Como foi o 14o. Encontro das Academias do Paraná

Londrina sediou o Encontro anual das Academias parananenses, que se realizou de 15 a 17 de novembro. Contamos com quase uma centena de participantes, entre acadêmicos, acompanhantes, palestrantes e seus familiares.
Estes Encontros são realizados em conjunto com a ALCA - Associação das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná, entidade criada há cinco anos (em 2014) no Encontro de Paranavaí.
ABERTURA
 O Mestre de Cerimônias da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, Jonas Rodrigues de Mattos, conduziu o evento

Composição da mesa: da esquerda para a direita acadêmicos Sergio Alves Gomes, Orador da ALCAL, Lucrecia Welter, Presidente da ALCA, Pilar Alvares Gonzaga Vieira e Maria Lucia Victor Barbosa, respectivamente Presidente e Vice-Presidente da ALCAL

A abertura oficial ocorreu no dia 15 de novembro com uma emocionante interpretação do nosso Hino Nacional ao violino, por Roney Marczak, artista internacionalmente conhecido. Após o hino, seu filho cantou trechos de "Haleluia", de Leonard Cohen, acompanhando o pai.


As presidentes da ALCAL e da ALCA procederam à abertura formal do 14o. Encontro


O acadêmico Marco Antonio Fabiani leu o Credo Acadêmico da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina

Os acadêmicos paranaenses presentes ao 14o. Encontro

Acadêmicos e convidados assistem à Abertura

Logo após a Abertura oficial, foi oferecido um coquetel aos presentes

Concerto: Derico e a Orquestra de Metais de Londrina

(Veja em tela grande)
Após o coquetel, os acadêmicos foram transportados ao célebre Teatro Ouro Verde, de Londrina, onde puderam ouvir e curtir o saxofonista Derico Sciotti acompanhado da Orquestra de Metais do Instituto José Gonzaga Vieira. O espetáculo foi aberto para a comunidade.
Derico Sciotti



A Presidente da ALCAL com os músicos

PALESTRA
No dia 16, ao iniciarem-se os trabalhos, o Prof. Dr. Wolfgang Heuer, da Universidade Livre de Berlim, Alemanha, proferiu palestra sob o tema "Cosmos e República: um encontro com Hanna Arendt e Alexander von Humboldt".

A acadêmica Maria Cristina Muller, da ALCAL, fez a apresentação do palestrante

O Prof. Dr. Wolfgang Heuer recebe seu diploma de participação das mãos de Pilar Alvares Gonzaga Vieira, presidente da ALCAL
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"O Homem em busca do saber"
A Academia de Letras de Londrina propôs, para este Encontro, um desafio às academias paranaenses: desenvolverem um tema com o título acima, para apresentação e debates. Três trabalhos foram enviados:

"O espelho e o olhar: saber a si"
Autoria e apresentação por Lilia Souza
Academia Paranaense de Poesia
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"O Homem Em Busca do Conhecimento"
Autoria: Marcos Bahena
Academia de Letras dos Campos Gerais
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"Linguagem: presença significativa na identidade 
e no progresso de um povo"
Apresentada por Leana Feron
Autoria:
Elizabeth Maria Chemin Bodanese
Neri França Fornari  Bocchese
 Academia de Letras e Artes de Pato Branco

Após a apresentação das teses, o acadêmico José Garcia de Souza, de Toledo, pediu um breve tempo para declamar poema de sua autoria

PALESTRA
No período da tarde, o palestrante foi o convidado Prof. Dr. Domício Proença Filho, membro da Academia Brasileira de Letras e seu ex-presidente no biênio 2016-2017. Sua palestra levou o título de "O lugar de Machado de Assis na Literatura Brasileira". 
A apresentação do Prof. Domício ficou a cargo da acadêmica da ALCAL Ludmila Kloczak

O diploma de participação foi entregue ao palestrante Prof. Dr. Domício Proença Filho pelo decano da ALCAL, Dr. José Ruivo da Silva

Apresentações das Academias
Representantes das Academias paranaenses presentes apresentaram as realizações das suas respectivas entidades, demonstrando que o Estado do Paraná produz cultura pujante, seja na literatura, seja nas artes e nas ciências em geral. As iniciativas de promover concursos literários, de trovas, de "haikai", oficinas com jovens estudantes, palestras, exposições artísticas e várias outras iniciativas culturais foram expostas neste 14o. Encontro das Academias.
Afonso de Sousa Cavalcanti,  Apucarana

Armando Paulo da Silva, Cornélio Procópio



Ney Fernando Perracini de Azevedo, Centro de Letras do Paraná

Herculano Batista Neto, Irati

Fátima Mandelli, Londrina

Majô Baptistoni, Maringá

José Aparecido Cauneto, Paranavaí

Lucrecia Welter, Toledo

Nilson Monteiro, Academia Paranaense de Letras 

Jurema Edy Pareira, Pato Branco

Jamil Alexandre, Umuarama

Joaquim Osório Ribas, União da VItoria

Jantar de Confraternização
À noite, foi oferecido um Jantar visando a confraternização entre os acadêmicos. Além de deliciosa comida, contamos com as belíssimas e afinadas vozes do Coral "Nossa Cantoria", de Londrina.


Momento da ALCA
A manhã do domingo foi reservada para exposição pela presidente da ALCA, Associação das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná, Lucrecia Welker, das realizações e dos projetos futuros da Associação.
Apresentação da bandeira da Alca, pela Secretária da ALCAL, Fátima Mandelli e pela presidente da ALCA, Lucrecia Welter

O Orador da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina fez seu pronunciamento ao término dos trabalhos

Lucrecia Welter, da ALCA, recebe seu diploma de participação das mãos da Vice-Presidente da ALCAL, Maria Lucia Victor Barbosa

Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa, Vice-Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, encerrando oficialmente o 14o. Encontro das Academias

Os acadêmicos da nossa Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, reunidos no encerramento do evento

ALMOÇO NA CHÁCARA

Para coroar esta realização, foi oferecido um almoço aos acadêmicos e familiares em uma belíssima chácara. Uma despedida alegre - como foi todo o evento -, já com os olhares mirando a cidade de Toledo, que sediará o 15o. Encontro em 2020.

As duas presidentes (Lucrecia Welter da Academia de Toledo e da ALCA, e Pilar Alvares Gonzaga Vieira, da Academia de Londrina), comemoram o 5o. aniversário de fundação da ALCA
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Paralelamente ao evento, contamos com a exposição de aquarelas de nossa Acadêmica Neusi Berbel e um varal de cordéis, do acadêmico-trovador Maurício Leonardo

Livro da Academia

A nossa Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina publicou um livro com cerca de 200 páginas contendo a história da Academia, biografias e trabalhos dos acadêmicos. O livro foi distribuído a todos os acadêmicos paranaenses e convidados que participaram do 14o. Encontro das Academias do Paraná, realizado em Londrina.

E o 14o. Encontro teve início!


Acadêmicos paranaenses presentes à Abertura do 14o. Encontro das Academias de Letras, Ciências e Artes do Paraná, em 15/11/2019.

Extratos da reunião de 13/10/2019


Mesa diretiva. Da esquerda para a direita, Dr. Glauco Borba - o palestrante do dia -, 
a presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira, a Diretora-Secretária Fátima Mandelli e 
o nosso Orador, Acadêmico Sergio Alves Gomes

Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Mattos, conduziu a reunião

A Acadêmica Fátima Mandelli procedeu à leitura do nosso Credo Acadêmico


Desde os primórdios dos tempos, o homem tem procurado por meio da superstição das crenças religiosas e filosóficas, e finalmente através da investigação cientifica, estabelecer relação entre si mesmo e o mundo natural em que vivemos.
Esta ligação é indestrutível, e não importa o quanto possamos progredir ao longo da estrada mais e mais ampla deificação científica, jamais deveremos nos permitir, esquecer as origens de que proviemos e das quais verdadeiramente nunca poderemos nos separar. Procedemos da mesma estrutura básica, e vivemos de conformidade com as mesmas leis, da mais rudimentar estrutura orgânica da criação da natureza. 
Na natureza observamos as obras da lei total do universo, e se pelo menos nos detivermos por um momento e utilizarmos a nossa capacidade analítica, poderemos aprender as lições que ela nos pode ensinar. Na natureza encontramos todas as coisas: amor, beleza, paz, matemática, música, ordem e lei. Como sabemos, esses são os elementos fundamentais, por meio dos quais todas as coisas passam a existir, e naturalmente devem subsistir.
Bem antes do homem colocar os pés nesta terra, os ciclos naturais do mundo vegetal estavam se repetindo, imutáveis, nas fases eternas de nascimento, desenvolvimento, madureza, reprodução, duração e transição final, para reverterem ao seu estado original. A adaptação, a luta, a alimentação e a utilidade são condições indispensáveis ao ciclo vivo do jardim da natureza, e o homem não constitui exceção.
Talvez já seja tempo de observarmos mais atentamente o nosso mundo, tomando como conhecimento de nós mesmos, por seu intermédio, ao invés de considerá-lo apenas como algo que possuímos, para ser usado, rejeitado, poluído, e talvez mesmo destruído pela nossa negligência e ignorância. Na natureza, todas as coisas acontecem a intervalos regulares. A semelhança da natureza, o homem também tem sua primavera, seu verão, seu outono e seu inverno. Comparemos esses ciclos do homem com uma haste do muito simbólico trigo.
Na primavera, toda natureza lentamente ressurge, em um aparente novo nascimento. No solo cálido, um grão, completo e fértil, semelhante a criança no ventre da mãe, se agita e se torna impaciente para se manifestar. Quando é chegado tempo, o grão rompendo as barreiras de seu cativeiro, busca a luz do sol. Ali, aquecido e alimentado, começa a crescer, a se desenvolver. De forma não diferente do filho do homem, sem esse calor e alimento, ele perecerá. A criança é amada e cuidada pelos pais do mesmo modo que a semente o é pelo sol, pela chuva e pelo solo.
Em toda a natureza, uma vida nova está começando. Liberto do domínio do universo, o riacho inicia sua caminhada para o mar, parando por um momento, ao longo do caminho, para oferecer sua preciosa dádiva à planta nova. Dos vazios galhos das árvores, irrompe novo surto de fertilidade, oferecendo beleza e a sombra necessária a tudo que o abaixo dela vive. Na Primavera, tudo que é novo na natureza, se manifesta, e começa a aprender a maneira de viver de seus antepassados. Assim também deve acontecer como homem. Quando a primavera se aproxima do seu clímax, a planta nova e a criança, atingem a maturidade. Elas estão maduras, quem sabe, na forma e na estrutura, mas ainda, não em propósito, pois embora, a forma esteja completa e a haste tenha atingido sua altura total, o ser interior ainda não está pronto para cumprir o seu destino. Esta é ainda a fase de desenvolvimento.
Com a chegada do verão, tem início o desenvolvimento interior. No jovem, a busca de conhecimento e a aventura se tornam aparentes. A haste do trigo está alta e ela também busca a luz. Se a semente era boa e esse ser vivo recebeu a alimentação necessária para sua sobrevivência, ela então se manifestaria em múltiplas formas e efeitos. O verão é a época da manifestação. Na haste, a espiga fecundada está cheia com a semente de todas as novas gerações que ainda virão. O homem, então amadurecido, começou a cumprir seus objetivos na vida. Com a semente lançada em solo fértil, ele acumulará conhecimento e experiência que enriquecerão as futuras gerações. Conhecimento sem bom senso nenhum valor tem, mas com a chegada do Outono, esse bom senso se tornará manifesto.
O outono é a época da colheita e da abundância, a época de tirar proveito da produtividade da Primavera e do Verão. A espiga do trigo está plena de vida: A árvore que lhe deu abrigo quando broto verde, está cheia de folhagem, como se fora um marco para o plano de Deus em nossas vidas. Toda a natureza está em seu estágio anual de celebração.
Via de regra, somente somos capazes de ver beleza na juventude. A natureza no outono nos oferece manifestação mais empolgante. É a época do ano em que o homem pode se revelar como criatura diurna, que realmente é. Ainda que a pele possa indicar a passagem do tempo, os membros estão fortes e os olhos brilham, com vida! É a época em que nossa personalidade está plenamente desenvolvida e mente e alma desfrutam do amor, da aventura, do conhecimento e das experiências de toda uma vida, para então transformar tudo isso em sabedoria. Agora no outono de nossa vida, devemos ensinar aos jovens tudo que aprendemos.
No final do Outono, o Inverno, inicia sua entrada. As folhas começam a cair, e toda a exuberância da Primavera abandona a flor. O homem também atingiu esse período de repouso e satisfação, entendendo que sua existência foi justificada. Com a chegada do Inverno, flocos de neve flutuam para a terra, semelhante em origem mas, como o homem, diferente em forma. Eles cobrem a terra, a haste de trigo, e o homem, com um lençol. Toda a natureza repousa em profundo entorpecimento.
Também o homem deve obedecer a esta lei dos ciclos. Sua vida aqui na Terra, hoje, nada mais é do que o resultado das sementes lançadas em algum tempo e sua espécie porvindoura será orientada pelas sementes lançadas no presente. Se as sementes estavam perfeitas e produtivas; se o homem buscou todas as formas de experiência e conhecimento; se ele de bom grado aceitou as provas e procurou vencê-las, então, a vida que advirá será mais abundante e ele será capaz de maiores conquistas e progressos.
Porém, se o homem foi improdutivo, sonhador, jamais realizando algo efetivamente; se evitou as provas e tribulações necessárias para seu desenvolvimento, recusando-se a adaptar-se as mudanças e preferindo contentar-se com a estagnação, ele terá de enfrentar outros desafios. O progresso e a ordem natural, porém, para o homem, este terá que conquistá-la com esforço próprio.
O homem é produto da natureza, e em seu interior habita a mesma centelha do absoluto, que pode ser encontrada em todas as coisas. No interior do homem, encontra-se a mesma essência da Ordem Divina: a Lei Criativa que gera a existência de todas as coisas. A única diferença que no homem se pode encontrar é que, ao contrário da natureza, tem ele a liberdade de escolher se deve ou não evoluir, adaptar-se e prosperar.    
Pilar Alvares Gonzaga Vieira 

Prêmio Nobel de Literatura
Acadêmica Ludmila Kloczak
A Acadêmica leu a matéria veiculada na Folha de Londrina a respeito das indicações ao Nobel de Literatura, anunciadas  no dia 10 de outubro de 2019. Neste ano dois prêmios foram concedidos porque divergências entre o júri não permitiram chegar a um consenso no ano passado. Assim, a polonesa Olga Tokarczuk foi indicada ao Nobel de Literatura de 2018 e o austríaco, de origem eslovena, Peter Handke foi indicado ao Nobel de Literatura de 2019. Tokarczuk foi considerada a escritora que “nunca vê a realidade como algo estável ou eterno, mas constrói seus romances em uma tensão estre opostos culturais”. Por sua vez, Handke foi escolhido por ser “um dos mais influentes escritores europeus pós Segunda Guerra”. 

"Walt Disney, vida e obra"
Dr. Glauco Borba *

Walter Elias Disney, 
O palestrante apresentou ao final da palestra um texto
de Walt Disney, acompanhado por violão
conhecido por Walt Disney (Chicago, 5 de dezembro de 1901 — Los Angeles, 15 de dezembro de 1966), foi um produtor cinematográfico, cineasta, diretor, roteirista, dublador, animador, empreendedor, filantropo e cofundador da The Walt Disney Company. Tornou-se famoso por seu pioneirismo no ramo das animações com a Disney, tendo produzido o primeiro longa-metragem de animação, Branca de Neve e os Sete Anões (1937), e pelos seus personagens de desenho animado, como Mickey e Pato Donald. 
Walt Disney posando com Mickey Mouse
Ele também é o idealizador dos parque temáticos sediado nos Estados Unidos: Disneylândia e Walt Disney World Resort.[1] Ao longo da sua vida foi um símbolo da indústria da animação e um ícone da cultura popular.

Dr. Glauco Borba com seu
Certificado de participação
 * Cirurgião Dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Marília -SP, Aperfeiçoamento em Prótese Dentária APCD São Paulo, Marketing de Serviços pela Fundação
Getúlio Vargas-Rio EAD,
Oratória e Comunicação Certificado pelo  Instituto 
Dale Carnegie - USA, Produtor e Apresentador do Programa " Na Trilha do Cinema" Radio UEL FM 107,9, Nível avançado da cultura e língua alemã Colégio Mãe de Deus -Londrina

Acadêmico Sergio Alves Gomes

No momento da “PALAVRA DO ORADOR”, o Acadêmico SERGIO ALVES GOMES iniciou suas considerações destacando que sua breve reflexão se centraria no significado e importância do termo “COMPREENSÃO”, para os dias atuais, com ênfase na perspectiva trabalhada pelo filósofo e sociólogo EDGAR MORIN, em sua obra “Os Sete Saberes necessários à educação  do futuro” (Título original: Les sept savoirs nécessaires à l’éducation du futur”. São Paulo: Cortez; Brasília, DF:UNESCO, 2000). As citações utilizadas são trechos que se encontram entre as páginas 105 a 115 da mencionada obra. 
Lembrou, de início, o Orador que -  diante das comemorações do dia da criança, em 12 de outubro (juntamente com o feriado religioso em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e do descobrimento da América) e do dia do Professor, celebrado no dia 15 do mesmo corrente mês -  pode-se fazer uma conexão entre o tema da compreensão - conforme proposto por Morin - a criança e o(a)professor(a). Para o pensador francês, a compreensão é algo a ser ensinado e aprendido, como um dos “sete saberes” por ele destacados como essenciais a um futuro mais humano do mundo.   Logo, todos são chamados a desenvolvê-la e vivenciá-la, especialmente os envolvidos no processo pedagógico de ensino-aprendizagem, acentuou o Orador.  E mais: destacou também que, em seu entender, a aprendizagem da compreensão pressupõe que a Educação para tanto esteja comprometida a levar a sério a formação da personalidade humana com base em valores que orientam para o convívio pacífico, respeitoso e que colaborem na percepção da interdependência humana. Ao invocar o tema dos “valores”, o Orador trouxe à baila a seguinte obra: MAROCCO, PhD. Armando. Construindo Valores: uma resposta ao problema dos contravalores e da falta de valores. São Leopoldo,RS: Unisinos, 2008 (Núcleo de Orientação Vocacional). Nela, seu autor cita o conceito de Raths, para quem ‘os valores são parte do padrão de conduta de uma pessoa”. O mesmo autor citado, diz em seguida: ‘o valor é algo que forma parte da vida de uma pessoa, em que emprega parte de seu potencial de energia e recursos’.  Diante disso, Marocco assevera: “Depreende-se dessas colocações que os valores se desenvolvem por meio de processo educacional que leva o indivíduo a ter sua conduta orientada por normas internalizadas e enraizadas no potencial da inteligência, da afetividade e das ações”. 
Sobre a necessidade de se “ensinar a compreensão”, conforme ensinamento de Edgar Morin, o Orador citou e comentou brevemente trechos da obra supra referida, começando pelo seguinte:
“A situação é paradoxal sobre a nossa Terra. As interdependências multiplicaram-se. A consciência de ser solidários com a vida e a morte, de agora em diante, une os humanos uns aos outros. A comunicação triunfa, o planeta é atravessado por redes, fax, telefones celulares, modems, Internet. Entretanto, a incompreensão permanece geral. Sem dúvida, há importantes e múltiplos pregressos da compreensão, mas o avanço da incompreensão parece ainda maior.  O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. E, por este motivo, deve ser uma das finalidades da educação do futuro”. 
Diante de tal trecho, o Orador ressaltou que, em verdade, o futuro pensado por Morin, na obra referida, cujo texto original  é de 1999, parece já ter chegado, em vários de seus aspectos (buscando referir-se aos problemas que não encontrarão solução sem a expansão da  compreensão entre os humanos). 
Para Morin, “nenhuma técnica de comunicação, do telefone à Internet, traz por si mesma a compreensão. A compreensão não pode ser quantificada. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa; educar para a compreensão humana é outra. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade”
Mais adiante, o autor em foco frisa: “Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto ( o texto e seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno). A compreensão intelectual passa pela intelegibilidade e pela explicação. [...] A compreensão humana vai além da explicação. A explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objetiva das coisas anônimas ou materiais. É insuficiente para a compreensão humana.  Esta comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. [...] Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projeção. Sempre intersubjetiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade.”
Na sequência, o Orador Sergio Alves Gomes fez referência aos obstáculos à compreensão que EDGAR MORIN aponta como desafios a serem superados por meio da educação: o egocentrismo, o etnocentrismo e sociocentrismo e o espírito redutor. “O egocentrismo cultiva a self-deception, a tapeação de si próprio, provocada pela autojustificação, pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem, estrangeiro ou não, a causa de todos os males. A self-deception  é um jogo rotativo complexo de mentira, sinceridade, convicção, duplicidade, que nos leva a perceber de modo pejorativo as palavras ou os atos alheios, a selecionar o que lhes é desfavorável, eliminar o que lhes é favorável, selecionar as lembranças gratificantes, eliminar ou transformar o desonroso”. [...] O etnocentrismo e sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. Por isso, a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes ego-sócio-cêntricas do que contra seus sintomas. As ideias preconcebidas, as racionalizações com base em premissas arbitrárias, a autojustificação frenética, a incapacidade de se autocriticar, os raciocínios paranoicos, a arrogância, a recusa, o desprezo, a fabricação e a condenação de culpados são as causas e as consequências das piores incompreensões, oriundas tanto do egocentrismo quanto do etnocentrismo.”  O espírito redutor, “ é o modo de pensar dominante, redutor e simplificador, aliado aos mecanismos de incompreensão, que determina a redução da personalidade, múltipla por natureza, a um único de seus traços.  Se o traço for favorável, haverá desconhecimento dos aspectos negativos desta personalidade. Se for desfavorável, haverá desconhecimento dos seus traços positivos. Em um e em outro caso, haverá incompreensão.”  
Ainda sobre “espírito redutor”, o Orador destacou a citação que Edgar Morin faz do filósofo Hegel, para o qual:  ‘O pensamento abstrato nada vê no assassino além desta qualidade abstrata (retirada de seu complexo) e (destrói) nele, com a ajuda desta única qualidade, o que resta de sua humanidade’. 
Em seguida o Orador explicou que, para superar tais obstáculos à compreensão, Edgar Morin propõe a “Ética da Compreensão”, da qual fazem parte o “bem pensar” (modo de pensar que possibilita a apreensão em conjunto do texto e do contexto, o ser e seu meio ambiente, o local e o global, o multidimensional, em suma, o complexo...), a introspecção, a consciência da complexidade humana, a abertura subjetiva (simpática) em relação ao outro, a interiorização da tolerância. Esta, “vale, com certeza, para as ideias, não para os insultos, agressões ou atos homicidas”. 
Por último, ressaltou o Orador, que MORIN apregoa a necessidade de expansão da compreensão em nível planetário.  Diz o filósofo: “ as culturas devem aprender umas com as outras, e a orgulhosa cultura ocidental, que se colocou como cultura-mestra, deve se tornar também uma cultura-aprendiz. Compreender é também aprender e reaprender incessantemente”.  E mais adiante, prossegue Edgar Morin: “Foi apenas no século XX que a arte africana , os filósofos e místicos do Islã, os textos sagrados da Índia, o pensamento do Tao, o do budismo transformaram-se em fontes vivas para a alma ocidental isolada ao mundo do ativismo, do produtivismo, da eficácia, do divertimento, que aspira à paz interior e à relação harmoniosa com o corpo”.[...]  O ocidente deve também incorporar as virtudes das outras culturas, a fim de corrigir o  ativismo, o pragmatismo, o “quantitativismo”, o consumismo desenfreados, desencadeados dentro e fora dele. Mas deve também salvaguardar, regenerar e propagar o melhor de sua cultura, que produziu a democracia, os direitos humanos, a proteção da esfera privada do cidadão”. 
MORIN dá forte destaque à Democracia e à Educação como pressupostos indispensáveis à compreensão entre os povos, ao frisar: “A compreensão entre sociedades supõe sociedades democráticas abertas, o que significa que o caminho da Compreensão entre culturas, povos e nações passa pela generalização das sociedades democráticas abertas. [...] A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mútuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades; esta deve ser a tarefa da educação do futuro”.  Futuro este, que na opinião do Orador, já chegou e bate à nossa porta com seus graves problemas mas também com uma imensa carga de possibilidades construtivas que estão a depender das escolhas que a humanidade é chamada a fazer e a empenhar-se:  em prol da desgraça geral ou do bem de todos.  O texto de Morin convida à escolha e efetivo labor em favor da compreensão e do “bem comum”, proposta essa que se encontra em total consonância com o que já dispõe a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 (artigo 1º, inciso IV e artigo 4º, inciso IX) e vários tratados de Direito Internacional dos Direitos Humanos ratificados pelo Brasil. 
Concluída sua comunicação, o Orador agradeceu os presentes pela atenção e devolveu a palavra à Presidência da Mesa. 
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Escritora apresenta 
seus livros

Ao término da reunião, a escritora Nilva Dematé Zolandek, de Palmital, PR apresentou na Academia seus dois livros, "Vidas partidas" e "Águas que passam". Formada em Letras, (Literatura) pela Universidade Estadual do Centro Oeste Paranaense, UNICENTRO, é pós graduada em Literatura Brasileira pelo Unicentro e publicou seu primeiro livro de poesias pela Editora da Universidade, intitulado "Condutoras de Emoção". Cresceu no interior do Paraná e é professora há 24 anos na Escola Pública Paranaense. Gosta também de ensaiar e escrever peças teatrais, além de literatura infanto-juvenil.






Após a apresentação da escritora, a professora Lia Kanarski Silva, também da cidade de Palmital, PR, brindou os presentes com a encenação de um monólogo, encantando os espectadores.



Extratos da reunião de 08/09/2019

(A abertura dos trabalhos coube ao nosso Mestre de Cerimônias
Jonas Rodrigues de Mattos)

A mesa diretiva, com a presidente Pilar Alvares Gonzaga ao centro, 
o palestrante do dia Dr. Luis Parellada Ruiz à esquerda 
e nosso Orador, Acadêmico Sergio Alves Gomes à direita

O Acadêmico Bruno Fuga foi convidado
para a leitura do Credo Acadêmico

O Acadêmico Edilson Elias falou rapidamente do livro "Fatos do Paraná" e agradeceu a todos aqueles que prestigiaram seu lançamento recente no Instituto José Gonzaga Vieira

A Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, Pilar Alvares Gonzaga Vieira, deu as boas-vindas aos presentes - Acadêmicos, visitantes e familiares - e, ao invés da sua tradicional reflexão, cedeu seu tempo para aqueles que se apresentariam em seguida.
Frisou a importância que representará o 14o. Encontro das Academias do Paraná e, mais uma vez, solicitou a participação de todos os nossos Acadêmicos para integrarem comissões de trabalho e colaborarem para o sucesso do evento.

Nosso Momento de Arte contou com uma breve apresentação de algumas aquarelas criadas pela nossa Acadêmica Neusi Berbel.
Para a Acadêmica, a arte é um hobby , por isso não vende seus quadros, mas gosta de mostrá-los, sempre que convidada.  
Neusi pinta aquarelas a  partir de fotos que busca sobre seus temas e de que gosta, ou de suas  próprias, no estilo hiper-realista, em que trabalha nos mínimos detalhes, o que as difere das aquarelas abstratas.
Como explicou, a técnica da aquarela constitui uma mistura de pigmento e água sobre o papel e pode apresentar-se da perfeita exatidão ao desordenado, da aguada à quase fotografia, que é o seu caso.
Neusi tem focalizado seu trabalho em flores, borboletas e pássaros. Já expôs suas obras em diferentes espaços em Londrina.
Uma das aquarelas apresentadas pela artista

Os Destaques Acadêmicos ficaram por conta do Acadêmico Marco Antonio Fabiani, que falou sobre seu livro "Um Bourbon para Faulkner". 
O livro conta a história do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1949, William Faulkner, que veio ao Brasil em 1954 para participar, como convidado especial, de um Congresso de Escritores hospedando-se em hotel na cidade de São Paulo. Ao invés de comparecer às programações organizadas pelo Consulado americano, passou os dias (e noites) no bar do hotel, travando amizade com um garçom de origem americana, que também falava inglês (o autor mistura realidade com ficção), o que resultou em intermináveis conversas. O livro originou uma peça de teatro, já apresentada por diversas vezes em Londrina, com salas lotadas, obtendo enorme receptividade e sucesso.
A Rota de Dom Quixote
Dr. Luis Parellada Ruiz *

O palestrante deleitou os presentes, dividindo sua palestra em duas partes. Na primeira, apresentou um filme produzido na Espanha, sob o título "O retábulo do mestre Pedro", que mistura opereta, dança e marionetes. 
O personagem Dom Quixote, apresentado no filme
A opereta aborda inúmeros personagens além de Dom Quixote, como Melisendra, Dom Gaiferos, o Imperador Carlos Magno, Dom Roldão, o rei Marsílio de Sansonha e Dulcinéia, todos integrantes do livro de Miguel de Cervantes. 
Na segunda parte da palestra, o palestrante narrou com detalhes sua jornada pelas várias cidades em que Miguel de Cervantes viveu, trilhando a chamada "Rota de Dom Quixote", apresentando fotografias de sua autoria que mostram as casas onde o escritor espanhol residiu - a maioria hoje transformada em museus. 
Alcala De Henares, Espanha. Museu e casa berço de Miguel de Cervantes,
com estátuas de Quixote e Sancho Pança
O livro Don Quixote de La Mancha teve sua primeira edição publicada em Madrid no ano de 1605. É composto por 126 capítulos, divididos em duas partes: a primeira surgida em 1605 e a outra em 1615. É o segundo livro mais publicado no mundo, apenas superado pela Bíblia.
Várias fotos apresentadas mostraram esculturas da dupla Dom Quixote e Sancho Pança moldadas em materiais diversos e espalhadas pelo país, além de algumas das caracterizações gráficas sob forma de pinturas e desenhos, inclusive pelo mestre Pablo Picasso.
Os famosos moinhos de vento, que povoaram a história de Dom Quixote
O palestrante explicou que hoje existem inúmeras rotas turísticas na Espanha que percorrem o longo caminho trilhado por Dom Quixote; as rotas são sinalizadas, todas com uma pequena placa indicativa verde e que nos remetem a algum pedaço da mirabolante história de Cervantes.

O mapa da Espanha, mostrando a região da Mancha
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* Dr. Luis Parellada Ruiz é médico formado pela Universidade Saragossa – Espanha em 1956 e revalidado na faculdade de Medicina da Universidade do Recife – PE em 1963; especialista em Patologia Clínica, Medicina Laboratorial pela AMB em 1967; participou de 53 cursos e 58 congressos e jornadas cientificas. Proferiu 50 conferências em cursos e congressos. Autor ou colaborador em 51 trabalhos científicos, três deles premiados. Foi professor assistente de microbiologia clínica da UEL, presidente da associação médica de Apucarana e superintendente da Unimed de Londrina. Criador e diretor titular do Laboratório Labimagem em Londrina.

Acadêmico Sergio Alves Gomes
Para cumprir o último tópico do programa da reunião ordinária da Academia (“Palavra do Orador”), fez uso da palavra o Acadêmico e Orador Sergio Alves Gomes. Sua reflexão foi inspirada especialmente pela efeméride de 07 de setembro, data em que se celebra a proclamação da independência do Brasil em relação à coroa portuguesa. Iniciou pelas considerações sobre a palavra “independência”. 
Para tanto o Orador valeu-se dos ensinamentos do Pe. FERNANDO DE BASTOS DE ÁVILA S.J. que analisa o verbete “independência”, começando pela etimologia do termo:  do latim “in”= privativo ou negativo + “dependere” = depender: condição de não dependência. Segundo o referido autor, “o termo é tomado em vários sentidos, conforme o sujeito e o objeto da não dependência. O sujeito pode ser a pessoa, os grupos ou as comunidades; o objeto pode referir-se à não dependência de vínculos legais ou políticos, de condicionamentos econômicos, sociais ou culturais”. ÁVILA aponta três sentidos para o substantivo independência”.  O primeiro sentido é o de “emancipação que define a passagem à maioridade”. Lembra que os “jovens sempre manifestaram o desejo de afirmar sua independência em face de seus pais e demais autoridades”. E frisa o mesmo autor que “a única maneira de prepará-los para a independência é deferir-lhes crescentes responsabilidades. Sem o exercício de responsabilidades, ninguém se prepara para o uso responsável da liberdade”. O segundo sentido (de independência), “refere-se à independência socioeconômico  do indivíduo, que, por seu próprio trabalho e recurso, pode prover à sua subsistência e à daqueles que tem sob sua responsabilidade. O terceiro sentido  consiste na “independência cultural da pessoa que se pretende conservar isenta das influências de quaisquer padrões de pensamento ou ação”  Bastos de Ávila observa que “nesta mesma chave, entraria a independência política de quem se mantém à margem de qualquer filiação partidária ou de quem, mesmo dentro de um partido, se reserva o direito de crítica de opções políticas.”
Em seguida, Gomes destacou que o autor do verbete “independência” reflete  sobre a aplicação de tal conceito  ao convívio social.  E com tal intuito assevera:  “Aplicados aos grupos ou comunidades o conceito de independência caracteriza uma condição de soberania política, econômica e cultural pela qual o sujeito coletivo detém os comandos de sua autodeterminação e se opõe a qualquer forma de imperialismo [...]. Pela independência política, um povo se constitui em nação, como sujeito de deveres e direitos internacionais [...]  E acrescenta o autor do verbete: “Todo homem, como toda nação, deve manter sempre viva uma justa aspiração de independência contra qualquer entrave que impeça sua promoção e o desenvolvimento de suas potencialidades e recursos. Nenhum homem, como nenhuma nação, entretanto podem esquecer que hoje ninguém é totalmente independente.   Todos são tributários uns dos outros. Para que eu possa agora comer um pedaço de pão, dependo de uma legião imensa de outras pessoas e de uma rede indestrinçável de serviços, sem os quais meu gesto de comer seria impossível [...] Uma aspiração de independência que se traduzisse em exigências de isolacionismo estaria fora do grande vetor da história e votada inelutavelmente à defecção.  Independência hoje só tem sentido como condição para o uso responsável da liberdade, orientado para o maior bem comum das pessoas e das nações”. (IN: PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE MORAL E CIVISMO, FENAME - Fundação Nacional  de Material Escolar, 1972).
Na sequência, a partir destas noções sobre “independência”, o Orador Sergio Alves Gomes lembrou que   o “princípio da independência nacional” figura no elenco dos dez (10) princípios que regem a República Federativa do Brasil nas suas relações internacionais, conforme consta no artigo 4º, incisos I a X, da Constituição Federal, promulgada em  05 de outubro de 1988. Frisou que, segundo a melhor doutrina jurídica vigente e a sedimentada jurisprudência, os princípios constitucionais são as normas jurídicas mais importantes do ordenamento jurídico. São seus pilares e, por isso, além de servirem de sustentáculos da ordem constitucional (que é ao mesmo tempo jurídica, política, econômica, social, cultural, ambiental...) irradiam seus comandos para todo o arcabouço normativo e institucional do País. Não são conselhos.  São normas jurídicas da mais alta hierarquia da ordem jurídica, dotadas de coercibilidade. Por isso, exigem respeito e efetiva aplicação.  Sua observância acarreta efeitos positivos na construção dos objetivos visados pela nação ao adotar tais princípios em sua Carta Magna. Seu desrespeito, ao contrário, traz consequências deletérias, destrutivas, no âmbito das relações internacionais que ocorrem cotidianamente entre o Brasil e demais nações com as quais o País se relaciona. 
O Orador observou também que o alcance do princípio da “independência nacional” (C.F. art. 4º, inciso I) só pode ser determinado mediante a interpretação sistemática da Constituição Federal (considerada em seu todo, como um sistema coerente) e não por meio de interpretação isolada de tal dispositivo. Este deve ser compreendido em consonância com os demais princípios que tratam da mesma matéria constitucional (relações internacionais da República Federativa do Brasil), tais como: prevalência dos direitos humanos, cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, defesa da paz, repúdio ao terrorismo e ao racismo, solução pacífica dos conflitos e outros. 
Destacou ainda o Orador que a verdadeira independência se faz mediante a observância de tais princípios e, sobretudo, valorizando a cooperação internacional no enfrentamento de problemas que ultrapassam as fronteiras de qualquer Estado-nação, como são, por exemplo, aqueles decorrentes de fenômenos da natureza (aquecimento global, secas, inundações, terremotos, furacões, imigrações em massa...). Para fazer frente a tais desafios é indispensável a cooperação entre os Estados -nação, o que comprova a assertiva de que vivemos em tempos que demonstram - a quem tem um mínimo de sensatez - que toda proclamada independência se faz cada vez mais relativa, porque no mundo atual, da sociedade global em rede, somos todos – seja enquanto indivíduos ou nações – cada vez mais interdependentes. Precisamos uns dos outros. Por isso, o diálogo respeitoso é o caminho para o recíproco entendimento. Evitar palavras e gestos ofensivos é fundamental na construção do frutífero diálogo.   Isso requer de todos os países o fortalecimento e valorização da diplomacia a substituir grosserias, ameaças e exibicionismo de forças bélicas que ainda encantam a vaidade de certos governantes que não conseguem esconder o que mais os motivam: uma insaciável sede de perpetuação no poder, em favor de si mesmos. E, lamentavelmente, com tais atitudes, causam grave dano não apenas aos países que governam, mas a todo o mundo, em razão dos reflexos negativos de suas imaturas e antidemocráticas atitudes e ações motivadas pela fantasia de uma absoluta e ilusória independência. 
Por último, com o intuito de chamar atenção para as chamas que estão a destruir velozmente as florestas brasileiras, neste crítico momento de múltiplas, imensas e devastadoras queimadas, o Orador leu um poema de Madalena Oliveira de Souza intitulado “Apelo da mãe natureza para sua filha Natália”(Cf. GAUDEDA, Natália. O Voo da Filha da Terra. Curitiba: 2019, p.77) dedicada  à Professora  NATÁLIA GAUDEDA, homenageada em São Gabriel do Oeste-MS, em 2002, pelo seu trabalho como educadora, em meio aos desafios dos tempos contemporâneos,  inclusive à sofrível e indispensável EDUCAÇÃO, sem a qual o ser humano destrói a si mesmo, começando tal auto aniquilação (suicídio) pela destruição de seu próprio “habitat”, sua morada natural e de todos os viventes. 
Diz o poema:

APELO DA MÃE NATUREZA PARA SUA FILHA NATÁLIA

Ó filha Natália
Com a sua sabedoria
Trabalhando dia a dia 
Muito tem cuidado de mim
Mas nem todos põem na mente
Que estou muito doente
Quase chegando ao fim.

Diga que o meu sofrimento
Vem do grande desmatamento
Destruindo o meu pulmão
Os meus rios estão secando
Peixes não mais encontrando 
Por causa da invasão

Minha fauna destruída
Muitos sem dó tiram a vida
Os animais que querem viver
Minha flora se acabando
As doenças aumentando
Que fazer? Que fazer. (sic)

Grite bem alto filha minha
Doce e meiga rainha 
Que o criador escolheu
Para não fazer queimadas
Pois estou desesperada
Em mim as chamas doeu.

Por onde você tem passado
Muitas sementes têm semeado
Para não me ver chorar
Sei que das tuas lindas mãos
Vão germinar muitos grãos
Para me recuperar.

Eu tenho observado
Pelos meus índios tem lutado
Para defender os direitos seus
Mas quando você deste mundo partir...
Quem lutará para mim?
Pergunte aos filhos meus.
(Madalena Oliveira de Souza)
Em seguida, o Orador agradeceu aos presentes pela atenção dando por encerrada sua fala. 
Entrega do Certificado de Participação
ao palestrante Dr. Luis Parellada Ruiz
pela Acadêmica Fátima Mandelli
Ao término da reunião, a Acadêmica Fátima Mandelli convidou os Acadêmicos para comparecerem no dia 27 deste mês de setembro na Câmara Municipal de Cambé, município vizinho a Londrina, oportunidade em receberá Menção Honrosa pelo seu trabalho na Educação.
Endereço: Av. Inglaterra, 655, em frente ao Colégio Olavo Bilac. Horário 19:30h