Extratos da reunião de 14/04/2019

Mesa diretiva, com nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira ladeada pelo palestrante do dia, Prof. Carlos R. Appoloni e nosso Orador, Sergio Alves Gomes

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias. mais uma vez 
conduziu os trabalhos

A Acadêmica Dinaura G. Pimentel Gomes fez a leitura
do nosso Credo Acadêmico


Ética

A base da sociedade é o esforço coletivo para um fim comum. Há vários ideais estabelecidos para essa finalidade. Do ponto de vista pragmático, o propósito da sociedade é realizar aquilo que é necessário ao indivíduo e que ele não pode fazer para si mesmo. Com o passar de cada década, o cidadão se torna mais consciente de sua dependência, de alguma forma, aos demais membros da sociedade. Grande riqueza pessoal não diminui essa esperança nos outros. A abundância que alguém possa desejar, conquistar ou mesmo os projetos culturais que um filantropo pretende promover, exigem a inteligência de muitas outras pessoas para que se possam se tornar realidade.
Frequentemente tem sido relatado, de várias formas, por antropólogos e sociólogos, que o homem aparentemente expedito e próspero de hoje se sentiria desamparado se colocado em um ambiente primitivo, sem as facilidades de que normalmente desfruta. Na maioria dos casos não saberia ele como conseguir alimento em seu ambiente, e possivelmente nem mesmo seria capaz de aproveitá-lo em sua condição natural.
A maior parte das pessoas seria, do mesmo modo, incapaz de fabricar suas próprias ferramentas e de construir habitação conveniente.
Embora a igualdade entre os homens como idealismo venha, há muito, sido difundida e seja uma expressão excepcionalmente popular nos tempos que correm, na verdade os homens não são iguais no mundo físico e intelectual. Há os que possuem maior fortaleza, mente mais perspicaz, e faculdades mais aguçadas. Todos os homens, contudo, estão sujeitos ao mesmo instinto de sobrevivência, ao desejo de prazeres e de satisfação de seus apetites. Consequentemente, aqueles que têm maiores recursos físicos ou maior capacidade mental para a concretização de seus objetivos pessoais, cedo conseguem vantagem sobre os seus menos afortunados semelhantes. Esta minoria mais especialmente aquinhoada assumiria, em pouco tempo, e como registra a história, o controle da maior parte aos recursos existentes, em detrimento do restante da sociedade.
A sociedade, portanto, em seu progresso normal, vem a muito procurando corrigir esta situação. Na verdade, se assim não fosse, jamais teria havido uma sociedade verdadeira. Essa situação tem exigido um certo confisco de expressão de liberdade do indivíduo, e que esse poder seja transferido para a sociedade, ou para o Estado, coletivamente. Isto, para que a nenhum indivíduo, pelo menos em teoria, seja negado o direito comum que a sociedade tem estabelecido, ou que reconhece como própria do indivíduo. Resumindo, o poder de autoridade dos homens, coletivamente, deve, na sociedade, superar o poder de qualquer indivíduo.
Como isto é conseguido?
Pela lei, costuma-se dizer. E que são leis? Esta pergunta, poderia ser respondida dos pontos de vista histórico, legal e filosófico.
Para esta finalidade podemos dizer, que a lei é uma norma imposta a todos os membros da sociedade, baseada na suposição daquilo que constitui o bem estar dessa sociedade. Imediatamente, portanto, surge a questão dos valores, a determinação daquilo que é benéfico ou prejudicial para o indivíduo e para a humanidade como um todo.
A história narra detalhadamente a influência moral sobre esses valores. Os conceitos religiosos dos legisladores têm quase sempre sido o fator principal na composição de suas estruturas governamentais.
A imposição de um sistema de leis para a sociedade que não se adaptasse ou que estivesse em desacordo com as idéias morais de outros, pareceria não somente desunião, mas desafios por certos grupos, o que resultaria quase sempre em anarquia.
A ética, hoje em dia, está mais ligada às nossas necessidades do que a maioria das normas e leis que preconizam uma base moral.
Isto porque a Ética está mais associada com as questões sociais. A ética estritamente falando, consiste de norma, de condutas, de ação, com respeito às relações individuais para com os outros membros da sociedade em que vive o indivíduo. Muitos códigos e preceitos éticos baseiam-se ou podem ser considerados como tendo origem em certos princípios morais. Porém, se há afinidade entre determinados princípios éticos e morais, isto se deve a esses princípios morais particulares que foram primeiramente estabelecidos com base em critérios e conhecimento da necessidade das relações humanas.
Portanto, existe hoje a tendência de justificar o declínio na questão da ética individual.
As atuais pressões, a incerteza, a rivalidade nos empreendimentos, exigem sejam relegados ao passado muitos padrões éticos.
Qual o perigo de tudo isto? É a ruptura e o declínio eventuais, completos, da sociedade. Estamos observando as furtivas sombras de uma tal situação nos acontecimentos atuais. Eles se constituem de lembretes preocupantes de civilizações passadas que, do mesmo modo, desprezaram essas defesas.

Fiquemos vigilantes na preservação de nossos valores éticos e morais a fim de constituir uma sociedade mais sadia, ética e moral.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira

Nosso Momento de Arte contou com a presença da cantora e musicista Yda Katsumi Masaki Pozza, que nos brindou com uma breve apresentação da canção japonesa "Sayonara" cantada à capela e, em seguida, com duas músicas tocadas ao piano.

(Assista a apresentação no vídeo abaixo. Programe tela grande)



"Como eu vejo a Academia"
Acadêmico José Ruivo da Silva 
(com leitura da Acadêmica Ludmila Kloczak)


Desde que aprendeu a pensar, o homem, dito “sapiens”, procura encontrar a “verdade” aquilo que é: - ontem, hoje e sempre, em sua existência inefável, perene e imutável. A presença de forças que o transcendem, e sobre as quais não tem qualquer espécie de poder, e o universo das coisas transitórias que o circundam, o leva ao encontro de um Ser Absoluto, princípio e fim da existência de toda e qualquer criatura.
Limitado no seu ser, no espaço e no tempo, à medida que vai crescendo em seu saber, a sua limitada capacidade intelectual o leva a ir dividindo os conhecimentos científicos segundo as suas afinidades existenciais – E surge a Teologia, a Filosofia, a Medicina, o Direito, a Astronomia, a Geometria, a Matemática e tudo o mais que hoje conhecemos e que, regressando às origens e aglomerando-se, se transformam numa única fonte de saber. E a observação da presença da Lei, da Ordem, da Harmonia, o levam ao encontro do Saber Absoluto. E desse Saber, busca para si, aquela parcela que sua limitada inteligência pode englobar. E o objeto na perseguição desse Saber é a Verdade.
Talvez se possa enquadrar os homens em três classes distintas: os pensadores aqueles que constroem a ciência, ou melhor dizendo aqueles que são capazes de descobrir no mundo criado as leis que o Criador nele imprimiu, e as classificam e delas se utilizam os parasitas, aqueles que destas descobertas se apropriam e as usam como suas, sem se dignar revelar qual a sua origem, e os invejosos, que apenas as procuram destruir.
Santo Alberto Magno (1200 a 1280) já na sua época deles comentava:
“Há homens que nada produzem em matéria científica, que estão atrasados em relação ao próprio século, e que, para se consolarem de sua incapacidade, se entretêm de procurar os erros dos outros. Foram homens desta tempera que mataram Sócrates e exilaram Platão. Eles estão para o organismo da comunidade dos trabalhadores da ciência como o fígado está para o corpo humano; pois assim como a bílis envenena todo o corpo, assim também há, na vida científica, homens azedos e biliosos, que enchem de amargura a vida dos outros, impossibilitando-lhes a busca da verdade”.
E acrescentou: “certos incapazes que nada sabem, querem combater à força o estudo e a prática da Filosofia. Estão presentes sobretudo entre os pregadores, onde ninguém lhes resiste e onde, quais nasce os animais, blasfemam sobre aquilo que ignoram”.
Parece-nos tão fácil aplicar estas considerações a tantos escrevinhadores, sobretudo que se dizem ativistas políticos, e que a cada passo encontramos... papagueando nos meios de comunicação ...
E digo papagueando porque, como os papagaios, falam mas não pensam naquilo que dizem ou escrevem; apenas se limitam a expor ideias que outras lhes imprimiram nas cabeças.
São Tomás de Aquino, que viveu entre 1225 e 1274, buscando a Verdade, e não a Vaidade, escreveu:
“A Ciência e a Filosofia, não são construídas por indivíduos, mas por todo o gênero humano; a busca da Verdade é obra de toda a humanidade; nela cooperam todos os homens espalhados pela superfície da Terra; Todas as gerações que se sucedem no decurso dos séculos.
“Um só indivíduo genial não consegue dar à ciências, em consequência de seus estudos, senão uma contribuição mínima, em comparação com a imensidade da Verdade Total. E, contudo, é da agregação e da ordenação destas inúmeras verdades particulares, escolhidas e reunidas, que surge algo grandioso”.
“E o tempo é, de certa maneira, “o inventor da verdade”, e o melhor dos seus colaboradores na mesma. Com efeito, é graças ao Tempo que o sábio isolado se aperfeiçoa, clarificando cada vez mais as suas ideias: “é graças ao Tempo que a obra coletiva se aperfeiçoa, no sentido em que os pensadores se formam pelas descobertas de seus predecessores e lhes acrescentam a sua própria reflexão”.
Observando a motivação e o comportamento dos homens em face do Saber, disso, Santo Agostinho (354-430) o egrégio Bispo deHipona e um dos grandes esteios da Sabedoria Cristã, escreveu:
“Há pessoas que desejam saber, só por saber; e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama; e isso é vaidade; outras para enriquecerem com a sua ciência; e isso é um negócio torpe; outras, para se edificarem; e isso é prudência; outras, para edificarem os outros; e isso é caridade”.[1]
Creio, que, inspirando as nossas Academias, na maioria das vezes, está implícita a existência simultânea, da Prudência e da Caridade.
Olhando o Mundo atual, em que a loucura do homem, que de novo escuta a serpente do Éden dizer-lhe “Sereis como deuses”, vemos que sua soberba e orgulho o levam a repetir o dizer Nietsche.
 “Se houvesse Deus, como suportaria eu não ser Deus?”
Na loucura do Mundo atual, essa frase leva todos os cientistas ou pseudocientistas a julgar que criam alguma coisa, quando na verdade só identificam as leis que regem o mundo desde a sua origem e as possíveis relações entre elas, e então as utilizam para o bem e para o mal.
A Loucura, a Soberba e o Orgulho do homem atual pensa que cria algo, quando ele apenas recolhe e aplica as leis preexistentes.
O sr. Isaac Newton não inventou a Lei da Gravidade, apenas a dor de cabeça que lhe deu a queda da maçã, o levou a descobri-la.
Creio que estas palavras que escrevi justificam a minha adesão e comprometimento ativo com os trabalhos da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, em especial no setor História.
Penso em Aristóteles (384AC-322AC) quando disse: “Quem ignora a História, está condenado a repeti-la”.
E em Marcus TuliusCicerus (106AC-43AC) que escreveu: “Viver na ignorância do que aconteceu antes de nascermos, é ficar sempre na infância. Pois qual é o valor da vida humana se não a relacionarmos com os eventos do passado que a História guardou para nós?”
E José Leite de Vasconcelos (1853-1941): “Quanto mais intenso for o conhecimento de História, tanto mais firme será a consciência da Nacionalidade”.
Prof. Heber Soares Vargas: “País que perdeu a sua memória cultural, certamente perderá a sua Identidade”.
E penso: para isto caminhamos- atualmente estamos em grave perigo de perder a nossa Identidade Nacional.
E olhando os grandes progressos do saber, ficam orgulhosos quando estão tentando substituir o pensamento humano pela máquina pensante. Isso o leva progressivamente à perda da capacidade de pensar e à perda da capacidade de memorizar. Neemias, o sacerdote, quando dirigiu o regresso dos hebreus da Babilônia para Jerusalém, recitou todo o Antigo Testamento. Santo Antonio de Lisboa, também era capaz de citar grande parte da Bíblia; ainda hoje nas escolas corânicas, não são raros os mestres que sabem recitar todo o Corão, o livro Sagrado do Islamismo.
A Transmissão do saber de geração em geração se vai dando pelo ensino. Inicialmente, os mestres englobavam o conhecimento e os alunos acorriam em busca de seu ensino e seu saber. Depois que se foram estabelecendo ciências que estudavam fatos afins, primeiro em escolas separadas, até que na Idade Média surgiram os agrupamentos de estudiosos e se formaram as Universidades, à sombra das Catedrais, Bispados e mesmo Igrejas paroquiais, nas escolas públicas que ali funcionavam. Em Portugal a primeira escola pública se abriu no Mosteiro de Alcobaça em 1154, sob a direção dos Monges de Cister, a quem, D. Afonso Henriques doou esse Mosteiro [2].
Num mesmo local se concentravam os estudos dos vários ramos do saber.
Não sei como começaram, mas na Idade Moderna, um grupo de estudiosos se reúnem em vários espaços, com o fim de aperfeiçoarem os seus conhecimentos e os transmitirem entre si e a toda a sociedade.
A ideia hoje é transformar o homem em algo como um robô, facilmente manobrável; e controlável; incapaz de pensar, e como tal, privado do poder de decidir.
Quixotescamente, em luta com forças muito poderosas, a Academia procura recuperar naqueles que a integram e frequentam, não só a capacidade do reto pensar, como neles incutir o uso do livre pensamento baseado no perfeito uso da Razão.
Se procura então o retorno ao Homem integral, espírito, alma e corpo, nele se desenvolvendo todas as capacidades de que foi dotado: observar, pensar e livremente decidir, o seu comportamento em face de Deus e dos Homens, na esperança de atingir o seu fim último, para o qual nasceu, viveu e morrerá: o entrar na eternidade.
E o encontro dos vários ramos do saber, permite uma visão mais completa do mundo que nos rodeia.
Penso serem estas hoje as nossas Academias: tradicionalmente se reúnam quarenta membros numa busca de saber mais vasto, a Academia Francesa, por exemplo, ou num conhecimento mais restrito: Academia de Letras, Academia de Ciências, Academia de Medicina, etc. Em Londrina, e pelas condições da cidade, se fundou uma Academia que em si engloba Letras, Ciências e Artes- aquela a que pertenço.
Relembremos os conceitos:
“Caridade’ é o dar algo que me faz falta (dar coração)
“Filantropia” é o dar algo que me sobeja (amor do homem
Creio eu que nas nossas Academias está implícito simultaneamente a existência da Prudência e da Caridade.
E é tarefa hercúlea, num mundo atual em que se está procurando abolir não só a capacidade de pensar, como o uso do livre pensamento, a atividade da Academia que busca o retorno ao homem integral, espírito, alma e corpo, com o pleno desenvolvimento de todas as capacidades com que foi dotado.
Isto é aquilo que procuramos: o regresso às capacidades do Homem que observa, pensa e livremente decide seu comportamento na esperança de atingir o seu fim último, para o qual foi criado, viveu e morrerá.
Assim penso; e assim procuro atuar quanto o permitem os meus quase noventa anos de idade e 25 anos de Acadêmico.
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[1]“caridade” (cor datum – dado coração) - é o dar algo que me faz falta: e o dinheiro neste caso, é o que menos conta.“Filantropia” (Filos- amor do homem) – é o dar aquilo que me sobeja, de que portanto, não necessito. Caridade é sacrifício; abnegação. Filantropia é apenas o desapego de algum bem que se tomou supérfluo.
[2]Dom Afonso Henriques, por parte de seu Pai, o Conde D. Henrique de Borgonha, era primo do grande São Bernardo, o egrégio abade do Mosteiro de Claraval.

Em Adendo

Estava escrito e impresso o presente opúsculo quando algumas outras ideias surgiram em minha mente, e que aqui acrescento:
Na busca pelo saber, a razão, orientada pela inteligência, procura um caminho para encontrar a verdade. São Tomás de Aquino assim procedia: = Tese: proposta:
“Argumentos contra;
Argumentos a favor;
Conclusões”.
E me parece ser esta a base de um diálogo são e construtivo. Quando os expositores em presença se deixam guiar mais pela emoção do que pela razão, além de tornar inválido o esforço na busca de qualquer entendimento, criam um clima de animosidade que, em vez de congregar, cada vez mais dá lugar ao afastamento; e, em vez do amor entre os homens, querido por Deus (Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo) dá lugar ao ódio que, em última análise leva à perseguição e ao assassinato. E esta morte tanto pode ser uma morte física como uma morte moral; que leva o contendor a ser segregado dentro da própria comunidade. E esta morte pode ser mais dolorosa do que a morte do corpo.
Embora com profundas discordâncias com o pensamento de Voltaire, não posso de deixar de o louvar quando disse:
“Não concordo com uma única palavra
Daquilo que estais dizendo; mas defenderei
Até a morte o teu direito de dizê-lo.
Penso ser estas afirmações perfeitamente aplicáveis nos diálogos havidos na nossa Academia.
Os ataques ou alusões pessoais invalidam qualquer tipo de argumentação e impedem o reto caminho para um provável ou possível consenso.
Em meu pensamento, consenso só é válido quando encontrado num grupo de pessoas com o mesmo nível de cultura e preparação intelectual. Destas diferindo, as motivações passam a ser pessoais e não de interesse comunitário, ou seja, numa busca do Bem Comum.
Como nota final, quereria agora acrescentar algo que, em meu pensamento deveria pautar o nosso comportamento como acadêmicos.
Para lá das divergências de pensamento, que sempre poderão estar presentes (no português antigo se dizia: “cada cabeça, cada sentença”).
Tradicionalmente nos designamos como “confrades” e “confreiras” – palavras originadas de “Frater” – irmão; sendo que, para lá das palavras, nos deveria guiar o amor de irmãos.
Diz um provérbio árabe:
“O amor de um homem por uma mulher, aumenta e diminui como as fases da Lua; mas o amor de irmão para irmão é imutável como as estrelas e duradouro como a palavra do Profeta”.
Não somos irmãos de sangue; mas a busca pela verdade e pelo saber nos irmana nas mesmas aspirações e busca de um sentido para a vida.
Quereria agora muito efusivamente agradecer:
Em primeiro lugar ao nosso Confrade Pro. Miguel Contani que teve a grande caridade de pacientemente ouvir, ordenar e digitar este trabalho.
Depois quereria agradecer à nossa Confreira Profa Ludmila a sua extrema bondade de vir em auxílio das minhas incapacidades; de fato me sinto já como “impróprio para consumo”, e a elas emprestou a sua voz na leitura destas páginas.
E por fim quereria agradecer a todos, a paciência com que ouviram estas mal alinhavadas palavras.
A todos, pois o meu mais caloroso
“Muito obrigado”
Ou o português antigo
“Bem hajam”

"Aplicações da física em Artes e Arqueometria"
Prof. Carlos R. Appoloni *

Foi realizada a apresentação do Laboratório de Física Nuclear Aplicada (LFNA) a UEL (www.fisica.uel.br/gfna), com seus membros, linhas de pesquisa e infraestrutura. A seguir o palestrante discorreu sobre Arqueometria e suas duas divisões: caracterização e datação. Foram apresentados dezenas de exemplos de materiais arqueológicos e de arte estudados pelo ao longo dos anos. Apresentou-se uma breve explicação sobre o que é Fluorescência de Raios X (XRF) e Espectroscopia Raman. Foram apresentados e discutidos os seguintes trabalhos: Estudo de moedas portuguesas de prata dos séculos XIV e XV de Portugal, do acervo do Museu Histórico Nacional, RJ, por XRF portátil;  Estudo dos pigmentos de pinturas rupestres das cavernas de Morro Azul, PR, por XRF e Raman portáteis; Estudo por XRF portatil dos pigmentos da pintura "Himeneu travestido assistindo uma dança em honra a Priapo" (séc. XVII), de Nicola Poussin, do acervo do MASP-São Paulo; Estudo  dos pigmentos, velatura e aglutinante por XRF portátil, TXRF e Raman da pintura "Moema" (séc. XIX), de Victor Meirelles, do acervo do MASP-São Paulo. 

O palestrante recebendo seu Certificado de Participação
das mãos do nosso Membro Benemérito
Dr. Luiz Parellada Ruiz, junto à presidente
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
* Bacharel em Física pela USP (1973), Mestrado em Física Nuclear pela USP (1976), Doutorado em Física Nuclear pela USP (1983) e Pós-Doutorado em Física Nuclear Aplicada pela Universitá di Roma La Sapienza (1993). Foi docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de agosto de 1976 a março de 2019. Criou o Laboratório de Física Nuclear Aplicada desta universidade (LFNA) em 1977, o qual coordenou até março de 2019. Desde abril de 2019 é Professor Sênior da UEL e membro do LFNA. Atua principalmente nos seguintes temas: transmissão e espalhamento de raios gama, fluorescência de raios X, espectrometria gama, microtomografia com raios X e espectroscopia Raman. Atua como docente e orientador nos cursos de Mestrado e Doutorado em Física da UEL. É Pesquisador do CNPq nível 1B. É Professor Emérito da Universidade Estadual de Londrina desde 2011. 

Extratos da reunião de 10/03/2019

Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, deu início à reunião


Mesa diretiva. Ao centro, a Presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, ladeada
pelo palestrante do dia, Leirton Marques e pela Vice-Presidente
Maria Lucia Victor Barbosa

O Acadêmico José Luis de Oliveira Camargo procedeu à leitura do
nosso Credo Acadêmico


Dia da Mulher
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
Celebrado no dia 08 próximo passado, o Dia Internacional da Mulher, rendeu homenagem às nossas valorosas mulheres, esposas, mães, atuando em todas as áreas profissionais.
Foram grandes conquistas alcançadas pelas mulheres no campo do trabalho, política e igualdade diante da lei.
Porém, isto tudo é muito pouco!
Ainda vivemos em um mundo quase que exclusivamente governado por homens. Vamos continuar nossa luta, para que, em um futuro próximo, possam as novas gerações participar de tempos com menos violência, mais justiça social e, consequentemente, mais paz e harmonia.
Os opostos devem buscar o equilíbrio para que haja paz social. E essa harmonia só conseguiremos quando homens e mulheres estiverem lado a lado, decidindo os destinos do mundo, sem competições, sem demonstrações de força e poder,mas tendo como objetivo primeiro e maior, a relativa paz entre os seres humanos.
Quando os opostos, no caso homens e mulheres se equilibram, geram uma energia de luz pura, é isto que conduz o ser humano no caminho em busca da evolução e aprimoramento da espécie humana.
Todos os homens e mulheres nascem iguais, visto que estão imbuídos com os mesmos desejos básicos e instintivos.
Desejam o bem estar físico e mental. Desejam a oportunidade para desenvolvimento e expressar suas ideias e pensamentos. Esses desejos podem ser concebidos por diferentes povos e em diferentes idiomas; podem se tornar manifestos com frases ou expressões eloquentes.
As diferenças de expressões nos homens e nas mulheres, são superficiais e não fundamentais.
A tolerância é o reconhecimento dessas diferenças em cada um, e a defesa do direito de que elas existam.
O respeito mútuo e a tolerância em relação às diferenças de cada homem e de cada mulher é a chave para construirmos uma sociedade mais harmoniosa e evoluída.
A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, presta, em nome de todos os seus acadêmicos, as homenagens às nossas mulheres guerreiras que silenciosamente, a cada dia, mais conquistas têm realizado em nossas comunidades.
Através de leveza e fluidez da rosa, a mulher emerge para, sem disputas, mas como colaboradora, leve e suave como a rosa, para ocupar o espaço que lhe é devido.
  
“Alma de Mulher”

“Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar,
Que cobra de si a perfeição
E vive arrumando desculpas
para os erros daqueles a quem ama
Que hospeda no ventre outras almas,
dá luz e depois e fica cega,
diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá asas, e ensina voar
mas não quer ver partir os pássaros,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda que
seu amor não perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso as dores que
sente na alma, só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte, pra dar os
ombros para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia
Soube entender a Alma de Mulher!”
(autor desconhecido)



Declamação
"Rosa dos Ventos"
Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina
(De sua autoria)

Nem Sinhá, nem libertária,
nem ingênua, nem pantera...
Mulher determinada:
- Conquista da nova era!
És farol, és leme,
âncora, porto seguro.
Liberal, consciente
 de que, afinal, a Pátria amada,
idolatrada, muito te deve!

Quem se atreve a dizer
que esta Nação seria a mesma,
não fosses tu a lavrar a terra,
a tecer nos teares,
a mourejar nas fábricas,
a brilhar nos esportes e passarelas,
a despertar emoção nas artes,
nas letras, na ilusão das telas...

- A provar teu talento
nas Empresas e Repartições;
a semear o saber em todas as gerações;
a propagar a fé, curar os enfermos;
a levar, sob a brancura dos aventais,
consolo e esperança
na solidão dos hospitais.

- A fortalecer a democracia
 pela presença nas ruas, nas praças
e nas tribunas, defendendo a coletividade,
 ou na seriedade dos Tribunais,
para que  Justiça se faça cada vez mais
(mas, sem escarcéu...), diante de Themis,
de olhos às vezes vendados,
sob a fragilidade de transparente véu!

Tens a mansidão dos rios,
porém, a fúria das tormentas,
quando te impões desafios
ou adversidade enfrentas!
Sabes ser missionária, enfermeira,
cuidar do soldado ferido...
És também cúmplice, companheira,
dando ao partilhar mais sentido.
És altiva militar, armada
para enfrentar  ou prevenir o perigo...
És ainda... anjo da guarda de teu lar,
nem sempre doce, porém, morada,
aconchego, abrigo...

Ah! Mulher, titular de tantos Ministérios:
- do Trabalho, Saúde, Previdência,
Fazenda, Educação...
E dos Transportes, principalmente,
pois assiduamente pilotas fogão, conduzes
carrinhos de feira, bebê, supermercados...
(És motorista, condutora, navegadora
por mares nunca dantes navegados...”)

- Secretária da Infância e Adolescência:
(trocar fraldas, que paciência!...)
 choro incontido, som alto no ouvido...
 (- Madrugar... por que não?)

E com os filhos crescidos
continuas acordada
 na madrugada,
 à espera de ouvir na porta
um divino toque...
A melodia da chave tem sons de harpas,
acordes de bandolins,
porque só assim consegues dormir
e sonhar com um mundo novo...

Mulher! Como Mãe e Maria,
o teu nome principia
na palma de tua mão...”
Tens a essência da flor:
- Simbolizas encanto e sedução...
E te tornas mais bela e enternecida
se abrigas em teu ventre
 a semente de uma vida,
quando já és rosa, não mais botão!...

És a um tempo: flor e espinho, veneno e mel!
Imprescindível como o ar, suave
como o orvalho, serena como a chuva,
ardente como o sol, fecunda como a terra...
Quanta força teu ser encerra!
Rosa... “rosa dos ventos”...
- Que rumos tomarás neste milênio?


Evolução técnica da imprensa no Paraná
Acadêmico Edilson Elias *
Bom dia, presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira, demais acadêmicos e todos os presentes que vieram prestigiar esse encontro.
Pela primeira vez venho nesta casa na condição de membro. Das outras vezes, meus pronunciamentos foram de Colaborador Cultural.
Em primeiro lugar quero citar o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Joaquim Falcão, que em seu pronunciamento de posse afirmou que a cultura é a matéria prima da Democracia. Quero fazer minhas as palavras do grande escritor do Oriente Gibran Kalil Gibran em sua célebre frase de que “a Cultura é o único bem que os tiranos não podem confiscar”.
A respeito da evolução técnica da imprensa devo dizer que o tempo é curto e irei ser breve... 
No século XV o inventor, gravador e gráfico do Sacro Império Romano-Germânico Johannes Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, e que é amplamente considerado o invento mais importante do segundo milênio. Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, ou simplesmente Johannes Gutenberg (me perdoem a pronúncia de meu alemão) foi um inventor, gravador e gráfico do Sacro Império Romano-Germânico. Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, e que é amplamente considerado o invento mais importante do segundo milênio. Teve um papel fundamental no desenvolvimento da Renascença, Reforma e na Revolução Científica e lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a disseminação em massa da aprendizagem.
Gutenberg foi o segundo no mundo a usar a impressão por tipos móveis, por volta de 1439, após o chinês Bi Sheng (Bi-chiê) no ano de 1040, e o inventor global da prensa móvel. Entre suas muitas contribuições para a impressão de Gutenberg estão: a invenção de um processo de produção em massa de tipo móvel, a utilização de tinta a base de óleo e ainda a utilização de uma prensa de madeira similar à prensa de parafuso agrícola do período. Sua invenção verdadeiramente memorável foi a combinação desses elementos em um sistema prático que permitiu a produção em massa de livros impressos e que era economicamente rentável para gráficas e leitores. O método de Gutenberg para fazer tipos é tradicionalmente considerado ter incluído uma liga de tipo de metal e um molde manual para a confecção do tipo.
O uso de tipos móveis foi um marcante aperfeiçoamento nos manuscritos, que era o método então existente de produção de livros na Europa, e na impressão em blocos de madeira, revolucionando o modo de fazer livros na Europa. A tecnologia de impressão de Gutenberg espalhou-se rapidamente por toda a Europa e mais tarde pelo mundo.
Sua obra maior, a Bíblia de Gutenberg (também conhecida como a Bíblia de 42 linhas), foi aclamada pela sua alta estética e qualidade técnica.
No Paraná
Quando se conta a história da imprensa paranaense é necessário lembrar sua evolução técnica de seus primeiros passos mostrando a ação dinâmica dos pioneiros que acreditavam no desenvolvimento do Paraná.
No início do século passado, por exemplo, mais precisamente, em 1919, o nosso Estado passou a conhecer um vibrante matutino. Trata-se da Gazeta do Povo, um jornal que se confundiu com o desenvolvimento tecnológico da mídia paranaense.
Na época de sua inauguração o jornal era feito manualmente pelo sistema tipográfico. O tipógrafo formava o texto desejado, numa gaveta com pequenos compartimentos, onde eram guardados separadamente os tipos utilizados na composição manual, ajustando o componedor (utensílio de madeira ou de metal que consiste numa lâmina fixa com rebordos em ângulo reto e um cursor no qual o tipógrafo ia juntando à mão, um a um, os caracteres que formariam as linhas de composição). Nesse sistema o profissional realizava um trabalho de paciência que dependia de enorme capacidade no manuseio das “letrinhas” e depois de montado ia para a mesa de paginação, onde era colocado numa bandeja rasa e, que precisava de um montador qualificado para executar a árdua tarefa de montagem. O nosso confrade Dr. José Luis de Oliveira Camargo, aqui presente deve se lembrar (seu pai tinha gráfica e sua mocidade foi de experiência no setor). Esse processo exigia grande habilidade e atenção do “paginador”, pois qualquer descuido poderia misturar as letras com tamanhos diferentes que eram conhecidos por “empastelar” as letras montadas (era a linguagem da época). Eu mesmo sofri com isso, quando curiosos adentravam em nossa gráfica tipografia, local em que eram realizadas essas artes e, alguns deles demonstravam aflição dizendo e colocando a “mão boba”, querendo ajudar, é claro, mas, trazendo um prejuízo de bastante tempo para colocar todas as letrinhas cada uma em gavetas diferentes. Preciso esclarecer que experimentei essa atividade ainda menino (nos anos de 1960) e por questões econômicas aprendi o sistema antigo.
Vejam o trabalho do gráfico-tipógrafo. Depois da paginação, quando não acontecia nenhum inconveniente, colocava a página numa armação de ferro e tirada uma prova para a revisão (correção dos erros) e na sequência ia para a máquina de impressão. Concluído o trabalho essas chapas eram cuidadosamente lavadas e depois distribuídas em seus compartimentos de origem. Numa página o tipógrafo utilizava letras de vários tamanhos, exigindo do montador enorme criatividade. Não obstante estar obsoleto o processo foi utilizado por outros jornais até o início dos anos de 1980. Com a evolução apareceu a composição mecânica, a famosa linotipo (equipamento utilizado na década de 1940, apenas pelos grandes jornais, era muito caro), uma espécie de máquina de escrever que contava com inúmeros itens e que era operada por um profissional especializado para a atividade. Importante lembrar que esse sistema, na época considerada uma evolução extraordinária, fazia os jornais ganharem velocidade em toda sua estrutura. Essas letras eram montadas em linhas inteiras prontas junto às de maiores tamanhos e depois de utilizadas retornavam às caldeiras numa temperatura que passavam por um processo de composição quente (400ºC) e tudo era derretido, para dar prosseguimento às novas montagens. O sistema de impressão precisava ser utilizado um molde de papelão com o nome de FRAM, recebendo a pressão de gravação através de uma telha de chumbo, que seguia para a rotativa. Alguns jornais que viviam no sistema manual faziam a impressão direta, sem o processo do molde de papelão. Era só colocar o chumbo na caldeira e recomeçar o trabalho para outras páginas retornando na sequência do derretimento.
A seguir veio a fotocomposição. As matérias eram digitadas num sistema de editoração e depois redigitadas e arquivadas. A Folha de Londrina foi o primeiro jornal do Paraná a ser impresso pelo revolucionário sistema a utilizar frio. Trata-se da OFF-SET. Atualmente os jornalistas realizam o trabalho em computadores modernos e as matérias são colocadas nas páginas pelo próprio computador, antes utilizava o sistema de fotolitos, atualmente já eliminados.
A fotografia também passou pelo processo de evolução. No início era utilizado um aparelho de vidro traçado com linhas paralelas nos sentidos horizontal e vertical. Tinha por objetivo decompor a imagem em minúsculos pontos, que conhecemos por retículas. Era colocada na máquina de fotogravura entre o original e o filme para o negativo, no qual era utilizado depois para a cópia das imagens nas chapas metálicas (zinco). A Radiofoto foi um fato que causou grande revolução na velocidade de reprodução fotográfica, onde era transmitida imagem de qualquer lugar do mundo via ondas de rádio. Atualmente existe a foto digital. O fotógrafo faz a foto e em poucos instantes ela já está pronta para ser impressa, eliminando vários processos como revelação e cópia, podendo ser transmitida de qualquer lugar do planeta via computador e até de aparelhos celulares. Quando não existe essa possibilidade pode ser utilizada a própria foto no scanner (um aparelho que faz a leitura da fotografia para introduzir a imagem no computador) e obter o resultado. Outro sistema revolucionário é a eliminação do fotolito. O computador faz a leitura direta das imagens para a chapa.
Atualmente muitos jornalistas já trabalham com Notebook, uma pequena maleta “a la 007”, que permite ao profissional desenvolver um texto com rapidez, além de contar com aparelhos celulares e câmeras digitais, permitindo enviar dados e fotos de qualquer lugar do mundo, direto para a redação, com perspectiva de montagem em poucos minutos. 
Todo o processo de digitação e fotografia sai do computador, gravam-se as chapas e vão para a máquina que desenvolve uma velocidade que varia de 10 mil a 50 mil jornais por hora, com alta definição de imagem.
* Edilson Elias foi Tipógrafo-Gráfico. É Jornalista, Economista, Professor, Historiador do Paraná, Pesquisador e diretor presidente do jornal FATOS DO PARANÁ® - Membro da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina
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SIC TRANSIT GL0RIA MUNDI
Maria Lucia Victor Barbosa *
Se nada muda de repente, muito menos a maneira de ser de uma sociedade, fatos que vêm acontecendo em nosso país provam que, de fato, a glória do mundo passa.
Afinal, quem podia imaginar que haveria o impeachment de Dilma Rousseff? Mais espantoso ainda, a prisão de Lula da Silva? Quem se arriscaria na recente campanha eleitoral acreditar que o candidato do PT, Fernando Haddad, perderia a eleição presidencial para Jair Messias Bolsonaro, um candidato sem dinheiro, sem espaço na TV, sem coligações, ancorado por um partido minúsculo, esfaqueado durante a campanha por um assassino de aluguel que quase deu cabo da vida?
Durante a campanha analistas políticos faziam pose de intelectual, cara de inteligente e sentenciavam que não haveria a menor chance de Bolsonaro ganhar. Jornalistas se multiplicavam na mídia e confirmavam: ele não ganha. Pesquisas que bateram recordes de erros mostravam resultados nos quais Bolsonaro perderia de todos os candidatos se conseguisse chegar ao segundo turno.
Além disso, todos os candidatos combatiam o adversário do PSL. Um deles, Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha mais recursos financeiros, mais coligações, mais tempo de TV, discursava: votem em mim porque se Bolsonaro chegar ao segundo turno com o PT este partido vai ganhar. Alckmin parecia esquecido de sua campanha anterior na qual, ajoelhado aos pés do PT que duramente o hostilizava, perdeu para o ídolo dos tucanos, Lula da Silva.
Nem os analistas nem a mídia se deram conta de que existiu nessa eleição o que chamei de Quinto Poder, ou seja, as redes sociais. Assim, a despeito dos enfatuados palpiteiros, Bolsonaro foi eleito com quase 58 milhões de votos. A glória do mundo estava passando para muitos, principalmente para o ex-poderoso Lula da Silva, que arrastava consigo seu partido para a inglória derrota.
Inconformada, querendo moldar a realidade a suas ânsias de poder, uma oposição encarniçada continuou a se abater sobre o vitorioso no período de transição. Cobrava-se dele a reforma da Previdência, algo que nenhum governo anterior fez. Ridicularizava-se os desencontros da equipe, situação normal de ajuste e também existente com outros eleitos que foram respeitosamente poupados. Nem a posse escapou do inconformismo dos vencidos. Houve desdém de alguns diante do brilhantismo da primeira-dama, que discursou no parlatório usando a linguagem de libras para o delírio da multidão que aplaudiu Michelle entusiasticamente.
Uma vez empossado, a oposição raivosa parece dizer ao presidente: “você tem o direito de ficar calado porque tudo que disser poderá ser usado contra você”. E assim tem sido. Nada que o presidente Bolsonaro diga ou faça é aceito pela mídia e os autointitulados progressistas, que melhor seriam chamados de regressistas.
Mesmo a cirurgia, complicada e dolorosa, consequência da facada, não escapou ao ódio. Como representante da esquerda um deputado do PSOL, mesmo partido do matador de aluguel, avisou que Bolsonaro estava morrendo. Sem dúvida, um agouro que ele expressava pelos companheiros, mas que felizmente não passou de mentira.
Todavia, as mudanças seguem seu curso e coisas antes inimagináveis continuam ocorrendo. Vejamos algumas bem marcantes:
O poderoso senador Renan Calheiros não conseguiu se reeleger presidente do Senado, mesmo com ajuda do presidente do STF, Dias Toffoli que destoando da tradicional demora em julgar da entidade suprema da Justiça, em plena madrugada ordenou ao Senado que a eleição fosse por voto secreto, conforme a Constituição nem sempre seguida pelos mais altos magistrados. Não funcionou. O senador vai tentar incomodar, mas como escreveu o jornalista Josias, “Renan agora está numa caixa de fósforo”. Comanda o Senado e, portanto, o Congresso, Davi Alcolumbre. A Câmara é presidida por Rodrigo Maia. Ponto para o presidente Bolsonaro.
Lula da Silva é condenado novamente na Lava Jato a mais 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro na ação que investigou a reforma do sítio Santa Bárbara em Atibaia. E esse é só o segundo de outros processos.
“Uma investigação da Receita Federal que aponta suspeita de ‘corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência’ do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes será alvo da Corregedoria do Fisco. O procedimento aberto no ano passado, também investiga a advogada Guiomar Feitosa, mulher do ministro”. (O Estado de S. Paulo – A10, 09/02/2019).
O ministro Gilmar Mendes tem se notabilizado em soltar bandidos que os juízes prendem. Naturalmente, ele já se defendeu e disse que “a Receita Federal não pode virar uma Gestapo”.
Entretanto, o Supremo, antes um Poder respeitado, atualmente tem sofrido repúdio da sociedade por suas ações e omissões.
Tudo isso faz lembrar que sic transit gloria mundi, a glória do mundo passa. Afinal, a impermanência é a marca de quem vive e os pêndulos da existência oscilam sempre para cima e para baixo
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga e escritora
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APRESENTAÇÃO DE TROVAS
Homenagem à Mulher
Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo





LEI ROUANET
Mitos e verdades do mais importante instrumento de financiamento cultural do Brasil
Leirton Marques *
Principais tópicos abordados:
- O patrocínio ou a doação aos projetos culturais podem ser deduzidos do Imposto de Renda?
- Como é feita a dedução?
- Todas as empresas podem deduzir do imposto de renda as doações ou patrocínios feitos a projetos culturais?
- Empresa tributada com base no lucro real mensal por estimativa pode deduzir o incentivo mensalmente ou somente na declaração anual?
- O valor da doação ou patrocínio que ultrapassar o limite de 4% do imposto devido no mês ou trimestre poderá ser deduzido nos períodos subsequentes?
- Pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado podem deduzir do IR as doações e patrocínios a atividades culturais?
- Microempresas e EPP optantes pelo Simples podem deduzir as doações e patrocínios?
- Como deve ser feita a transferência financeira das doações e patrocínios?
- As doações ou patrocínios a atividades culturais sofrem retenção de IR na Fonte?
- O limite de 4% do imposto também se aplica ao adicional de Imposto de Renda da PJ?
- Quem fiscaliza a aplicação dos recursos dos projetos culturais?
* Sócio Diretor HEMIZE Consultoria em Projetos. 
Bacharel em Administração de Empresas - UNIFIL. 
Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos (Universidade Positivo)
Especialista em Administração e Marketing 
(Universidade Estadual de Londrina)
Especialista em Economia do Meio Ambiente - 
(Universidade Estadual de Londrina)
Master Business Administration-MBA Gestão de Projetos
(SENAI Florianópolis-SC)


Acadêmico Sergio Alves Gomes
No tópico final da pauta da reunião, “Palavra do Orador”, o Acadêmico SERGIO ALVES GOMES, Orador da ALCAL, ressaltou alguns aspectos dos conteúdos apresentados e, a partir destes, sugeriu a continuidade da reflexão sobre os diversos temas apresentados. Iniciou por relembrar os fundamentos constitucionais que servem de base à “Lei Rouanet”, a qual foi objeto da palestra da reunião ordinária desta data. Enfatizou que a “Lei Rouanet” (Lei 8.313/91), ao instituir o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) visou dar cumprimento à Constituição da República Federativa do Brasil que, em seu art. 215 e seguintes, determina uma série de providências jurídicas e políticas a serem realizadas pelo Estado brasileiro em prol da garantia a todos do “pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional”, apoiando e incentivando “a valorização e a difusão das manifestações culturais”.  Neste sentido, frisou o Orador, a Constituição Federal (Lei Maior da ordem jurídica), além de ordenar a criação, por lei, de um “Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público” (art.215, §3º), especifica  também os objetivos a serem alcançados mediante tal Plano, que são:  I- defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II- produção, promoção e difusão de bens culturais; III- formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV-democratização do acesso aos bens  da cultura; V-valorização da diversidade étnica e regional (CF, art. 215, §3º, I a V). Destarte, o Poder Constituinte explicitou, claramente, as finalidades que justificam suas determinações constitucionais, em prol da Cultura. Lembrou ainda o Orador, que no art. 216,§3º, a Carta Magna do País, usando de linguagem explicitamente imperativa, assim determina: “ A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais”. É diante de tais compromissos assumidos pelo Estado brasileiro perante o povo soberano que o instituiu (CF. art. 1º, caput e § único) – frisou o Orador  -  que se pode compreender as razões jurídicas, políticas e sociais  (constitucionais) que servem de sustentação à “Lei Rouanet” (Lei 8.313/91), muito bem  explicitada, em detalhes, pelo ilustre Palestrante Leirton Marques.
Em seguida, lembrando as palavras da Presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira - que dentre suas reflexivas considerações destacou a necessidade de se desenvolver uma cultura do equilíbrio, da tolerância, do diálogo, da cooperação, do reconhecimento do outro, da complementaridade entre os diferentes... - o Orador Sergio Alves Gomes, após fazer breves referências às diversas apresentações ocorridas na reunião, introduziu citações extraídas da obra “A Morte da Verdade”, de autoria de Michiko Kakutani, crítica literária do “The New Yourk Times” e  ganhadora do prêmio Pulitzer, em 1998. Na referida obra, a autora chama a atenção para o que denomina “declínio e a queda da razão” nos dias atuais e suas graves consequências para o convívio humano democrático. O tema enfoca, especialmente, as denominadas “fake news”, assunto atualíssimo, numa era em que o descompromisso com a realidade dos fatos é tamanho, chegando-se ao ponto de se inventar um termo correspondente a tal menosprezo do verídico: pós-verdade.  Pelo Orador foram citados os seguintes trechos da referida obra:
“Dois dos regimes mais abomináveis da história da humanidade chegaram ao poder no século XX, e ambos se estabeleceram com base na violação e no esfacelamento da verdade, cientes de que o cinismo, o cansaço e o medo podem tornar as pessoas suscetíveis a mentiras e falsas promessas de líderes determinados a alcançar o poder incondicional. Como Hannah Arendt escreveu em seu livro de 1951, Origens do totalitarismo: ‘O súdito ideal do governo totalitário não é o nazista convicto nem o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência) e a diferença entre o verdadeiro e o falto (isto é, os critérios do pensamento).’(p.9)
Segundo a mesma autora, “Trump, o 45º presidente dos Estados Unidos, mente de forma tão prolífica e com tamanha velocidade que o The Washington Post calculou que ele fez 2.140 alegações falsas ou enganosas no seu primeiro ano de governo – uma média de quase 5,9 por dia. As mentiras dele -  sobre absolutamente tudo, desde as investigações sobre a interferência russa nas eleições, passando por sua popularidade e suas conquistas, até o tempo que passa vendo TV – são apenas o mais espalhafatoso entre os vários sinais de alerta acerca de seus ataques às instituições democráticas e normas vigentes. Ele ataca rotineiramente a imprensa, o sistema de justiça, as agências de inteligência, o sistema eleitoral e os funcionários públicos responsáveis pelo bom funcionamento do governo norte-americano”(p.12)
Michiko Kakutani lembra também que “os ataques à verdade não estão limitados aos Estados Unidos. Pelo mundo todo, ondas de populismo e fundamentalismo estão fazendo com que as pessoas recorram mais ao medo e à raiva do que ao debate sensato, corroendo as instituições democráticas e trocando os especialistas pela sabedoria das multidões”.(p.12)
A autora cita frase do Papa Francisco, proferida em sua Mensagem  de 24 de Janeiro de 2018. Disse o Sumo Pontífice: “Não existe desinformação inofensiva; acreditar na falsidade pode ter consequências calamitosas”.  Em seguida, a autora menciona frase do ex-presidente Barack Obama, para o qual “um dos maiores desafios que temos em nossa democracia é o fato de não compartilharmos a mesma base de fatos” (p.13). E, também, afirmação do ex-senador Daniel Patrick Moynihan, para quem “todo mundo tem o direito de ter suas próprias opiniões, mas não seus próprios fatos”.(p.16)
Para melhor ilustrar o absurdo a que leva o menosprezo à objetividade, a autora cita um Comercial da CNN, mostrando a foto de uma maçã, seguida dos seguintes dizeres:
“Isto é uma maçã. Algumas pessoas vão tentar dizer que é uma banana. Talvez elas gritem repetidas vezes: Banana, banana, banana. Talvez elas escrevam BANANA em letras maiúsculas. Talvez você até mesmo comece a acreditar que isto é uma banana. Mas não é. Isto é uma maçã”. (p.22)
Ao final da reunião, o Acadêmico
Sergio Alves Gomes entregou
o Certificado de Participação
ao palestrante Leirton Marques
Feitas tais citações, o Orador encerrou sua fala, almejando que todo o conteúdo da reunião seja objeto de reflexão e estímulo ao contínuo crescimento intelectual e pessoal de cada um dos presentes, em prol de um convívio orientado pelos valores da solidariedade e da verdade. Um compromisso que vincula todos que integram a ACADEMIA DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES DE LONDRINA, tendo em vista a natureza e as finalidades desta Instituição.