Extratos da nossa reunião de 10/06/2018

Mesa diretiva: nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga ladeada pelo palestrante do dia, 
Dr. Luiz Parellada Ruiz e pela Acadêmica Ludmila Kloczak 

Mais uma vez contamos com nosso
Mestre de Cerimônias.
Jonas Rodrugues de Mattos

A leitura do Credo Acadêmico
coube ao Acadêmico Miguel Contani 



Senhor Tempo
Patriotas que prestam serviços à nação

Desde que o mural foi pintado pedaço por pedaço, cena por cena, o observador normal é guiado em toda sua extensão para examinar uma seção de cada vez, e avançar lentamente até a pintura total ter sido vista e apreciada. Pode-se dizer que passamos pela vida de maneira semelhante. Assim, vivemos ou vemos uma cena ou um dia de cada vez. Aquilo que vemos no momento é o presente; aquilo que já vimos é o passado. As cenas a serem ainda apreciadas são o futuro. O mural, no entanto, é o agora. Exceto pela maneira em que a ele nos relacionamos, nada há senão o mural completo, o agora. Apenas podemos lembrar as primeiras vistas rápidas, e antecipar as que se seguirão.
Chegamos, assim, ao eterno agora. O agora é a morada venerada dos nossos ancestrais. O agora é o palco no qual todo o drama da vida deve ser representado. O agora é a arena para todas as ações. O agora é a oportunidade para aprimorarmos nosso passado em desenvolvimento. O agora é o único ensejo para criarmos o futuro que desejamos ter. O agora é o momento! Este é o momento que temos de viver. Aferramos-nos tanto ao passado e lamentamos os erros cometidos é perder tempo. Podemos relembrar o passado e reconstruí-lo, porém, jamais modificá-lo. Ele está consumado.
O passado, não obstante. É para nós valioso. Como não podemos modificá-lo e desse modo confundir-nos, poderíamos estudá-lo com percepção tardia e, com a maior experiência do presente, aprender como evitar os erros que já cometemos. Em assim fazendo, podermos constatar como para nós mesmos criamos a situação presente. Se não gostamos de nosso passado, sabemos, pelo menos, como não devermos proceder.
Quando finalmente desfrutarmos do futuro que no momento estamos criando, o fogo fátuo terá desaparecido e compreenderemos que estamos realmente vivendo o agora. É correto visualizarmos e mentalmente criarmos o futuro que desejamos, por meio de nossas ações do momento. Contudo, é um sério erro refugiarmo-nos em um futuro não preparado, fazendo castelos no ar para evitarmos enfrentar as experiências necessárias de cada dia. As ações que procrastinamos hoje, voltarão a nos acossar no futuro que criamos. Cada lição de vida que enfrentamos corajosamente e dominamos, hoje, está terminada e passa a ocupar seu devido lugar em nosso passado congelado, para nunca mais nos importunar. Nossas provas e tribulações têm por finalidade única ensinar-nos como dominar a vida. Tão logo superadas, passamos a experiências melhores e mais felizes.
No magnificente porém ordenado agora, temos oportunidade ilimitada para viver e crescer, sonhar e criar tudo aquilo que quisermos. Esqueçamo-nos do tempo. O tempo não existe! Não precisamos nos apressar ou nos preocupar por que estamos no agora eterno. Deus existe e nós existimos.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
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Nosso "Momento de Arte" brindou os presentes com a apresentação do tenor Fernando Teixeira (aluno do Prof. João Miguel Ayub), acompanhado da pianista Elaisa Barbosa (aluna da Escola de Música Semitom,do Maestro Fernando Mourão). Ambos são músicos do 
Instituto José Gonzaga Vieira. 
Foram apresentadas duas canções, "Lua Branca", de Chiquinha Gonzaga e "O Sole Mio", música atribuída ao maestro Alfredo Mazzuchi (1878-1972), que compôs a música junto a Eduardo Di Capua. A letra de "O Sole Mio" foi escrita em 1898 pelo poeta Giovanni Capurro. 
(Assista ao vídeo em tela inteira)
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Efemérides do Mês de junho
em Portugal; suas repercussões no Brasil

Acadêmico José Ruivo

Dia de Portugal
Dia de Camões
Dia da Comunidade Lusíada
Dia do Anjo de Portugal – o Anjo da Paz

Neste dia 10 de junho, em que realizamos a nossa reunião ordinária, os Portugueses verdadeiros, que ainda restam em diáspora por todo este mundo, comemoram o dia de Camões, outrora escolhido para honrar toda a Nação Portuguesa, e todos aqueles povos que, espalhados pelo mundo formaram uma comunidade Lusíada, testemunho do que outrora, foi um Portugal plurirracial, pluri-continental e pluri-religioso. Hoje Portugal não existe mais como Nação Soberana; reduzido que foi a uma pequena província, e talvez a menos considerada, de uma Comunidade Europeia; cuja capital está em Bruxelas.
As mais das vezes, as várias Nações escolheram para seu dia comemorativo, o dia de sua existência política, o da declaração de sua independência: o dia 07 de setembro, para o Brasil; 04 de Julho os Estados Unidos da América do Norte.
Em Portugal se escolheu o dia 10 de Junho, em que se comemora o falecimento, segundo a carne; para nós católicos, é o dia do nascimento para a eternidade, daquele português que se chamou Luís Vaz de Camões. Enquanto para os outros países é o fato histórico que é lembrado, para Portugal é o Espírito que caracteriza e unifica toda uma nação lusíada que é exaltada.   
Em Portugal o espírito do Cristianismo o conduziu, agregou e unificou. Talvez  pelos anos de 50, São Tiago Apóstolo estivera na Península, na região de Brácara Augusta, e as comunidades cristãs já eram tão florescentes que, cerca do ano 100, São Clemente, o Terceiro Papa depois de São Pedro nomeou Santo Ovídio, um nobre romano, talvez convertido pelo próprio São Pedro, como primeiro Bispo de Brácara  Augusta. Isto deu ao Arcebispo de Braga o honroso título de Primaz das Hespanhas.
Das primitivas tribos, habitantes da região da Serra da Estrela, os Lusones, de que há notícias de uma organização social, religiosa e familiar de cerca de 30.000 (trinta mil anos) e passando pelos Lusitanos, os Lusíadas, passando pelos portugueses, herdaram as qualidades religiosas, morais, sociais e familiares que lhes deram uma identidade própria, e um espírito orientado para o transcendente que, pela sua superioridade moral, em si englobaram as múltiplas tribos que pela península Ibérica passaram.   Das que ficaram, elas foram englobadas pelo espírito superior que lá encontraram. E assim também aconteceu em todos os recantos até onde os portugueses chegaram; por exemplo Malaca.
E como uma encarnação humana dessas qualidades lusíadas foi encontrado no Espírito de Luís de Camões um seu reflexo perfeito – “Fé; Amor da Pátria não movido de premio vil”, como ele próprio escreveu nos Lusíadas; busca do saber; − a sua cultura era vastíssima, quer no plano religioso, quer no plano científico; espírito de aventura, valentia pessoal (“para servir-vos braço às armas feito; para cantar-vos mente às musas dada”; – em combate, em Ceuta, perdera o olho direito) pobre, porque honesto, não enriqueceu com os bens materiais que teve ao  seu alcance, quando em Macau foi nomeado Provedor  dos defuntos e ausentes (o que lhe dava o poder de administrar os bens havidos em nome dos outros).
Foi Luís de Camões um símbolo vivo da Lusitanidade pela sua superior inteligência pelo seu saber, abrangente cultura, esclarecido espírito religioso – (numa época em que as cismas grassavam pela Europa, e estavam em moda nos meios intelectuais, ele se manteve fiel católico, apostólico, romano).  E sobretudo pela sua capacidade de tolerância, compreensão, e respeito pelos outros povos, em seus diferentes costumes e religiões, e entre eles estabelecer amizades e cooperação, ainda hoje características do povo português, foi então escolhido o dia de seu nascimento para o Céu, como dia representativo da Nação Portuguesa, em sua Lusitanidade em diáspora.
Em Macau ainda hoje, se visita a gruta em que, supostamente escreveu uma parte dos Lusíadas.

Festejos populares

Fenômeno religioso
Desde o início da humanidade, em que a inteligência se ia desenvolvendo e a observação se ia esclarecendo, a comprovação da existência de forças que transcendiam o homem, o qual não tinha capacidade de controlar e dominar, no seu espírito foi-se insinuando a existência de seres, a que chamou deus ou deuses, e a que atribui por antropomorfismo as qualidades e defeitos existentes no próprio homem, particularmente a capacidade de fazer o bem ou fazer o mal.
E como nas sociedades humanas, quando se pretende obter a benevolência dos superiores, ou sua proteção ou intermediação, se lhes oferece dons, assim em face das divindades se lhe fazem ofertas propiciatórias, ou em preito de gratidão.   E isto em todas as culturas.
Como exemplos – Nas ilhas vulcânicas do Pacífico, se ofereciam virgens que se lançavam nas crateras dos vulcões, para que se aplacassem e não entrassem em devastadoras erupções.
Nos Astecas, considerando que o sol morria todas as tardes, e era preciso dar-lhe forças para que continuasse vivo e benfeitor dos povos, eram-lhe oferecidos, ao nascer e ao por do sol, os corações palpitantes arrancados dos peitos dos escravos ou prisioneiros de guerra, vivos, no cimo das pirâmides aonde os templos se encontravam.
Há notícias de que, no decorrer de um eclipse do sol, foram sacrificados, enquanto este durou, cerca de duas mil vítimas.
Ainda para aplacar o deus do mal, o Imperador asteca, realizava uma dança ritual, revestido da pele que tinha sido esfolada de um nobre prisioneiro de guerra, enquanto vivo.
Os sacrifícios humanos eram feitos à sombra das árvores sagradas dos Celtas pelos seus sacerdotes, curandeiros e magos, os druidas. Os fenícios sacrificavam meninos de tenra idade no ventre do seu deus Moloch, enquanto uma fogueira nele, era acesa. De igual modo se fazia no Moabe; vizinho da Judéia em honra do seu deus Quemos.
Ainda, com o intuito de defender as muralhas da cidade do furor de seus inimigos, eram enterrados em seus alicerces, os filhos dos Reis, então reinantes.
Hoje, já não é tão frequente a tortura física, mas a tortura moral e psicológica é muito mais atroz e devastadora, das vítimas.
A estes sacrifícios assistiam os povos que, em procissão, se dirigiam aos locais em que estavam as imagens dos ídolos, a que se ofereciam estes sacrifícios. E as mães das crianças sacrificadas eram obrigadas a assistir, e impedidas de chorar.
Olhando a história, vemos estas procissões realizadas por motivos religiosos, que em todas as culturas são encontradas.
Na antiga Grécia, se dirigiam aos locais sagrados. Em Roma, nas festividades como as Saturnálias. Na Judéia, as caravanas vindas de todos os pontos, convergiam para a celebração da Páscoa, no Templo de Salomão, em Jerusalém.
No avião da Companhia Israelense El Al, e conclamando ao retorno, ouvi cantar: “No ano que vem, em Jerusalém”.
No Hinduísmo, se vai até à cidade de Benarés, para o Banho Purificador, tomado no Rio Ganges.
No Islamismo, os muçulmanos têm como um dos cinco pilares da Religião de Maomé, a peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida. A sua não realização é considerada pecado muito grave, a menos que existam fortes razões para não a fazer. Os cinco pilares do Islamismo são:
1 - Islã – obediência ao corão
2 - Oração 
3 - Esmola
4 - Jejum no mês do Ramadã
5 - Peregrinação a Meca
Para os Cristãos, e desde o primeiros tempos, as peregrinações aos lugares sagrados, em que viveu, pregou e morreu o Senhor Jesus Cristo, e aos lugares em que São Pedro e São Paulo deles fizeram a sede da Igreja primitiva, eram feitas  ou por devoção, na esperança de obter as bênçãos do Céu ou para venerar os túmulos dos Apóstolos, ou ainda, em penitência por pecados públicos havidos em suas  vidas. Roma, deu então o nome de Romaria, às peregrinações que, inicialmente a esta cidade se dirigiam; e que depois se estendeu em Portugal e creio que no Brasil, aos lugares de veneração popular.
Hoje, em que os meios de locomoção tornam mais fácil o deslocamento, as peregrinações a locais como Loreto, Lourdes, Fátima, Santiago de Compostela, e outros, tem um aspecto mais estrictamente religioso.
Falando agora de Portugal: desde quando as peregrinações eram feitas a pé, em carroças puxadas a mulas ou bois, se foi associando um aspecto profano ao componente religioso.
Em cada aldeia, vila ou cidade, a sua igreja Matriz era dedicada em especial à veneração de determinado Orago – ou seja Santo Protector e intercessor junto do Trono do Altíssimo Deus. Em louvor ou em honra destes Santos protectores ainda hoje se realizam festejos comemorativos de suas festas litúrgicas, nas quais o povo implora as graças do Céu que pretende para a sua vida, ou em agradecimento pelos favores já obtidos.
Hoje, os transportes modernos, comboios, ônibus, automóveis, facilitam os deslocamentos – No entanto por devoção ou penitência ainda há grupos de pessoas que partem em peregrinação a pé. Os vindos de Lisboa demoram cinco dias para chegar a Fátima. Do Porto se levam oito dias; de Braga dez dias. De igual modo este tempo demora as peregrinações saídas das várias vilas e aldeias.
É, como nos seculares caminhos, antigas vias romanas, que hoje são percorridas pelos peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela, existem quintas ou pousadas improvisadas, que pela noite dão abrigo aos romeiros para descanso e às vezes alimento. Nos portões, de noite, é acesa uma luz vermelha, que indica que ali se pode repousar.
Antigamente, se seguia a pé e nas paradas necessárias para repouso, ou na véspera do dia da festa, se montava um arraial, com tendas para os romeiros, e grandes fogueiras para aquecimento e iluminação. Ali se juntavam vendedores ambulantes que ofereciam refeições leves, doces locais, e lembranças religiosas e do artesanato local. Os mais jovens sempre improvisavam um bailarico ao som de acordeom, violas, flautas e tamborins. No dia seguinte tem lugar a festa religiosa: procissão com o andor do Santo protetor, missa solene, sermão, e cumprimento de promessas feitas pelas graças obtidas, ou oferendas em honra do Santo.
Hoje, quando as aldeias em Portugal estão quase desertas, ainda se conserva em muitas delas a festa do santo padroeiro. E muitos daqueles seus habitantes que emigraram para os países da Europa, sobretudo para França, a ela voltam para honrar o seu Santo protetor. 
Em Lisboa, no mês de junho costumavam ser festejados os três santos cujas festas litúrgicas se comemoram nesta data: Santo Antonio, eleito Padroeiro da Cidade de Lisboa, aonde nasceu, no dia 13; São João Baptista, no dia 24 de Junho e São Pedro, no dia 29 de Junho.
Nas noites que antecedem estes dias, os bairros populares de Lisboa, se transformam em aldeias em festa. Suas ruas são enfeitadas com bandeiras recortadas em papel de várias cores e com balões suspensos iluminados com lâmpadas; são armadas mesas e ali se vendem sardinhas assadas na brasa, febras de porco igualmente assadas, enchidos defumados, doces locais; vinho a copo. Há música e muita gente vem participar da festa. 
Ainda, e assemelhando-se às aldeias, cada associação de bairro tinha o seu rancho folclórico local, que, com seus antigos trajes característicos, e com arcos enfeitadas com as bandeirinhas de papel e balões acesos desfilavam pela noite, na Avenida da Liberdade.
Havia prémios para as melhores apresentações, oferecidos pelo governo.
Hoje, na descaracterização nacional por que estamos passando, não sei se ainda existem estas festas.
Para o Brasil foram trazidas estas festividades.
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Sobre as tiranias:
defenda as instituições
(Texto de Timothy Snyder)
Acadêmica Ludmila Kloczack
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Os primeiros europeus
Colaborador Cultural Dr. Luiz Parellada Ruiz *

O palestrante narrou sua visita a Atapuerca, localidade que fica a 15 km de Burgos, na Espanha. Atapuerca, hoje considerado Patrimônio da Humanidade, é um sítio arqueológico onde em tempos antigos habitaram tigres, rinocerontes, bisões, ursos e outros animais e engloba um desfiladeiro onde se escondem os achados arqueológicos de uma escavação arqueológica, única no mundo. Lá foi encontrado o maior depósito de fósseis humanos da Terra, os mais antigos da Europa. Uma equipe de cientistas estuda os achados há mais de 30 anos. São centenas de especialistas em pré-história, paleontologia, biologia, 
geologia, etc.
A área de escavações em Atapuerca

Os 
fósseis revelam mais de um milhão de anos da evolução humana. Estes achados podem ser apreciados no Museu da Evolução Humana, que expõe também réplicas das espécies humanas do passado. Entre os achados está Miguelon, apelido para o crânio mais completo de um Homo Heidelbergensis jamais encontrado. 

* Médico formado pela Universidade Saragossa – Espanha em 1956 e revalidado na faculdade de Medicina da Universidade do Recife – PE em 1963, especialista em Patologia Clínica, Medicina Laboratorial. Foi professor assistente de microbiologia clínica da UEL, presidente da associação médica de Apucarana e superintendente da Unimed de Londrina


Miguelon, o crânio encontrado



O Museu da Evolução Humana

O palestrante Dr. Luiz Parellada Ruiz recebendo o 
Certificado de Participação das mãos do 
Acadêmico Sergio Alves Gomes

Entrevista na Rádio UEL FM

A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina foi convidada pela jornalista Valéria Giani para uma entrevista na Rádio UEL FM.
Representando a Academia, lá estiveram os Acadêmicos Clodomiro José Bannwart Jr. e Julio Ernesto Bahr.
A entrevista está inserida em vídeo no Facebook da Rádio UEL FM e pode ser visto: clique no link abaixo e posicione o cursor no minuto 31

https://www.facebook.com/uelfm/videos/1636362759746866/

Extratos da reunião de 13/05/2018


Mesa diretiva: Acadêmicos Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Presidente da Academia, 
ladeada pela Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa e 
Clodomiro José Bannwart Jr., o palestrante do dia

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias, conduziu a reunião


Acadêmica Saide Maruch leu o Credo Acadêmico



Pilar Alvares Gonzaga Vieira

Escravidão e Servidão Humana

Hoje, 13 de maio de 2018, comemora-se uma data muita significativa para os brasileiros e para o Brasil, aniversário dos 130 anos da assinatura da “Lei Áurea” que encerrou a escravidão de pessoas, pondo fim a um período de dores e sofrimentos para nossos irmãos da raça negra.
A escravidão humana se manifestou somente com pessoas da raça negra. Outros povos de raça branca, através de suas guerras, notadamente de conquistas, faziam prisioneiros entre os povos conquistados, e estes eram mantidos como seus escravos.
No entanto, além da escravidão física, aquela sofrida através de torturas e sentida na carne, existe a escravidão dos sentidos. A escravidão dos sentidos, dos egos, das paixões, da arrogância, a ambição desenfreada de determinados governos. 

Esta escravidão é a mais nefasta para um povo, para uma nação, e é contra ela que devemos lutar, e isto só acontecerá quando as pessoas entenderem que só através do conhecimento ele adquire a liberdade, deixando a condição de servidão humana.  
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Homenagens às mães

Colaborador Cultural Aparecido Guergolette*

Dia treze de maio, data consagrada ao tributo às criaturas mais generosas e mais sofredoras neste mundo: as mães.
Elas merecem as homenagens e a admiração de seus filhos, pois conduzem com carinho e complacência os passos da criança, dando-lhe a mais dedicada e a mais purificada das assistências.  
Jamais recuariam diante do maior obstáculo na divina missão de acalentar um filho, de buscar a felicidade para a criatura que a fez sofrer as dores mais atrozes no instante de trazê-lo à luz deste mundo. Mistério santo e inefável da Natureza!
Que alta nobreza encerra o amor materno mesmo no coração do mais ínfimo e do mais árduo deste mundo!
Seu seio é um verdadeiro altar, onde não falta o incenso do sacrifício, onde não deixa de arder à vela do amor, onde há constantemente o murmúrio angelical de uma prece, onde se dá a transformação da água de seu clamor no vinho de seu sangue, onde seu filho recebe a bendita comunhão de seu leite.
Quantos padecem por este mundo afora as crianças que não têm mães, os deserdados da sorte, aqueles que perderam o melhor tesouro que a terra ingrata escondeu para sempre! 
Mães ─ incomparáveis mães ─ mães das metrópoles, mães das aldeias, mães dos campos, mães dos desertos, mães das selvas! Onde quer que seja, fale-se uma língua primorosa ou uma língua estrangeira, onde se vista elegantemente ou onde a nudez continua sendo a primitiva indumentária humana, onde exista um leito luxuoso ou uma rede tosca, há de sempre se ouvir uma doce cantiga de 
embalar o deleite acalanto do civilizado e do bárbaro, do branco e do negro, do rico e do pobre, o carinho de uma sorridente mãe junto aos soluços de um pequeno filho.
Mãe, que bom sentir o rumor de teus passos, andando pela casa, no afã do dia a dia, no silêncio da noite.
Mãe, que bom sentir o teu riso, o teu semblante amigo, semblante de que acredita e tem esperança... 
A tua voz aconselhando, corrigindo, ensinando e abençoando... Que bom sentir tuas cantigas de ninar, teus cantares soando pela sala, pelos quartos, pela casa inteira, pelos quintais e jardins, vencendo muros, correndo planícies, invadindo o céu, a terra e o mar: a tua voz enche de júbilo o mundo inteiro; o teu cântico de paz, amor, esperança, recria o homem e faz crescer a criança. 
Eis por que ─ nós vos saudamos ─ nobres e sublimes criaturas, mães de todos os filhos, em nome dos filhos de todas as mães. Que a paz reine em seus corações! Nós te amamos, queridas mães!  
Sejam felizes! 
* Aparecido Guergolette é Professor 
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Colaborador Cultural Dr. Luiz Parellada Ruiz

Dia das NÃO mães.

Muitas mulheres são mães 
E celebram o seu dia,
Muitas outras nunca foram,
Mas ficaram esquecidas:
Não encontraram um bom par;
Ou bons hormônios não tinham;
Ou deviam trabalhar
Porque a fome premia ;
Ou seguiam profissão,
Que sacrifício exigia;
Ou faltava vocação 
Para aumentar a família;
Ou elas sentiam vontade 
E o marido não queria.
Qualquer que seja o motivo 
É bom que tenham seu dia.

* Médico especialista em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial
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Colaborador Cultural Edilson Elias *

Pai João
Ciro Costa

Do taquaral à sombra, em solitária furna,
Para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo,
Sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
Com os límpidos areais das solidões do Congo...

Ouve-lhe a noite a voz nostálgica e soturna,
Num suspiro de amor, num murmurejo longo... 
E o rouco, surdo som, zumbindo na cafurna, 
É o urucungo a gemer na cadência do jongo...

Bendito sejas tu, a quem, certo, devemos
A grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,

Sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
Que os frutos do café são glóbulos vermelhos

Do sangue que escorreu do negro escravizado!

Edilson Elias é jornalista
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 Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

Não há amor maior, laço mais profundo, doação mais perfeita, integração mais divina em termos humanos, do que a de mãe e filho.
Além disso, mãe é coisa universal. Não importa a raça, o credo, a cultura, a classe social. Em toda parte do mundo quando o filho chora a mãe acode.  Quando está em perigo, ela o protege. E se o filho chama, às vezes só pelo prazer de dizer mãe, ela responde.
Mães são guardiães da vida. Quando a criança ainda está em seu corpo, ela o nutre com seu sangue. Quando nasce, o alimenta com seu leite. Enquanto crescem elas cuidam de “suas crianças”, nas doenças e na saúde. E pela vida afora estão presentes para sempre ajudar, porque, como disse Vinicius de Moraes: “filhos são para sempre”.
Em todas as sociedades, em todos os tempos, mãe é uma das figuras mais respeitadas, na verdade, quase sagrada. É sagrada a figura da mãe em todas as religiões. A terra representa a mãe fecunda e dadivosa. Tem mãe de deuses. Tem mãe de Deus chamada de Maria.
No Brasil celebra-se as mães no mês de maio. Mês de azul intenso durante o dia. Das noites mais estreladas quando o Cruzeiro Sul resplandece em toda sua plenitude, pintando da cor mais bonita, bordando com joias mais fulgurantes o manto daquela que é chamada na hora da aflição: “A Vós suspiramos, gememos, choramos nesse vale de lágrimas”.
Mãe tem de todo jeito. Algumas são suaves. Outras impacientes. E qual mãe já não se enraiveceu diante das travessuras do filho pequeno ou dos erros do filho adulto? Mas, da palmada ao xingatório, das pequenas implicâncias ao zelo excessivo, tudo é amor de mãe e os filhos compreendem porque nessa relação especial prevalece a capacidade infinita do perdão, que as criaturas humanas aprenderam com Deus.
Sim, tem mãe de todo jeito. Tem as que não podendo trazer ao mundo um filho de sua carne, geram um filho de seu coração. E dá na mesma. Não faltam a essas mulheres noites sem dormir, preocupações e alegrias, cuidados e percepção de detalhes que cada filho requer, prevalecendo sempre o constante amor de que são feitas as mães. São elas mães adotivas. Tias que são como mães de seus sobrinhos. Freiras que cuidam de crianças como se fossem seus filhos, porque todos são filhos de Deus. A essas, que não tendo filhos deram um jeito de exercer a maternidade, podemos chamar de mães sem parto.
Também têm mães desnaturadas. Que matam, abandonam ou maltratam os filhos ou convivendo com eles lhes são indiferentes.  Indiferença é desamor e nada dói mais em um filho do que a indiferença materna. Essas mães no futuro, como sempre acontece com as ações humanas, colherão o que plantaram.  Mas não nos compete julgá-las, porque ninguém é capaz de julgar o desespero do outro.
Para compensar as desnaturadas, têm as avós. Duas vezes mães, duplamente privilegiadas. Mais maduras e experientes, muitas vezes consertam através dos netos os erros que cometeram com os filhos e enxergam, com maior lucidez, a beleza do renovar constante da vida. Uma avó pode melhor entender o que escreveu Guimarães Rosa: “Nasceu um menino, o mundo vai começar outra vez”. Ou então, olhando com ternura o netinho adormecido, pensará: Não morro mais, pois aqui está minha continuação, mais bonita e mais perfeita do que eu.
E têm as mães que perderam seus filhos, sendo esse o sofrimento mais profundo que existe. Mais para essas, quanto para todas as demais, que a homenagem do Dia das Mães esteja na poesia de Khalil Gibran:

Seus filhos não são teus filhos.
São filhos e filhas da Vida por si mesma.
Eles vêm através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, não te pertencem.

Poderá lhes dar teu amor,
Mas não teus pensamentos.
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Poderás acolher seus corpos,
Mas não suas almas.
Pois suas almas habitam a mansão do amanhã.
Que não podes visitar nem mesmo em teus sonhos.
Poderás tentar ser como eles,
Mas não tentes torná-los semelhantes a ti.

Tu és o arco pelo qual teus filhos,
Como flechas vivas são projetados.
O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito
E Ele te dá Sua força
Para que as flechas voem céleres para longe.
Que tua firmeza pela mão do Arqueiro
Seja para a alegria.
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ama o arco que permanece firme.

* Maria Lucia Victor Barbosa é acadêmica, socióloga, escritora.
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Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo 
O Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo fez uma breve apresentação homenageando também o Dia das Mães. 
O Acadêmico notabilizou-se pela sua especialidade: trovas. Foi premiado em vários concursos pelo Brasil afora. Muitas das suas trovas são apresentadas de improviso.

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5 de maio, Dia da Língua Portuguesa 
Acadêmico Julio Ernesto Bahr *
(Texto de Eduardo Affonso, arquiteto, mineiro. Escreve como hobby. Tem textos sobre os neologismos, o hífen, a reforma ortográfica, o subjuntivo, a prosódia, o trema, a perífrase e outros ligados ao idioma) 

Volta e meia alguém olha atravessado quando escrevo “leiaute”, “becape” ou “apigreide” – possivelmente uma pessoa que não se avexa de escrever “futebol”, “nocaute” e “sanduíche”.
Deve se achar um craque no idioma, me esnobando sem saber que “craque” se escrevia “crack” no tempo em que “gol” era “goal”, “beque” era “back” e “pênalti” era “penalty”. E possivelmente ignorando que esnobar venha de “snob”.
Quem é contra a invasão das palavras estrangeiras (ou do seu aportuguesamento) parece desconsiderar que todas as línguas do mundo se tocam, como se falar fosse um enorme beijo planetário.
As palavras saltam de uma língua para outra, gotículas de saliva circulando em beijos mais ou menos ardentes, dependendo da afinidade entre os falantes. E o português é uma língua que beija bem.
Quando falamos “azul”, estamos falando árabe. E quando folheamos um almanaque, procuramos um alfaiate, subimos uma alvenaria, colocamos um fio de azeite, espetamos um alfinete na almofada, anotamos um algarismo.
Falamos francês quando vamos ao balé, usamos casaco marrom, fazemos uma maquete com vidro fumê, quando comemos um croquete ou pedimos uma omelete ao garçom; quando acendemos o abajur pra tomar um champanhe reclinados no divã ou quando um sutiã provoca um frisson.
Falamos tupi ao pedir um açaí, um suco de abacaxi ou de pitanga; quando vemos um urubu ou um sabiá, ficamos de tocaia, votamos no Tiririca, botamos o braço na tipoia, armamos um sururu, comemos mandioca (ou aipim), regamos uma samambaia, deixamos a peteca cair. Quando comemos moqueca capixaba, tocamos cuíca, cantamos a Garota de Ipanema.
Dá pra imaginar a Bahia sem a capoeira, o acarajé, o dendê, o vatapá, o axé, o afoxé, os orixás, o agogô, os atabaques, os abadás, os babalorixás, as mandingas, os balangandãs? Tudo isso veio no coração dos infames “navios negreiros”.
As palavras estrangeiras sempre entraram sem pedir licença, feito uma tsunami. E muitas vezes nos pegando de surpresa, como numa blitz.
Posso estar falando grego, e estou mesmo. Sou ateu, apoio a eutanásia, gosto de metáforas, adoro bibliotecas, detesto conversar ao telefone, já passei por várias cirurgias. E não consigo imaginar que palavras usaríamos para a pizza, a lasanha, o risoto, se a máfia da língua italiana não tivesse contrabandeado esse vocabulário junto com a sua culinária.
Há, claro, os exageros. Ninguém precisa de um “delivery” se pode fazer uma “entrega”, ou anunciar uma “sale” se se trata de uma “liquidação”. Pra quê sair pra night de bike, se dava tranquilamente pra sair pra noite de bicicleta?
Mas a língua portuguesa também se insinua dentro das bocas falantes de outros idiomas. Os japoneses chamam capitão de “kapitan”, copo de “koppu”, pão de “pan”, sabão de “shabon”. Tudo culpa nossa. Como o café, que deixou de ser apenas o grão e a bebida, para ser também o lugar onde é bebido. E a banana, tão fácil de pronunciar quanto de descascar, e que por isso foi incorporada tal e qual a um sem-fim de idiomas. E o caju, que virou “cashew” em inglês (eles nunca iam acertar a pronúncia mesmo).
“Fetish” vem do nosso fetiche, e não o contrário. “Mandarim”, seja o idioma, seja o funcionário que manda, vem do portuguesíssimo verbo “mandar”. O americano chama melaço de “molasses”, mosquito de “mosquito” e piranha, de “piranha” – não chega a ser a conquista da América, mas é um começo.
Tudo isso é a propósito do 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa, cada vez mais inculta e nem por isso menos bela. Uma língua viva, vibrante, maleável, promíscua – vai de boca em boca, bebendo de todas as fontes, lambendo o que vê pela frente.

*Julio Ernesto Bahr é publicitário, escritor, blogueiro


Com o pintor Euzébio Denner


Euzebio tem seu trabalho como retratista reconhecido pela qualidade de uma vida dedicada à arte. Já retratou personalidades da região de Londrina, como Dom Albano Cavalin e Dom Geraldo Magella. “Minha força está na minha arte, sem ela não seria ninguém”, diz o artista.
Morador em Rolândia, professor de pintura há vários anos, atende alunos de toda a região, inclusive de Londrina, passando a eles as mais variadas técnicas: óleo sobre tela, acrílica, aquarela, giz pastel, porcelana, etc.
Para o artista "pintar um retrato não é só jogar tinta na tela", é preciso capturar a alma do retratado, habilidade que só se adquire com o tempo e muita observação, fundamental no processo de execução da obra. Euzebio Denner pinta com uma paleta de cores reduzida. Segundo ele, o artista tem que ter a sua cor, a sua personalidade artística. Nas cores está o DNA do artista.


"Os Três Poderes" (Executivo, Legislativo e Judiciário)


Os paradoxos da política brasileira: 
perspectivas e desafios
Acadêmico Clodomiro José Bannwart Jr. *

Valemo-nos ainda de um Código Eleitoral que fora concebido em 1965, momento em que, por ironia da história, ocorria o recrudescimento dos direitos políticos no país. A consolidação do Estado de Direito e da democracia a partir da Constituição de 1988 produziram na década seguinte a base da legislação que passaria a reger a estabilidade do processo eleitoral e das eleições no Brasil. É o caso da Lei da Inelegibilidades (Lei Complementar 64, de 1990); da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei 9096, de 1995) e da Lei das Eleições (Lei 9504, de 1997).
Em quase trinta anos de democracia, apenas quatro projetos de Iniciativa Popular foram aprovados no país, sendo dois deles na esfera eleitoral: a Lei 9840, de 1999, com o objetivo de combater a compra de votos, e a Lei Complementar 135, de 2010, também conhecida como Lei da Ficha Limpa, que alterou a Lei das Inelegibilidades, tornando inelegível por oito anos os condenados em processos criminais em decisão colegiada, políticos cassados ou que tenha renunciado para evitar a cassação.
Quase regra, nos anos ímpares se observa uma reforma eleitoral modificando aspectos pontuais da legislação já mencionada. A tentativa de aperfeiçoamento das regras do jogo democrático não esconde doses generosas de casuísmo. As duas últimas reformas eleitorais, a de 2015 e a de 2017, merecem atenção.
A primeira foi patrocinada pelo ex-Presidente da Câmara dos Deputados, o agora presidiário Eduardo Cunha. Em linhas gerais a reforma teve por objetivo diminuir o astronômico custo das campanhas eleitorais. Uma saída simplista foi abreviar o tempo de campanha. Houve a redução de 50% no tempo da campanha eleitoral. De 90 dias passaram para apenas 45 dias. E a propaganda eleitoral em rádio e TV que ocupava 45 dias, por força da Lei 13.165/15, foi comprimida em 35 dias.
É patente que a diminuição e a restrição do tempo de campanha e da propaganda eleitoral sofrida por parte de candidatos e partidos, afetando inclusive os próprios cidadãos, fere os direitos fundamentais da livre expressão e da liberdade de informação, indispensáveis para o saudável exercício da cidadania e fortalecimento da democracia. Não é excessiva a afirmação de que o resultado desta reforma eleitoral mitigou direitos fundamentais consagrados na Constituição, alijando o exercício da soberania popular, cuja expressão máxime é alocada no processo eleitoral e de forma mais visível na campanha eleitoral.
A reforma eleitoral de 2017, por sua vez, foi promovida para sanar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ADI 4650, em setembro de 2015, que proibiu o financiamento empresarial de campanha. Consubstanciada nas Leis 13.487 e 13.488, a reforma de 2017 criou o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para custear as campanhas eleitorais. Este fundo, de quase dois bilhões de reais, não se confunde com o Fundo partidário, que anualmente distribui aos Partidos Políticos a cifra de quase um bilhão de reais. Os dois fundos passarão a irrigar o sistema político com um montante de aproximadamente 2,6 bilhões de reais, os quais serão geridos pelos caciques das siglas, em um cenário em que os partidos padecem de democracia interna. Resta saber se esse dinheiro chegará a todos os candidatos, principalmente aos novos. A nova legislação impõe ao candidato a necessidade de fazer requerimento por escrito ao órgão partidário respectivo para acesso aos recursos do FEFC. A questão, no entanto, é que os Partidos Políticos gozam de autonomia e a Lei é, nesse sentido, silente quanto aos critérios que as siglas adotarão na distribuição dos recursos do fundo. É bem provável que este dinheiro não alcance a todos os candidatos, criando, pois, obstáculo à renovação na política.
Parte do montante que subsidiará o FEFC virá da renúncia fiscal a ser economizada com o fim da propaganda partidária nas emissoras de rádio e de televisão. A reforma eleitoral de 2017 deu fim à propaganda partidária. Em um cenário de permanente proliferação dos partidos políticos – quase quarenta atualmente –, no qual o eleitor tem dificuldade de identificar ideologias, propostas e bandeiras defendidas pela diversidade das siglas, extinguir a propaganda partidária é tornar mais custoso o acesso e o conhecimento de atividades e ações propugnadas pelos partidos. Isso se resume em uma conta bem simples: menos informação ao cidadão, mais dinheiro aos partidos.
Nessa contabilidade, em que a democracia sairá deficitária, há outro aspecto bastante preocupante a considerar. Trata-se do autofinanciamento de campanha. No texto aprovado pela Câmara dos Deputados, ano passado, os candidatos podiam usar até 10% de seus rendimentos na campanha. O Presidente Temer vetou o texto e o Congresso Nacional, na sequência, derrubou o veto do presidente. Como no Brasil, a Justiça Eleitoral tem função normativa, com a prerrogativa de densificar o conteúdo das normas gerais produzidas pelo Legislativo, o Tribunal Superior eleitoral (TSE) publicou mês passado a íntegra da Resolução 23.553, autorizando aos candidatos o financiamento de 100% de suas campanhas. 
A Acadêmica Neusi Berbel entrega o certificado
ao palestrante Acadêmico Clodomiro José Bannwart Jr,
Se compete a Justiça eleitoral a garantia da normalidade e, sobretudo, a legitimidade das eleições, é fundamental sua atuação para coibir ações de candidatos ou partidos que provoquem o desequilibro da disputa, sobretudo aqueles cometidos por abuso do poder econômico. Ao que parece, o autofinanciamento produzirá desequilíbrio econômico na eleição vindoura, porém, dentro da legalidade.
Surtirão pouco efeito os apelos costumeiros para que o cidadão, em ano de eleição, vote consciente. É quase ofensivo exigir coerência do eleitor diante de um sistema que sobrevive sob a insígnia do contrassenso.

* Clodomiro José Bannwart Júnior é Doutor em Filosofia na área de Ética e Filosofia Política, com Especialização em Direito Eleitoral,
e Professor na Universidade Estadual de Londrina
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Ao final da reunião. foram distribuídas
flores às senhoras presentes em comemoração
ao Dia das Mães