posteriormente, são fotografadas e apresentadas ao público. A obra de Vik Muniz manifesta-se de forma complexa, permitindo a aproximação de vários tipos de público, com diferentes conhecimentos sobre a arte. Além da necessidade de servir de palco para as obras, a escolha pela fotografia contribui também para a aproximação do público. Neutralizados por ela, os materiais apresentam-se como pigmentos compondo a imagem de um quadro. Após uma primeira interpretação, quase literal, dos elementos presentes na própria fotografia, a apreciação da obra ativa o repertório do observador, estimulando novas possibilidades de leitura.
Vik Muniz declara que sua primeira motivação para fazer arte é justamente o intercâmbio com o observador e as diferentes maneiras como cada indivíduo percebe o mundo visual. Para ele, “o artista faz somente metade da obra, o observador faz o resto, e é a autoridade do observador que confere à arte sua força miraculosa”. Assim como o artista, entendemos que compreender a relação entre a estética da criação, construída pelo emissor, e a atribuição de sentidos, efetivada pelo receptor, é fundamental para ter o conhecimento holístico da obra, em sua plenitude, da gênese à fruição.
Sabemos que toda imagem é fortemente marcada por escolhas históricas e culturais do indivíduo. É irreal pensar em imagens sem subjetividade. A parcela de escolha individual, e cultural, na criação de imagens, demonstra a perspectiva usada para construí-las e, de certa forma, molda a maneira como serão interpretadas. Todo o fenômeno da visualidade é marcado pela capacidade das imagens de agirem à distância, deflagrando diferentes leituras, de acordo com os modos de percepção.
Enquanto a visão é uma função fisiológica, a percepção é um processo mental que organiza os estímulos visuais, interpretando-os. Percebemos forma e conteúdo enquanto vivenciamos nossas interpretações. Em função da percepção, todo nosso ser sensível é mobilizado, permitindo, por meio de associações e da própria imaginação, nossa compreensão de mundo.
Todo o domínio do visível está diretamente relacionado ao movimento do olhar. A visão, contudo, acontece em parte por meio dos olhos, mas não só através deles. Outros sentidos estão inevitavelmente envolvidos e a visão é constantemente alterada pelos sentimentos. O ato de ver, de olhar, não está relacionado somente ao visível, mas ao invisível, definido pela imaginação, tornando tal universo ilimitado. Merleau-Ponty afirma que “assim como não se pode fazer um inventário limitativo das utilizações possíveis de uma língua, ou simplesmente do seu vocabulário e das suas variantes, tampouco se pode fazê-lo em relação ao visível”.
O que uma pessoa vê é constantemente alterado por seus conhecimentos e pelo contexto que a envolve. Quando já tivemos a experiência visual de alguma coisa, mesmo que ela não esteja ali, é possível enxergá-la, por meio da imaginação, pelos olhos da mente. Tudo que vemos é mediado por nossos conceitos e valores, além da perspectiva de observação. É por meio da imaginação que produzimos e deciframos as imagens. Tratam-se de códigos que traduzem eventos em cenas, são uma espécie de mediação entre o homem e o mundo, a partir do momento em que o representa.
"Luciana"
A leitura das imagens não ocorre como a da escrita, de forma linear. Não olhamos as imagens de modo global, mas por fixações sucessivas. A atividade do espectador diante da imagem consiste em utilizar todas as capacidades do sistema visual e confrontá-las com os dados icônicos armazenados na memória. Quando exploramos uma imagem, além do movimento dos olhos, há uma variação de leitura decorrente de nossa própria intencionalidade. Um olhar informado, ou experimentado, desloca-se de maneiras diferentes quando exposto a determinada imagem.
Ao observar uma imagem há uma exploração que raramente é inocente. Busca-se a integração de uma multiplicidade de fixações particulares sucessivas que acabam por definir a forma da visualidade. De acordo com o contexto, enquadramos os diversos estímulos recebidos em padrões, a fim de que façam sentido e possam ser ordenados e integrados em uma síntese. A forma como percebemos o mundo é uma constante sucessão dessas sínteses.
As obras de arte não são produtos naturais, mas humanos, criadas para o homem e dirigindo-se à sua sensibilidade. Toda obra tem um fim particular que lhe é imanente. Durante a criação, o inesgotável poder estético do pensamento permite que o projeto se desenvolva e que a obra tome sua forma, buscando uma imagem mental, já formatada pelo artista. O estilo vai se
moldando e revelando o artista como um todo. A obra passa a representar um todo artístico que se traduz em forma, conteúdo e estilo.
O ato criador abrange a capacidade de compreender e esta,
"Valentina"
por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar e significar. Na busca de ordenações e significados, reside a profunda movimentação humana de criar. A própria noção de estilo, que define determinado artista, é baseada no conjunto de experimentações decorrentes do processo de produção das obras.

As imagens de Vik Muniz refletem o sentido da percepção como uma construção social, dependente do alargamento da capacidade de recepção do indivíduo, ou seja, da capacidade de ver, ouvir e sentir. A capacidade estética, subjetiva, é formada a partir das relações objetivas da vivência social de cada um. Antes de ser uma realidade tangível, e visível, a obra de arte existe na mente criadora. Como um produto do espírito, exige, simultaneamente, uma atividade subjetiva de quem cria e um apelo à sensibilidade de quem observa.

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Maurício Fernandes Leonardo
Breves intervenções na Reunião

Antes do término da nossa reunião mensal, tivemos o privilégio de ouvir três intervenções: o Acadêmico Maurício F. Leonardo declamou duas poesias de Lygia Sarmento ("Deus é vida" e "Deus é Deus").
Edilson Elias



O Colaborador Cultural Edilson Elias declamou uma breve poesia alusiva ao Dia das Mães, de sua autoria. 
Sergio Alves Gomes


O Acadêmico e Prof. Sergio Alves Gomes, Orador de nossa Academia, aproveitou o ensejo da data para falar da mãe-educadora e dos conflitos ocorridos recentemente em Curitiba, quando do movimento de reivindicações dos professores, criticando a forma como a "Pátria Educadora" trata seus filhos.